2.1 - O problema
O interesse em estudar e investigar questões relativas às práticas pedagógicas de Matemática resultou da experiência profissional da pesquisadora, junto a alunos que participam do Programa de Atendimento aos Alunos Portadores de Altas Habilidades e Talentosos da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal.
O referido programa tem como objetivo principal o atendimento educacional ao aluno superdotado e, conforme Orientação Pedagógica do Departamento de Pedagogia, da Divisão de Ensino Especial, deve:
Proporcionar atendimento especializado ao aluno da rede oficial de ensino do Distrito Federal, identificado como portador de altas habilidades, promover um processo de identificação e acompanhamento do processo de diagnóstico dos alunos que apresentam aspectos indicativos de altas habilidades, e desenvolver sistemática de atendimento às necessidades educacionais complementares dos alunos com altas habilidades (Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, 1994, p.13).
No ano de 2001, esse programa passou a implementar, em salas de recursos, o Modelo de Enriquecimento Escolar proposto por Renzulli e Reis (1996, 1997, 2000). Estas salas de recursos são descritas, nas Diretrizes Gerais para o Atendimento Educacional ao Aluno Portador de Altas Habilidades da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (1994), como:
Uma modalidade de atendimento educacional própria do ensino especial, porém localizada numa escola de ensino regular, caracterizada por um ambiente pedagógico adequadamente aparelhado, dispondo de recursos materiais condizentes às particularidades do aluno e de professores especializados devidamente preparados para orientar e auxiliar na realização de atividades previstas tanto no currículo regular como no projeto específico de cada aluno, de maneira a otimizar as possibilidades de utilização autônoma e produtiva de suas habilidades (Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, 1994, p.15).
O professor, que atua nessas salas de recursos, deverá exercer o papel de facilitador da aprendizagem e orientar os alunos por meio de estratégias diversificadas. A partir das idéias dos alunos, elaboram-se projetos, constroem-se jogos e desenvolvem-se pesquisas, mediados pelo professor, sendo que toda a produção discente é mantida em portfólios individuais. Além do mais, o aluno tem liberdade para criar soluções próprias, satisfazer curiosidades, identificar questões desafiadoras, discutir assuntos de seu interesse ou propostos pelo professor, participar de passeios e de atividades sociais, mostrar idéias inovadoras, consultar fontes diversas, redigir textos, manipular jogos, elaborar regras para os jogos matemáticos concebidos, montar instrumentos geométricos e registrar, em cadernos individuais, as informações relevantes dos encontros semanais.
As formas variadas de se desenvolverem atividades, nas salas de recursos, objetivam a implementação do Modelo de Enriquecimento Escolar adotado, propiciando ao aluno talentoso a oportunidade de pôr em prática uma maneira diferente de ser e de se manifestar.
Pretende-se, com a presente pesquisa, avaliar se as atividades desenvolvidas em Matemática atendem, de fato, às necessidades dos alunos que freqüentam o programa. Além de verificar se os dados resultantes desta análise poderão contribuir para aprimorar as estratégias pedagógicas propostas, bem como identificar se as referidas atividades desenvolvidas pelos professores mediadores de Matemática das salas de recursos estão em conformidade com o Modelo de Enriquecimento Escolar adotado. São objetivos do estudo:
(a) investigar se as estratégias propostas nas práticas pedagógicas em Matemática, nas salas de recursos do Programa de Atendimento aos Alunos Portadores de Altas Habilidades e Talentosos, diferenciam-se das práticas trabalhadas nas salas de aula regular;
(b) identificar a percepção dos professores das salas de recursos acerca das práticas pedagógicas propostas e desenvolvidas em Matemática, com base no Modelo de Enriquecimento Escolar adotado no Programa de Atendimento aos Alunos Portadores de Altas Habilidades e Talentosos;
(c) investigar se os professores das salas de aula regular têm conhecimento do Modelo de Enriquecimento Escolar adotado no Programa de Atendimento aos Alunos Portadores de Altas Habilidades e Talentosos;
(d) analisar a percepção dos alunos que participam do Programa de Atendimento aos Alunos Portadores de Altas Habilidades e Talentosos acerca das práticas pedagógicas propostas e desenvolvidas em Matemática, com a implementação do Modelo de Enriquecimento Escolar adotado;
(e) identificar se as mães de alunos atendidos no Programa de Atendimento aos Alunos Portadores de Altas Habilidades e Talentosos têm conhecimento das práticas pedagógicas propostas e desenvolvidas em Matemática com a implementação do Modelo de Enriquecimento Escolar adotado.
2.2 - As questões de pesquisa
São as seguintes:
1. Segundo os professores mediadores das salas de recursos, as estratégias propostas nas práticas pedagógicas para a área acadêmica de Matemática, nessas salas do Programa de Atendimento aos Alunos Portadores de Altas Habilidades e Talentosos, diferenciam-se das práticas trabalhadas nas salas de aula regular?
2. Qual é a percepção dos professores das salas de recursos das práticas pedagógicas propostas utilizadas em Matemática com o Modelo de Enriquecimento Escolar adotado no Programa de Atendimento aos Alunos Portadores de Altas Habilidades e Talentosos?
3. Os professores das salas de aula regular têm conhecimento do Modelo de Enriquecimento Escolar adotado no Programa de Atendimento aos Alunos Portadores de Altas Habilidades e Talentosos? Em caso positivo, como percebem as práticas pedagógicas que estão sendo implementadas?
4. Qual é a percepção dos alunos que participam do Programa de Atendimento aos Alunos Portadores de Altas Habilidades e Talentosos das práticas pedagógicas propostas e desenvolvidas em Matemática, com a implementação do Modelo de Enriquecimento Escolar adotado?
5. Os pais ou responsáveis pelos alunos atendidos no Programa de Atendimento aos Alunos Portadores de Altas Habilidades e Talentosos têm conhecimento das práticas pedagógicas utilizadas em Matemática com a implementação do Modelo de Enriquecimento Escolar adotado? Em caso positivo, qual a opinião dos mesmos a respeito das referidas práticas?
CAPÍTULO III
MÉTODO
3.1 - Participantes
Participaram deste estudo 37 sujeitos, assim definidos: (a) dez professores mediadores responsáveis pelo atendimento de Alunos Portadores de Altas Habilidades e Talentosos em Matemática nas salas de recursos; (b) oito professores que lecionam Matemática na rede pública de ensino, nas salas de aula regular de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental; (c) dez alunos de 5ª a 8ª séries que freqüentam o Programa de Atendimento aos Alunos Portadores de Altas Habilidades e Talentosos em Matemática da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal; (d) nove mães dos respectivos alunos.
No projeto original, previu-se a participação de 40 sujeitos, o que não ocorreu pelas seguintes razões: (a) um dos professores das salas de aula regular representou três alunos que eram de suas turmas e participantes do referido programa; (b) uma das mães de aluno declarou ter dois filhos selecionados para participar do estudo.
Para a escolha dos professores mediadores de Matemática das salas de recursos do Programa de Atendimentos aos Alunos Portadores de Altas Habilidades e Talentosos, utilizaram-se os seguintes critérios: (a) ter pelo menos um ano de experiência como professor mediador de Matemática em salas de recursos; (b) participar regularmente das reuniões de coordenação pedagógica mensal por área, organizadas pela Gerência de Apoio à Aprendizagem do Aluno Superdotado da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal.
Os critérios utilizados para a seleção dos professores em regência de classe em salas de aula regular foram: (a) ter o cargo de professor efetivo na rede pública de ensino; (b) ter pelo menos dois anos de experiência de magistério no Ensino Fundamental; (c) estar ministrando aulas de Matemática nas séries indicadas anteriormente, pelo período mínimo de um semestre, aos alunos selecionados para participar do presente estudo.
Os alunos do programa que integraram a amostra deste estudo foram selecionados segundo os seguintes critérios: (a) ser aluno da rede pública de ensino; (b) ter idade mínima de 10 anos e máxima de 15 anos; (c) estar participando regularmente do Programa de Atendimento aos Alunos Portadores de Altas Habilidades e Talentosos em Matemática por
um período mínimo de um semestre; (d) ter a autorização assinada pelos pais para ser entrevistado (ver modelo da carta no Anexo A).
As mães de alunos que integraram a amostra desta pesquisa foram aquelas cujos filhos, freqüentavam o Programa de Atendimento aos Alunos Portadores de Altas Habilidades em Matemática e terem sido selecionados para participar do estudo.
Os professores mediadores de Matemática das salas de recursos informaram que atendiam alunos de 5ª a 8ª séries duas vezes por semana, em horários contrários ao das aulas regulares, conforme a modulação definida pela Coordenação Pedagógica da Gerência de Apoio à Aprendizagem do Aluno Superdotado da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal. Sete desses professores eram do gênero feminino e três do gênero masculino, com idade média de 41,6 numa amplitude de 29 a 55 anos. Quanto ao grau de escolaridade, todos eram especialistas nas áreas de suas graduações, sendo que seis tinham-se graduado em Matemática, um em Química, um em Física, um em Biologia, um em Engenharia Agronômica, com curso adicional em Ciências Físicas Biológicas. O tempo médio de magistério desses professores era de 16,3 anos, variando de 7 a 27 anos. Atuavam em salas de recursos entre 1 a 10 anos, com uma média de 3 anos.
Os professores de Matemática das salas de aula regular (quatro do gênero masculino e quatro do gênero feminino) tinham em média 38,6 anos, numa amplitude de 20 a 49 anos. Quanto ao grau de escolaridade, um tinha o título de Mestre em Educação, quatro eram especialistas na área de Matemática e três possuíam Licenciatura Plena em Ciências. O seu tempo médio de magistério era de 12, 5 anos, variando de 7 a 18 anos.
Os alunos do programa que integraram a amostra freqüentavam uma das salas de recursos da rede pública de ensino, entre as 16 existentes. A referida sala foi escolhida pelas seguintes razões: (a) atender em Matemática um número significativo de alunos; (b) ter sido uma das primeiras salas de recursos na qual o Modelo de Enriquecimento Escolar foi implementado.
Oito desses alunos eram do gênero masculino e dois do gênero feminino. A idade média era de 12,3 anos, variando de 11 a 15 anos. No momento da coleta de dados, um cursava a 5ª série, quatro a 6ª série, quatro a 7ª série e um a 8ª série. Freqüentavam salas de recursos há 3,5 anos em média, com uma amplitude de 2 a 5 anos.
Quanto às mães, tinham em média 39,7 anos, com amplitude entre 34 a 47 anos. No que diz respeito à escolaridade, uma era graduada em Pedagogia, três concluíram o Ensino Médio e cinco o Ensino Fundamental. Quanto à profissão, uma era professora de 1ª a 4ª série
na rede pública de ensino, uma micro-empresária no ramo de confecções femininas, uma comerciante autônoma e seis autodenominaram-se “do lar”.
3.2 - Instrumento
Dos tipos de entrevistas, fechada (ou estruturada), livre e semi-estruturada, optou-se, nesta pesquisa, pela entrevista semi-estruturada como instrumento para o levantamento de dados junto aos participantes do estudo.
Segundo Bogdan e Biklen (1994), entrevistas do tipo semi-estruturada valorizam a presença do entrevistador. Os sujeitos de pesquisa são encorajados a falar com liberdade sobre uma área de interesse, descrevem situações, comportamentos, idéias, valores e sentimentos, favorecendo um levantamento mais completo dos dados de interesse do investigador. É possível ainda, no decorrer das entrevistas, efetuarem alterações na condução das perguntas em função das respostas dadas pelos entrevistados, o que ocorreu em alguns casos, durante a coleta de dados.
Os protocolos de entrevista foram construídos pela pesquisadora com base na literatura a respeito da superdotação, incluindo-se os estudos da autoria de Alencar (1986), Alencar e Fleith (2001), Fleith (1999) e do Modelo de Enriquecimento Escolar (Renzulli & Reis 1996, 1997, 2000). Eles foram utilizados como guia, sendo dois deles compostos de 10 perguntas dirigidas aos professores das salas de recursos e das salas de aula regular e dois com nove perguntas, dirigidas aos alunos que participam do programa e as respectivas mães.
Distintos aspectos relativos à proposta desenvolvida no Programa de Atendimento aos Alunos Portadores de Altas Habilidades e Talentosos em Matemática foram tratados, entre os quais: possíveis diferenças entre as estratégias pedagógicas implementadas nas salas de recursos e nas salas de aula regular, e grau de conhecimento dos pais a respeito do Modelo de Enriquecimento Escolar implementado no programa, além de terem sido identificados dados biográficos dos participantes. Uma cópia desses protocolos de entrevista encontra-se no Anexo B. As entrevistas foram gravadas em áudio e posteriormente transcritas verbatim.
3.3 - Estudo Piloto
Preliminarmente, realizou-se um estudo piloto com o objetivo de identificar as questões que poderiam necessitar de reformulações, no sentido de assegurar a compreensão por parte daqueles que participariam do estudo.
As entrevistas do estudo piloto foram realizadas com dois professores, duas mães e dois alunos. Os entrevistados não fizeram parte da amostra definitiva.
Os selecionados para o estudo piloto foram: (a) um professor que atuava como mediador de Matemática no Ensino Fundamental em uma das salas de recursos vinculada à Gerência de Apoio à Aprendizagem do Aluno Superdotado da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal; (b) um professor que lecionava Matemática em salas de aula regular numa escola de Ensino Fundamental da rede pública; (c) dois alunos atendidos na área de Matemática no Programa de Atendimento aos Portadores de Altas Habilidades e Talentosos e, também matriculados na escola regular na 6ª e 8ª séries; (d) duas mães cujos filhos participavam do referido programa.
Aos entrevistados do estudo piloto solicitaram-se sugestões a respeito da estrutura das perguntas. Em decorrência disso, reestruturaram-se as questões que apresentaram dúvidas quanto ao conteúdo e forma, substituindo-se palavras e termos técnicos por sinônimos.
3.4 - Procedimentos
Antes de iniciar o levantamento de dados do estudo, foram adotados os seguintes procedimentos:
a. elaboração dos roteiros de entrevistas;
b. solicitação preliminar de autorização para coletar dados à Gerência de Apoio à Aprendizagem do Aluno Superdotado da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal;
c. elaboração e encaminhamento de uma carta, a dez pais de alunos que participavam do referido programa, solicitando autorização para que seus filhos fossem entrevistados;
d. pedido de colaboração aos pais de alunos, durante uma reunião convocada pela equipe da sala de recursos selecionada para a coleta de dados, na qual a autora expôs as razões da pesquisa e a relevância da participação de alguns deles na coleta de dados;
e. contato pessoal com os professores do atendimento e da direção da escola onde está localizada a sala de recursos selecionada, para informar a respeito da pesquisa e solicitar a participação dos docentes;
f. convite a dez professores de Matemática das salas de aula regular, via telefone, para participar da pesquisa;
g. agendamento prévio das entrevistas, após concordância de cada participante, de acordo com disponibilidade de horário.
Ademais, antes de iniciar as entrevistas, assegurou-se aos entrevistados o total sigilo das informações prestadas, tendo também sido ressaltada, mais uma vez, a importância da participação deles neste estudo.
Inicialmente, as entrevistas foram feitas com os professores mediadores de Matemática das salas de recursos, pelo fato de a autora trabalhar na instituição pesquisada, o que facilitou o contato com os referidos docentes. As entrevistas foram realizadas nas salas de recursos, no período em que os alunos não estavam presentes.
Os professores das salas de aula regular foram entrevistados em duas escolas da rede pública de ensino, que tinham em suas turmas um grande contingente de alunos de 5ª a 8ª séries integrantes do referido programa. Estas entrevistas foram conduzidas individualmente nas salas de coordenação, onde a maioria dos professores do ensino regular se encontrava presente, nos turnos contrários ao de regência de classe.
Os estudantes que participavam do Programa de Atendimento aos Alunos Portadores de Altas Habilidades e Talentosos em Matemática, na sala de recursos selecionada, foram informados dos objetivos da pesquisa e critérios de seleção, tendo sido entrevistados dez, entre aqueles que manifestaram interesse em colaborar com a pesquisadora.
As entrevistas com as mães de alunos do programa foram realizadas na escola onde se localiza a sala de recursos de atendimento dos filhos.
As primeiras entrevistas ocorreram no dia 19 de novembro de 2004, e as últimas no dia 21 de dezembro de 2004. O tempo médio de entrevistas com os professores mediadores das salas de recursos foi de 40 minutos e com os professores das salas de aula regular, de 25 minutos. As entrevistas com os alunos que freqüentam as salas de recursos duraram, em média, 15 minutos. Com relação à entrevista das mães de alunos do programa, o tempo médio foi de 20 minutos.
3.5 - Análise de Dados
Neste estudo, optou-se pela análise de conteúdo por ser um dos métodos mais difundidos em pesquisas na qual a entrevista é utilizada para a coleta de dados. Segundo Moraes (1998), essa modalidade de análise tem dado contribuições à pesquisa em Ciências Sociais, especialmente em Educação.
Segundo D`unrung (1974), análise de conteúdo é um conjunto de técnicas de estudo de documentos utilizados nas Ciências Humanas. Para esta autora, a análise de conteúdo é bastante indicada para relato de enquetes aplicadas, entre as quais, encontram-se os questionários e entrevistas do tipo semi-estruturada.
De acordo com Krippendorff (1980), a análise de conteúdo é uma técnica de pesquisa que permite tornar reaplicáveis e validar inferências de dados, gerando novos conhecimentos e insights a partir destes dados. O mesmo autor sinaliza que a análise pode ser feita por unidades, identificando-as em unidades amostrais, unidades de registro e unidades de contexto.
Para Freitas e Janissek (2000), a análise de conteúdo é um método de observação indireto, já que a expressão oral ou escrita do respondente é analisada, considerando-se que opiniões e idéias das pessoas são expressas de forma verbal ou escrita. Em vista disso, as informações devem ser obtidas de forma organizada para que cada expressão de uma pessoa ou grupo envolvido num debate possa ser analisada com profundidade e assim identificar os motivos de satisfação, insatisfação ou opiniões subtendidas na natureza dos problemas.
Segundo Perrien, Chéron e Zins (em Freitas & Janissek, 2000), podem-se analisar as entrelinhas das opiniões das pessoas, não se restringindo unicamente às palavras expressas diretamente, mas também àquelas que estão subentendidas no discurso, fala ou resposta de um respondente.
Esses autores apresentam uma breve abordagem conceitual sobre o tipo de análise, direta ou indireta, ressaltando que: (a) a análise quantitativa direta é muito utilizada, pois consiste em contabilizar as respostas dadas tal qual elas aparecem; (b) a análise quantitativa indireta pode ser utilizada para se avançar a partir das inferências relativas a aspectos subtendidos e que se constituem em informações mais reveladoras de tópicos de interesse do pesquisador.
De forma similar, Bardin (1992) enfatiza que o método de análise de conteúdo incorpora um conjunto de técnicas facilitadoras para o estudo das comunicações entre os sujeitos, privilegiando as formas de linguagem oral e escrita e valorizando a transmissão do conteúdo da mensagem. A autora enumera os procedimentos que deverão ser utilizados na aplicação do referido método, nas seguintes etapas: pré-análise ou classificação dos conceitos; codificação; categorização; tratamento dos dados e interpretação.
Segundo Souza Filho (1996), o método da análise de conteúdo implica o uso de estratégias gerais de trabalho, que inclui a observação simbólica gerada a partir de um sistema categorial previamente montado pelo pesquisador e, em sua utilização, as seguintes regras devem ser observadas:
a exclusão mútua a exigência de que cada elemento do conjunto analisado seja classificado a partir de categorias específicas, impedindo a ambigüidade e/ou superposição entre as dimensões da realidade;
(b) homogeneidade refere-se à expectativa de que a categorização parta de um sistema de definição e de dimensão da realidade. Assim, os vários elementos classificados devem ter uma relação entre si, mesmo que seja por oposição ou complementação; (c) pertinência diz respeito à exigência de que análise empreendida, em termos de material descrito e categorias definidas, correspondam à problemática de pesquisa e/ou hipóteses levantadas; (d) objetividade regra, segundo a qual, a categorização deve prover informações suficientes para a classificação do material, de tal forma que outro analista independente possa obter os mesmos resultados em pelo menos 70% do material