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4. Bokloven

4.1 Generelt om innholdet i loven

O recurso mais importante nesta investigação foi a própria obra de arte escolhida, a Senhora

da Meia Laranja. De acordo com Pillar (1996), a aquisição do conhecimento é fruto da

interacção da criança com o objecto, pelo que foi considerado essencial a ida ao Museu. Trabalhar directamente com originais como defende Taylor (1988, pp. x-xii), usando diferentes métodos que foquem o olhar das crianças para determinado detalhe, característica ou elemento, pode tornar-se muito útil para o conhecimento técnico ou expressivo de uma obra. Este desmontar da obra de arte através do olhar, recriando partes ou o todo, dota os alunos de meios de leitura para futuros olhares de outras obras. Ajudam-nos, segundo Clemente (1994), a entrar em diálogo com a arte e a perceber sobre o que se trata, o que quer dizer, porque e como foi feita.

Para Taylor (1988, p.189) é importante que os alunos se apercebam que não é a mesma coisa olhar uma obra de arte original e olhar uma reprodução por muito boa que seja. As qualidades tácteis, ou seja a textura visual, já que não se pode tocar na obra, as dimensões reais, a patine ou o craquelet da matéria marcada pelo tempo foram elementos que nos ajudaram a transportar para a época da realização da obra tentando imaginar um tempo há quinhentos anos atrás, a época dos Descobrimentos (que os alunos já tinham ouvido falar na escola), sem televisão, sem automóveis…:

– Tão antiga! Exclamaram vários.

– É do séc. XVI. Acrescentou um aluno espreitando para a legenda.

Os outros recursos dependeram do tipo de trabalho que se pretendeu fazer. Ao optar pelo modelo de Taylor e ao valorizar-se a contemplação e a verbalização do olhar para apreciar uma obra de arte não foram, à partida, necessários grandes recursos para além dos olhos, da boca e da riqueza interior de cada um (conhecimentos, emoções, imaginação). Também podemos considerar como recursos a formação e informação recebida pela equipa para poder enriquecer o contacto com a obra, ou seja, as questões estruturadas segundo um modelo de apreciação contemplando aspectos essenciais de fruição artística.

Para dinamizar a verbalização do contacto dos alunos com a Senhora da Meia Laranja foi importante a equipa ter analisado em conjunto, com o historiador de arte, os vários aspectos da obra. No fundo tivemos a mesma experiência que os alunos iriam ter, ao ouvir e expressar diferentes olhares. JR chamou a atenção para questões que as ouvintes acharam interessantes e sobre as quais nunca tinham pensado ou reparado, como, por exemplo, a distorção dos corpos para destacar um tema, a utilização das cores na provocação de sensações de luz e calor, na simbologia dos elementos. Penso que para a equipa, tal como para os alunos a forma de olhar aquela e outras pinturas já não seria a mesma. As mesmas questões foram depois colocadas pela equipa aos alunos, adaptando naturalmente a linguagem.

Para complementar estes exercícios do olhar recorremos à prática, ao fazer, ao expressar, defendida por quase todos os autores, incluindo Taylor (1988), tendo em conta as idades utilizando a expressão plástica, o jogo e a dramatização inventando personagens. Para autores como Monique Brère (in Barbosa, 1991, p. 64) e Lowenfeld e Brittain (1977), como já vimos, a actividade artística da criança é importante para, através da comparação com a obra de arte, levar os alunos a um processo de compreensão histórica da produção e a um julgamento

estético. Foi também isso que aconteceu no momento final quando os alunos olharam a maqueta com os planos originais e depois com os trabalhos dos alunos.

A maqueta foi considerada um bom recurso, pois permitiu que a criança entrasse na pintura literal e metaforicamente. O aspecto lúdico da mobilidade dos vários planos que podiam ser alterados e intervencionados foram, para os mais pequenos, uma forma concreta de “tocar” a pintura e para os mais velhos um toque lúdico onde se conseguiu testar, por exemplo, porque razão teria o pintor escolhido um fundo escuro por trás da Senhora, em vez de um fundo florido.

Apesar da maqueta ter sido feita a pensar nesta investigação, foi sentido que ela pode ser útil noutras actividades ligadas à apreciação artística a integrar na programação futura do Serviço Educativo. Poderá também ser a base da construção de material didáctico impresso com alguma qualidade, que poderá ser um apoio lúdico a fornecer às escolas e um meio de divulgação do espólio do Museu.

Para além da maqueta e da arca com diversos tecidos, galões e cordões para serem tacteados pelos alunos do terceiro ano, foi necessário diverso material para expressão plástica: papel, tintas e pincéis. Houve algumas dúvidas na escolha do tamanho do papel e chegamos à conclusão que seria melhor um tamanho o mais parecido possível com o real, por isso cortamos a folha de papel manteigueiro A3 em duas.

No caso desta investigação, no Ciclo dois, a preparação das visitas ao Museu e desenvolvimento de actividades relacionadas com a pintura, foi considerado também um excelente recurso. Foi importante pensar os seus objectivos, a sua sequência no tempo, no espaço, a escolha de conceitos a trabalhar, a elaboração das questões para levantar a cada grupo, a organização da prática e outros recursos necessários: se deveria ser ou não preparada e como, se se deveria falar ou mostrar imagens da pintura em estudo ou se isso quebraria o efeito surpresa. Se, para o sexto ano se referia ou não o Renascimento, na sequência de outros estilos. Como já tinham abordado outros períodos da História de Arte ficou combinado que, nas aulas seguintes, refeririam aquele período.

Na sessão de preparação das actividades para o terceiro ano esta questão também surgiu – Que tipo de preparação se deveria fazer na escola? A professora, sugeriu fazer uma sensibilização

dos alunos para a arte em geral, mostrando-lhes livros ilustrados com algumas obras, pois os objectivos da educação visual e artística no ensino básico em Portugal são também:

(…) desenvolver o poder de discriminação em relação às formas e cores, sentir a composição de uma obra, tornar-se capaz de identificar, de analisar criticamente o que está representado e de agir plasticamente. (…)

Currículo Nacional do Ensino Básico,(2001, p. 155).

De qualquer maneira ficou combinado fazer-se, para as três turmas, uma preparação sobre o que é um museu, o que guarda, quais as suas funções e a atitude de respeito pelo património que se deve ter naquele espaço.