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Os meus três [professores] tinham essas coisas em comum. Todos eles amavam o que estavam fazendo. Eles não nos diziam o que saber: catalisavam um desejo ardente de conhecer. Sob uma influência os horizontes de repente se abriam, O medo ia embora e o desconhecido se tornava conhecível. Mas, mais importante de tudo, a verdade, esta coisa perigosa, se tornava bela e muito preciosa. John Steinbeck

3.1 A Criatividade no Contexto Educacional

As transformações por que passa a sociedade brasileira, em todas as áreas, têm reflexos principalmente no fenômeno da globalização. Esse fator tem contribuído significativamente para as mudanças de comportamento das pessoas que buscam incessantemente alternativas capazes de viabilizar um acompanhamento dos fatos nacionais e internacionais, procurando, de alguma forma, entender esses processos e a melhor forma de lidar com eles. Na área educacional não é diferente.

As mudanças em movimento, as crises econômicas, sociais e culturais, bem como a preocupação em formar cidadãos independentes e críticos fazem com que a escola seja uma das instituições que deve contribuir para essa formação. É possível verificar a contribuição de inúmeros educadores brasileiros e estrangeiros, preocupados com os destinos da educação, com a forma de torná-la acessível a todos e com os mecanismos necessários a assegurar a permanência do aluno na escola e a formação de um aluno mais bem preparado para enfrentar

Todas essas mudanças vêm exigido dos educadores novas posturas e atribuições. É necessário perceber que o aluno pode ser influenciado positiva ou negativamente pelo seu professor, assim, a formação de um ser criativo também deve ser uma das preocupações dos docentes da atualidade. É preciso instigar, fomentar idéias criadoras e ajudá-lo a desenvolver a capacidade de criar.

Castanho (2000) salienta que não se pode trabalhar em qualquer instituição escolar sem levar em consideração um ideal ou modelo de sociedade pra os quais direcionar as energias. Câmara (2003) ressalta também o aspecto da escola preparar o indivíduo a atender aos novos critérios da sociedade que temos em mente: “ ... vários são os pontos levantados onde as mudanças devem ocorrer partindo obviamente das políticas estabelecidas para um sistema educacional e conseqüentemente a implantação e a implementação dessas políticas na escola e particularmente na sala de aula, onde realmente estas políticas adquirem sua concretude” (p. 8).

A criatividade tem sido estudada em diversas áreas, como na administração, indústria, engenharia, física e na educação. O interesse pelo estudo da criatividade no ambiente educacional foi expresso por diversos teóricos, como por exemplo Alencar (1995a, 2000b), Alencar e Fleith (2003a, 2003b), Amabile (1983), Castanho (2000), Fleith (2001), Guilford (1987). De forma geral, os autores sugerem que a educação tradicional deve ser mais responsiva às características individuais, percebendo inclusive a existência de atenção especial a indivíduos superdotados, e deixar de lado as atividades de memorização.

Castanho (2000) afirma que ainda que existam muitos avanços nas mais variadas áreas do conhecimento, estes não têm sido acompanhados por mudanças qualitativas na educação, muito pelo contrário, temos visto cada vez mais uma degradação crescente em termos de exclusão e violência nas nossas escolas e universidades. A autora ressalta que “precisamos de

criativas. No ensino superior, é necessário pensar a formação de jovens com autonomia intelectual, com paixão pela busca do conhecimento, com postura ética que os torne comprometidos com os destinos da sociedade humana” (p. 77).

Uma das preocupações apresentadas hoje por educadores e educandos, não é assim tão nova. Já na época do Escolanovismo, apontava-se para o enfrentamento de uma educação conservadora, reprodutora e livresca. O enfoque conteudista tão comum em nossas escolas traz consigo diversas outras mazelas para a educação, como o conformismo, a opressão do professor para com o aluno, a falta de respeito pela construção que o aluno pode fazer do conhecimento adquirido, e, ainda, o empobrecimento do próprio conteúdo e da interação entre o professor e o aluno. As instituições escolares fazem com que o aluno pense sempre numa só resposta correta, que abandone suas idéias prévias e adote o que é mais cômodo: a versão oficial, repetindo com perfeição o conteúdo sem sequer entendê-lo ou interpretá-lo, quanto mais internalizá-lo.

Essa abordagem é completamente equivocada, uma vez que uma das funções da escola é preparar o indivíduo para a vida profissional e, a cada dia, o mercado de trabalho vem buscando profissionais autoconfiantes, independentes, multifacetados, criativos e flexíveis. Câmara (2003) considera que a escola deve preparar o indivíduo a atender aos novos critérios da sociedade que temos em mente, ressaltando que:

“ ... nos últimos dez anos um vigoroso debate vem ocorrendo buscando estabelecer e/ou definir um projeto educacional que atenda às exigências dessa sociedade, caracterizada como a sociedade do conhecimento, onde a aquisição e a distribuição de informações se processam numa velocidade ‘record’ deixando o homem numa constante busca de atualização”. (p. 8)

3.2 Fatores Facilitadores e Inibidores à Expressão da Criatividade no Ambiente Educacional

Embora se reconheça o papel fundamental da criatividade na formação de um aluno crítico e participativo, observa-se que as estruturas educacionais da atualidade não estão preparadas para incluir esta abordagem em suas práticas em sala de aula, presenciais ou virtuais, dificultando, muitas vezes, a expressão criativa por parte dos alunos e dos professores. Neste sentido, Alencar e Fleith (2003b) fazem referência a uma análise de própria autoria realizada sobre provas de conhecimento utilizadas em escolas do ensino fundamental, na qual foi constatado que “respostas aparentemente corretas não eram consideradas como tal, uma vez que o aluno não havia reproduzido todas as informações presentes no livro-texto” (p. 133). Os resultados desta pesquisa deixam claro o padrão tradicionalista e inibidor do potencial criativo dos alunos.

Ao discutir a criatividade na educação, considera-se importante pesquisar os aspectos tidos como fundamentais para que se criem condições favoráveis ao desenvolvimento da criatividade. Esses elementos são as práticas facilitadoras da expressão criativa, as barreiras inibidoras ao desenvolvimento da criatividade, bem como programas de estímulo ao potencial criativo. Ainda, para esclarecer os papéis desempenhados pelos atores do processo de ensino- aprendizagem, faz-se necessário explicitar as características do professor – e no caso da Educação a Distância – o tutor e dos alunos envolvidos no processo educacional.

Sabe-se que desde a mais tenra idade, a criança inicia o seu processo individual de aprendizagem. Assim, o potencial criativo do indivíduo também deve ser cultivado. É o que fazem as mães ao conversar com os bebês quando ainda estão no ventre ou, quando nascem, dão-lhes bolas coloridas para estimular os sentidos. A escola certamente dá seguimento aos estímulos iniciais promovidos pela família. Alencar e Fleith (2003b) apresentam a

contribuição de Treffinger, quem destacou razões para justificar a necessidade dessa promoção nos primeiros anos de escola, quais sejam:

- a criança enfrentará muitos problemas e desafios, mais do que a os anos escolares a capacitarão a lidar;

- possibilidade de solucionar problemas futuros (somos incapazes de prever as situações mesmo num futuro breve);

- satisfação e prazer, isto é, a educação potencialmente criativa gera prazer pois motiva o aluno para e pelo seu desenvolvimento (p. 132).

É importante perceber que esse estímulo ao potencial criativo do ser humano deve existir em todos os níveis de ensino, incluindo aqui o ensino universitário. Muitas pesquisas já foram realizadas em torno dos aspectos que envolvem a criatividade nos ensinos fundamental e médio, entretanto, há pouca literatura que aborde estas questões no ensino superior, apesar da universidade representar o momento no qual o aluno comumente se descobre em termos de personalidade e capacidade para a vida adulta.

Alencar (1995b) realizou pesquisa sobre o estímulo à expressão criativa dos alunos por parte de professores universitários, compreendendo duas instituições universitárias brasileiras, sendo uma pública e outra particular. Os alunos foram solicitados a preencher um inventário que tinha como finalidade avaliar em que medida aspectos relacionados à criatividade tinham sido incentivados pelos seus professores universitários. Alguns itens são reproduzidos a seguir para ilustrar o instrumento utilizado:

“Os meus professores universitários em geral:

- estimulam os alunos a responder questões sobre as matérias estudadas; - dão tempo aos alunos para pensar e desenvolver novas idéias;

- cultivam no aluno o interesse por novas descobertas e/ou conhecimento”

Diferenças significativas foram observadas entre estudantes dos dois tipos de universidade. Os alunos da universidade pública, tida uma das melhores do Brasil, consideraram que os professores tinham comportamentos que influenciavam positivamente o desenvolvimento da criatividade discente, o que não foi observado no mesmo nível na universidade particular. A autora menciona que esta diferença pode residir no fato de que os professores universitários da rede pública, de modo geral, têm uma formação de alto nível e usualmente têm dedicação exclusiva ao trabalho, possuem menos alunos por turma e têm acesso a material informativo e tecnológico de melhor qualidade.

Outro aspecto relevante observado foi que os alunos que cursavam a primeira metade do curso, se comparados com aqueles dos últimos semestres, avaliaram os seus professores significativamente melhor com relação ao estímulo à criatividade. Isto pode ser resultado, segundo a autora, da diferença de percepção das aulas, marcada pela transição de uma visão tradicionalista do ensino médio para um tratamento mais aberto na universidade. Os alunos em questão trazem uma bagagem prévia proveniente dos bancos escolares que privilegia o ensino tradicional, a metodologia da memorização e da reprodução do conhecimento, ao passo que na universidade a metodologia em sala de aula é mais aberta, independente e promove a discussão e crítica.

A concepção teórica e prática convencional da educação brasileira poderia ser considerada uma grande barreira social ao desenvolvimento da criatividade, uma vez que traduz o conformismo do sistema educacional refletido nas políticas públicas e dentro da sala de aula, isto é, nada novo é visto com bons olhos pois fere o padrão socialmente determinado. Por exemplo, o aluno que critica os posicionamentos do professor é tido como um transgressor da norma, mas não é interpretado como um indivíduo capaz de produzir conhecimento a partir da semente inicial.

Ainda, podemos indicar que os professores têm uma concepção errônea da criatividade e sua aplicação na educação, o que dificulta bastante o seu desenvolvimento. Cropley (1997) alerta que muitos professores parecem desmerecer o desenvolvimento da criatividade por pressupor que seria o encorajamento da desobediência, da imprecisão, da falta de controle ou que todos os tipos de comportamento seriam tolerados, assim como a noção de certo ou errado seriam eliminadas. O autor cita, ainda, que há professores que imaginam o desenvolvimento da criatividade nos indivíduos como uma prática elitista pois o objetivo seria “reconhecer” novos gênios.

Outras barreiras descritas por Alencar e Fleith (2003b), resumidas em sociais, perceptuais, emocionais e intelectuais, podem ser vislumbradas no ambiente escolar sem muito esforço. Por exemplo, quando o professor estimula o medo de errar no aluno ao reprová-lo por não ter acertado a única opção correta da prova, ou por publicamente chamar- lhe a atenção ou por manchar a prova com um grande e grave “X” nas respostas erradas apresentadas. Isso faz com que o aluno tenha medo e vergonha de errar, conseqüentemente, terá desconforto para inovar e se retrairá. A escola, por meio do professor, deve estar preparada para estimular o aluno a criar, sem recriminá-lo ou inseri-lo em padrões pré- determinados.

Estas barreiras também se refletem na Educação a Distância. Inclusive, considerando que a forma de interação do aluno com os pares e com o tutor é conduzida pelo hipertexto (escrita no meio digital), perdendo-se o contato presencial, é fundamental que sejam analisados os aspectos inibidores da expressão criativa para que não ocorra a falta de motivação do aluno, dificuldades para reflexão e solução de questões lançadas virtualmente. O resultado da negligência quanto a estes aspectos pode se traduzir no silêncio do aluno e, por fim, na evasão.

3.3 Estratégias e Práticas para o Ensino Criativo

Alencar e Fleith (2003b) enumeram algumas estratégias que podem ser utilizadas pelos professores para promover o ensino facilitador da criatividade:

- “dar ao aluno o feedback informativo;

- relacionar os objetivos do conteúdo às experiências dos alunos;

- variar as tarefas propostas aos alunos, as técnicas instrucionais e as formas de avaliação;

- criar um espaço para divulgação dos alunos; - oferecer informações interessantes;

- compartilhar experiências pessoais;

- orientar o aluno a buscar mais informações sobre o assunto de seu interesse” (p. 136).

Os professores comumente aplicam a linha conservadora em sala de aula, cujas opções tradicionais evidenciam o cumprimento de uma regra previamente estipulada. Por exemplo, na prática, raramente o docente faz referência à diversidade ou, ainda, leva em conta o conhecimento prévio dos alunos para a organização de práticas pedagógicas. Este é um quadro que precisa mudar, em termos de políticas de formação e, principalmente, individuais. Segundo Câmara (2001) “o ponto de partida para o sucesso de qualquer mudança se situa no próprio individuo que tem a função de colocá-la em prática, de fazer acontecer...o professor motivado e comprometido apresenta nova postura diante das questões educacionais” (p. 4).

Amabile (1983) sugere que pais e professores devem ensinar as crianças a solucionar problemas baseando-se nas pistas que elas possam perceber do seu ambiente. Ainda, ressalta que os educadores devem estar atentos para as crianças que demonstrem aptidões especiais e devem provê-las de atenção educacional especializada, por meio de professores dedicados e

materiais diferenciados. Sobre os métodos utilizados pelos professores, a autora defende que os docentes devem estimular os talentos e habilidades que os alunos possuem, não se detendo apenas às dificuldades que apresentam.

Cropley (1997), ao analisar as teorias e descobertas sobre os aspectos cognitivos envolvidos pela criatividade, resumiu que os professores deveriam promover nos seus alunos, entre outros: “domínio de conhecimentos gerais, além do conhecimento em uma ou mais áreas específicas; uma imaginação ativa; habilidade para reconhecer, descobrir ou inventar problemas; habilidade para perceber conexões, sobreposições, similaridades, e implicações lógicas (pensamento convergente)...” (p. 93). Considera ainda que os professores deveriam valorizar e promover nos seus alunos: “compromisso com a realização de tarefas, persistência e determinação; curiosidade, senso de aventura, tolerância pela ambigüidade; independência e inconformismo; autoconfiança e desejo de arriscar estar errado; experimentar e desejo de testar tarefas não usuais” (p. 97).

Alencar (em Alencar & Fleith, 2003b), em seu modelo para o desenvolvimento da criatividade, ressalta que o professor deve estimular o desenvolvimento do potencial criador em sala por meio de: atividades que permitam ao aluno exercitar o seu potencial criativo; fortalecimento de traços de personalidade do aluno, como a autoconfiança, curiosidade, persistência, independência de pensamento, coragem para explorar o novo e lidar com o desconhecido; ajuda ao aluno para que este desfaça bloqueios emocionais como por exemplo o medo de errar; exposição aos alunos de críticas construtivas; diversificação de estratégias docentes; e permissão de um clima em sala que propicie o estímulo à criatividade.

3.4 O Professor e o Aluno: Facilitando a Expressão Criativa do Aprendente na Educação Presencial e Online

Aprender é descobrir aquilo que você já sabe. Fazer é demonstrar que você sabe. Ensinar é lembrar aos outros que eles sabem tanto quanto você. Vocês são todos aprendizes, fazedores, professores. Richard Bach

É de fundamental importância destacar aqui o papel do agente facilitador do processo ensino aprendizagem: o professor. Suas concepções acerca de determinados temas educacionais certamente constituirão fontes para o alcance, ou não, dos objetivos da educação. Esse profissional deve ser bem qualificado, estar intensamente envolvido com a busca de conhecimentos, ter entusiasmo e estar aberto à construção de novas idéias, numa corrida incessante por soluções.

Explorando a questão do comportamento dos professores, Amabile (1983) aponta que estes profissionais devem ser sensíveis para reconhecer que alguns comportamentos considerados atípicos podem ser manifestações de criatividade. Segundo a autora “em todos os níveis da educação, os professores que queiram encorajar a criatividade devem ser entusiastas, profissionais, encorajadores e disponíveis aos alunos fora de sala” (p. 197). Cropley (1997) sugere que os professores estimuladores da criatividade são aqueles que

encorajam os alunos a aprender com independência; tem uma maneira de ensinar socialmente integradora e cooperativa; motivam os alunos a aprimorar o conhecimento factual para que tenham uma base sólida para o pensamento divergente; não julgam as idéias dos alunos até que elas sejam totalmente concluídas e claramente formuladas; encorajam o pensamento flexível nos alunos; promovem autoavaliações nos alunos; levam as sugestões e questionamentos dos alunos a sério; oferecem aos alunos

oportunidades para trabalhar com uma grande variedade de materiais e em condições distintas; ajudam os alunos a aprender a lidar com a frustração e com o fracasso para que eles estejam encorajados a tentar o novo. (p. 98)

Nickerson (1999) defende que

atitudes e valores que são críticos ao desenvolvimento e uso do potencial criativo são mais bem ensinados por meio de exemplos. Eu duvido que seja possível ensiná-los se não os temos. É difícil imaginar, por exemplo, como uma pessoa pode estimular a curiosidade nos alunos sobre o mundo, se não é realmente curiosa, a ser aberto ao novo, se é fechada, a valorizar a reflexão, se não se dá a menor pista de que é reflexiva, e por aí vai.(p. 419)

O processo de ensino-aprendizagem pode ser fruto de três agentes: o professor (no nosso caso o tutor), o aluno e o currículo. Renzulli (em Fleith, 2001), no seu modelo de produtividade criativa, propõe o estímulo à criatividade envolvendo os três agentes. Sobre o aluno, a autora alerta que três aspectos devem ser considerados: habilidades (cognitivas e afetivas), interesses e estilos de aprendizagem. Algumas características do professor, também aplicáveis ao tutor de EaD online, que contribuem para a promoção da criatividade produtiva no ambiente de ensino-aprendizagem, são, segundo a pesquisadora:

domina o conteúdo que ensina (conhecimento da disciplina), tem entusiasmo pelo conteúdo que leciona e pela atividade docente (romance com a disciplina) e faz uso de uma diversidade de técnicas instrucionais (aula expositiva, discussão em grupo, dramatização, instrução programada, tutoria, jogos, estudo individual, etc.). (p. 59)

o professor comprometido com o desenvolvimento da criatividade de seus alunos é mais flexível, estabelece uma relação positiva com seus alunos, estimula o questionamento em sala de aula, apresenta senso de humor, passa mais tempo com o alunos do que o necessário, interage com o aluno fora de sala de aula, compartilha experiências pessoais relacionadas ao conteúdo ministrado e apresenta informações significativas, atualizadas e conectadas entre si. (p. 59)

Em uma pesquisa sobre o perfil do professor facilitador e do professor inibidor da criatividade segundo estudantes de pós-graduação, Alencar (2000a) buscou identificar comportamentos típicos do professor facilitador do desenvolvimento e expressão de habilidades criativas e do professor inibidor do mencionado desenvolvimento. Segundo os resultados obtidos, o professor facilitador da criatividade utiliza técnicas instrucionais diversificadas para tornar as aulas mais interessantes, interativas e fazer com que os alunos adotem posturas críticas em relação aos temas estudados. Além disso, a boa preparação do professor (bagagem de conhecimento), a relação professor-aluno positiva e construtiva, o interesse do professor no aprendizado dos alunos e alguns traços de personalidade, constituíram-se em fatores determinantes para caracterizar o perfil do professor facilitador.

Por outro lado, o professor inibidor apresenta características exatamente opostas às destacadas acima: promove aulas muito expositivas e centradas na reprodução do saber, não respeita o aluno como adulto e colega, apresenta deficiências na transmissão do conteúdo, não se preocupa com a aprendizagem do aluno e possui traços de personalidade negativos ao desenvolvimento criativo em sala de aula, como, por exemplo, arrogância, inflexibilidade, autoritarismo, impaciência e narcisismo.

E o tutor, moderador ou animador de um curso online, como fica com relação ao seu potencial de facilitador da criatividade em um ambiente virtual? Se considerarmos o que

bastante similar ao do professor de sala de aula presencial. O que os difere é, sem dúvida, a forma de abordar os alunos, a sua capacidade de motivar os alunos sem olhá-los nos olhos e transmitir seus sentimentos à distância como se estivesse presencialmente ao lado do aluno.A interação professor-aluno é essencial em todo o processo de aprendizagem e é vital na Educação a Distância online.

Ao tratar da Educação a Distância online, sua estrutura, produção, implementação e avaliação, não devemos deixar de observar um dos mais importantes aspectos do desenvolvimento e aprendizagem no aluno: a criatividade. Clemons (2005) descreve elementos comuns a atividades de aprendizagem que mais motivam os alunos intelectualmente. Coincidentemente, estes fatores são considerados atributos-chave em criatividade, como é o caso de solucionar problemas, enxergar os fatos sob vários pontos de

vista, comunicar as idéias individuais e criar novos produtos.

Assim como os estudos que envolvem a criatividade no ambiente educacional, um dos