• No results found

Har alle ein venn?

In document Psykisk helse hjå barn i barnehagen (sider 66-69)

5.4 Personale barn relasjonar

5.4.4 Har alle ein venn?

Segundo Dayrell (2003, p. 41), existe ainda uma concepção romanceada, difundida por Abramo (1994) e Feixa (1998), em que a juventude é apresentada como um tempo de liberdade, prazer e rebeldia. Essa forma de interpretar e compreender a juventude desconecta-se da concepção naturalista biológica quase unívoca na definição e veio se firmando, a partir dos anos 60, como resultado dos movimentos da época, a exemplo do crescimento da indústria cultural e do mercado de consumo destinado aos jovens.

A essa concepção se harmoniza a “noção de moratória social”, na qual a juventude é vista como um fase para as aprendizagens, “o ensaio e erro, experimentações, período marcado pelo hedonismo e pela irresponsabilidade, com uma relativização da aplicação de sanções sobre o comportamento juvenil” (DAYRELL, 2003, p. 41), ou ainda, nos termos de Marguiles e Urresti (1998),

(…) lapzo de tiempo otorgado por la sociedad, para estudiar y profesionalizarse en alguna carrera, es gracias a esta moratoria social que los jóvenes que cuentan con esta (generalmente los de sectores medios y altos) alargan los tiempos de responsabilidad e ingreso a la vida adulta.

Existe ainda a tendência que associa a juventude a uma fase de crise, fase difícil de autoafirmação, de conflitos internos profundos de baixa autoestima. Ligada

a esta concepção, há a tendência de considerar a juventude como um momento de ruptura com a família ou para atender uma necessidade de autoafirmação como jovem adulto ou em função da crise da família como instituição nuclear e socializadora.

Autores como Zaluar (1997), Morcelline (1997) e Abromavay et al. (1999), em seus estudos, destacam que instituições como a família e a escola, as principais responsáveis pela formação de princípios e valores éticos e morais, estariam perdendo seu papel central.

Dayrell (2003, p. 41) destaca, ainda, a “tendência de perceber o jovem reduzido apenas ao campo da cultura, como se ele só expressasse a sua condição juvenil nos finais de semana ou quando envolvido em atividades culturais”.

Há, ainda, a tendência que percebe o jovem como um problema social. Nesta linha, ressalta Pais (1990, p. 144):

(...) eles são os problemas de inserção profissional, os problemas de droga, os problemas de delinquência, os problemas com a escola, os problemas com os pais, só para focar alguns dos problemas socialmente mais reconhecidos como específicos dos jovens.

As tendências até aqui discutidas referem-se à juventude como composta por indivíduos que se encontram em uma dada fase da vida, entretanto elas expressam ideias e conceitos diferenciados, mas “sempre encapsulada num mesmo nome – Juventude” (PAIS, p.149, 1990), como se representassem uma unidade.

A questão que se apresenta é, nos termos de Pais (p.149), paradoxal uma vez que depositar, num mesmo termo, as diversas formas de se ver e compreender a juventude, é muito complexo. No máximo, pode-se compreender que a categoria se apresenta oscilando em dois eixos: pode se apresentar como unidade (no que se refere à fase da vida) e como diversa (no que se refere às questões sociais e aos jovens uns dos outros).

Nestes termos, a sociologia da juventude nos lembra que

Não há, de facto, um conceito único de juventude que possa abranger os campos semânticos que lhe aparecem associados. A diferentes juventudes e a diferentes maneiras de olhar essas juventudes corresponderão, pois, necessariamente, diferentes teorias. (PAIS, p. 151, 1990)

Apesar da inegável contribuição destas tendências no campo teórico, para Dayrell (2003) existe uma lacuna no conceito de juventude. Isto porque ambas

constroem modelos rígidos da noção de juventude que acarretam recortes na realidade dos jovens, de tal maneira que compromete a compreensão do jovem como sujeito de sua realidade.

Pais (1990) avalia que essas várias tendências, dentro um determinado propósito metodológicos, podem ser agrupadas nas duas principais correntes tóricas da Sociologia da Juventude: a geracional e a classista.

Na primeira corrente teórica, a juventude é considerada um momento físico e psicológico, uma fase intermediária entre a infância e a vida adulta, em que o sujeito busca autonomia e redefinição dos laços de dependência familiar.

a) (...) a juventude é tomada como um conjunto social cujo principal atributo é o de ser constituído por indivíduos pertencentes a uma dada «fase da vida», prevalecendo a busca dos aspectos mais uniformes e homogéneos que caracterizariam essa fase da vida - aspectos que fariam parte de uma «cultura juvenil», específica, portanto, de uma geração definida em termos etários. (PAIS, 1990, p.140).

Ao enfatizar aspectos característicos mais uniformes e homogêneos, que fariam parte de uma cultura juvenil unitária, específica de uma geração definida por termos etários e biológicos, os defensores da corrente teórica geracional acabam generalizando a ideia de juventude e negligenciando os aspectos históricos, sociais, espaciais e culturais da juventude, extremamente significativos na diferenciação dos variados tipos de ser jovem no tempo e no espaço.

A segunda corrente teórica, a classista considera a juventude como um conjunto social diversificado, devido às diferentes origens de classe que apontam para uma diversidade das formas de reprodução social e cultural. As culturas juvenis seriam sempre culturas de classe, como produto das lutas de classe e das desigualdades sociais, o que contribui para expressar sempre um significado político de resistência, ganhando e criando espaços culturais.

b) (...) a juventude é tomada como um conjunto social necessariamente diversificado, perfilando-se diferentes culturas juvenis, em função de diferentes pertenças de classe, diferentes situações econômicas, diferentes parcelas de poder, diferentes interesses, diferentes oportunidades ocupacionais, etc. Nestoutro (sic) sentido, seria, de facto, um abuso de linguagem subsumir sob o mesmo conceito de juventude universos sociais que não têm entre si praticamente nada de comum. (PAIS, 1990, p. 140)

Embora a corrente teórica contribua para uma análise da juventude a partir de uma perspectiva diversificada, esta tendência, assim como a geracional, também

negligencia aspectos importantes. Noções de espaço e tempo e questões culturais relativas às relações de gênero e raciais não são levadas em consideração. A cultura juvenil, nesta perspectiva, acaba reduzida à relação de classe.

Para Spósito (1999), a crítica às correntes teóricas está centrada no fato de que ambas compreendem o conceito de juventude como algo estático, que não muda através do tempo. Segundo a autora, a condição de ser jovem varia de acordo com o tempo, demonstrando que o conceito pode ser fluido, no sentido que varia de acordo com a longevidade de uma dada sociedade. Entretanto, construir uma concepção de juventude que consiga abranger toda sua heterogeneidade é uma tarefa extremamente difícil. Por isso, afirma Spósito (2003, p. 60), “tem sido recorrente a importância de se tomar a ideia de juventude em seu plural – Juventudes -, em virtude da diversidade de situações existenciais que afetam o sujeito”. “O uso da expressão "juventudes" representa o reconhecimento da necessidade de, ao se tratar de jovens, levar em conta que esse segmento constitui identidades e singularidades de acordo com a realidade de cada um” (SILVA e SILVA, 2011, p. 664).

Autores contemporâneos como Pais (1990, 1997), Peralva (1997), Dayrell (2003), Castro E Abramovay (1998, 2002), Spósito (1999, 2003), entre outros que tratam do temática, imprimiram um novo significado aos estudos da juventude, trazendo o jovem para a cena como protagonistas de um tempo de possibilidades. Rompem com a ideia de grupo homogêneo com características comuns a uma idade e constroem uma noção de juventude pela ótica da diversidade, em que lugar e trabalho não se constituem como elementos definidores para a identidade dos indivíduos (SOUZA, 2004. p. 51).

Ao estabelecer o recorte sobre o tema Juventude, procurei buscar no debate dos autores até aqui apresentados as diversas concepções e as imprecisões que permeiam a própria definição e significado do que pode ser considerado juventude.

Sendo os jovens do CSE-RR, por força da Lei, apreendidos e internados com idade entre 12 e 21 anos, a abrangência deste estudo à faixa etária ocorre não por uma opção, determinação pessoal ou com a concordância conceitual de associação da juventude com a dada faixa etária previamente estabelecida. A faixa se impõe meramente como questão circunstancial.

A concepção neste estudo no que se refere à categoria juventude é da diversidade, uma vez que ao tomar suas trajetórias de vida evidencia-se que seus

percursos apresentam vivências intensas que provocaram rupturas e descontinuidades nas tradicionais fases de desenvolvimento humano, que consideram a infância, adolescência e a fase adulta cronologicamente demarcados. A visão de mundo e a percepção das circunstâncias são diferenciadas, os contextos são distintos: as vertentes de acesso à idade adulta mostram-se bastante flutuantes, flexíveis e elas próprias diversificadas. Apesar destes jovens constituírem um dado grupo que atualmente compartilha da experiência de reclusão em um mesmo espaço, a forma de sentir, interpretar e vivenciar essa experiência é subjetiva e diversa, muito embora, por vezes, os discursos sejam semelhantes – discurso institucionalizado.

Compreender a juventude sob o prisma diversidade e da heterogeneidade facilitou a análise das experiências destes jovens e de suas percepções acerca da violência, a partir de suas trajetórias e de seus prismas.

2.3 O JOVEM E A VIOLÊNCIA NO CONTEXTO BRASILEIRO

In document Psykisk helse hjå barn i barnehagen (sider 66-69)