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Discutido que está o que é avaliar, importa definir, agora, o processo ou procedimentos da avaliação e as suas características específicas neste sector da educação.

Para Zabalza (1987:250) a avaliação é um sistema em si mesmo, na medida em que está constituída por um conjunto de elementos que actuam de maneira interdependente. Assim, na avaliação é possível distinguir um propósito, um conteúdo e objectos a avaliar, bem como as técnicas de avaliação utilizadas.

Neste sentido, atendendo a esta classificação como fonte de reflexão, a apresentação da moldura da avaliação na educação de infância será realizada de acordo com esta perspectiva, procurando realçar os aspectos que contribuem para o desenho da especificidade da avaliação neste ciclo educacional do sistema educativo – a Educação de Infância.

O que se pretende através da avaliação no Jardim-de-Infância?

Na opinião de Ortega (1998:119) avalia-se para “assinalar o grau em que se vão alcançando as diferentes capacidades, orientar ou fazer adaptações curriculares,

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contribuir para a melhora da actividade educativa e servir de ponto de referência na planificação e desenvolvimento dos processos de ensino e aprendizagem, tal como para informar as famílias sobre o processo de aprendizagem de seus filhos”

Na perspectiva de López (1990, in Ortega, 1998:119) a avaliação serve para “replanificar-se a programação de um período concreto, especialmente no sentido de ajustar melhor a intervenção, a ajuda, que o docente há-de facultar aos alunos/as considerados tanto individualmente como membros de seu grupo”.

Portanto, a avaliação nesta etapa, segundo Gómez Ocaña (1989, in Ortega, 1998: 120), tem uma evidente função formativa, já que avaliar nesta etapa não significa “qualificar”, mas sim conhecer o estado evolutivo, para verificar a eficácia da acção educativa e contribuir para a melhora da qualidade da educação. Também, para Sorribes (1989, ibidem: 120) a finalidade da avaliação na educação infantil não é qualificar- sancionar o aluno, mas sim conhecer e ajudar, adaptando o processo educativo às suas características.

Entretanto Zabalza (1987: 248), identifica e distingue no processo de avaliação uma dualidade de funções. Uma das finalidades, é o controlo dos resultados obtidos no final de um período concreto, característica da avaliação sumativa, enquanto a outra finalidade consiste em realizar, no começo, um diagnóstico da situação a nível geral ou particular, de forma a clarificar que tipo de intervenções é necessário promover, em função da situação analisada, característica da avaliação formativa. Esta, no entanto, supõe tomar em consideração os dados da avaliação para adaptar a marcha. No seu conceito, “não se trata de avaliações distintas, mas de duas dimensões diferentes e complementares de qualquer avaliação”, uma vez que “interessa tanto ver se chegamos ou não a bons resultados, como constatar que aspectos ficaram mais frouxos e precisam de algum tipo de apoio especial” (ibidem: 248). Relativamente a este aspecto, Zabalza considera que “a nível da escola infantil importa menos a dimensão controle de resultados que a clarificação de como se vai produzindo a participação da criança nas diferentes actividades da aula”, o qual, por sua vez, impele à necessidade de organizar a acção educativa posterior, em função dos dados recolhidos.

Assim, a avaliação na Educação Infantil, e segundo Zabalza (1987: 279), “não tem sentido específico de controle; estabelecer um diagnóstico, definir um tipo, classificar um síndrome, ou atraso; mas sim um sentido formativo e orientado às

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_____________________________________________________________________________________ actuações didácticas específicas. Trata-se, sobretudo, recolher dados que nos dêem pistas de apoio, com vista a potenciar um desenvolvimento completo da criança, através da construção de um ambiente estimulante na aula, que permita à própria criança ir salvando suas lacunas, se as tiver”.

Nesta etapa, a finalidade básica da avaliação, na opinião de Bassedas, Huguet, Solé (1999) é que sirva para intervir, para tomar decisões educativas, para observar a evolução e o progresso da criança e para planear, se é preciso intervir ou modificar determinadas situações, relações ou actividades. Assim, a avaliação deve servir basicamente para intervir, modificar e melhorar a prática, a evolução e a aprendizagem dos alunos.

Para estes autores, o que importa é que tais informações sejam úteis “para poder tomar decisões, para propor um ensino cada vez mais ajustado às suas necessidades, para regular a nossa intervenção e para compreender melhor as crianças e as suas necessidades” (ibidem:178).

Estes autores apontam ainda a importância de “compartilhar a avaliação com as crianças e com as famílias (...) para compreender melhor a criança de quem falamos (...) e para que possamos ter um conhecimento mais completo e global da criança” (ibidem:181-183).

Segundo Parente o propósito da avaliação na Educação de Infância consiste em “ajudar educadores e pais [e a criança] a apreciar, compreender melhor e responder ao crescimento, desenvolvimento e características únicas de cada criança” (Leavitt e Eheart, 1991, in Parente, 2004:40). Neste sentido, avalia-se para conhecer o que a criança sabe e é capaz de fazer, para reconhecer a sua competência e a sua individualidade e para apreciar os progressos realizados ao longo do tempo. Entretanto, esta informação básica é depois utilizada com outros propósitos, como planear actividades de acordo com cada criança e com o grupo e com os interessados na educação da criança (Parente, 2004:40).

Por sua vez, Drummond (2005:19), também se refere à utilidade das avaliações designando-as como uma forma de “organizar e enriquecer o currículo, as nossas interacções com as crianças e as respostas educativas no seu todo” e ainda refere que “também podem servir para identificar o que a criança vai ser capaz de aprender a seguir, de forma a apoiarmos e alargarmos a sua aprendizagem” Neste sentido, segundo

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a autora, “a avaliação das aprendizagens das crianças faz parte da procura de qualidade, na nossa prática diária”.

Na opinião de Cardoso6 a avaliação nesta etapa aponta como finalidades, a tomada de decisões tal como a melhoria da qualidade educativa. Ou seja a avaliação resulta em benefício da criança e, ainda, para dar a conhecer aquilo que a criança faz, para que a pessoa que vai seguir com ela, possa conhecer, pelo acesso à documentação que ilustra a sua evolução e progressão, o seu nível de desenvolvimento.

3.1 - Efeitos/ consequências da avaliação...

Mencionar as consequências da avaliação é dizer para que vão servir ou ser utilizados os resultados da avaliação

Segundo Bassedas, Huguet e Solé (1999:181) a avaliação possui determinados efeitos, positivos ou negativos, no progresso e na atitude futura da criança, em relação à escola e à aprendizagem. Por isso, a valorização de sua actividade deve representar sempre um incentivo, um estímulo, para os motivar e ajudar a conhecer melhor, as suas próprias possibilidades e necessidades.

No mesmo sentido, Zabalza (1987: 256) alerta também para “as consequências, previstas ou não, que a avaliação gera na criança ou no grupo de crianças” e acrescenta, ainda, que, por vezes, as consequências condicionam muito todo o processo de avaliação; “introduzem tensões, desnaturalizam comportamentos (...)” (ibidem:250).

Ou seja, na sua acepção, a avaliação “não só é um “instrumento para”, como também é “causa de”, na medida em que pode provocar tensões, ruptura do clima de segurança, desqualificação ou etiquetamento das crianças, competitividade (...)” (ibidem: 256). Portanto, segundo esta perspectiva, “a forma de planear, realizar e utilizar a avaliação reflecte a ideia educativa do professor que a leva a cabo”, por isso é importante reflectir acerca dos seus efeitos sobre as estruturas básicas da criança. Estes dependerão, em parte, “da própria natureza da avaliação e da dimensão pragmática em que ocorra, isto é, em função do uso que se faça dela no contexto das relações

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Sábado Pedagógico do Movimento da Escola Moderna - Graça Cardoso apresentou uma comunicação sobre “Portefólio - Um caminho para a Avaliação Alternativa” promovido pelo Núcleo Regional do Porto e realizado a 22 Abril de 2006, na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto.

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_____________________________________________________________________________________ interpessoais dentro da aula e (...) por exemplo na relação com a família da criança” (ibidem: 256)

Por isso o autor advoga que “é necessário estabelecer uma grande vigilância sobre a forma como cada criança vivencia as experiências de avaliação. Se provoca efeitos de angústia, ameaça, dependência (...) é obvio que tem que se aplicar novas formulas de “seguimento” das crianças; se pelo contrário, provoca efeitos de auto- afirmação, elevação das expectativas, realimentação motivacional (...), está claro, que a funcionalidade desta avaliação é correcta e cumpre os objectivos psicodidácticos pretendidos” (ibidem:256).

Portanto, para Zabalza (1987: 279) “o essencial na educação infantil, e dentro desta a avaliação, é estabelecer uma relação educativa humana e personalizada que potencie um progressivo enriquecimento da criança”, onde as “diversas componentes internas sejam congruentes entre si, caso contrário podem afectar fortemente o sujeito avaliado” (ibidem:250).

Contudo, Zabalza adverte que as condições educativas de uma boa avaliação, exigem uma atenta vigilância do educador para evitar os riscos que esta comporta, nomeadamente, estar consciente dos seus próprios prejuízos ou expectativas com respeito às crianças avaliadas e a necessidade de contrabalançar os dados recolhidos em função dos quais elabora seu juízo de valor (ibidem:279).

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3.2 - Os Conteúdos da Avaliação

Zabalza (2000: 37) refere que a avaliação tradicional se reduz à “avaliação dos alunos”. Neste sentido, dimensões como “a organização da classe, metodologia do ensino, funcionamento dos recursos, actuação e forma de ser do próprio professor, a dinâmica do centro escolar (...) formam parte da “zona opaca” do ensino”.

Mas para o autor, a acção educativa produz-se através da interacção de diversas variáveis que actuam contingentemente. Neste sentido, “iluminar todo o processo” é um aspecto importante para conseguir o máximo de informação sobre as diversas dimensões que intervêm no processo. Assim, “aspectos como quais são os interesses de cada criança e do grupo de crianças, suas motivações, padrões de relação que trazem assimilados de suas famílias, seus estilos cognitivos, dificuldades nas primeiras experiências escolares (...) constituem o conteúdo básico da avaliação formativa na educação infantil ( Zabalza 1987:249).

Entretanto Zabalza (1987:252) considera que é importante ter informação sobre o modelo educativo predominante nas famílias das crianças, usando para o efeito diversas técnicas de avaliação, como entrevistas com os pais, relatos das crianças, etc. Assim, para Zabalza (1987: 254) na avaliação que tem lugar na Educação Infantil, o “objecto da avaliação não pode ficar-se no individual, mas sim abarcar o sistema relacional do qual o individual forma parte e em função do qual tem sentido”, ou seja, “não se trata somente de avaliar a criança, mas também todo o processo de desenvolvimento do projecto educativo e todos os componentes que nele participam. Para além de conhecer como é e actua cada criança, ao professor da escola infantil interessa-lhe saber como vai a marcha da sua classe” (ibidem: 275). Inclusive Zabalza (2000: 38) identifica três grandes dimensões da acção avaliativa na Educação Infantil: “a avaliação da evolução das crianças, a avaliação do desenvolvimento do programa e a avaliação do nosso próprio percurso como profissionais”.

A propósito dos conteúdos da avaliação, segundo Drummond (2005:19), é preciso examinar cuidadosamente os tipos de aprendizagem que avaliamos para ter a certeza que correspondem àqueles critérios de valor fundamentais que, por sua vez, nos levarão a identificar as aprendizagens que mais valorizamos e quais as potencialidades

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_____________________________________________________________________________________ específicas de cada criança. Ou seja, como a autora justifica, sem partirem de uma definição prévia e clara dos valores adoptados, “os educadores não podem fazer avaliação educacional. Poderão estar a contar, medir, preencher quadrados em grelhas de observação e a contar tempos ou, ainda, a monitorizar, apreciar e inspeccionar, mas não a avaliar, porque, quando avaliam, os educadores partem do que desejam para as crianças e para a sua aprendizagem”. Portanto numa avaliação de aprendizagens, “apreciamos e compreendemos o que as crianças sabem, reconhecendo os seus sucessos, as suas características individuais e as diferenças entre as crianças” (ibidem:19).

Portanto, os conteúdos da avaliação dizem respeito a tudo o que afecta o processo de desenvolvimento de cada criança e do grupo e tudo aquilo cujo conhecimento pode dar-nos pistas para optimizar o desenvolvimento do processo formativo.

3.3 - Procedimentos de Avaliação

Zabalza (1987:281) identifica que “cada processo de avaliação adquirirá um sentido particular em função do quê, como e com que propósito se está avaliando”.

Para Lino (Zabalza, 1998:191) a avaliação apresenta-se associada ao tempo de revisão, “onde crianças e adultos se reúnem em pequenos grupos para falar, reflectir ou mostrar o que fizeram no tempo de trabalho”. Por um lado, oferece “às crianças oportunidades para falarem sobre as suas experiências pessoais significativas, para as ajudar a encontrar soluções, para estabelecer uma relação entre o plano e a actividade realizada, reflectir sobre as próprias ideias e acções, interagir com outras crianças e adultos” e por outro “permite ao adulto observar as crianças e com base nela, identificar interesses, talentos e dificuldades emergentes, seleccionar e planejar actividades educativas e apoiarem individualmente cada criança”.

Segundo Ortega (1998:123), em qualquer processo de avaliação é possível diferenciar uma trilogia de etapas, as quais designa por a recolha de informação (a “realizar-se sobre actividades individuais ou de grupo e no contexto da aula ou fora dela”), por valorização da informação (que “está em relação com os aspectos que se pretendem avaliar”) e, ainda, por tomada de decisões, a qual serve “para reajustar os

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processos”. Ou seja, “uma vez recolhidos os dados, analisados e valorizados, devemos tomar decisões de ajuste” para que a avaliação se torne funcional e efectiva.

Zabalza (1987:257) corrobora esta concepção ao assinalar também que “a avaliação tem de planear/contemplar a recolha de informação, a análise dos dados obtidos e a sua aplicação para a melhora da dinâmica da aula.

Parente (2004:41) também identifica, a respeito do processo de avaliação, uma “jornada com algumas paragens estratégicas”, que envolve três fases, caracterizadas pela recolha de informações e evidências; análise e procura de compreensão das mesmas e, na fase final, pela utilização das informações recolhidas, registadas e compreendidas para suportar as decisões educacionais que continuamente são tomadas (Drummond, 2003; Hills, 1993; McAfee e Leong, 1997).

Por sua vez Bassedas e colaboradores (1999:178), alegam que, para levar a cabo a avaliação, segundo esta prática educativa, a educadora “deve procurar aprender a observar”, ou seja, “o mais importante é a atitude (...) ser receptivo, escutar, observar, perguntar”, contudo, como advertem, esta “mudança de atitude não acontece de uma maneira mágica e espontânea. Requer aprendizagem, organizar-se em aula e com instrumentos que o facilitem”.

3.4 - Instrumentos de avaliação

Dadas as peculiaridades do ciclo educativo designado por Educação de Infância e as características que delimitam a avaliação neste âmbito, existem algumas técnicas ou instrumentos especialmente apropriados para este contexto educativo (Ortega,1998:123), como escalas de observação, registos de incidentes críticos, diários de classe, técnicas audiovisuais, trabalhos ou assembleias (Zabalza, 1987: 244; Ortega, 1998:123; Bassedas, Huguet, Solé 1999:178).

Dentro do conjunto das diversas técnicas e instrumentos enunciados, a observação directa e sistemática constitui o principal recurso usado na educação infantil, para realizar o processo de avaliação das crianças em diferentes momentos (Zabalza, 1987: 257; Ortega, 1998: 123; Bassedas, Huguet, Solé 1999: 187), definindo-se o seu potencial de aplicabilidade e de utilidade desse instrumento de avaliação, pela ajuda que proporciona na identificação das competências de cada criança, permitindo obter

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_____________________________________________________________________________________ informações objectivas sobre cada uma delas e, simultaneamente, possibilitando a identificação dos seus níveis de desenvolvimento, permitindo, assim, planear e adequar os materiais de ensino, técnicas e actividades, para que se relacionem com os interesses individuais e as necessidades de desenvolvimento das crianças.

Parente (Zabalza, 1998: 207) salienta ainda a sua importância nos diversos contextos educativos relacionados com a infância, pelo papel que desempenha na construção dos conhecimentos através “do planeamento e fornecimento de experiências- chave adequadas ao desenvolvimento infantil, para o desenvolvimento do projecto curricular e avaliação da sua eficiência e também a base para o trabalho em equipa (educadora e auxiliar...). Nomeadamente através do Child Observation Record (C.O.R.) um instrumento de avaliação baseado na observação”. Segundo Parente (Zabalza, 1998: 219), a sua aplicabilidade subentende “a necessidade e a importância do treino de observadores” para a adopção do instrumento enunciado - Child Observation Record (C.O.R.), que se constitui como “ um instrumento de avaliação capaz de colher dados para avaliação, enquanto crianças e educadores(as) estão colocando em prática as actividades normais do dia-a-dia e capaz, ao mesmo tempo, de oferecer informações úteis para a actividade de ensino”. Na opinião da autora, a avaliação realizada através do C.O.R.- baseada na observação, “ adopta realmente uma forma fácil e útil, porque é capaz de oferecer informações objectivas sobre cada criança, bem como contribuir de forma significativa para a avaliação da eficácia do programa que está sendo desenvolvido e da própria intervenção/actuação dos educadores(as)”.

Por sua vez, Zabalza (1987: 257) alega que para operacionalizar o desenvolvimento da observação tem que se reflectir acerca de algumas questões, como: “que observar, que tipo de instrumentos são os mais adequados, que tipo de sequência ou organização dos dados podemos utilizar, que tipo de registo dos dados será mais conveniente (...)”. Ortega (1998:123) acrescenta ainda que, “o tipo de informação e as técnicas ou instrumentos a utilizar é da competência da equipa docente e deverá estar reflectido no projecto curricular”.

No que diz respeito às estratégias de observação, Zabalza (1987: 257) apresenta uma distinção entre “as observações ocasionais, que são acontecimentos soltos, pontuais ou episódicos, porém “com sentido” para nos ajudar a conhecer melhor os alunos e a

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marcha geral da classe e as observações sistemáticas que, por sua vez, recolhem uma sequência de feitos relacionados entre si”.

Quanto às técnicas de observação, Zabalza (1987: 257) apresenta um amplo leque de técnicas diferentes a usar, em função de qual é o aspecto ou o propósito a observar que determina a sua selecção. Fala-nos, assim, de registos de incidentes críticos (pontuais ou sequenciais), listas de controlo, escalas de verificação, mapas descritivos e os relatos. Quanto aos relatos, o autor advoga que este pode ser um bom instrumento de trabalho avaliativo, uma vez que “abrem uma nova perspectiva de observação, menos analítica e precisa, porém mais compreensiva e empática que os sistemas de categorias e indicadores (...). Corre-se o risco da subjectividade, da fugacidade das impressões e do “efeito de halo” (...), os quais podem ser neutralizados, em parte, através do controle e contraste com outros mecanismos de observação” (ibidem:257).

O portefólio outro dos instrumentos que tem vindo a adquirir prestígio e visibilidade como dispositivo de avaliação no Jardim-de-Infância é usado como uma estratégia de avaliação, cujos procedimentos se enquadram num conceito de avaliação formadora que tem componentes adequadas para a avaliação de crianças pequenas que, por sua vez, tem subjacente os modelos interaccionistas e construtivistas, como paradigma estruturador (Parente, 20067; Cardoso, 20068; Fernandes, 2005).

O portefólio é uma colecção sistemática, organizada e intencional de trabalhos e evidências das aprendizagens das crianças, recolhidos ao longo do tempo e que demonstram e documentam os progressos realizados e as competências das crianças. Esta colecção deve implicar as crianças a seleccionar os trabalhos e a reflectir sobre eles, para que, deste modo, consiga ver e compreender o seu percurso de trabalho e aprendizagem. No entanto, o processo de selecção dos conteúdos é uma tarefa partilhada, com o educador que monitoriza o processo.

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Encontro de Educação de Infância – Cristina Parente apresentou uma comunicação sobre “Portefólios: um procedimento de Avaliação Alternativa”, promovido pela Porto Editora e realizado a 25 de Setembro 2006.

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Sábado Pedagógico do Movimento da Escola Moderna – Graça Cardoso apresentou uma comunicação sobre “Portefólio – Um caminho de Avaliação Alternativa” - Encontro promovido pelo Núcleo Regional do Porto e realizado a 22 de Abril de 2006, na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto.

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_____________________________________________________________________________________ Portanto como Fernandes (2005:87) sugere “exige uma avaliação formativa diferente, mais contextualizada, mais participada e mais reflexiva”.

O portefólio é um álbum ou um dossier documental demonstrativo de evidências do crescimento, desenvolvimento e aprendizagem da criança (Parente, 2006; Cardoso, 2006; Fernandes, 2005), sendo que os seus elementos constitutivos são: a implicação pessoal das crianças na sua construção, a auto-avaliação e a selecção de conteúdos. Através da reflexão que proporciona a sua construção é possível compreender os momentos e as obras mais significativas que foram produzidas. A este propósito, Fernandes (2005:87) sublinha que o portefólio “não é um mero conjunto de trabalhos dos alunos organizado numa pasta de arquivo ou numa caixa. A organização do portefólio exige uma planificação com propósitos bem claros e uma articulação sistemática entre o desenvolvimento do currículo, a aprendizagem e a avaliação” e