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Girls have little voice in the decision to marry

In document SUDAN REPORT (sider 31-41)

4. Findings

4.2 Girls have little voice in the decision to marry

Rosa e Andriani (2002) explicam que a linguagem é produzida social e historicamente e que expressa a síntese da dialética entre o mundo externo e interno do homem (definindo a relação entre o social e o psíquico). Aguiar e Ozella (mímio) colocam a linguagem como objeto da consciência e que é a partir dela que se apreende as formas de ser, pensar e agir de um indivíduo. Assim, acreditam que é na palavra que se analisa o processo, o movimento do pensamento. Os autores concluem que a relação entre pensamento e palavra só pode ser entendida como sendo uma relação de mediação, pois são duas esferas distintas, mas que não podem ser compreendidas isoladamente dado que uma constitui a outra.

Vigotski (2000) já exibia este mesmo olhar quando verificava que o desenvolvimento da fala contribui para a concretização do pensamento, da mesma forma que o pensamento passa a ser expresso em palavras, não podendo ser analisados separadamente. Indo mais além, este autor acredita que o processo do pensamento expresso na linguagem só podia ser entendido se fossem considerados os significados e sentidos da palavra. Para ele, o elo entre pensamento e palavra se encontra no seu significado, mostrando um processo onde, novamente, cada elemento só existe na sua relação com o outro.

“... Uma palavra sem significado é um som vazio; o significado, portanto, é um critério da ‘palavra’, seu componente indispensável. Pareceria, então, que o significado poderia ser visto como um fenômeno da fala. Mas do ponto de vista da psicologia, o significado de cada palavra é uma generalização ou um conceito. E como as generalizações e os conceitos são inegavelmente atos de pensamento, podemos considerar o significado como fenômeno de pensamento. (...) O significado das palavras é um fenômeno de pensamento apenas na medida em que o pensamento ganha corpo por meio da fala, e só é um fenômeno da fala na medida em que esta é ligada ao pensamento, sendo iluminada por ele.” (Vigotski, 2000 p.151)

Neste aspecto, Vigotski (2000) afirma que o significado de uma palavra é uma generalização ou conceito, e sendo assim, a comunicação humana pressupõe uma atitude generalizante. Ele acredita que as formas mais elevadas de comunicação só são possíveis porque o pensamento do homem reflete uma realidade conceitualizada. Aqui ressalta também que a aquisição do nível de conceitos mais abstratos no homem (a palavra com valor de signo) é um processo iniciado desde a infância e que perdura ao longo do desenvolvimento de um indivíduo.

O autor pontua que na evolução histórica da linguagem os significados das palavras se alteram, sendo assim formações dinâmicas, e não estáticas. Explica que a alteração do conteúdo de uma palavra altera, junto com ela, o modo pelo qual a realidade é generalizada e refletida numa palavra. Dessa forma, a modificação dos significados das palavras é propiciada através do desenvolvimento dos homens e de acordo com as várias formas pelas quais o pensamento funciona. “Se os significados das palavras se alteram em sua natureza intrínseca,

então a relação entre o pensamento e a palavra também se modifica”. (Vigotski, 2000, p.156). Aguiar (2001b), lembra que para compreender a fala de alguém, é necessário apreender o significado da fala, compreender o pensamento. Assim sendo, o significado é sem dúvida parte integrante da palavra e, simultaneamente, um ato de pensamento e da linguagem. Aguiar e Ozella (mímio), mostrando a complexidade do tema, revelam ainda que o pensamento para ser expresso em palavras passa por diversas transformações. Sendo assim, afirmam que essa transição passa necessariamente pelo significado como também pelo sentido das palavras numa relação de mediação.

Vigotski (2000) observa que há o predomínio do sentido da palavra sobre seu significado, pois o sentido de uma palavra englobaria a soma de todos os eventos psicológicos que a palavra desperta em nossa consciência. Assim, o significado das palavras seria apenas uma das zonas de sentido, uma zona mais estável e precisa.

“... Uma palavra adquire seu sentido no contexto em que surge; em contextos diferentes, altera o seu sentido. O significado permanece estável ao longo de todas as alterações do sentido. O significado dicionarizado de uma palavra nada mais é do que uma pedra no edifício do sentido, não passa de uma potencialidade que se realiza de formas diversas na fala.” (Vigotski, 2000, p.181)

Em comparação aos significados das palavras que também se alteram no decorrer da evolução da linguagem, o sentido das palavras é um fenômeno muito mais variável e móvel que se modifica de acordo com as situações e a forma de como é utilizada. Aguiar e Ozella (mímio) destacam que o sentido revela a singularidade de um indivíduo e, citando Namura, explicam que esta categoria mostra toda a riqueza dos momentos existentes na consciência, visto que está contextualizada na “obra do autor”. Isto quer dizer que o sentido se constitui na relação entre a compreensão de um homem da realidade exterior juntamente com o conjunto da sua estrutura interior. Assim, é através do sentido que se aproxima da subjetividade, do que diz respeito a expressão e unicidade de uma pessoa. González Rey (2003), citando Vigotski, lembra:

“O sentido define a experiência humana dentro de um registro complexo de caráter histórico, em que cada momento atual da vida do sujeito representa um momento produtor de sentido, tanto pelo lugar do sujeito em relação com a experiência vivida, como pela forma como os outros sentidos constituídos em sua história pessoal passam a ser elementos constituintes do caráter subjetivo dessa nova experiência.” (González Rey, 2003, p.222 e 223)

A partir disso, compreende-se que o discurso produzido pelos indivíduos permite o acesso ao processo de desenvolvimento do psiquismo, é através dele que podemos apreender e desvendar o movimento da consciência dos indivíduos. Como ressaltam Rosa e Andriani (2002), a construção do psiquismo está intimamente ligada à relação do indivíduo com a realidade e ao contínuo processo de apropriação e produção de sentidos e significados que o homem dá a suas experiências, que são expressas na linguagem.

Vigotski (1998) conclui que a criação e o uso de meios artificiais, os signos e instrumentos são formas pelas quais o homem cria condições para transformar a si mesmo e a sua realidade. Para o autor, apesar dessas instâncias serem orientadoras do comportamento humano são diferentes porque o instrumento serve como orientador do domínio do homem sobre a natureza, portanto este instrumento tem função externa e o signo serve como meio da atividade interna dirigido para o controle do próprio indivíduo, e, por isso, com função interna. Porém, a relação de mediação entre elas provoca não só transformações no ambiente externo, no qual o homem se insere, como também provoca a sua transformação, e, ao se transformar, o homem cria novas formas e condições de uso dos meios artificiais que estabelecerão mais transformações no ambiente e no homem.

“... O controle da natureza e o controle do comportamento estão mutuamente ligados, assim como a alteração provocada pelo homem sobre a natureza altera a própria natureza do homem. (...) O uso de meios artificiais (...) muda, fundamentalmente, todas as operações psicológicas, assim como o uso de instrumentos amplia de forma ilimitada a gama de atividades em cujo interior as novas funções psicológicas podem operar.” (Vigotski, 1998, p.73)

Aguiar e Ozella (mímio) esclarecem que, portanto, é fundamental entender que a atividade humana é sempre significada. Há sempre de se considerar que o agir humano se realiza de forma externa e interna e que em ambas as situações essas atividades são significadas.

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