6.2 Salient Reports – Pushing the Selection Further
6.2.2 Hierarchy Among Rapporteurs
As instalações físicas adequadas são fundamentais na consolidação da proposta de tempo integral no campo. Tempo e espaços implicam em custos que, segundo Maurício (2009) podem variar contanto que não se sacrifiquem os objetivos da proposta da educação integral. Maurício (2009) defende, ainda, que a proposta de tempo integral oportunize que a criança se desenvolva em seus aspectos afetivo, cognitivo, físico e social de forma conjunta, não havendo nenhuma hierarquia. Assim, a proposta pedagógica deve ser respaldada pela estrutura física. Todos os entrevistados (equipe diretiva, professores, pais e alunos) relataram como principal dificuldade do tempo integral a falta de estrutura física da escola. Consideram que a estrutura ainda não está adequada e não há espaço para acomodar devidamente os alunos. Alguns declaram que deveria ser construída uma escola nova, ao invés de adaptar a atual.
Não há como a escola ensinar como comer de forma saudável, desenvolvendo as regras sociais sem um refeitório que acomode as crianças. Outra observação que merece destaque é que todas as atividades sejam dos componentes curriculares, sejam extracurriculares, são realizadas dentro da sala de aula, inclusive as refeições, uma vez que a escola não dispõe ainda de um refeitório. Também são necessárias salas especificas para TV e DVD de forma que as crianças possam assistir e discutir os temas apresentados. Faltam ainda, espaços suficientes para a realização de reuniões de alunos a fim de prepararem campeonatos,
CATEGORIAS RESULTADOS
Frequência % de respostas válidas
Concordância total e parcial 11 91,7
Discordância total e parcial 3 8,3
comemorações, conselhos (MAURÍCIO, 2009). Mesmo assim, os pais declaram estar satisfeitos com o aprendizado de seus filhos e com as oportunidades de aprenderem outras
coisas nas oficinas, aulas de música, dança e consideram seus filhos mais atentos, estão melhorando. Afirmaram que estão satisfeitos porque a escola aumentou as aulas e, com isso,
os filhos têm mais tempo e aprendem mais, aprendem muita coisa nova. Nesse sentido, Leonardos (1991) adverte que o horário integral em si nada garante, não adianta um maior número de atividades sem uma filosofia norteadora, com princípios e valores definidos e claros toda a comunidade escolar tanto externa quanto interna. E isso não foi possível verificar na escola pesquisada.
Apesar de avaliarem que na teoria a escola está boa, mas na prática ainda deixa a
desejar, os professores também concordam que a principal dificuldade do tempo integral é a
falta de estrutura física da escola. Entre as condições físicas apontam principalmente a necessidade de melhoria na área de lazer, como quadra de esporte, piscina, e lugares
divertidos, para os alunos não ficarem na sala de aula quente o dia todo. Para os pais se fosse uma escola de tempo integral no padrão seria bom, mas essa aqui não tem estrutura.
A estrutura física deve servir ao projeto educacional e não o contrário. Os argumentos, tanto dos pais quanto dos professores e alunos, são legítimos. Todavia, não se percebe, por parte deles, nenhuma ação mais eficaz para a melhoria da estrutura física da escola. A quadra de esportes esta sendo coberta, mas não resolverá o problema. Relataram as mesmas questões, como falta de lazer, falta de refeitório e banheiros adequados e suficientes. Tais condições são fundamentais para uma escola de tempo integral funcionar bem. Tais observações foram constatadas quando um professor procurou na escola inteira um lugar para aula de violão e acabou indo para debaixo de uma árvore no pátio da escola. A professora de dança deu aula em um espaço sem calçada no pátio, debaixo do sol, com crianças de pé no chão, em seguida os alunos se dirigem a um tanque e lavam os pés para voltar à sala de aula. Consideram que a escola necessita de ter mais salas, melhor banheiros, mais espaço. Os entrevistados apontaram a necessidade de acesso à internet para fazer pesquisas e de livros
melhores na biblioteca.
A equipe diretiva, ao proceder à avaliação do projeto, afirma que este deve ser
mantido. Apontaram os benefícios para os alunos, como ter um espaço de encontro com os
amigos e o acesso a um currículo mais amplo, de se ocuparem ao invés de estar na rua, praticar esporte e o crescimento da autonomia dos alunos. Consideram as aulas de pintura,
dança, coral, violão uma grande conquista. Ao serem questionados se o custo-aluno da escola
O tempo e o espaço ampliados na escola do campo por si só não resolve todas as atividades desenvolvidas com o mínimo de qualidade. Para isso, segundo Maurício (2009), é necessário muito mais que tempo. As crianças do campo vivem em espaços amplos, mas necessitam aprender a compartilhar espaços sociais no restrito espaço escolar. De que adianta o tempo de escovar os dentes se não há banheiros adequados e suficientes? Segundo a argumentação da mesma autora, hábitos, sejam quais forem, para serem aprendidos e praticados requerem tempo. A ampliação do tempo demanda a disponibilização de espaços. Sabe-se que as condições sociais do campo levam a inevitabilidade de uma escola pública em tempo integral, porém segundo Maurício (2009), é preciso garantir necessidades básicas.
A escola de tempo integral do campo tem investido na possibilidade da socialização, uma vez que as crianças, os jovens e adultos vivem isoladas em espaços amplos, mas distantes do aprendizado necessário à sua melhor qualidade de vida. A escola promove o encontro com outras crianças do campo por meio da música, da dança, das participações nos concursos de fanfarras. O argumento mais forte da escola de tempo integral no campo é o potencial de oportunidades que expõe a criança do campo, que vive isolada até certo ponto. Nesse sentido, o estabelecimento em foco tem cumprido seu papel para a promoção do pleno desenvolvimento humano, embora ainda não atenda totalmente as Diretrizes Operacionais da Educação do Campo.
8.5 O DESAFIO DA GESTÃO ADMINISTRATIVA E FINANCEIRA DA ESCOLA DE TEMPO INTEGRAL NO CAMPO
Uma das conclusões de Leonardos (1991) no estudo dos CIEPs como uma inovação educacional é que a estrutura organizacional é mais complexa. Este também é o caso da gestão escolar de uma escola pública de tempo integral do campo. É necessário gerir tempos e espaços ou a falta deles. O líder educacional deve ter a capacidade de negociar a prioridade de horários e espaços disponíveis. Segundo Maurício (2009), essa é uma condição para a construção de valores democráticos.
Para Cavaliere (2010) as políticas públicas investem na concepção ampliada de educação escolar na tentativa de vencer o fracasso e os problemas de integração social e escolar de determinados grupos sociais. No campo tais problemas se intensificam. Nesse sentido, a gestão da escola do campo no Brasil ainda não está pronta para assumir o protagonismo da transformação cultural, embora seja esse seu papel. Sobre as decisões administrativas e financeiras da gestão escolar 81,8% dos professores declararam que as
decisões sobre em que gastar e como gastar os recursos financeiros é tomado por meio da Associação de Apoio. Apenas 9,1% discordaram. Por meio das atas de reuniões pode-se constatar que as decisões são tomadas após comunicação à Associação de Apoio da escola.
Tabela 33 – Para os professores as decisões administrativas e financeiras de como gastar os recursos são tomadas com a Associação de Apoio.
Fonte: Pesquisa de Campo
Os dados mostraram que o gestor escolar promove a avaliação do PPP e declararam que o projeto é construído com participação de toda a comunidade. As observações e os documentos analisados permitiram verificar que os problemas são discutidos e as estratégias definidas coletivamente, o tema de maior frequência são problemas de indisciplina de alunos. 80,0% professores respondentes concordaram que os pais foram chamados, o que mostra o esforço da gestão escolar para implantação de uma gestão democrática e participativa. Os dados qualitativos confirmaram ao apontar que a prestação de contas foi um tema de maior frequência na categoria participação dos pais.
Um percentual de mais de 80,0% dos respondentes afirma que as decisões acontecem nas reuniões da Associação de Apoio Escolar. Pode-se constatar isso, por meio das atas de reuniões, onde é discutido e aprovado, quanto e onde se devem aplicar os recursos recebidos pela escola. Afirmaram que a escola possui um conselho fiscal e administrativo e consideram o processo de decisão de despesa participativo e confirmaram a participação em reuniões para discutir e decidir sobre o que comprar. Declaram que sempre que há verba, é convocada
reunião para ver onde será aplicada.
Os professores revelaram ainda, que nas reuniões a escola sempre presta contas do
que fez. Declararam que as informações são sempre repassadas... Outro dado mostra que
90,0% dos professores afirmam que a escolha dos membros da Associação é voluntária, e apenas um disse não saber. Esse resultado comprova a tendência da gestão democrática e participativa da comunidade escolar.
CATEGORIAS RESULTADOS
Frequência % de respostas válidas
Concordância total e parcial 9 81,9
Discordância total e parcial 1 9,1
Não sei 1 9,1
Total 11 100,0
Tabela 34 – Para os professores a escolha dos membros da Associação de Apoio é voluntaria Fonte: Pesquisa de Campo
A tabela 35 revelou que 81,9% dos professores afirmaram que a Associação de Apoio é composta por professores, pais e comunidade em geral. Com efeito, alguns professores entrevistados afirmaram pertencer à Associação, enquanto que os documentos oficiais e as lista de presença tinham a assinatura dos mesmos.
Tabela 35 – Na opinião dos professores a Associação de Apoio é composta por professores, pais e comunidade em geral
Fonte: Pesquisa de Campo
Ao serem questionados se a Associação acompanha o programa de merenda e transporte escolar 90,9%, conforme tabela 36 disseram que sim, porém não foi constatado durante a pesquisa.
Tabela 36 - Para os professores o Conselho acompanha o programa da merenda, transporte escolar Fonte: Pesquisa de Campo
Os alunos, em torno de (60,0%) reclamaram da qualidade da merenda escolar, dado que confirma a tendência de falta de acompanhamento.
CATEGORIA RESULTADOS
Frequência % de respostas válidas
Concordância total e parcial 9 81,9
Não sei 1 10,0
Total 10 100,0
Sem resposta 2 18,2
CATEGORIA RESULTADOS
Frequência % de respostas válidas
Concordância total e parcial 10 90,9
Não sei 1 9,1
Total 11 100,0
Sem resposta 1 9,1
CATEGORIA RESULTADOS
Frequência % de respostas válidas
Concordância total e parcial 9 90,9
Não sei 1 9,1
Total 10 100,0
Tabela 37 – Na opinião dos professores o Conselho controla as finanças da Associação publicando a prestação de contas no mural da escola
Fonte: Pesquisa de Campo
Os professores declararam, em sua grande maioria, mais de 90,0% que o Conselho Fiscal controla as finanças da associação publicando a prestação de contas no mural da escola. Durante a pesquisa não se verificou a publicação da prestação de contas da escola.
Tabela 38 – Para os professores o Conselho mantém as contas rigorosamente em dia Fonte: Pesquisa de Campo
Os professores declararam 83,3% que o conselho mantém as contas rigorosamente em dia, fato não constatado, a julgar pelas dificuldades de encontrar dados disponíveis na escola para o levantamento do custo-aluno (tabela 38).
Tabela 39 – Na opinião dos professores a proposta de tempo integral foi uma proposta discutida com todos os professores
Fonte: Pesquisa de Campo
Os dados da tabela 39 mostram que os professores declararam que 83,3% concordaram que a proposta foi discutida com todos os professores e apenas 8,3% discordaram. O resultado da análise dos dados permite inferir que a equipe considera a gestão administrativa e financeira satisfatória.
CATEGORIA RESULTADOS
Frequência % de respostas válidas
Concordância total e parcial 9 90,9
Não sei 1 9,1
Total 10 100,0
Sem resposta 2
CATEGORIAS RESULTADOS
Frequência % de respostas válidas
Concordância total 10 83,3
Total 10 100,0
Sem resposta 2 -
CATEGORIAS RESULTADOS
Frequência % de respostas válidas
Concordância total e parcial 10 83,3
Discordância total e parcial 1 8,3
Não sei 1 8,3
8.6 O CUSTO-ALUNO DIRETO DE FUNCIONAMENTO NA ESCOLA PESQUISADA