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5. E-boken

5.2 Agent- og grossistmodellen

5.2.1 Effekten av MFN i agentmodellen

Como já referimos foi importante para a preparação das actividades e para a apreciação da

Senhora da Meia Laranja com os alunos, a formação relativa à análise da obra de arte,

experimentada previamente pela equipa sobre o que iria acontecer e posteriormente explorada com as turmas.

Apesar das actividades terem sido essencialmente orientadas pela monitora/investigadora, o papel das professoras foi fundamental na sua preparação e no ajudar a levantar as questões proporcionando, para além de um contacto directo das crianças com a obra de arte, o problematizar, o reflectir, o despertar a atenção dos alunos para as diversas categorias de Taylor (1988). Falou-se da forma como a pintura estava organizada e os sentidos e sentimentos que provocava. Não se tratou de ensinar o que deviam ler mas, questionando, atribuir sentidos construídos pelos próprios alunos em diálogo entre si e com o quadro, em função dos seus interesses e das informações recebidas.

Instituições culturais como os museus têm um papel importante a desempenhar na mediação cultural para a preservação do património cultural, da memória colectiva, da sua identidade e diversidade, numa época tão marcada pela globalização. Essa diversidade, marcada pela influência de outros contactos e outras culturas reforça o papel do museu na divulgação da identidade e intercâmbio com outros mundos. Colecções como as de porcelana de encomenda da China, os marfins Indo-portugueses, o mobiliário francês ou a pintura flamenga do Museu

Nogueira da Silva, que criaram pontos comuns na cultura ocidental a que pertencemos, justificam esse papel.

A exigência de profissionais qualificados para gerirem os serviços educativos dos museus tem aumentado significativamente e, como já vimos na revisão da literatura, os primeiros sinais de criação de serviços educativos, segundo Pereira (1995), iniciaram-se já nos anos cinquenta, em Portugal, intensificando-se nos anos sessenta. De facto, aqueles guias de museu que

despejavam a classificação cronológica dos objectos já não satisfazem as novas exigências da

sociedade, das instituições culturais e da escola. Outras competências são necessárias se se pretende dar uma nova dinâmica aos espaços dos museus e cativar os públicos.

A actual competição com outros meios de transmissão de cultura como os audiovisuais e a Internet tornam essa tarefa necessária e urgente. Sem perverter a função inicial de valorizar e dar a conhecer os originais do nosso património, o museu pode utilizar esses meios para organizar o seu espólio, informatizando os seus inventários, para despertar a curiosidade no público para visitar os seus espaços ou mesmo criando animações que contextualizem os objectos. Como a maioria dos Museus Nacionais, também o MNS tem o seu inventário

informatizado e possui um sítio na Internet (www.mns.uminho.pt) onde se divulgam as

colecções e as actividades desenvolvidas.

Cativar públicos e dar a conhecer o património com qualidade implica repensar formas de requalificação profissional e na sua conjugação com a experiência dos colaboradores do museu, exigindo um certo nível de habilitações académicas e uma preparação técnica específica adquirida em acções de formação ou pós graduações em museologia que, ao contrário de há uns dez anos atrás, já existem em bastante número. Pretende-se com isso formar pessoas criativas e tecnologicamente competentes que saibam fazer uso das oportunidades de desenvolver novas formas de mostrar e explicar criativamente as colecções. Quando falamos em formação de agentes educativos em contexto museológico temos dois aspectos a considerar: a formação científica e a formação pedagógica ou seja, conhecimento das colecções do museu e temáticas associadas que permitam uma mediação cultural e a preparação para transmitir de uma forma eficaz e pedagógica esses conhecimentos aos diversos públicos ou seja a mediação didáctica (Buffet, 1999, p. 16). Por esta razão, no Ciclo dois desta investigação, orientamos a preparação da equipa para esses dois níveis.

Assim, o contacto com as professoras e investigadores, caso do doutorando, foi precioso pois permitiu à monitora/investigadora reflectir sobre questões de educação formal ao nível da arte e possibilitou às professoras perceber as especificidades de funcionamento do Museu e o que poderão esperar do Museu e dos seus Serviços Educativos para concretizar aprendizagens a esse nível. O nível da mediação cultural, abordada pelo especialista JR, contribuiu para um conhecimento da obra de arte em estudo, a Senhora da Meia Laranja e das pinturas do mesmo núcleo, do contexto em que foram feitas e das características que marcaram a pintura do Renascimento.

O nível da mediação didáctica foi também marcado por um lado, pelo conhecimento pelos elementos da equipa das características dos respectivos níveis etários e por outro, pela escolha do modelo de apreciação artística de Taylor (1988), bem aceite e compreendido por toda a equipa visível na atitude de abertura para ouvirem e aceitarem novos métodos de ensino- aprendizagem relacionados com a leitura de obras de arte.

Podemos também questionarmo-nos até que ponto a preparação da equipa não terá marcado a leitura e a própria relação da criança com a pintura da Senhora da Meia Laranja. Pensamos que apesar da posição dos adultos ter sido de abertura e aceitação de qualquer opinião por parte dos alunos, a visão destes foi naturalmente marcada pela orientação das questões como neste pequeno bloco de perguntas e respostas:

M – Acham que é um tapete? (conteúdo) A(d) – Um telhado.

A(e) – Uma coisa de festa.

M – Será? Reparem naquela janela (ao fundo da sala, com uma cortina e um reposteiro), o pano branco fininho é uma cortina, o mais grosso de veludo é um reposteiro. O da pintura é parecido com qual? (conteúdo)

A(vários) – Com o reposteiro.

Por isso fizemos também questão de valorizar o primeiro contacto dos alunos com a obra, essa aproximação livre de qualquer orientação a que Taylor (1988) chama de contemplação permitindo-lhes antes de se exprimirem oralmente, a possibilidade de usarem outras forma de expressão livre, a escrita e a plástica. Resultando trabalhos e descrições bastante criativas:

Maria estava a dar de mamar a Jesus. Jesus foi malandro e viu fruta em cima da mesa e não queria mais mamar. Depois como sempre José tinha de pôr uma cortina.

Maria está a pegar em Jesus Cristo. Mas quando Maria pegou no seu Filho ela estava a fazer sumo de limão e de maçã e de cerejas. O que está atrás dela é uma cortina para o seu Filho não ter frio.

A(f), 8 anos

A partir daí, como em qualquer processo educativo a influencia do educador e da estratégia que utiliza condiciona o aluno, principalmente no segundo estádio de Parsons (1987), a que chama de beleza e realismo e onde a influência do adulto é muito forte. Temos consciência que ao começar pela primeira categoria proposta por Taylor (1988), o conteúdo, e condicionados pelo limite temporal, as outras categorias poderiam ter sido mais exploradas e seria isso que aconteceria se as sessões tivessem continuado.

Não será por acaso que todos os autores iniciam os seus modelos e estratégias pelo tema ou conteúdo e sua descrição, pois parece-nos que é o mais evidente no primeiro contacto, a observação descritiva, bem patente em todos os apontamentos dos alunos. É com certeza mais motivador iniciar a descrição pelo que lhes é mais familiar e observável. Por outro lado consideramos ter ultrapassado esse tipo de observação e atingido a observação estética (Parini, 2002) sensibilizando os alunos para as categorias formais, processuais e emotivas.

A experiência no SE do Museu Nogueira da Silva tem-nos mostrado que mais importante que sobrecarregar o visitante com informação sobre as peças, é o público conversar sobre os objectos, seus contextos e origens, fazendo jogos e dando a possibilidade, pelo menos aos mais pequenos, já que os mais velhos o fazem verbalmente, de exprimirem artística e esteticamente as suas preferências. Se essa relação com o objecto é importante, quando falamos de uma obra de arte é fundamental. Cada obra é uma aventura diferente, não há regras rígidas de leitura que possam ser usadas para todas as pinturas.

Na preparação da equipa para essa aventura, para além da colaboração estreita, em parceria entre os professores e os técnicos do SE na concepção das próprias actividades estabelecendo objectivos, conteúdos, calendarização e todos os outros detalhes, foi importante prever a preparação dos alunos, pelo menos, sobre a instituição museológica, a sua função, a sua importância e cuidados a ter para a conservação do seu espólio, preocupação essa que deve ser permanente em todos aqueles que procuram o museu.

5.4 Sumário

Neste capítulo tratamos de analisar os dados recolhidos durante todos os ciclos da acção. Reflectimos sobre as estratégias utilizadas e os obstáculos que surgiram que obrigaram a equipa a reformular alguns passos previamente negociados. Analisamos os comportamentos dos alunos e dos adultos e os trabalhos plásticos das crianças relacionando-os com o seu desenvolvimento estético e crítico ajudando-nos a avaliar a eficácia de intervenções do SE do Museu Nogueira da Silva na dinamização de actividades de apreciação artística dando resposta às questões da investigação: Como são feitas as visitas guiadas ao Museu Nogueira da Silva?; Que estratégias de análise de obras de arte podem ser usadas durante as visitas guiadas?; Que recursos podem ser utilizados para permitir aos responsáveis pelas visitas guiadas desenvolver estratégias de apreciação artística; Que formação profissional necessitam os agentes educativos para o desenvolvimento e implementação de estratégias de apreciação artística nos seus museus?

Concluiu-se que o modelo de apreciação seleccionado facilitou a leitura da obra de arte e ajudou os alunos a descobrirem a linguagem artística. Por outro lado verificou-se que o sucesso das actividades de leitura de obras de arte envolve muito tempo, investigação por parte do educador e do aluno, assim como a utilização de recursos que facilitem a comunicação. Considerou-se que o uso do Museu motiva mais e facilita o contacto com a obra de arte pois a presença de originais focaliza e potencia a valorização e o respeito pela obra. Finalmente concluiu-se que o trabalho colaborativo entre professores de educação formal e informal foi muito frutuoso pois permitiu a troca de experiências e saberes sobre esses dois contextos em volta da pintura da Senhora da Meia Laranja.

CAPÍTULO 6 CONCLUSÃO 6.1 Introdução

O mote para a escolha do tema desta investigação, na fase da indecisão inicial, foi dado pela leitura de um artigo do Público (2002), de João Bénard da Costa, com o título Isabella no

caramanchão de madressilvas. O autor recordava um livro de História de Arte que lhe

ofereceram na infância e o prazer que tinha em olhar milhares de vezes as estampas coloridas reproduzindo pinturas célebres. Sabia-as de cor.

Não sabemos, nem percebemos se o autor sabe, o que o marcou mais, se o colorido das imagens na escassez de publicações ilustradas e a cores da época, se o sentar-se ao colo da mãe a ouvir as explicações.

Quando me castigavam, o livro ia parar a estante mui alta, onde eu não chegava, e ali ficava uma semana, uma quinzena ou um mês, conforme o meu pecado e a penitência respectiva. Quando eu me portava bem, via-o ao colo da mãe e bebia as palavras de cada explicação.

Bénard da Costa, (2002, p. 5)

A família, a escola e a sociedade através das suas estruturas e instituições marcam o crescimento do indivíduo. O caso do museu, por exemplo, será o de fazer o papel do livro de História da Arte sentando as crianças no colo, explicando-lhes as obras coloridas que tem nas paredes, como a mãe de Bénard da Costa (2002) fazia com as estampas do livro que adorava. Perante as questões que motivaram esta pesquisa chegamos a algumas conclusões sobre, por exemplo, o muito que se pode fazer nos museus, dentro das limitações da sua especificidade, ao nível da apreciação artística utilizando e experimentando modelos e estratégias defendidas por investigadores como Taylor (1988) que sirvam de base à comunicação do público infantil com a arte proporcionando-lhes meios e criando hábitos para o desafio que é a leitura da obra de arte, respeitando a riqueza da sua individualidade e da liberdade interpretativa da obra de arte, mobilizando e formando os profissionais de educação (professores e monitores/ educadores de museu) para essa tarefa.

Seguem-se algumas conclusões agrupadas em quatro temas que consideramos importantes e que marcaram esta investigação: (i) a relação da criança com a arte e a importância da cultura e do nível de desenvolvimento; (ii) a especificidade do espaço museológico e a importância das fontes primárias; (iii) a estratégia utilizada, os recursos e o modelo em que se apoiou; e (iv) as implicações para investigações futuras e inclusão na programação habitual do Museu Nogueira da Silva das actividades experimentadas com as respectivas alterações.