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Har Tigris bidratt til økt kunnskap og kompetanse?

4. Tigris

4.4 Kunnskap og implementering av kompetanse

4.4.5 Har Tigris bidratt til økt kunnskap og kompetanse?

Na primeira geração de textos do periódico Clarín, mapeamos três grandes ethé, dois deles presentes também na primeira geração de texto do Jornal do Brasil. Nos exemplares de 1958, 1961, 1967, 1973 e 1976 (05, ao total), constatamos a presença do enunciador- autoridade, que se mostra como um locutor especializado no debate de temas relacionados à política nacional/internacional e à economia. Esta imagem discursiva se manifesta em cenografias semelhantes às análises políticas e econômicas, em que se mobilizam argumentos específicos das duas áreas para a defesa de teses.

Nos exemplares dos anos de 1949, 1952, 1955, 1964 e 1969 (05, ao total), constatamos a presença de um enunciador nacionalista que, em alguns casos, mostra-se preocupado com os problemas sociais argentinos e, em outros casos, mostra-se protecionista com relação aos signos que compõem a identidade cultural portenha a partir dos símbolos da cultura nacional. Retrospectivas históricas são mobilizadas como cenografias para a expressão deste ethé.

Por sua vez, nos editoriais de 1946 e 1970 (02, ao total), constatamos a manifestação de um ethos distinto dos presentes nos exemplares do JB: o ethos humanitário, pelo qual o enunciador se mostra através de uma imagem discursiva galgada em valores como a humildade e a solidariedade com relação a fatos que integram a história sociopolítica argentina. Cenografias como a de um pronunciamento oficial e de um desabafo público são mobilizadas para a expressão deste ethos.

No editorial de 1958, o título já anuncia e antecipa a tese segundo a qual será tecida a análise: a Argentina segue sendo um país rico em termos florestais, mas marcado pelo mau aproveitamento desta riqueza. A cenografia mobilizada para a defesa desta tese e para a expressão do ethos é a de uma análise sociopolítica das questões florestais portenhas, no contexto das negociações (importação e da exportação) de madeira na Argentina.

Assim como no JB, a enunciação nos editoriais do CL se dá, em sua maioria, como se verifica no exemplar de 1958, segundo um plural inclusivo manifesto nos dêiticos de primeira pessoa do plural (“Para el consenso público argenti- | no, nuestro país es dueño de un | opulento y completo patrimonio fo- | restal”; [...] “Suponemos que los recursos | de los bosques nacionales son cuan- | tiosos y compatibles con los de las | carnes y cereales”) e circunscrita a um tempo presente que se reporta aos fatos históricos do passado para tomá-los como elementos de análise (“en el año 1955”, “dentro de diez años”, “en la actualidad”).

O enunciador desta cenografia se vale de um discurso técnico e especializado, cunhado em dados científicos e em dados estatísticos, para mostrar de si a imagem de autoridade que o legitima inclusive a dar encaminhamentos para a resolução dos problemas de importação e exportação de madeiras na Argentina, como expresso, em síntese, no fim do editorial:

(CL 05/1958) Tenemos la certeza de que con lo expuesto se con- | tribuirá a revalidar los

bosques nacionales como fuen- | te de trabajo y de riqueza, y se aportará un recurso |

inestimable para el mejoramiento de la | salud de la economía argentina, que a todos nos preocupa y a | todos nos interesa.

O presente exemplar se constrói a partir de um discurso especializado, como dito, em que se recorre a termos técnicos da botânica (“bosques andinopatagónicos”, “fitogeográficamente”, “región chaqueña”) e do comércio exterior (“déficit forestal”, “cambio preferencial”, “política cambiaria”) para a construção da imagem de um enunciador que se mostra conhecedor, com profundidade, das questões que se propõe a debater. Este enunciador, ao passo em que, pelo discurso, se evidencia como autoridade, lança mão de estratégias argumentativas, como o direcionamento de perguntas retóricas (“¿Qué ocurre?”; “¿Por qué debemos adquirir en el extranjero made- | ras?”; “¿Carece nuestra riqueza forestal de la proce-

| ridad que le atribuimos?”) pelas quais leva os coenunciadores à reflexão e à consequente

adesão ao ponto de vista defendido no texto.

As expectativas para a realização da XI Conferência Interamericana realizada pelo Conselho Diretivo da Organização dos Estados Americanos (OEA) são o tema central do editorial de 1961, em que se mobiliza, assim como no exemplar de 1958, a cenografia de uma análise sociopolítica, neste caso, uma análise das questões de cooperação internacional dos países americanos, em destaque os países da AL.

Em uma enunciação na primeira pessoa do plural (“Ya | observamos oportunamente, las cir- | cunstancias excepcionales en que ella | tendrá lugar”; “si la |

de peligro”), antecipam-se as tensões políticas dos estados americanos a serem debatidas na XI Conferência que se realizada no dia 24 de maio daquele ano, como expresso pelos dêiticos temporais (“para el 24 de | mayo próximo”).

No debate sobre os rumos da política internacional no continente americano, constrói-se a imagem de um enunciador esperançoso e confiante nos esforços de cooperação internacional empreendidos nas Américas, como se observa no fragmento em destaque a seguir:

(CL 06/1961) La realización de la XI Confe- | rencia Interamericana, con- | certada en el Consejo de la OEA, tras | varias postergaciones, para el 24 de | mayo próximo, anticipase

con signos | auspiciosos que es grato señalar. Ya | observamos oportunamente, las cir- | cunstancias excepcionales en que ella | tendrá lugar, pero a la vez el acendra- | miento del

espíritu de la unidad conti- | nental con que los pueblos de esta par- | te del mundo se disponen a encarar | sus presentes y eventuales dificulta- | des. En este sentido las manifestacio- | nes del secretario de Estado de la | Unión, señor Rusk, ratificadas en suce- | sivas entrevistas con periodistas y re- | presentantes diplomáticos latinoame- | ricanos parecen definir expresamente | una orientación internacional del de- | partamento a su cargo, que retomaría | las líneas fundamentales y esenciales | de la “política de buena vecindad”.

Através de uma análise otimista do pronunciamento do Secretário de Estado da União, a quem o enunciador de dirige com respeito através do uso de dêiticos sociais (“señor Rusk”), constata-se a recorrência a um campo léxico constituído por termos da política internacional (“signos auspiciosos”, “unión continental”, “orientación internacional”, dentre outros) que dá sustentação à tese de que a América vivia, então, um momento oportuno para o debate sobre suas relações internacionais. Do mesmo modo, os editoriais de 1967, 1973 e 1976 se constituem em cenas de fala semelhantes às análises políticas e econômicas sobre as relações internacionais protagonizadas pelos países da AL, como se observa a seguir:

(CL 08/1967) En muchas oportunidades hemos expuesto | nuestra opinión acerca de la

política se- | guida por el anterior gobierno del Brasil. Tam- | bién hemos señalado, como

todo daba a entender, | que con otra conducción las orientaciones cam- | biarían. No nos basábamos sólo en juicios subje- | tivos sobre los hombres que iban a constituir el | nuevo gobierno, sino más bien en la objetiva in- | sustentabilidad de una política inspirada por un

| criterio de subordinación.

(CL 10/1973) El gobierno de Fidel Castro | dio recientemente un signi- | ficativo paso a

favor de la disten- | ción de las relaciones continentales | al afirmar un tratado con Estados | Unidos sobre piratería aérea, en | virtud del cual reexpedirá para su | juzgamiento a los

secuestradores | de aviones que recalen en la isla | caribeña.

(CL 11/1976) El año de 1975 pasará a la histo- | ria económica de la mayoría | de los países subdesarrollados co- | mo uno de los períodos más nefas- | tos. En América latina, Brasil y

Mé- | xico debieron desacelerar sus | ritmos de crecimiento, mientras | que otros, como la Argentina, Chile, | Perú y Colombia, vieron descender | sus productos por debajo del | nivel del año anterior.

A imagem discursiva do enunciador-autoridade é projetada nos presentes editoriais com nuances específicas, a saber: (i) a de um enunciador que se mostra protecionista, ou seja, que se projeta, pelo ethos, em defesa da posição assumida pela Argentina no contexto da política internacional, frente à nova posição do Brasil anunciada por José de Magalhães Pinto, então chanceler brasileiro, no editorial de 1967; (ii) a de um analista político militante a favor da reintegração de Cuba à aliança comercial estabelecida entre os países da América Latina, no editorial de 1973; e (iii) a de um enunciador que revela de si a imagem de um locutor especializado na análise da projeção econômica da AL, ao mesmo tempo em que se mostra crítico com a então situação econômica argentina, no texto de 1976.

O plural inclusivo se manifesta na enunciação dos editoriais de 1967 (“En muchas oportunidades hemos expuesto | nuestra opinión”) e de 1973 (“la perspectiva de que |

nuestros países alcancen al desa- | rrollo independiente”). O texto de 1976, ao contrário, não apresenta estes dêiticos discursivos. Há ainda a ocorrência de dêiticos temporais nos textos de 1973 (“recientemente”; “hace doce años”) e de 1976 (“Desde 1964”; “Desde 1974”). Registra-se também a ocorrência de dêiticos espaciais (“Em América Latina”, no editorial de 1976) e de dêiticos modais (“Resulta así impres- | cindible una nueva estructuración | del sistema”, no exemplar de 1976). Todos estes elementos dêiticos estabelecem as coordenadas discursivas para a expressão das cenografias variadas nas quais se manifestam as imagens discursivas dos enunciadores.

O campo léxico dos três editoriais estabelece interrelação com os discursos da política e da economia, através do uso de expressões específicas das duas áreas, tais como “soberanía”, “interés nacional”, “diplomacia argentina” (CL 08/1967), “relaciones continentales”, “soberanías nacionales” (CL 10/1973) e “balanzas comerciales”, “carácter exógeno”, “subdesarrollo económico” (CL 10/1973), dentre outras.

Devemos ainda destacar a posição assumida pelo enunciador dos três editoriais, posição esta que revela aspectos do contexto histórico da época em que os textos foram publicados. Em “Nuevo rumbo em Brasil” (1967), toda a análise empreendida conduz o coenunciador a uma conclusão: a nova posição assumida pelo Brasil, de protecionismo da economia nacional no contexto da AL, representava graves perigos para a diplomacia argentina nos anos de 60 e 70 do século XX.

Em “Cuba y Latinoamérica” (1973), o Clarín, pela voz do enunciador do editorial, mostra-se totalmente favorável à plena integração dos países latino-americanos, em destaque Cuba, no plano das relações internacionais mundiais. Por fim, em “Los modelos a prueba”, o

enunciador promulga a opinião de que o sucesso dos mercados latino-americanos depende de uma reconfiguração das relações econômicas no continente, entre os países latino-americanos. Ao lado do enunciador-autoridade, que se projeta em cenografias como as análises sociopolíticas e/ou político-econômicas, está posto, também nos editoriais do CL, o enunciador-nacionalista, expresso a partir do debate de temas sobre os signos que compõem a identidade nacional argentina, em termos sociais e culturais, como no exemplar publicado em abril de 1949 pelo diário portenho.

Em “El ideal de la Argentinidad”, um enunciador nacionalista exalta os valores que constituem a imagem nacional argentina, pela qual os portenhos demonstram um sentimento de pertença à Nação. Este editorial se expressa, assim, a partir de um discurso da identidade nacional, evidenciado em expressões de cunho patriótico como “corazón argentino”, “hermano nuestro”, dentre outras.

Como uma tradição discursiva, a enunciação se manifesta pelo plural inclusivo, através dos dêiticos de primeira pessoa (“en | nuestra tierra nadie es extranjero si viene animado del de- | seo de sentirse hermano nuestro”; “[...] cuyos manes conviven con

nosotros y nos guían a | través de la intricada maraña de la evolución histórica”). Há também o registro de coordenadas temporais (“en la sesión de clausura del Primer | Congreso Nacional de Filosofía”) e espaciais (en | Mendoza”).

Em claro apoio ao Governo do presidente Juan Domingo Perón (1946-1955), o Clarín parte de um pronunciamento do então presidente argetino para dar ênfase ao espírito acolhedor do povo portenho, traço peculiar de sua identidade segundo o que se afirma no seguinte excerto:

(CL 02/1949) El presidente argentino se ha pro- | nunciado categóricamente por la “tercera posición”, que es | la que encarna plenamente el ideal de la argentinidad, | ideal de

equilibrio, de armonía y de justicia. En suma: una | “comunidad que persigue fines espirituales y materiales, | que tiende a superarse, que anhela mejorar y ser más jus- | ta, más buena y más feliz, en la que el individuo puede | realizarse y realizarla simultáneamente. ¡Todo ello con sen- | tido de eternidad!”

Diferentemente do que se pode observar no editorial de março de 1946, em que o CL se posicionava timidamente acerca do Governo Perón, no editorial de 1949, há uma tomada de posição do periódico no cenário político nacional favorável a Perón e a seu modelo

de governo, ainda que de modo forçado, em função do resultado das eleições daquele ano. A este repeito, Sivak (2013, p. 74, tradução nossa96) assinala que:

O Clarín defendeu a agenda do Governo a partir do fim de 1946 até os últimos dias da presidência de Perón em 1955. Fez isso nas páginas editoriais, às vezes assinadas por Noble; na cobertura dos grandes atos de massas oficialistas, como o 1º de Maio e o 17 de Outubro, quando destacava a concorrência e elogiava os discursos; e no insuficiente tratamento da oposição. Diferentemente da imprensa oficialista, nem desqualificava os opositores nem os designava como ‘oligarcas’ ou ‘vendepatrias’. Buscava situar seus elogios a uma prudente distancia da propaganda.

Em apoio ao discurso peronista, o enunciador deste editorial conclui que a identidade nacional argentina tem como base a cultura universal que vem da Grécia antiga e a cultura cristã. Os argentinos, que compartilham desta identidade, são um povo filosófico por excelência que, por sempre acolher o estrangeiro como um irmão, se orgulha de seu passado, satisfaz-se com seu presente e se sente seguro de seu futuro, tendo sempre democracia como bem comum a todos os cidadãos.

Também a partir de um ethos nacionalista e patriótico se constrói o editorial de 1952, no qual uma retrospectiva histórica que se realiza por meio de um relato noticioso se constitui como cenografia para a expressão da referida imagem discursiva, que toma como fato motivador da enunciação as comemorações do Dia da Bandeira, expoente da identidade nacional e da história de luta do povo argentino.

O enunciador deste editorial exalta e louva a bandeira como um dos símbolos máximos da identidade do povo portenho, em uma enunciação também expressa pelo plural inclusivo (“Porque la bandera | resume nuestra historia y nuestro futuro; condensa en | sus pliegues las riquezas de nuestro acervo espiritual y | moral y nos habla de las glorias del pasado), com marcadores dêiticos temporais e espaciais que se reportam a um passado próximo e a uma topografia peculiar ao locutor (“Que es lo que con generosa unanimidad se hizo | ayer en toda la República”). Neste editorial, há um campo léxico ufanista, de louvor aos símbolos da identidade nacional, que revela o sentimento de amor à pátria expresso pelo enunciador, como se observa a seguir:

96 Tradução nossa de: “Clarín defendió la agenda del Gobierno desde fines de 1946 hasta los últimos días de la presidencia de Perón en 1955. Lo hizo en las páginas editoriales, a veces firmadas por Noble; en la cobertura de los grandes actos de masas oficialistas, como el 1º de Mayo y el 17 de Octubre, donde destacaba la concurrencia y elogiaba los discursos; y en el insuficiente tratamiento de la oposición. A diferencia de la prensa oficialista, ni descalificaba a los opositores ni los designaba como ‘oligarcas’ o ‘vendepatrias’. Buscaba situar sus elogios a prudente distancia de la propaganda”.

(CL 03/1952) Porque uno y otra se identifican de tal modo | que el juramento que los conscriptos de todas las guar- | niciones del país prestaron la víspera, alcanzó el mismo | sentido que el que pronunciaron los soldados del prócer | en el instante crucial, cuando el

paño inmortal surgió | al conjuro de su sublime inspiración. || *** El alto significado que

surge del símbolo de la propia | enseña, estuvo presente en la celebración de ayer. En | todas las ceremonias el flamear de la insignia venerada | al tope de los mástiles y el desfilar marcial de las tropas | frente a ella, revistieron un contenido que la trascendió | del simple formalismo de los actos.

Assim como no editorial de 1949, faz-se referência às glórias do passado (“glorias del pasado”) e às esperanças do futuro (“es- | peranzas de lo porvenir”) como base da aspiração dos argentinos ao destino da Nação, que se vê retratada na bandeira nacional, símbolo de todo um povo que destaca o azul do céu portenho e o Sol de Maio, em referência à Revolução de Maio de 1810 pela busca da independência na Argentina.

Ao lado da bandeira, o tango é retratado no editorial de 1955 como símbolo da cultura argentina. Neste texto, a cenografia reconstrói uma retrospectiva histórica que parte de um relato em que se expressa um ethos nacionalista que, em louvor à dança portenha, enuncia em tom patriótico sobre este símbolo da cultura local que se transformou em símbolo da cultura universal, ao longo dos séculos.

A enunciação segue na primeira pessoa do plural (“según ha referido recientemente | el médico de una de nuestras na- | ves mercantes”; “No | sabemos si el tango escuchado por | los marinos argentinos a orillas del Mar Negro [...]”), em um tempo presente a partir do qual se rememoram fatos históricos que remontam às origens do tango na AL (“Un tango ruso. Eso tocaban en | una “boite” de un puerto del | Mar Negro el día en que pararon en | ella algunos marinos argentinos”).

O enunciador-nacionalista, orientado por um discurso patriótico, recorre a expressões como “matriz del tango” e “ciudadanía universal” para elevar o tango ao posto de expoente máximo da cultura portenha, ao lado de todo o repertório de signos identitários que ele evoca, como em destaque no trecho expresso a seguir:

(CL 04/1955) El tango es en el lengua- | je internacional “le tango argentin” desde que lo

lle- | varon a París los primeros mozos locos que lo baila- | ron con corte y quebrada. Largo tiempo, poco menos | que olvidado, después de haber poblado a principios | del siglo el arrabal y el centro con su ritmo ingenuo y | compadrón, revive ahora “La Morocha”, difundida por | mundo en millares de discos, en alas de la voz mimo- | sa de la cantante

japonesa Ranko Fujisawa. || ● El auge de otras danzas pasa; el del tango perdu- | ra. É também a partir de cenografias que partem de relatos para mobilizar retrospectivas históricas que se projetam as imagens de si dos enunciadores dos editoriais de 1964 e 1979, que tratam, respectivamente, dos antepassados do povo argentino e seu espírito

criador e dos desafios da Biblioteca Nacional Argentina como parte da história e da cultura nacionais, ao longo dos séculos.

Em “Recobremos la pujanza creadora”, exemplar de 1964, o ethos nacionalista é expresso em um discurso patriótico de exaltação a figuras notáveis da história argentina, responsáveis pela expansão do território nacional. A partir de um relato histórico, marcam-se o tempo da enunciação (“Hace exactamente un siglo, o | poco menos...”) e o plural inclusivo (“nosotros todos”) no debate sobre o legado dos antepassados argentinos, como se observa a seguir:

(CL 07/1964) Tenemos que ceñirnos antes que | a una mera formulación especula- | tiva, con miras historiográficas de | evocación, a la responsabilidad que | esos hechos de envergadura creado- | ra representan; tenemos que pensar | en la herencia de valor, de carácter, | de

idealismo y de confianza que | nuestros mayores nos legaron. Y | tratar de enaltecernos en

el propio | esfuerzo. || Como hace cien años; más: | como hace ciento cincuenta | años, cuando Gorostiaga decía con | natural énfasis en la Constituyente: | “El desierto nos rodea por todas par- | tes y vemos la necesidad de crear”, la | Argentina espera en la vastedad

des- | poblada de gran parte de su territo- | rio la contribución generosa e inte- | ligente del hombre.

Expressões como “hechos inmortales”, “valor”, “carácter”, “idealismo”, “confianza”, bem como os argumentos selecionados pelo enunciador, estabelecem interrelação com o discurso histórico com fins à defesa da tese de que os povos argentinos contemporâneos devem se reconhecer no exemplo da força criadora de seus heróis do passado, símbolo da força portenha, como expresso na conclusão do texto (“Rindamos

tributo a aquellas ge- | neraciones arriesgadas, compuestas | por hombres temblados en el