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Ocean Bottom Seismometers

4.3 Horizontal components

Todas as barragens e projetos listados acima, com exceção de Garabi, estão localizados na região da bacia do rio Uruguai que drena o Planalto Meridional Brasileiro. Esta área fronteiriça entre os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, possui aproximadamente 75.300 km², com alta concentração populacional para os padrões brasileiros, predominando pequenas e médias cidades e uma estrutura fundiária baseada, fundamentalmente, nas pequenas propriedades rurais, menos de 30 hectares na imensa maioria. Trata-se de uma região relativamente bem servida de infra-estruturas, tais como saneamento básico, estradas, transportes, energia elétrica, comunicação, educação etc., e com atividades industriais de relevância.

Nessa região se localiza o trecho onde os rios do Peixe e Pelotas formam a rio Uruguai, cujo entorno em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul é conhecido como “Região do Alto Uruguai”. Onde, como já dito, localizam-se as duas maiores hidrelétricas já construídas na bacia, UHE Itá no rio Uruguai, e poucos quilômetros acima, a UHE Machadinho, no rio Pelotas.

O Alto Uruguai se caracteriza pelo relevo extremamente acidentado, com vales e montanhas intercalados, com raras áreas planas, coberto por florestas dentro do bioma da Mata Atlântica. Mais de 50% das terras são “dobradas”, ou seja, impróprias para a agricultora mecanizada nos moldes tradicionais. O solo é bastante fértil, apesar de pedregoso em alguns pontos, e da alta declividade20. Estas características dificultaram a expansão do latifúndio que se desenvolvia com força em grande parte do Rio Grande do Sul, e preservaram a região para o advento da agricultura familiar.

Durante o século XIX, o governo brasileiro incentivou a imigração de camponeses europeus, especialmente italianos e alemães, para o trabalho assalariado nas plantações de café da região sudeste e para a colonização das terras não aptas á pecuária da metade centro-norte do Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná. A região do Alto Uruguai gaúcho e

20 Um ditado popular dos colonos da região ilustra bem a situação da agricultura nas áreas de declive acentuado:

catarinense se constitui como a última fronteira agrícola do sul do Brasil, sendo colonizada efetivamente apenas no início e primeira metade do século XX.

Antes disso, a região era habitada por povos indígenas, principalmente guaranis e kaingangs. Hoje restam algumas reservas remanescentes do povo Kaingang nos municípios de Xanxerê em Santa Catarina, e Iraí, Tapejara, Nonoai e Charrua no Rio Grande do Sul, entre outros. Os guaranis foram praticamente exterminados na região, restando pequenos grupos nômades miseráveis, que vivem de cidade em cidade, ou na beira de estradas.

A ocupação do homem branco foi organizado pelas chamadas companhias colonizadoras, que dividiram os lotes entre as famílias que chegavam, e quando necessário, organizavam o combate aos índios ou aos “bugres”, no dizer dos colonos. A exploração inicial das terras foi acompanhada pelo extrativismo nas florestas que cobriam a região. As toras de angicos, cedros, grápias, araucárias, dentre outros, eram transportados até a Argentina pelas águas dos rios Pelotas e Uruguai na época das cheias. Na primeira metade do século XX se instalaram grandes indústrias madeireiras, que só enceraram seu trabalho com o esgotamento quase total das madeiras de lei da região. Desde o início, foi desenvolvida uma agricultura comercial, já que as famílias jamais plantaram somente para se alimentar, pois precisavam produzir excedentes para pagar os custos das colonizadoras, mesmo que simbólicos em relação ao preço da terra e equipamentos agrícolas. Deste fato, nota-se uma das principais características da agricultura familiar no sul do Brasil, que desde o seu início não se constitui somente como subsistência, como em outras regiões do país. Isto possibilitou um relativo desenvolvimento econômico e social, com acumulação de capitais para investimento na indústria, como é o caso de cidades industriais importantes formadas a partir da agricultura, cita-se Erechim / RS e Concórdia / SC. Data dos anos 1940, a instalação das primeiras indústrias de processamento da carne suína e de aves, que viriam a ser marca da região nas décadas seguintes.

A colonização do Alto Uruguai se deu em grande parte, mas não só, com descendentes de imigrantes alemães e italianos vindos das chamadas colônias velhas do Rio Grande do Sul, notadamente a região do Vale dos Sinos (alemães) e Serra Gaúcha (italianos). A exceção feita aos poloneses, grupo importante na região, majoritariamente imigrantes vindos diretamente da Europa. A construção da estrada de ferro RS-SP no final do século XIX e início do século

passado, foi essencial para a abertura de acesso para milhares de famílias que se instalaram na região, sendo que boa parte das cidades lá existentes hoje, originaram-se das estações ferroviárias construídas na época.

A colônia nova, apesar da ocupação tardia, foi rapidamente e densamente povoada por pequenos agricultores. As excelentes condições de clima e solo presentes na região propicia à agricultura que, apesar das dificuldades do relevo, é bastante produtiva e se encontra organizada em milhares de minifúndios de 5 a 10ha, e colônias de 25ha em média.

Por volta de 1940 e 1950, praticamente já não havia mais como expandir a fronteira agrícola no sul do Brasil. Logo apareceriam pressões demográficas e migratórias importantes. Os primeiros sinais do conflito contemporâneo envolvendo latifundiários e os trabalhadores rurais sem terra, eclodiram ainda nos anos 196021, intensificando-se no final dos anos 1970 e

na década de 1980, justamente no Alto Uruguai e áreas próximas.

Mesmo com o enorme êxodo rural verificado no Brasil, especialmente a partir da década de 1970, a região Alto Uruguai manteve sua estrutura fundiária tradicional. Este fato se deve em parte, a própria lógica de expansão capitalista na região, onde a manutenção das pequenas propriedades é estratégica para a viabilização das grandes agroindústrias que produzem no sistema integrado. Dessa forma, mesmo estando divida em muitas pequenas unidades produtivas, a atuação conjunta com a agroindústria faz com que na verdade, haja um grande produtor, tanto em termos de quantidade como de qualidade na produção de mercadorias.