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geográficos, alegando que isso distorce as decisões de investimento local a ponto de, na verdade, prejudicar as comunidades alvo da lei. Reclamam que a carga regulamentar e os incentivos são orientados apenas para alguns e não para todos os intermediários financeiros, como uma simples mudança da composição dos empréstimos, colocando um encargo injusto e ineficiente sobre os bancos e instituições de poupança. Além disso, negam que se possa justificar o CRA como um quid pro quo para uma subvenção líquida a partir do governo

federal aos bancos e que, do ponto de vista econômico, o CRA é ruim, pois se coloca uma carga regulamentar em apenas um tipo de instituição financeira (bancos e instituições de poupança e empréstimo), deixando de fora outros participantes do mercado, tais como companhias de seguro e empresas de valores mobiliários.

Gunther (2000) sugere que a lei gera custos elevados de diferentes formas, pois espera dos bancos não só expandir o crédito, mas também manter a segurança e a solidez de suas operações, objetivos que, para o autor, são mutuamente inconsistentes. Gunther também argumenta que as deficiências de mercado e de discriminação não são significativas para justificar o CRA, pois a lei obriga os bancos a envolver-se em empréstimos não rentáveis e arriscados. Na medida em que força instituições a emprestar a mutuários menos solventes, aumenta o risco e reduz a sua rentabilidade. Enquanto obriga a emprestar localmente, mina a capacidade dos bancos de diversificar seus empréstimos geograficamente, comprometendo a solidez de seu portifólio. Ademais, nos momentos de abrandamento econômico, quando bancos devem necessariamente reduzir seus riscos, as avaliações do CRA dariam baixo desempenho, mas tratar-se-ia, na verdade, de uma redução prudente de empréstimos arriscados. Assim, a exigência de que bancos devam emprestar onde quer que eles aceitem

depósitos seria, segundo Gunther, uma má escolha para superar o racionamento de crédito, porque prejudica a inovação, a especialização e a economia de escala.

Para Meeker e Myers (2002), a rentabilidade de muitos programas especiais de crédito, criados para atender ao CRA, tem sido questionada tanto do ponto de vista teórico, quanto prático. Os argumentos variam de “se o negócio fosse rentável, não teria que ser obrigatório” a “o CRA nos mostrou novas oportunidades de negócios”. Muitos percebem o CRA como um negócio altamente a arriscado e que gera pouco lucro. Por outro lado, dizem os autores, há evidências de que as perdas com o CRA não são maiores que nos empréstimos convencionais.

“Being profitable by simply avoiding losses, however, is not enough. The returns on CRA loans must be as great as those received on other products if lenders are to have a business incentive to extend these loans. Without such returns, institutions will be reluctant to make CRA loans and will be at a competitive disadvantage with lending institutions not subject to CRA. In the early 1990s, a U.S. Senate task force ranked CRA tenth on a ‘Ten Worst Regulations List.” (MEEKER; MYERS, 2002, p. 13)

Segundo esses autores, estudos encomendados pelos próprios banqueiros têm indicado que o CRA é um dos mais caros regulamentos a cumprir. Alguns argumentaram que o CRA força os bancos a conceder empréstimos que não fariam se não fossem obrigados, sujeitando- os a aumentar o risco de crédito a um nível que o lucro não compensa. Entretanto, dados sobre perdas de rentabilidade nos empréstimos CRA, geralmente, não demonstram que estas operações sejam mais arriscadas ou menos lucrativas que empréstimos convencionais. As sondagens sobre a rentabilidade dos negócios CRA indicam que alguns credores sacrificam parte do lucro para subsidiar a atividade, enquanto outros conseguem fazer dinheiro ao atenderem às classificações de desempenho.

“Factors hindering profitability were higher paperwork costs, the need for staff with specialized knowledge about subsidy programs, and screening and monitoring costs required by some programs. Also important in the profitability equation were limitations in subsidy programs that discouraged or prevented lenders from pricing for risk. An interesting observation from round table participants was that smaller community banks may have transactions cost and risk management advantages over larger institutions in extending CRA loans. These potential advantages resulted from smaller lenders knowing their community residents better and developing stronger borrower relationships over time”. (MEEKER; MYERS, 2002, p. 14)

Este vínculo estreito entre mutuário e emprestador permite o acompanhamento mais personalizado de empréstimos, algo que foi aparentemente difícil de replicar numa escala maior. Grandes credores, por outro lado, tendiam a apoiar-se em medidas padronizadas de risco e processos para lidar com um volume superior de empréstimos a um baixo custo. O problema é que esse tipo de operação muitas vezes não se encaixa em padrões tradicionais de

análise e a necessidade de lidar individualmente com estes empréstimos acaba por aumentar os custos da operação. Menos contato direto com os mutuários também pode resultar em maiores riscos para as instituições. Ao explorar as diferenças de rentabilidade, os autores descobriram que os mutuantes mais rentáveis trataram sua carteira CRA do mesmo modo como sempre fizeram com os empréstimos convencionais. Na verdade, desistiram de uma pequena parte de suas taxas, em detrimento de baixar muito as taxas de juros, mantendo os custos de originação e serviço próximos aos dos empréstimos convencionais.

“Nearly all institutions, including those with more profitable programs, loosened their credit standards on CRA loans relative to standards on their conventional loans. These institutions did so without appreciable increases in loan losses. Further, nearly all indicated that credit risk on CRA loans is manageable. However, we found institutions with less profitable CRA programs experienced higher delinquencies on their CRA loans than those with comparably profitable programs. Since managing delinquencies translates into higher transaction costs, we suspect the higher transactions costs reflect a riskier loan portfolio. This higher risk may be an important factor in explaining lower CRA loan profitability at some institutions”. (MEEKER; MYERS, 2002, p. 25)

Assim, a chave do sucesso na condução de operações CRA parece ser a abordagem "business as usual", ou seja, incorporar esse tipo de empréstimo em condições normais de funcionamento da instituição. No caso de alguns credores, isso não envolve serviços ou taxas especiais, nem mesmo concessões limitadas sobre tarifas e sim uma modesta flexibilização das normas de crédito para avaliação. Para os grupos comunitários e organizações sociais, a chave para a expansão dos benefícios do CRA parece residir em ajudar as instituições a reduzir seus custos de operação. Programas de aconselhamento pré e pós-venda, que ajudem a reduzir a inadimplência, bem como a assistência ao inadimplente, são maneiras de promover essa redução.