Analysis and Discussion
7.1 Baseline algorithm
O. – É. Exatamente. E o que acontece é o seguinte... C.A. – Você gasta a mais...
O. – Isso foi autorizado pela Secretaria, mas, na realidade, é um risco muito grande para a gente que está na direção, porque a responsabilidade é nossa. E você fica como marisco: entre a maré e a pedra. Por que o que acontece? Se eu não compro e o doente morre, a culpa é minha. E se eu compro sem, vamos dizer assim... eu vou ter um problema no tribunal de contas. Então, eu fico em uma situação complicada.
C.A. – O não pagamento, é isso?
O. – É. Porque, na realidade, o hospital tem uma credibilidade, mas eu sofro pressões pesadas de fornecedores. Porque, quando demora muito o pagamento, os caras começam a pressionar. Já levei isso para o secretário, avisando ele. O problema é que há risco de vida nesse processo. Entendeu? Então, eu acho que a Secretaria... Embora o Dr Gilson, o secretário, estava procurando costurar uma maneira... Ele falou que já tem a fórmula para pegar... Porque a situação é a mesma situação de todos. A dívida é muito grande – a dívida nossa ultrapassa, aí, o valor dos quatro milhões.
C.A. – Na praça.
O.– Na praça. É um número, para a gente, muito alto. Mas isso é um processo que vem rolando desde julho de 2002.
C.A. – Mas isso é relativo ao quê? Só abastecimento, só suprimento? O. – Suprimento e medicamentos.
C.A. – Contratos de manutenção, não? O. – Os contratos são nível central.
C.A. – Esses quatro milhões seriam só relativos a isso. Suprimento.
O. – Suprimento. Mas hoje o hospital compra quase tudo. Tudo, tudo. Eu estou com uma compra aqui, que eu pedi... Eu fiquei preocupado porque nem gaze a Secretaria tem fornecido, hoje. Então, soro, gaze... O pessoal do DGA falou: “Não, nós compramos.” Eu quero saber... Então, estou passando hoje a certidão negativa, porque ele acha, também, que existe o problema na informatização disso. Então, eu quero dar um check up...
C.A. – Mas isso dá uma diferença importante, você gasta 800 e tem 400. Quer dizer, você precisa de 800 e tem 400..
O. – Mas, em contrapartida, o hospital fatura isso. Entendeu? Hoje... C.A. – AIH?
O. – A AIH. Nós tínhamos um faturamento de 300, trezentos e pouco, eu modifiquei o sistema e hoje o hospital fatura de 800 a um milhão por mês.
C.A. – Mas o problema é como é esse financiamento do SUS da Secretaria, não é?
O. – É. Porque o problema é que esse repasse do SUS vai direto para o caixa único. Ele não reverte para o hospital. Mas...
[FINAL DA FITA 2-A]
O. – Acontece o seguinte: você tem, hoje, um perfil de hospital, onde eu tenho 40 leitos de CTI, que é um custo alto, muito alto. Eu tenho a maternidade de alto risco. Tenho uma emergência que demanda órteses e próteses de preço, assim...
C.A. – Isso é muito caro.
O. – É muito caro. E tudo isso eu pago com o REDFES. Tudo eu pago com REDFES. C.A. – Então, você tem uma demanda de administração muito grande.
O. – Muito grande. Então, a minha idéia... Quer dizer, assim, a vontade nossa é que nós tivéssemos essa verba do REDFES para atender à Emergência.
C.A. – Que era antigamente.
O. – Que era antigamente. Hoje, ela está um pouco... Mas o Dr Gilson promete que as coisas vão voltar ao normal.
C.A. – Vão voltar ao normal no sentido de... O. – De você ter uma Central abastecida e... C.A. – O nível central continuar a abastecer.
O. – Exatamente. Aí daria para a gente manter. A grande expectativa é que, com esse recurso do QualiSUS, a gente vai conseguir adequar o setor mais importante do hospital, que é a Emergência, não é?
C.A. – Mas o QualiSUS não é para abastecimento.
O. – Não é para abastecimento. Mas ele vai me manter... Uma aparelhagem nova que vai diminuir, assim, muito o custo de manutenção disso.
C.A. – O que está sendo esperado? Quer dizer, o QualiSUS está gerando uma grande expectativa entre os diretores envolvidos, não é?
O. – Grande.
C.A. – Eu tenho ouvido outros diretores, também do município... Mas, mais especificamente, o que está representando o QualiSUS aqui, para vocês?
O. – Eu acho que, para a minha região, a Zona Oeste, que é uma região extremamente carente... Você vê o seguinte: nós temos uma aparelhagem de monitorização, de ventiladores de volume que estão mais ou menos com uma faixa de 10 anos. Isso, em termos de material médico, está sucateado. A gente, para manter... Isso é difícil você manter, que ele vai dar problema, está na fase de dar problema. Então, o QualiSUS vem colocando material novo, equipamentos novos... Então, a gente passa a oferecer à população, vamos dizer assim, um sistema de qualidade e de segurança.
C.A. – Você tinha me falado em acolhimento, porta de entrada, treinamento... E agora está falando do equipamento.
O. – Equipamento e obras.
C.A. – Equipamento e obras também? O. – E obras.
C.A. – Então, estão prevendo um orçamento importante. O. – Um orçamento importante, um montante importante.
C.A. – E está sendo objeto de grande expectativa. Como é que hospital está vendo isso? Você tem discutido para dentro do hospital?
O. – Eu, toda a informação, eu marco uma reunião com todos os funcionários e passo a informação para eles.
C.A. – Você já está fazendo...
O. – Assembléia, mesmo. Eu acho que tem que manter todos informados do que está acontecendo. Vou ter uma reunião na quinta-feira, que seria o fechamento do processo, na semana que vem eu estou fazendo uma reunião, convocando uma reunião geral.
C.A. – Sei. E quem participa da reunião do QualiSUS? Só você ou tem mais alguém...
O. – Não, é o seguinte. Na realidade, isso foi feito... A proposta costurada no Ministério seriam dois representantes do Ministério, dois representantes do hospital e um representante do gestor, que é a Secretaria. Um representante do Ministério e um outro colega do Rio Grande do Sul. Do hospital, é eu e a minha assessora.
C.A. – Ah, a ela está participando. O. – Está participando.
C.A. – Que trabalha nessa área de insumos...
C.A. – Está bom. Eu acho que, a gente já tratou do que tinha pensado. Cobriu minha expectativa. Vou fazer uma última pergunta. Como é que você se vê para frente? Sua perspectiva profissional... Como você... Enfim, que projetos você tem para você...? Você anseia alguma coisa do ponto de vista profissional?
O. – Para mim... Se eu conseguir organizar essa Emergência dessa região , para mim, já foi suficiente. Então, a minha pretensão, na realidade, é continuar trabalhando como cirurgião, manter meu trabalho na faculdade e...
C.A. – Você tem muito a identidade de médico, não é? O. – Bastante.
C.A. – Alguns diretores, às vezes, a gente vê que eles dizem: “Não, agora eu sou gestor.” O. – Não, eu...
C.A. – Você tem claramente uma identidade clínica.
O.– Sem dúvida. Porque eu acho o seguinte: você chegou em uma fase... Eu estou fazendo cirurgia há 30 anos. Então, eu vi muita coisa, e operei muito. E sou uma pessoa muito ligada à minha especialidade; exercitei ela em todo sentido. Então, eu acho que eu estou no grande
momento da minha especialidade. Então, me vejo assim com facilidade de resolver coisas mais complicadas...
C.A. – E você consegue conciliar bem a parte...
O. – Bastante. Às vezes eu termino aqui o trabalho do hospital, marco cirurgia na clínica... Opero, às vezes, até onze horas, meia noite... E faço com prazer. Para mim, realmente, é prazeroso. Eu gosto, realmente, de exercer a minha especialidade, principalmente os casos, assim, mais desafiadores, não é?
C.A. – OK.