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Future work

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Conclusion and future work

8.2 Future work

8- Entrevistas com Vicente Hospital N –SMS

Rio, 31 de março de 2004.

CA – Gostaria de começar pedindo que nos conte um pouco de sua história profissional. Onde é que fez sua faculdade? Como foi a sua trajetória desde a faculdade até se tornar o diretor do hospital?

V – Vou começar pela faculdade. Até porque hoje, dia 31 de março de 2004, é o dia em que para alguns se comemora, o dia da redentora, para outros – como eu – 40 anos do golpe militar de 1964. Entrei na faculdade em 1968. Quando houve uma eleição para o diretório acadêmico da faculdade da Praia Vermelha – UFRJ – e ganhou a chapa do PCDR. Como todo mundo sabe, no final de 1968 veio o AI-5 que cassou os direitos civis e fechou os diretórios acadêmicos. Lembro- me que os professores catedráticos diziam na época que o só o Supremo Tribunal Federal poderia lhes tirar o titulo de professor catedrático, só o Poder Judiciário. Lembro-me perfeitamente do professor Bruninho dizendo isso, depois o professor Solero, enfim,... alguns professores daquela época. Aí veio o AI-5, de 68, que qualquer militar poderia cassar o título de professor catedrático deles, como efetivamente aconteceu. Acabava a cátedra e a cátedra era dos militares, do regime que estava no poder. Isso me marcou muito. Sou filho de classe média. Meu pai era lacerdista doente. Minha mãe, dona de casa. Lembro-me bem de que o meu pai era udenista.

CA – Ele era militante?

V – Era militante da UDN, fiscalizava as eleições. Eu acompanhava, de uma certa maneira, naquela época. Tanto que, em um primeiro momento, eu fui a favor do golpe de 1964. Aliás, estou bem acompanhado porque o Millôr Fernandes também foi a favor do golpe. Ele escreveu um artigo chamado “O Brasil Comunista” em que dizia que ele não tinha nada a ver com aquilo.Aquela coisa de república sindicalista. Em um primeiro momento, todo mundo estava meio assustado com aquela coisa de reformas de base. É o dia adequado para falar sobre essas coisas. Fizemos até um brinde ali, agora, “Não ao Golpe”. Fizemos um brinde à derrota do golpe, às eleições diretas, à volta da democracia. Essa coisa foi o primeiro susto que eu tomei. Fecharam o diretório acadêmico. Tinha uma chapa eleita, que não era a nossa. Pois eu já me insinuava no Partidão. Tenho que ter cuidado ao dizer isso. Brincadeira! Era legal. A gente queria que continuasse o diretório acadêmico. Era uma coisa que já me interessava naquela época, na faculdade. A partir daí, eu tive uma atividade política grande na faculdade – no primeiro e no segundo ano. No terceiro ano eu fui responsável pelo jornal da faculdade que se chamava Tribuna Acadêmica. Tenho todos os números em casa. Em 1969, começou a caça às bruxas. A coisa piorou um pouco e eu tive que me esconder porque fazia o jornal da faculdade. Fui militando. Militei com Davi Capistrano que depois veio e ser prefeito de Santos. Eu era ligadíssimo ao Davi Capistrano. Era meio motorista dele, pois eu tinha carro e ele não. Eu tinha um fusca 1960 e dirigia para ele. Reuniões...me lembro que a gente pichou FMI: Fome Zero Internacional. Enfim, fui fazendo a minha cabeça. Como eu tinha uma experiência de jornal [adquirida] no Colégio Pedro II, no jornal Vanguarda Estudantil, eles me jogaram no jornal da faculdade. Porque é que

eu estou falando tudo isso? Estou falando tudo isso porque nesse momento, essa foi uma coisa tão forte que criou em mim uma vontade ser servidor público, no sentido de trabalhar com o público. Fiz uma opção. Não queria trabalhar com os 25%, mas com os 75% que são dependentes do SUS ou filantrópico.

CA – Com o sistema público?

V – Isso. Sistema público strictu senso ou conveniado. Foi a partir daí. Fui criando uma consciência, uma opção política que me levou a fazer uma opção profissional pelo serviço público. Entrei para o INAMPS.

CA – Você se formou em que ano?

V – Em 1973. Sem nenhuma anormalidade a não ser alguns colegas desaparecidos. Alguns colegas da minha turma não se formaram porque estavam desaparecidos. Fiz uma opção. Contei essa história toda, desde 1968, porque fui criando na minha cabeça uma opção pelo serviço público, pelo lado social. Que desembocou na opção de fazer concurso público. Deixei de lado a opção de ser profissional liberal. Tenho consciência disso. Fiz concurso para o INAMPS. Meu primeiro emprego foi no hospital Q, como patologista, em 1976. Foi o primeiro concurso depois de 30 anos.

CA – Você fez residência antes?

V – Fiz residência em 1975 e 1976. Em 1974, eu fiz uns bicos. Fiz residência em patologia no Hospital de T.

CA – Você entrou no INAMPS em 1976 como patologista, no Hospital Q...

V – Em fevereiro de 1976. No final da minha residência, segundo ano da residência, eu entrei por concurso. Como [a residência]era no Hospital T, consegui continuar. Em agosto de 1976, entrei para este hospital, o hospital N da SMS.

CA – Sua história aqui é bem longa.

V – Médico patologista do hospital N. Eu entrei pela janela, como se diz. Porque nessa época não tinha concurso para o município. O prefeito da época, o Marcos Tamoio, disse que onde houvesse vagas, seriam aproveitados os residentes que obtivessem bom desempenho. No caso, entrei.

CA – Você entrou em 1976?

V – Em 1976. Fiquei aqui. Fiz uma vida de médico normal, nada de excepcional. CA – E manteve seu vínculo com o Hospital Q. Trabalhava lá e cá?

V – Trabalhava nos dois empregos. Olhando para trás, vejo que o diferencial foi que eu – com essa coisa pelo serviço público – comecei a fazer algumas coisas a mais aqui. Coisas que me

levaram à direção do hospital. A minha carreira aqui não é ligada à políticos. Acho interessante. Foi de degrau em degrau. Residente no hospital Q [que era um hospital do INAMPS], depois contratado aqui como médico de staff, depois chefe de serviço, depois coordenador da área de diagnósticos complementares – do Sistema de Diagnósticos Complementares (SADT) – depois eu fui assessor da direção, depois fui diretor da divisão médica e depois, diretor.

CA – Quanto tempo você ficou na chefia de serviço? V – Um ano. Entre 1988 e 1989.

CA – Então você ficou bastante tempo trabalhando como médico. V – Entre 1976 e 1988 eu trabalhei como patologista.

CA – Da chefia de serviço você foi para a chefia do SADT. Quanto tempo e em que período? V – Um ano também.

CA – Logo em seguida...

V – Em 1990, fiquei como assessor da direção. Fui meio coordenador, meio assessor da direção. Em 1991, assumi a vice-direção do hospital, a direção da divisão médica. O Marcos era o diretor. CA – Você ficou quanto tempo na direção?

V – Cinco anos. Até 1996. Aí é interessante., porque são duas visões. O Marcos tinha uma visão – vou falar o que eu acho , baseado em um levantamento epidemiológico, de que este aqui era um hospital de emergência e achava que deveria funcionar como hospital de emergência e só. Como conseqüência ele fechou alguns serviços que não tinham representatividade na emergência, tais como: neurologia, ginecologia e urologia. Eram serviços que não tinham representatividade na emergência, segundo avaliação dele. Uma cólica renal o cirurgião poderia resolver. A maternidade que o hospital tem, poderia resolver uma metroragia. Assim por diante. O grosso – isto está no levantamento epidemiológico que ele fez e está aí – ele achava que era o trauma, o baleado, o enfartado. Enfim, esses quadros. Eu tinha uma visão do hospital diferente da dele. Acho que até por isso a gente se deu bem, nesse período. Achava que a gente devia construir um hospital geral com vocação para a emergência. Não achava que o hospital fosse emergência ou “emergenção”. Achava que devíamos ter comissão de infecção hospitalar, comissão de prontuário, comissão de óbito, núcleo estratégico, algumas coisas. Na época, as pessoas relacionadas a estas áreas se relacionavam diretamente comigo. Os dois lados têm seus méritos e deméritos. Ele teve o mérito de ter projetado o nome do hospital com os trabalhos com os baleados, com a questão da violência. Ele identificou a situação de violência na cidade como hospital de emergência. E eu, mais voltado para a questão do hospital geral, de formular o hospital geral, da gestão.. trabalhei um outro lado. E me beneficiei dessa minha direção. Porque toda essa situação que se tornou uma exigência , até mesmo legal: ter uma comissão de infecção, comissão de prontuário...Eu já tinha isso tudo organizado quando, em 1990, se tornou uma exigência.

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