5.1 Presentasjon av barnehager
5.2.4 Å delta gir luksusbrødskive
O contato com o reggae deu-se por influência de amigos e primos. Primeiramente pelas festas e a música, posteriormente na convivência com “regueiros”, aproximou-se da religião Rastafári, em suas idas a Brasília e Salvador. Jamaica, cabelo rasta e pele negra, identifica-se profundamente com os símbolos, mensagens e práticas da religião. No seu cotidiano, não separa a cultura do reggae da religião Rastafári, e procura aprender mais sobre a religião, escutando as músicas de Bob Marley e Edson Gomes, apesar de não seguir todos os seus princípios.
Produz artesanato inspirado na cultura “reguera”, como costuma dizer, e complementa sua renda com a venda de tais produtos, seja na porta da igreja próxima a sua casa, seja nas festas de reggae.
Referências à religião Rastafári foram marcantes no trabalho de campo. Encontrei alguns interlocutores identificados com suas proposições. Deste modo, procuro, ainda que com dificuldade em relação às fontes de informação66, reunir explicações sobre este sistema religioso, como sugeriram meus interlocutores.
66 Os interlocutores indicaram buscar na rede mundial de computadores as informações sobre o
movimento Rastafári, prática que eles faziam também para se manter informados, assim como participar de comunidades específicas nas redes sociais, o que não se aplica a Jamaica, pela dificuldade na leitura. De todo modo, recebi indicação de alguns endereços eletrônicos: http://www.vidarasta.com.br, http://rastafaribrasil.blogspot.com.br e Casa Rastafari de Enoque, que não está mais disponível. Em levantamento bibliográfico, foram encontrados artigos que refletiam sobre a cultura regueira no Brasil, fazendo referência a religião Rastafári, como Rogério Costa (2009) e Nunes (2005).
Marcos Rasta, Carlinhos Luz, Jamaica e outros interlocutores cujos encontros foram mais breves compuseram um conjunto de informações sobre o Rastafári durante o trabalho de campo. Para eles, a religião está associada a um movimento de paz e de reconhecimento da luta e da força dos negros trazidos para a América.
Jamaica inspira-se nas canções do cantor Bob Marley, considerado um dos grandes defensores do movimento e que, através de suas composições, difundiu fortemente os símbolos religiosos rastafáris pelo mundo, que passam a ser ressignificados e apropriados conforme os contextos locais. Rogério Costa (2009, p. 4), que pesquisou o movimento “regueiro” no Maranhão, resumiu:
Desde os anos 60, a música universalizada a partir das apresentações de Bob Marley and The Wailers pelos principais centros de exibição cultural do mundo permitiu um olhar diferenciado para a música e para a mensagem nascida da pequena ilha caribenha. Apesar de os nativos a denominarem de Xaimaca, que pode ser traduzido como Terra das Primaveras, o contexto do país era marcado por desigualdades latentes e lutas cotidianas para sobrevivência das camadas populares. Foi com a música que o povo jamaicano pôde, assentado na emergência dos ideais rastafáris, vislumbrar horizonte de bonança e prosperidade. A partir das exibições pelo mundo, o reggae significa, dessa forma, prenúncio de fortalecimento da identidade e autoestima do povo jamaicano.
No circuito de reggae na cidade de São Paulo, Jamaica identificou dois pedaços em que compartilha símbolos e códigos comuns com outros frequentadores: uma praça em São Miguel Paulista e a Galeria 24 de Maio, no centro da cidade. Além das trocas que estabelece nestes pedaços da cidade, Jamaica aprofunda-se no conhecimento dos modos de ser e pensar dos rastafáris através da música. Apesar de seu grande ídolo rastafári ser Bob Marley, as letras de música de Edson Gomes (quadro 9), por serem divulgadas em português, facilitam sua apropriação. Jamaica refletiu:
As músicas de reggae, essas do Edson Gomes, me encantam, porque é muita paz, muita alegria, muito amor no coração. Você não vê violência no show de reggae. Muitos dos defeitos que nós temos é um preconceito sobre a maconha. Esse que é o problema, a maconha, nós temos muito preconceito sobre ela. [...] a maconha é suave, é um remédio. Uma droga muito respeitada.
De forma muito resumida, pode-se dizer que a religião Rastafári agrega elementos da ideologia proposta por Marcus Garvey, militante jamaicano pelos direitos dos negros que defendia o retorno destes à Etiópia, na África, considerada berço da humanidade, e pregava
profecias e ensinamentos retirados da Piby Sagrada67.
O imperador da Etiópia, Rás Tafari Makonen, é considerado pelos rastas como o escolhido de Jah (Deus) que viria libertar a raça negra do domínio branco. Ele foi coroado em 1930, quando passou a se chamar Hailé Selassié I. Tal fato, interpretado pelos jamaicanos seguidores de Garvey como a realização de uma profecia, foi amplamente comemorado na Jamaica. Daí vem o nome do movimento religioso.
Uma série de práticas, como o uso sagrado da maconha, restrições e recomendações alimentares, objeção a alterações no corpo (como cortar cabelo e fazer tatuagens), difusão de mensagens de paz e amor, foram princípios criados posteriormente por seguidores de Garvey.
Quadro 9. Letra de música
Uma das sugestões de Jamaica para saber mais sobre o Rastafári foi pesquisar as canções de Edson Gomes (1997). Deste modo, reproduzi aqui a letra da canção Adultério, uma de suas preferidas.
Rastafári, se desligando desse sistema E da coisa imunda que nos envenena E que adultera a nossa sina
Rastafári, cantando o reggae em cada esquina Ah, coisa linda que nos alucina
E que faz ficar tão boa a vida Eles querendo mudar nossa sina Nos injetando a inconsciência Dizendo que é a democracia Grande piada, conto de fada, eh Ai, disso sabemos, oi, oi, oi Rastafári
Rastafári, pois isso vivemos Eles querendo mudar nossa sina Nos injetando a inconsciência Dizendo que é a democracia Grande mentira, conto de fada, eh Rastafári
Ai, eu estou sabendo, oi, oi, oi
67
Considerada pelos rastas a verdadeira tradução bíblica direto do aramaico, a qual, por exemplo, descreve Jesus e outros personagens bíblicos como negros.
Rastafári
Rastafári, cuidado é veneno A violência em toda cidade Ninguém jamais viu a liberdade Ninguém jamais a viu
Não, não, não, não
A repressão em toda a cidade Ninguém jamais viu a liberdade Ninguém jamais a viu
Não
A violência em toda cidade Ninguém jamais viu a liberdade Ninguém jamais a viu, não, não, não A repressão em toda a cidade
Ninguém jamais viu a liberdade Ninguém já..., ninguém jamais
Rastafári, cantando o reggae em cada esquina Ah coisa linda que nos alucina
E que faz ficar tão boa a vida A violência em toda a cidade Ninguém jamais viu a liberdade Ninguém jamais a viu, não, não, não A repressão em toda a cidade
Ninguém jamais viu a liberdade Ninguém já..., ninguém jamais, eh
Ainda que Jamaica não siga tais práticas, compreende que faz parte deste movimento mundial, traduzido por símbolos que carrega diariamente no próprio corpo, seja pelo cabelo rasta, seja pelas cores da bandeira da Etiópia e as imagens de Bob Marley que ornamentam suas vestimentas.
Em qualquer lugar do mundo que você for você ouve, por isso que eu me adaptei, com esse dom de ser regueiro, a paixão de andar todo enfeitado, parecendo um carnaval. Eu tenho o dom de muito amor no coração, a paz do reggae, qualquer lugar que eu chego é paz, qualquer lugar que você chega é respeitado. Tanto faz no mundo, nas favelas, você é muito respeitado “E aí, Jamaica?! E aí, regueiro!?” Então o pessoal respeita muito. Onde você tiver, eles não te roubam, bandido não rouba! Onde você estiver, é aquela velha doideira, “aquele ali é doiderão”, respeitam nossa cultura né? E Bob Marley foi um cara que deixou uma lição pra todos nós, pra quem tem aí na internet, agora ele completou 65 anos se ele tivesse vivo. Eu tenho tudo dele! Ele nasceu em 1945, no dia seis de fevereiro. Curto muito ele, eu gosto muito de
reggae, é a minha paixão!
Compreende que, ao filiar-se desta forma à cultura regueira, como costuma dizer, e aprofundando seus conhecimentos sobre a religião Rastafári, constrói sobre si imagens
de respeito e credibilidade. De outra forma, como refletiu, “seria, apenas, mais um morador
4. RUA EM DIÁLOGOS E SIGNIFICADOS: EXPLICAÇÕES PARA A QUEDA,