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/ GASSUTSLIPP PÅ INDUSTRIANLEGG

In document 2014 Nasjonalt risikobilde (sider 122-126)

RISIKOOMRÅDE / FARLIGE STOFFER

SCENARIO 12.1 / GASSUTSLIPP PÅ INDUSTRIANLEGG

Ao creditar às crianças a natureza assexuada, os adultos costumam passar por conflitos e dilemas diante das manifestações da sexualidade infantil, especialmente por não compreenderem que muitas dessas manifestações não estão carregadas das mesmas intenções dos adultos e que outras são apenas representação das atitudes observadas no mundo adulto. No entanto, a forma como os adultos lidam com esses conflitos pode provocar impacto no desenvolvimento das crianças.

Embora essas manifestações da sexualidade não representem para as FULDQoDVDPHVPDQRomRGH³PDOtFLD´TXHVHHQFRQWUDQRVMRYHQVHQRVDGXOWRVVmR sinais de que elas necessitam ser orientadas a respeito. Geralmente são atos que expressam a imitação de adultos e a curiosidade infantil. Quanto mais uma criança manifeste curiosidades relacionadas à sexualidade, maior sua necessidade de orientação, evidentemente dentro das suas condições de compreensão do mundo.

Conforme apontam Nunes e Silva (2006), com o excesso de estímulos a que as crianças estão sujeitas nesta sociedade que comercializa e banaliza a sexualidade, muitas dessas crianças reproduzem práticas consideradas libidinosas. No entanto, como bem esclarece o autor, os infantes não lhes atribuem o mesmo sentido dos adultos. Antes, essa reprodução/encenação das práticas adultas resulta da noção dos pequenos de que o mundo adulto vale mais que o da criança.

Essas manifestações normalmente ocorrem no ambiente familiar ou escolar. Conforme aponta Costa (2014), ante essas manifestações os adultos podem ignorá- las, alardeá-las com repressão intensa ou mesmo se servirem delas como indicadores para serem adequadamente trabalhadas. No entanto, devem ser encaradas pelo adulto com naturalidade e postura didática, pois são passíveis de serem trabalhadas. Contudo, para isso, é essencial que se conheça a motivação e o sentido que a criança atribui a cada uma dessas manifestações.

A dificuldade de os adultos compreenderem as manifestações da sexualidade infantil se relaciona principalmente a certas crenças religiosas e à medicina higienista, que se propunham ao controle do comportamento infantil, do jovem e até mesmo do adulto. Conforme destaca Silveira (2010), essas manifestações dizem respeito a atos como: masturbação, curiosidades sobre o nascimento, beijo, namoro

infantil, fetichismo, jogos e brincadeiras sexuais, atitude de reter a urina, entre outras. Segue uma análise de cada uma dessas manifestações:

a) masturbação ± em virtude da curiosidade e busca pela satisfação que o corpo proporciona, a criança encontra na manipulação dos genitais uma H[SHULrQFLD SUD]HURVD &RQIRUPH 6LOYHLUD   ³O ato masturbatório normal e comum é o emprego de recursos naturais para a satisfação ou uma resposta contra a frustração, raiva, ódio, medo, o desinteresse e a monoWRQLD´ (SILVEIRA, 2010, p. 117). Foucault (1999) denuncia a maneira como se coibiu a masturbação infantil a partir do séc. XVIII.

b) curiosidades sobre o nascimento ± conhecer a dinâmica do nascimento é uma curiosidade comum. É uma necessidade que as crianças têm de explicar, a si mesmas, o seu surgimento no mundo. A compreensão de que se deve esconder totalmente a noção de sexo, pois é sujo para as crianças, leva muitos os adultos a explicarem de forma demasiadamente absurda, o que provoca nessas crianças a desconfiança dos pais, um aumento da curiosidade e até mesmo a frustração.

c) beijo ± representa na cultura brasileira uma troca natural de afeto. No HQWDQWR 6LOYHLUD   GHVWDFD TXH ³Ki LQ~PHURV FRQYLWHV H SUiWLFDV GH beijos, sempre com imitação da TV por meio de suas novelas, filmes e programas. Algumas crianças gostam de beijar paredes e espelhos, numa síntese de narcisismo16 HLPLWDomR´ (SILVEIRA, 2010, p. 114).

d) namoro infantil ± Como há significativa concentração de crianças nas unidades escolares, essa manifestação se torna mais comum nos CMEIs, embora não se limite a esse espaço. Este comportamento advém do estímulo de outras crianças ou dos próprios adultos de seu meio social, inclusive na mídia televisiva, ou da simples imitação do comportamento adulto.

e) fetichismo ± é a reprodução do comportamento desviante do adulto para alguma parte do corpo do parceiro, ou para objetos íntimos do mesmo, como exemplo a utilização de roupas íntimas do parceiro, satisfação na

16 Segundo Freud (1989b), narcisismo diz respeito à condição em que o ego retém a libido. Como que

em mudança de fases de vida, o indivíduo progride do narcisismo para o amor objetal, isto é, o indivíduo transfere o amor acentuado por si para outro objeto. O autor destaca ainda que, mesmo quando o amor objetal estiver totalmente desenvolvido, o indivíduo conservará ainda certa quantidade de narcisismo, que é o seu amor próprio, fundamental para sua autoestima.

interpretação sexual do parceiro, como se comportar como secretária, enfermeira e outras para agradar ao parceiro.

f) jogos e brincadeiras sexuais ± estas são fruto da curiosidade das crianças e, por vezes, são carregadas de troca de afeto; fazem parte do desenvolvimento sexual da criança. Silveira (2010) aponta que entre essas brincadeiras estão a do papai e mamãe, a de médico, o toque, a carícia, a comparação do tamanho dos órgãos sexuais, entre outras, mas todas em um jogo simbólico.

g) atitude de reter a urina ± essa manifestação se caracteriza pelo controle de soltar e prender a urina, em uma ação de controle do corpo que proporciona prazer quando da contração.

Costa (2014) explicita os vários dilemas pelos quais alguns educadores passam ao presenciarem a manifestação da sexualidade das crianças. Para tal, a autora usa o exemplo da manipulação dos órgãos sexuais:

[...] a manipulação dos órgãos sexuais acontece como uma das descobertas mais significativas na infância. E esse ato de manipulação, muitas vezes H[SOLFLWDGRSHODVFULDQoDVíTXHQmRFRQVHguem ou não se interessam em disfarçá-lo ± no ambiente escolar, constrange muitos professores que, frente à observação e aos comentários das outras crianças, apresentam dificuldades no direcionamento de tal situação, e na maioria das vezes a responder a contento a esses comentários e questionamentos que destacam a ação da criança [...]. (COSTA, 2014, p. 68).

A reação a circunstâncias como essa está associada ao habitus incorporado por cada profissional da educação. Aliás, em nossa cultura de formação repressiva, falar abertamente sobre o sexo comumente traz embaraço.

É o que a pesquisa de Ferreira (2016) revela, ao tratar do mal-estar docente ante as manifestações da sexualidade das crianças. Sua investigação revela como muitos docentes se sentem embaraçados ao se confrontarem com certas manifestações da sexualidade de seus alunos. Não apenas isso, mostra também a dificuldade de alguns professores para falarem abertamente sobre o assunto, ao que a pesquisadora identificou a contribuição da psicanálise, particularmente da estratégia de Conversação, para ajudar os docentes na construção de novos saberes, bem como para auxiliá-los ao lidarem com os conflitos e angústias gerados por essas experiências.

Silveira (2010) adverte igualmente que esse mal estar pode afetar também as próprias crianças, pois estas ainda não têm maturidade para absorver a

sensualidade, a exposição precoce ao erotismo pode lhes causar confusão. Assim como a repressão, vista obviamente como descabida pelas crianças. O certo é que as crianças têm seu ritmo de desenvolvimento da sexualidade e devem desenvolvê- la em circunstâncias naturais. Por isso é importante que um adulto equilibrado lhes oriente nesse processo.

Além disso, a erotização precoce e experiências vinculadas à excitação física podem levar a criança a desvincular a sexualidade do afeto, em que pese este ser essencial para a constituição do sujeito nos seus processos de desenvolvimento e, consequentemente, nas suas relações interpessoais.

Portanto, a sexualidade é inerente a todo ser humano e deve se desenvolver de maneira espontânea: sem estimulação excessiva e/ou precoce; sem repressões descabidas e/ou agressivas. Antes, precisam que a criança seja esclarecida, de maneira natural e pedagógica, de que algumas dessas manifestações são impróprias para certos ambientes sociais.

In document 2014 Nasjonalt risikobilde (sider 122-126)