O. – Na gestão Garotinho. Nesse período, ou seja, o Felipe ficou um ano, mais ou menos, um ano e... – talvez, o quê – um ano e cinco meses. Quando teve um triste desfecho: ele foi assassinado aqui perto do hospital. Uma pessoa muito amiga e tal. Durante o nosso relacionamento, ficamos,
assim, grandes... Nós éramos grandes amigos. Tínhamos, assim, um relacionamento excelente, que era uma pessoa com muita coincidência em objetivos, etc. Já no funeral dele, algumas pessoas da Secretaria, que já me conheciam, falaram assim: “Olha, você vai ser o diretor.” E eu disse que, certamente, não seria diretor de um hospital. Com certeza não seria, isso era uma coisa bem clara na minha cabeça. Nesse período, começou um trabalho de catequese. Eu tinha um grande amigo, que vinha, assim, sistematicamente, falar para mim...
C.A. – Ele é aqui do hospital?
O. – Ele era diretor de outro hospital estadual. Ele falava: “Tem que ser você. Você é a pessoa que, tecnicamente, é respeitado, todo mundo te conhece...” Aquela história. Bom, em um determinado dia, o Superintendente, , me procura aqui no hospital – porque o Superintendente ficou respondendo pela direção com a morte do Felipe. Aí, ele fala assim: “ o que você acha que poderia ser esse hospital?” E eu coloquei para ele: “Olha, Oscar, eu acho que esse é um hospital que o perfil dele é ser um hospital de referência para trauma. Porque é o único hospital nessa região, uma região próxima à Avenida Brasil, tem áreas de conflitos aqui, muitas favelas... Então, é um hospital que tem a tendência, mesmo, a ser um hospital de trauma.” Ele falou: “Mas como você acha que deveria ser o hospital?” Falei: “Olha, esse hospital precisa mexer nisso, nisso...” Como uma coisa da minha vivência. Ele falou o seguinte: “Oswaldo, põe isso em um papel, manda esse e-mail como uma colaboração para mim.” Eu fiz uma organização de um serviço de trauma e coloquei em um... mandei um e-mail para ele. E fui para um congresso de cirurgia em São Paulo. No dia em que eu cheguei, começou todo mundo a me cumprimentar: “Meus parabéns, você é o novo diretor.” Falei: “Você está brincando!” “Não, pode olhar no Diário Oficial.” E eu fui no Diário Oficial, estava publicado: o secretário me designava como diretor do hospital. Imediatamente fui até a Secretaria e fui até um pouco alterado. Achei, assim, uma atitude intempestiva, ninguém falou nada comigo... E aquilo, para mim, era uma situação já bem definida que eu não seria diretor do hospital. Quando eu cheguei, encontro com o Subsecretário, que é que é uma pessoa que a gente tem um grande respeito por ele. A secretária falou: “o Oswaldo está nervoso aí.” Ele falou: “Não, Oswaldo, calma. Você vê o seguinte: é lógico que foi feito isso porque havia uma pressão política. O Dr. Gilson queria uma pessoa técnica. E, a gente sabe, seu nome era o que passava aqui, a gente não queria perder... Mas, se você fica aqui, você pede, a qualquer hora você pode sair...” Aí, marcou uma... O Superintendente passou aquela... “Vê o que você precisa, a gente faz. A gente vai te ajudar...” E certas circunstâncias foram sendo colocadas, que eu achei que deveria tentar. Então, eu assumi a direção e, basicamente, as coisas principais que eu precisava – como o fechamento do hospital, algumas mudanças – elas foram sendo concretizadas.
C.A. – Sei. Você assume, então, quando?
O. – Eu assumi em julho de 2001. Interinamente, porque eu não aceitei... Quer dizer, eu fiquei só para fazer uma experiência. E acabou... Ocorreu o seguinte: foi terminando o governo, veio o governo da Benedita... O Secretário de Saúde tinha sido um colega meu do Hospital J, que era o Dr. Leôncio. Houve aquela... Ninguém queria que eu saísse do hospital. Nós começamos um trabalho, fiz algumas mudanças de chefias e algumas medidas foram tomadas no hospital – medidas que eu considerava de conhecimento técnico –, a gente tentava justificar porque estava fazendo aquilo, as chefias que não colaboravam, eu fui trocando imediatamente.
C.A. – Que tipos de medida?
O. – Eu vou te dar exemplo de medidas técnicas: o hospital comprava, por exemplo, 700 frascos de albumina por mês. Eu achava um absurdo, porque o uso de albumina, hoje, é bastante restrito. Então, o que eu fazia? Eu cortava a compra de albumina. Os que reclamavam, eu trazia para ver os trabalhos que mostram a depuração rápida da albumina, o fato da albumina não manter pressão oncótica, uma série de fatos eu mostrava. E foi assim. Aí, paralelamente, eu comecei a tentar melhorar as condições do funcionário, dando melhor condição de bem-estar, arrumar o Centro Cirúrgico, melhorei, criei o Pronto Atendimento separado da Emergência, que era aquela idéia antiga que a gente estava retomando, com isso a Emergência ficou um pouquinho mais tranqüila para se trabalhar, melhorei condições de refeitório... Comecei a mexer e isso deu um resultado razoável. Ao mesmo tempo, eu tocava a parte da cirurgia do hospital, eu era o chefe da Cirurgia. Mantinha.
C.A. – Ah, você se manteve como...
O. – Mantinha como a chefia da Cirurgia. Porque acontecia o seguinte: os casos não resolvidos pelo corpo da cirurgia, eu ia e operava. Por exemplo, uma criança na neonatal de 500 gramas – ninguém tem a experiência para operar – eu ia e operava. Tem uma lesão vascular, eu ia e operava. Então, isso mostrava o seguinte: havia um grande respeito da comunidade com relação ao meu trabalho e o respeito técnico era muito grande. Aí eu já tinha operado a mãe, operei o irmão... Todos os funcionários do hospital, quando tinham problema, recorriam a mim e eu, sempre que possível, atendia a todo mundo. Então, isso foi solidificando a minha posição na direção, tentando resolver o que era possível e tocando alguns programas que eu achei importantes, como... Nós temos um programa de planejamento familiar, onde eu assumi esse programa, junto com uma médica do hospital . Quer dizer, hoje é o único hospital do Rio que tem um programa de planejamento efetivo, seguindo todas as regras do Ministério da Saúde. Montei, montamos um serviço de tratamento dentário para crianças excepcionais, que é o Sorriso Especial, não é? Montamos uma... Entramos em um programa da Biblioteca Viva, que é um projeto do Citibank com a Abrinq, oferecendo para as crianças internadas uma leitura de boa qualidade. Montamos um espaço chamado Biblioteca em Hospitais, onde as pessoas podem ler. Tentei melhorar as condições de acomodações de médicos, enfermeiros etc. E fui, assim, tentando, em cada momento, dar uma condição melhor ao servidor e ao usuário. Bom, esse processo foi desenrolando, mas sempre eu mantive toda a minha atividade, porque eu entendo que – eu sempre falo aquela frase do ministro – eu não sou diretor, eu estou... Eu sou, na realidade, cirurgião. Isso eu não... Eu mantenho a minha clínica, mantenho meu curso da faculdade... Esse é o meu acordo que eu tenho com a Secretaria de Saúde. Quer dizer, eu não abro mão, em momento nenhum, da minha especialidade médica. Porque eu não sou administrador, a gente tenta fazer o que é possível, não é? E as medidas a gente vai tomando... Sempre que tem um respaldo científico, a gente vai tomando. Por exemplo, eu organizei a comissão de infecção hospitalar. Há, hoje, uma economia grande na compra de medicamentos, porque eu só compro um antibiótico diferenciado com parecer da Comissão de Infecção. Implantamos um sistema para a gente não... a não-utilização de sapatilhas no Centro Cirúrgico, baseado em trabalhos mais recentes. Tudo com o aval da Comissão de Infecção: a Comissão levanta os trabalhos e a gente lê e vai implantando as coisas. E o hospital, apesar da dificuldade que nós temos – porque a comunidade, vamos dizer assim, que usufrui do hospital, tem hoje, aproximadamente, um milhão de habitantes...
[INTERRUPÇÃO DE FITA] .
O. – Então, eu estava te falando. Este hospital ficou atendendo a uma população de mais ou menos um milhão de habitantes. Porque pega todo essa região e é o único hospital, vamos dizer assim- da divisa de São Paulo para cá - que tem neurocirurgia. Então, o grande trauma é referenciado para este hospital. Mas, de toda forma, eu tenho uma preocupação grande com esse tipo de atendimento e tentei usar todo o espaço político que eu consegui para tentar, vamos dizer assim, melhorar a situação do atendimento médico nessa comunidade .
E como foi feito, construído isso? Eu, realmente, eu tenho uma certa inquietação, não consigo, realmente, me acomodar, porque se o pessoal fala: “Ah, esse hospital é, hoje, o melhor da rede.” Isso, na realidade, não faz muito a minha cabeça. Falar que “Ah! É bom!” Eu acho que a gente não pode se conformar com isso; tem que achar que sempre está ruim, tem que procurar outras coisas. Não pode... Não pode, realmente, se conformar com isso. Eu... A minha inquietação era tão grande que eu comecei a tentar um espaço para ver o que podia ser feito. E, o ano passado, quando houve a eleição da governadora... Já um pouco antes, quando o Dr Gilson Cantarino, que é o Secretário de Saúde, me convidou para participar do programa de governo. E nós demos, assim, alguma colaboração, porque já se conhecia o trabalho que a gente fazia na área hospitalar. E tinha algumas propostas e a situação, que a gente sabe que a situação é bastante complicada na área hospitalar... E nós tentamos desenhar algumas propostas.
Bom, ocorreu o seguinte: o Dr Gilson encontrou uma situação bastante complexa na Secretaria de Saúde – principalmente, para atendimento na área hospitalar – difícil de ser resolvida a curto prazo... Mas a minha inquietação era muito grande, então, o que eu fiz? Eu comecei a reunir o... participar mais ativamente do Conselho Distrital de Saúde daqui da região, e convoquei, um dia, todas as comunidades participativas e joguei uma proposta para que, vamos dizer assim, a minha ansiedade fosse um pouco compartilhada com a comunidade e a gente pudesse construir uma proposta de melhoria de atendimento nessa região. Por quê?
C.A. – Mas voltado só aqui para o hospital ou envolvendo outras unidades também?
O. – Outras unidades. Eu queria uma proposta para essa região. E eu achava o seguinte: que se eu fosse, um dia, um governante e eu tivesse que montar um sistema de saúde, eu começaria por aqui. Porque eu achava o seguinte. Acho que aqui é uma região bem definida, geograficamente, tem características próprias... E acho que é bom para se fazer um modelo. Por quê? Porque é uma região extremamente carente, ela sempre foi esquecida, é uma região formada por gente boa, gente simples... É um lugar muito bom de se trabalhar. Eu acho muito... Tem muitas características da minha cidade do interior.
E eu fui muito bem recebido aqui, então, eu tenho, assim, uma ligação grande. Você, a qualquer momento, você liga para o comandante da polícia, ele te ajuda; o delegado é amigo, você chama: “Vem tomar um café comigo.” O comandante do bombeiro, hoje de manhã veio tomar café comigo... É uma família isso aqui! Isso é uma coisa que me satisfaz bastante, trabalhar em uma comunidade com esse perfil. As pessoas são extremamente educadas, por mais simples que sejam. Dificilmente você vai ver uma confusão na porta da Emergência, é um pessoal paciente, que aguarda... E toda pessoa alterada, você conversa, eles são calmos... Quando
se altera, realmente, eles têm razão, devido, vamos dizer assim, à situação a que eles são expostos...
Então, é um trabalho que eu, realmente, passei a gostar muito de fazer. Mas achava que eu tinha que modificar as coisas. E o que me chamou atenção, vamos dizer assim, uma coisa decisiva, foi quando um colega... Vou te dar uma idéia: eu tinha um consultório na Clínica Sorocaba, em Botafogo. E trabalhei em várias clínicas, operei no Samaritano, São Vicente, etc. Um dia, um colega, quando eu falei que gostava de trabalhar, ele falou: “Você é louco. Você vai trabalhar para pobre. Você é uma pessoa que fez mestrado, fez doutorado, você opera muito bem... Você fica lá cuidando de pobre, isso não vai te dar retorno.” E aquilo me chamou a atenção, porque eu sei que as pessoas, muitas pessoas pensam exatamente assim. Não é? E eu acho, com certeza, o seguinte: grande satisfação profissional eu tive aqui, nesta região, neste hospital. Então, eu achei que eu tinha que mudar.
C.A. – Sua história é longa...
O.. – Eu achei que a gente tinha que mudar um pouquinho, ou poderia contribuir para mudar um pouquinho esse perfil. Acho que, realmente, nós somos privilegiados de ter tido a oportunidade de ter tido um curso superior, de fazer tudo... Fiz mestrado, não paguei nada por isso; doutorado, não paguei nada... Quer dizer, acho que, de alguma forma, você tem que devolver, acho que esse é o compromisso da gente. Então, eu comecei a convocar essas comunidades e a minha surpresa foi, assim, a colaboração muito grande e a aceitação da proposta. C.A. – Via Conselho.
O. – Via Conselho Distrital. E eu joguei uma proposta que foi, vamos dizer assim, sendo acrescentada de idéias... de boas idéias. Bom, quando começou essa reunião, eu procurei o Secretário de Saúde e falei com ele: “Olha, Dr Gilson, eu tenho reunido a comunidade e a gente tem discutido uma proposta.” Ele falou: “Olha, acho uma boa idéia – me deu apoio. Você tem que tomar um certo cuidado porque algumas pessoas podem achar que você está tentando até traçar uma política de saúde para o próprio estado, uma coisa assim. Mas vá em frente.” Ele, realmente, me deu apoio nisso. E eu toquei o projeto... Fui conversando, a gente discutia... E houve manifestações interessantes. Pessoas que chegavam e falavam assim: “Olha, doutor, eu moro neste área há 50 anos, primeira vez que eu vejo uma proposta viável, possível, de uma coisa consistente.” E aquilo me dava um certo ânimo.
Resultado: quando foi organizado o planejamento estratégico da Secretaria, o Dr Gilson me colocou dentro do grupo que faria o planejamento, na área hospitalar. E nós demos a colaboração possível, com o que eu conhecia...
C.A. – A superintendente era a Maria?
O. – Não, foi depois. A Maria foi no governo da Benedita. Bom, passado isso, houve um desdobramento do planejamento estratégico e o coordenador do planejamento da urgência e emergência, organizou um simpósio em Penedo e eu fui convidado para participar do simpósio. Uma das palestras foi um trabalho feito em Ribeirão Preto que era exatamente o que nós estávamos propondo aqui com a comunidade. Só que já, vamos dizer assim, um projeto já implantado, com a experiência. O que motivou isso? Foi o seguinte: a cultura do nosso povo é procurar uma emergência. Por quê? Porque ele sabe que, na emergência, ele vai ser atendido, ele
tem... o exame de sangue dele é resolvido na hora, se ele precisar de uma radiografia, faz na hora... Quer dizer, a resolutividade da emergência, por mais precária que seja, é o que dá uma resposta imediata. Ao passo que ele vai ao posto de saúde, o cara pede um exame, ele não sabe nem onde vai fazer o exame, demora um mês e aquilo... remarca. Então, inteligentemente, o povo vai onde resolve o problema. Eu tentei fazer o seguinte: tirar, vamos dizer assim, esse baixo risco da emergência e abrir o Pronto Atendimento. Como eu tinha uma capacidade de resolutividade, foi aumentando, aumentando, cheguei a atender 2200 pessoas por dia no meu Pronto Atendimento. Bom, com isso, o que aconteceu? Os postos de saúde ficaram tranqüilos. Tem um cara que está lá fazendo, tem alguém lá fazendo.
C.A. – Esse volume foi em que período?
O. – Foi um período do ano passado. Quer dizer, no ano de... C.A. – 2002? Você entrou em 2001.
O. – É. Foi em 2003. Final de 2002, início de 2003. Os colegas não conseguiam mais agüentar a demanda, porque era gente demais. Tinha pediatra atendendo 150 crianças em um dia. Então, era uma loucura. Aí, eu peguei, reuni o Conselho Distrital de Saúde e falei: “Eu não tenho mais fôlego para atender...” E o Conselho, imediatamente: “ é impossível, os postos de saúde estão tranqüilos, porque ninguém procura mais, vai todo mundo para o lugar onde resolve o problema.” Bom, com base no conselho, os tentamos fazer uma certa triagem – associou um período que teve uma greve e tal... – fizemos uma triagem e voltamos a um atendimento de 1000, 1100 pessoas por dia. Bom, e eu, com isso, discutindo a perspectiva de ter alguma saída. E a saída nossa era a seguinte, nós, eu que é que eu estava propondo. Basicamente, o que eu propus foi o seguinte: existe uma parecer do Ministério da Saúde – e eu tenho o hábito de... chega uma coisa, eu dou uma lida, se me interessou, eu vou fundo – e eu peguei esse parecer e li, dissequei o parecer. Esse parecer é de 2002. É de 5 de novembro de 2002. Resolução 2.048 do Ministério da Saúde, regulamenta os sistemas estaduais de urgência e emergência.
C.A. – Sei.
O. – Esse parecer propõe aquilo que eu sempre sonhei: a criação de unidades de emergência não- hospitalares. Essas unidades funcionariam ligadas a um sistema, basicamente, hierarquizado, no atendimento de urgência. Você teria um atendimento pré-hospitalar, esse atendimento pré- hospitalar – avaliada a gravidade, ele tem duas opções: ou ele vem para uma unidade de emergência, ou ele pode trazer para uma unidade de emergência não-hospitalar. Então, nós calculamos que cada unidade dessa pode ser a chamada unidade nível 3: essa unidade nível 3 absorve, vamos dizer assim, uma demanda de uma população de aproximadamente 250 mil habitantes. E ela teria, dentro de sua característica, uma baixa resolutividade – por exemplo, se o paciente chega com uma dor precordial, eu faço um eletro e vou fazer uma triagem dele –, eu tenho um laboratório, tenho um raio-x, tenho três pediatras, três clínicos e eu colocaria aqui, pela característica da região, um dentista, um cirurgião e um ortopedista. E, para essa área, eu idealizei três unidades desse tipo. Essas três unidades, elas fecham, mais ou menos, a capacidade delas, com a população de cada região, geograficamente, estrategicamente colocada nessas regiões. Todo atendimento sai do hospital e vai ser referenciado para uma unidade dessas. Essa unidade faz o atendimento inicial e, desde que ela consiga... Ela vai fazer, vamos dizer assim, uma
triagem: o alto risco, ela tem acesso direto à unidade de emergência... Então, isso aqui é um sistema...