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Gjennomgang av vedtak i forsøkskommunene viser at den positive utviklingen ha vedvart,

As cinco aulas semanais de Português são organizadas da seguinte maneira: duas aulas destinam-se aos estudos lingüísticos, não havendo uma disposição física pré- determinada para os alunos e carteiras. Uma aula é dedicada ao estudo e leitura de textos, chamada aula de ‘Caderno de Texto’, sentando-se os alunos em duas filas, uma de frente para a outra. A quarta aula é para a escrita de texto, chamada aula de “Produção de Texto”. Nesta ou os alunos estão em grupo ou em fileiras ou em círculo. A quinta aula é para literatura. Na aula de literatura, que acontece às sextas-feiras, eles escolhem uma obra da caixa de livros

papel de participante na discussão, quando percebe a idéia do aluno, faz perguntas sobre o assunto baseadas em seus próprios conhecimentos matemáticos.

organizada no início do ano em cada turma e têm liberdade para buscar o espaço na escola que lhes proporcionar o melhor ambiente de leitura. Os dias de realização de cada tipo de aula são definidos no início do ano pela professora e pelos alunos.

As aulas se iniciam com a professora fazendo a organização das carteiras e alunos para a dinâmica que será proposta. Ela anota no quadro com letras artísticas o tema da aula, bem como o título da disciplina e a data (dia da semana e mês) e sempre passa um roteiro da tarefa, após explicação da mesma. Quando a sala está suja e desorganizada, a coleta do lixo e a organização das carteiras antecedem a aula propriamente dita.

Os alunos têm também liberdade para expor suas idéias sobre os textos e outros assuntos que venham à tona nas aulas de Português. Conversam muito, mas se concentram nas atividades que são propostas. Às vezes, as aulas são marcadas pela repetição dos textos que são produzidos e reescritos pelos alunos, ou mesmo pela necessidade que a professora tem de esclarecer os objetivos da atividade proposta, a sua significação no contexto maior da aprendizagem da língua, etc. Dado o vocabulário utilizado, avalio que nem sempre essas explicações são esclarecedoras para os alunos, de modo a fazê-los entender o que significa aquele conteúdo dentro da proposta da disciplina.

Os alunos são muito atuantes, todos querem ler seus textos, discuti-los, mostrar seus avanços causando até certo alvoroço em sala. Para evitar transtornos, a professora tem de controlar esses momentos e garantir voz a todos. Assim como ocorre nas aulas de Matemática, parece que é também uma preocupação da professora de Português criar momentos para que os alunos possam sistematizar as idéias que são discutidas, buscando sempre informações deles sobre o que estão fazendo em outras disciplinas ou mesmo nas aulas de Português. Assim, considero que é possível adaptar o mesmto tipo de análise de interações propostas por David (2004) para as aulas de matemática às aulas de Português, como veremos no trecho de aula abaixo.

Outra prática recorrente nas aulas de Português é o empenho da professora em fazer com que os alunos façam relações entre as atividades da própria disciplina, bem como entre as disciplinas curriculares e suas experiências tanto cotidianas quanto escolares. Os episódios das aulas de Produção de Texto e Caderno de Texto, respectivamente, transcritas a seguir, podem exemplificar esta característica da prática, mostrando, também, outra característica que é a alternância de aspectos dialógicos e de autoridade (MORTIMER e SCOTT, 2003).

Episódio aula de Produção de Textos - dia 06/05/04 – turma 705 – registro em vídeo

A professora pede aos alunos que façam duplas para discutirem a ida à exposição de Artes do Palácio das Artes, organizada pela professora de Artes. Os alunos que não foram deveriam ficar

com os que foram, para relatar toda a visita para o colega e escrever um texto com o relato. Os alunos saíram em dupla para o pátio da escola e se espalharam para conversar. Depois de 20 minutos, retornaram à sala e começou a apresentação do texto do Fabiano que foi o primeiro que quis ler.

1. Fabiano: “Fomos fazendo bagunça dentro do ônibus...quando chegamos lá achamos que ir nesse lugar era só para rico e também um tédio pois (tinha) um monte de regras bem nojentas como não mascar chicletes...não tocar em nada e essas coisas de lugar chic...também tinham várias coisas legais como...quadros de pintores franceses...italianos e outros ...pessoas do mundo afora...tem um lugar onde estava a história em quadrinhos que era feita por Maurício de Souza...ele pintava...por exemplo um quadro antigo de um menino que soltava bolhas de sabão que representou com seus personagens...esse quadro foi representado pelo Cascão pelo fato dele não gostar de tomar banho...enfim assim é o contrário da história em quadrinhos((grifo meu))...depois que saímos da galeria fomos para um lugar onde vendia os livros e as peças feitas por Maurício de Souza...na volta foi mais algazarra ainda”...

FIGURA 1 – As Bolhas de Sabão, 1867 Manet (1832-1883) FIGURA 2 – Cascão e as Bolhas de Sabão, 1999 Maurício de Souza

2. Rosângela: isso...foi justamente o Cascão né?...porque ele tem aversão a banho...a água ...então... paródia que o Maurício fez...foi fazer o quê?...paródia...que é você imitar de uma maneira cômica...uma obra...literária ...uma obra clássica...se num dos quadros em que o coelhinho que vai servir numa aula de anatomia... ele vai aparecer todo aberto lá...teria a mesma graça se fosse na verdade um outro personagem? Teria se não fosse o coelhinho? 3. Alunos: não...

4. Rosângela: não...por causa de que Tereza? Por que não teria esse mesmo impacto? Principalmente...eu me lembrei dele agora que o Fabiano fez essa relação... por que não teria o mesmo impacto... ((grifo meu))?

5. Neusa: porque ...

6. Joaquim: não...porque quem está fazendo a operação era o Cebolinha...e ele sempre fazia o plano para...((os alunos e professora não estavam visualizando o quadro))

7. [

8. Tereza: não... é o Anjinho...

9. Joaquim: é ele sempre fazia um plano...para acabar com o coelhinho da Mônica...

10. Tereza: não...não é o Anjinho...é o cebolinha que (ficava vendo) aí na ( ) ele ficava assim...no quadro ele está assim...e a Mônica e a Magali assustada assim ((faz o gesto)) de cortar o coelhinho...

11. Rosângela: ele realmente pode-se observar pelo trabalho dos quadrões vocês ( ) a satisfação no rostinho do Cebolinha e o espanto gente...o horror no rosto da Mônica...bom Fabiano começou...

13. Rosângela: ah:: a ficção...a ficção permite né? Recriar a realidade...fazer uma transformação dela...

14. Joaquim: eu vi na televisão esta manhã um quadro de Picasso que foi vendido por ( ) milhões...

15. Rosângela: isso...então é...Fabiano...o que o Maurício de Souza pretendeu e conseguiu fazer ...Sandra quem não foi...Sandra... a Tereza passou para você a exposição? O que ela passou para você? Conta para a gente?

FIGURA 3 – A Lição de Anatomia do Dr. Nicolas Tulp, 1632

Rembrant (1606-1669)

FIGURA 4 – A Lição de Anatomia do Dr. Franjinha, 1998

Maurício de Souza

Nessa aula, o momento inicial cria oportunidade para os alunos interagirem uns com os outros e proporciona-lhes uma discussão coletiva, em que eles apresentam suas idéias mais organizadamente. A partir do texto do aluno Fabiano, a professora introduziu a idéia de paródia (turnos 2) ajustando o relato do aluno ao discurso escolar mais acadêmico quando definiu que paródia: “paródia...que é você imitar de uma maneira cômica...uma obra...literária ...uma obra clássica...” (Turno 2). Em seguida, ela reforça a relação feita pelo aluno (turno 4) e aproveita para ampliar para outras situações, caracterizando outro aspecto da prática das aulas de Português. Como já afirmei anteriormente são freqüentes os questionamentos e comentários dos alunos possibilitando a introdução de conteúdos novos.

A partir da relação feita por Fabiano a professora usa um outro quadro da exposição para reforçar a idéia de paródia introduzida na aula e introduz outro questionamento: se a releitura teria o mesmo efeito se não fosse o Cebolinha na obra da ‘A Lição de Anatomia do Dr. Franjinha’ (Transcrição FIG. 3). Com esse questionamento, os outros alunos são chamados para o diálogo anteriormente centrado no Fabiano e na professora, gerando interações aluno-aluno e trazendo para a discussão o contexto das histórias em quadrinho da Turma da Mônica. Mais uma vez a professora usa a discussão dos alunos para propor outra definição quando fala da diferença entre ficção e realidade. Esse expediente é recorrente nas aulas de Português, o que é interessante porque os conceitos vão aparecendo dentro de contextos significativos para a atividade em andamento, reforçando o caráter situado da atividade. Por outro lado, corre-se o risco de os alunos criarem uma teia

complexa de relações dentro do mesmo contexto e não conseguirem relacionar o conceito introduzido no interior de uma discussão com outros contextos de aplicação.

Considero também que as idéias introduzidas no meio da discussão nas aulas de Português acabam ficando um pouco vagas. A professora começa a falar do texto fazendo a relação entre ficção e realidade e finaliza com a frase “Isso...então... é Fabiano...o que o Maurício de Souza pretendeu e conseguiu fazer” (Turno 2), mas, em seguida, pede para outra aluna falar sobre seu texto. Na verdade, fica para o aluno refletir sobre a idéia do Maurício de Souza. Pretenderia ele: recriar a realidade através de uma paródia? Mas a professora não faz a relação entre paródia e ficção. A relação estabelecida foi paródia com comédia (humor) e ficção com realidade. Em outros momentos, a professora cria situações explícitas para os alunos fazerem as ligações ou relações entre os textos. Mas, mais uma vez, fica no ar o que realmente une os textos. Ou seja, as relações não chegam a ser claramente explicitadas pela professora, mas os alunos são instigados a fazer relações entre idéias, práticas e situações em sala de aula.

Episódio da aula de Caderno de Textos – dia 06/05/04 – turma 706 – registro em vídeo

A professora pediu que os alunos se organizassem em duplas para comparar os textos de seus cadernos com os do colega e escolher aqueles que tivessem assuntos relacionados. Eles teriam que produzir um texto justificando tal escolha e mostrando os aspectos comuns entre os dois textos. Depois de um tempo, a professora chamou as duplas à frente para apresentar a escolha.

Primeira dupla: Maria e Gerusa

5. Rosângela: Maria...mais Gerusa...os textos de vocês ...o primeiro aspecto que vocês falaram que acharam assim...a primeira coisa que você falou...elas selecionaram pelas figuras...foi a questão das gravuras... ((alunas estão à frente da turma mostrando os cadernos para os colegas. As gravuras mostravam jovens com corpos tatuados))

6. Rosângela: eu gostaria que vocês comentassem mais o porquê vocês acharam que num texto e outro ...

7. Maria: é que no texto de Gerusa está falando de tatuagem há muitos anos atrás...que o...

8. ]

9. Gerusa: em vez de usar roupa eles tatuavam o corpo...

10. Maria: é... em vez de usar roupa eles tatuavam o corpo...só que aqui((em seu texto))...tipo diferente assim...que muito antes eles usavam tatuagem como corpo...hoje é como figurino né? para tipo...o estilo...ou então porque gosta....

As duas aulas abordam relações que os alunos estavam fazendo entre textos. Na primeira, a relação era estabelecida apenas pelas imagens, na segunda, pelas imagens e pelo texto escrito.

A dinâmica acima permite aos alunos a apresentação das suas idéias e a discussão entre eles, com a professora fazendo interferências e sistematizando conteúdos. Essa sistematização parece ter lugar nas aulas de produção de textos, quando solicita que os alunos utilizem as idéias discutidas não só em Português como nas outras disciplinas escolares na elaboração do texto. O discurso escolar mais acadêmico é garantido pelas interferências da

professora, bem como pelas tarefas de relacionar práticas em sala de aula que são propostas, explicitamente, pela professora. Numa aula, ela entregou aos alunos um texto teórico sobre discurso direto e indireto. Eles trabalhavam com as informações da apostila em dupla, e ela ia passando pelas carteiras para tirar dúvidas e dar explicações. Esses conceitos foram importantes para elaboração dos tipos de textos solicitados aos alunos para a atividade com o tema Água.

Considero, portanto, que a prática de Português nessas turmas é marcada também pela participação ativa da professora e dos alunos nas discussões de textos; pela sistematização de idéias discutidas na própria aula reunindo aspectos de outras práticas alheias ao português e pela insistência em fazer o aluno estabelecer relações entre idéias e argumentos de práticas semelhantes ou diferentes.