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4.2 Kvalitativ metode

4.2.2 Gjennomføring av deltakende observasjon

Ali também se engajou em um grupo chamado Mensageiros de Alá, que desenvolve ações sociais, em especial com jovens em situação de rua e que fazem uso excessivo de substâncias psicoativas.

Não foi possível conhecer os Mensageiros de Alá para além das descrições de Ali, pois se tratava de um grupo de pessoas que realizava ações sociais, sem sede e sem uma rotina fixa de reuniões. Nas entrevistas, Ali se deteve a explicar o trabalho e as perspectivas dos Mensageiros de Alá.

O trabalho social na mesquita é tão constante que é do tempo da revelação do Alcorão. Se importar com os pobres. É uma obrigação de nós muçulmanos. É obrigação do muçulmano não deixar passar fome. Se vir que alguém está passando fome, se alguém pedir um prato de comida para você, um muçulmano não pode negar. Se importar com o próximo, sem se importar se é muçulmano ou não muçulmano. O Alcorão fala: “se preocupa com o seu vizinho, com o que tem menos”. Nós não podemos ter usura, nós não podemos ter juros, entende? Temos que praticar a caridade. A caridade está dentro dos pilares do Islã. Então é obrigação, né? É atuante, é marcante na assistência social dentro da comunidade e fora da comunidade muçulmana.

Eu trabalho com jovem em situação de rua com problema de droga, em uma fraternidade de irmãos, constituída legalmente, que se chama Mensageiros de Alá. São jovens que estão na rua mesmo, vários usam crack e lamentavelmente entrou o oxi52. Está pegando muita gente. Estamos

trabalhando na área do Centro, na Cracolândia, na favela. É uma coisa que já não é exclusivamente da favela. É uma coisa que atingiu todos os níveis sociais. É muito devastadora. E dentro dessa fraternidade de irmãos a gente tenta criar soluções reais. Primeiro, uma pessoa que está em situação de rua e, muito mais, com drogas, você tem que se preocupar, antes de qualquer coisa, especificamente na saúde. Então fazemos que ele passe por médico, que ele comece uma dieta de fortalecimento, complexo de vitamina. Estamos cientes que ele largando a droga vai ter problema de abstinência. Necessita de acompanhamento psicológico, acompanhamento social. [...] A gente vê que tem um padrão comum, por exemplo, as pessoas quase todas têm no mínimo o 2º grau, muitos com faculdade, muitos com família. Largaram tudo, né. Então você tem que fazer um acompanhamento médico, um acompanhamento psicológico e um acompanhamento social. Não adianta fazer uma comunidade pra levar o cara pra plantar alface e ler o Alcorão todo dia e o dia que o cara sair, onde vai voltar? Queremos ser diferentes nisso. Dentro dessa recuperação não pregamos o Alcorão. Porque nós não estamos querendo fazer muçulmanos, estamos querendo resgatar homens. É como Jesus. Em sua passagem pela Terra ele não fundou nenhuma religião. A única coisa que falou foi: “fala para os seus discípulos sair pelo mundo e pregar o evangelho, que é o evangelho da paz e do amor”. Ele fala: “Curai os enfermos, sarai os leprosos”. Ele não fala em converter ninguém. Nós não queremos converter ninguém, embora tenha pessoas que começam a se recuperar e veem nossa forma de vida, e querem conhecer e querem se aprofundar mais. Não é obrigação pra fazer parte da nossa fraternidade ser muçulmano e ler o Alcorão, e nada. Então, fazemos acompanhamento social e vemos qual é a realidade social do cara. E o que o cara precisa? Muitas vezes o cara precisa refletir bem para encarar a vida de novo. Às vezes, não é muito que ele precisa. Ele não tem que se formar para se inserir dentro do mercado de trabalho, às vezes ele precisa de confiança para acreditar nele mesmo. Começar a recompor a sua vida. Porque o resto ele sabe, ele tem capacidade para isso, mas ele não acredita. Porque se ele não acredita nele, não vai poder acreditar em Deus, não vai poder acreditar em nada. [...] Então, fazemos isso. Ajudamos para que a pessoa se enxergue como ela é, não acreditar no que ela se tornou. O homem tem uma facilidade autodestrutiva muito grande. E se somos capazes de nos autodestruir,

também somos capazes de nos levantar. E isso, o modo de pensar que a gente tenta mudar. É praticamente esse o trabalho.

Então, somos uma fraternidade de pessoas, não pertencemos a nenhuma mesquita, mas temos apoio delas. E, se eu faço esse trabalho, qualquer mesquita vai me apoiar. Se eu estou no Egito, a mesquita vai me apoiar. Nós temos grupos de irmãos que se dedicam a esse trabalho.

[...] Você, quando está dando, você está recebendo também. Porque você fala: Olha, eu também estive aí, mas eu saí. Mas não por isso sou bom. Eu continuo sendo igual.

Então quero ajudar gente a sair. É o que eu te falo, não adianta dar esmola pro cara. Não adianta dar um pão com mortadela. Isso qualquer um faz, isso não é caridade. Isso é esmola. Pagar uma marmita pra uma pessoa é esmola. Não é caridade. Quando você ajuda uma pessoa é quando você se importa com ela. E isso acho que a gente tenta resgatar, se importar com quem você tem do lado. Muitas vezes pensa que você está mal. Mas eu nunca cheguei a estar mal. Eu passei pelo Arsenal53,por um albergue que, pra quem está em

situação de rua, é um hotel cinco estrelas. Eu todo dia tinha meu banho quente, roupa de cama limpa. Acordava de manhã tinha empregados que me serviam o café da manhã, tinha meu jantar, não pagava nada. Tinha uma lavanderia, tinha roupa limpa. Não posso reclamar, mas tem pessoas que estão pior que nós, né. Então eu não posso reclamar. Eu todo dia eu acordo e agradeço a Deus. Porque tenho um prato de comida, porque tenho forças pra continuar. Continuar lutando pelo que eu sonho.

Atualmente, as relações que estabelece com os membros na mesquita lhe garantem a manutenção de um aluguel. No entanto, projeta, a partir dessa mesma rede de relações, a possibilidade de voltar a viajar e desenvolver ações humanitárias, inspiradas no percurso realizado por seus pais; essa iniciativa está incluída na perspectiva de pertencimento na nação islâmica. Entretanto, a cidade de São Paulo, com a mesquita e o grupo dos Mensageiros de Alá, é um “porto seguro”, onde sempre se pode voltar.

3.2 Conexões singulares em composições pessoais