10 Diskusjon
10.1 Fundamentering
O conhecimento da Sagrada Escritura em Santa Teresa não é o fruto de longas horas de leitura, pois o tempo no Carmelo era cronometrado, mas, sobretudo, dom de Deus e inspiração do Espírito Santo. Ele pode dar àquele que crê a devida inteligência e conduzi-lo à Verdade (Jo 16,13). É através destas leituras, ruminando cada palavra, que ela descobre sua “pequena via”, “o coração do Evangelho”, legando esclarecimentos: “Devo, pois suportar-me tal qual sou, com todas as minhas imperfeições. Mas, procurarei um meio de ir para o Céu por uma trilha bem reta, bem curta, uma trilha inteiramente nova” (Ms C. 213r). A via da infância espiritual que é feita de humildade, de confiança e abandono à misericórdia de Deus. Santa Teresa é verdadeiramente amorosa da Palavra de Deus e encontra nela novas luzes que, sem demora, partilha com as suas irmãs carmelitas com a simplicidade que lhe é própria. Desta forma, Teresa proclama o seu testemunho apostólico, fazendo presente em si, no meio de suas irmãs a vida de Cristo pelo Espírito Santo. Frei Eugène-Marie esclarece que “para ser um perfeito apóstolo é necessário ser tomado pelo Espírito Santo”104
. O Espírito Santo, presente na vida do apóstolo, dinamiza em sua alma tudo o que lhe é necessário à sua missão, tendo como centro o Evangelho de Cristo e a glória de Deus na salvação das almas. Portanto, a união com Deus, esta intimidade de Santa Teresa com Ele tem como finalidade, entre outras, uma autêntica dimensão de apostolado.
No silêncio da clausura viveu esta intimidade com Deus, sempre às pegadas do Mestre que, no silêncio da noite, subia à montanha, para ouvir seu Pai e, ainda, depois da multiplicação dos pães, subia ao monte para rezar (Mt 14,23). Aproximando-se da sua hora final, em 17 de julho de 1890, Santa Teresa não se esqueceu dos seus e garantiu: “Quero passar o meu céu fazendo o bem sobre a terra”105
. Nesta perspectiva, dizia ela ao Senhor, que na terra sempre cumpriu os Seus desejos e caber-Lhe-ia agora fazer os seus. A morte para Santa Teresa era vida, a vida tão sonhada do face a face. E, nos seus últimos momentos declarou – “Não morro, entro na vida”106
. O teólogo alemão Karl Rahner, falando da morte,
104
Cf. PÈRE MARIE-EUGÈNE de l’Enfant-Jésus, ocd. Au souffle de l’Esprit. 2004, p. 302.
105
SANTA TERESA do Menino Jesus e da Sagrada Face. História de uma Alma - Manuscritos autobiográficos,
1975, p. 267.
diz que ela é “um ato supremo de amor e valentia que o crente realiza, abandonando-se à vontade de Deus”107
. Esta foi, portanto, a atitude da tão querida e amada Santa Teresa de Lisieux.
Santa Teresa encontrou na Igreja o seu lugar para servir com amor a Jesus com bastante convicção e fé apostólica. Reconhecia que todo apostolado tem como finalidade e edificação do Corpo místico de Cristo total, que é a Santa Mãe Igreja. Teresa reconhecia não se tratar de tarefa fácil, mas como o amor no coração da Igreja e Jesus, seu Mestre, nunca lhe dera tarefa além de suas forças, seguia em frente, confiante na sua promessa. “Mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que vos disse [...] Ele vos guiará na verdade plena [...] e vos anunciará as coisas futuras” (Jo 14,26; 16,13). É o Espírito Santo que vai prolongar e completar na terra a missão de Jesus; portanto, é a missão do Espírito santo no mundo108. Teresa sentiu a manifestação do Espírito, uma teofania exterior, uma leve brisa, como mencionado acima, e que ela tinha conhecimento por meio das Epístolas de São Paulo que explicam a sua ação nas almas, a graça de Deus, a vida divina que une a Cristo. É a abertura da alma a Deus para que o Espírito Santo a leve à santificação (Rm 5,5). Assim, este Sol da alma opera em Santa Teresa, dando- lhe as graças do exercício do amor em sua comunidade, apesar das inúmeras dificuldades ali encontradas, quando diz ter “encontrado mais espinhos que flores” (Ms A, 69v). O Espírito Santo que leva à prática das virtudes que tão bem Teresa soube viver e ensinar no mundo da clausura e além de seus muros. Este mesmo Espírito de Amor leva Teresa ao apostolado edificante com seus irmãos espirituais ajudando de forma concreta a Igreja na sua obra missionária evangelizadora, pois, como disse o Papa Pio XII na sua Encíclica Mystici Corporis “o Espírito Santo é a alma da Igreja”. A sua presença vai dinamizar toda a ação da Igreja, levando os membros de seu corpo a um movimento contínuo para a sua edificação, o seu enriquecimento espiritual e de seus próprios membros; Ele é, portanto, o santificador das almas e o verdadeiro construtor da Igreja. Mas é na liberdade que opera, sabe o que quer, como e quando quer. Contudo, o Espírito Santo pede a colaboração do ser humano para sua obra e foi assim que Deus enviou o Arcanjo Gabriel para solicitar a colaboração maternal da Virgem Maria completando a realização do plano divino, colaboração inteligente e livre, instrumental. Da mesma forma, Teresa se abandona em Deus para possuí-Lo, produzir frutos e poder transmiti-Lo a todos, levando-os à santidade por meio de sua pequena doutrina. Teresa, cônscia de suas responsabilidades no chamado de Deus para o apostolado, para a
107
Cf. Rahner, Karl. Dimensiones del martírio. Concilium nº. 3, 1983, Ed. Ital., pp. 25-29.
108
salvação das almas, não hesita em empregar todos os meios e colocar-se, como criança, em suas mãos, para que o Espírito Santo dinamize o seu agir salvando “almas para o Senhor”. Teresa fala bastante da caridade; este amor que lhe foi derramado na alma pela “Fornalha Ardente”, a fim de viver em Deus e para Deus, salvando almas para Ele, fazendo-O Amado em todos os pontos da Terra.
É nesta convicção já trabalhada, ditada pela força e dinamismo do Espírito Santo que Santa Teresa tem a sua certeza de evangelizar e transformar vidas. Jesus Cristo e o Espírito Santo têm papeis relevantes na sua vida e ações. Isto pode ser facilmente observado no movimento vivificador da fé, provocado pela publicação de História de uma Alma. Santa Teresa está unida a Cristo nesta intimidade que lhe é peculiar, para fazê-Lo conhecido e amado por todos, sob a mesma ação do Espírito Santo, nesta ciranda do Amor Trinitário. Foi neste mister que Historia de uma Alma levou a doutrina de Santa Teresa a todo o universo. Neste caminhar sem vacilar para o Amado, Santa Teresa amou profundamente o Deus Menino, entregando-se a Ele, tornando-se uma criança. Com que carinho, com que devoção e com que amor o adornava no claustro! Mais tarde, amou a sua Cruz e contemplando-a pode meditar sobre o grande amor que Jesus dedicou ao mundo. É no Sinal da Cruz que se entende a força da Trindade Santa e recordam-se os ensinamentos de Cristo em relação aos irmãos. Através da Cruz Santa Teresa ensina a morrer para si mesmo, para que nosso irmão tenha vida plena, no contexto “do humanismo integral e solidário”109. Esta cruz que Santa Teresa abraçou com tanto amor é, portanto, a revelação da plenitude do Amor de Cristo como Trindade, que fez brotar e frutificar nela a magnitude do seu amor a Jesus e aos irmãos, seguindo Jesus “que resume toda a Revelação pedindo ao cristão de se enriquecer de Deus” (Lc 12,21). No Amor Trinitário110, que é em sua síntese o, mistério de Deus, amou Maria, Mãe de Jesus, a quem Santa Teresa chamava mamãe e, no cântico que compôs para a Virgem – “Por que te amo, ó Maria!”111 - derramou o seu coração e a sua alma. Esta Mãe que deu ao mundo o Deus real, o Deus conosco, com quem Santa Teresa vive cotidianamente esta intimidade que nos é revelada pela sua capacidade missionária e evangelizadora. Este mesmo amor, imitação do Amor de Cristo, dedicava aos irmãos, inspirando-se sempre no Evangelho, a fim de que o seu agir não negligenciasse os ensinamentos do Amado.
109
Cf. La Doctrine Sociale de l’Église. 2005, p.185, n° 327.
110
O intelectual Emmanuel Mounier declarou Santa Teresa de Lisieux como uma “expert” do Espírito Santo (Cf. B. Bro La Gloire et le Mendiant. Cerf. p. 16-17).
111
Teresa dá sempre graças a Deus pela sua misericórdia infinita, pois obras grandiosas não são do seu alcance. “Não pode pregar o Evangelho nem derramar seu sangue […] Porém, não importa, os irmãos espirituais trabalham e ela… fica junto do trono do Rei e da Rainha, amando, jogando flores no trono, pequenos sacrifícios…” (B, 4r-4v). Desta forma, Teresa sabendo da sua precariedade, no belíssimo texto redigido a Jesus, fala destes modestos oferecimentos como cantares e flores partindo de um coração pequenino, mas, com certeza, diz ela, farão prazer a Jesus e, ao mesmo tempo, “provocarão sorrisos da Igreja Triunfante”; porém, esta colherá as insignificantes dádivas e as levará às mãos do Divino Mestre. Do trono, será lançada sobre a pobre Igreja Padecente “esta água viva” que lhe extinguirá as chamas e, ainda, sobre a Igreja Militante, para que alcance as vitórias.
Assim pensava Santa Teresa como verdadeira filha de Deus. E, no íntimo da vida trinitária, prosseguir o seu objetivo que é ensinar a sua doutrina e salvar almas para o Amado. Na oração e atitude de Teresa buscando e vendo Deus em cada irmão, tendo como meta sua salvação, praticando, em profunda sintonia com Jesus, o amor ao próximo.
Santa Teresa assumiu ser o amor no coração da Igreja, logo tem os olhos da fé abertos para Deus e Nele quer repousar em perfeita união, pois o Espírito Santo tomou possessão da alma de Teresa. Ela atingiu este amor que só a alma “enamorada” de Deus pode alcançar e, como diz São João da Cruz sobre a “igualdade de amor”, … dar a Deus quando nosso amor é perfeito, o amor que Ele nos dá, amá-Lo à medida que Ele nos ama e tão perfeitamente como Ele nos ama112. É o próprio amar em Deus, porque todos são seus filhos amados, colocar-se receptivos, abertos ao Espírito de Amor que opera em cada um, à condição que a vontade esteja livre. Assim Santa Teresa agiu, pois a união ao Espírito Santo é necessária para atingir a perfeição do seu apostolado. Esta presença do Espírito Santo revelou- se em Santa Teresa com força e vigor para a experiência dos “oceanos de graças” recebidas que “inundaram sua alma” e a impressão deixada é que “o Amor me penetra e me envolve” (Ms A, 84v-84r).
Teresa se identifica ao Cristo na ordem da graça de Deus tão presente nela, pois diz: “Eu não vejo bem o que eu terei a mais após a morte que já não tive nesta vida. Verei o Bom Deus, é verdade! Mas, para estar com Ele, eu já estou plenamente aqui na terra” (CJ 15.5.7). Esta identificação de Santa Teresa realiza-se pela graça; assim todas as suas ações são fecundas, harmonizando-as ao ritmo de Cristo. Teresa reza com o Espírito Santo que a conduz no mais profundo do amor misericordioso. Assim, neste estágio de profundidade espiritual,
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quando das tentações contra a fé, ela diz que “… aceita comer o pão da dor, e da mesa coberta de amargura, onde comem pobres pecadores” (Ms C, 6r). Ela assume comer este pão da incredulidade moderna com muito amor para salvar almas, sendo o verdadeiro farol para o mundo, pedindo a Jesus: “A única graça que vos peço é de nunca vos ofender” (Ms C, 6v).
Santa Teresa recebeu a graça de compreender em sua totalidade o valor do sofrimento para a salvação das almas. Penetrou no mais profundo da misericórdia infinita pela fraqueza do outro que ela experimentou, em relação às faltas de suas irmãs, agindo com perfeita indulgência. Era a confiança sem limite em Deus que a transformava sem cessar na sua trajetória rumo à santidade, pois dizia: “Eu não passo mais de três minutos sem pensar em Deus”113, eis a perfeita união ao Espírito Santo.
Teresa, ainda, apesar dos sofrimentos pela doença, conservava o humor, caminhando apesar deles, mas sentindo paz interior com o seu Crucifixo sempre nas mãos, olhando-o contemplava também o sofrimento de Jesus e sua dor, pois Jesus Cristo foi homem da dor (Is 53,3), mas também da vitória, da alegria por resgatar toda humanidade das trevas para a luz. Então, diz às suas irmãs: “É a morte de Jesus na cruz que eu pedi” (CJ 4.6.1; 4.7.2), porque ela lhe parecia mais bela. Falando do muito sofrimento que passava dizia só poder explicá-lo “pelos desejos ardentes que eu tive de salvar almas” (CJ 30.9). Contudo, este sofrimento a identificava com Jesus e declarava: “Eu não poderia entrar de repouso no Céu até que o Corpo Místico de Cristo seja completo, até que o número dos eleitos seja completo” (CJ 17.7).
Assim é a vida dos santos, continua ativa no Céu, a fim de que o Corpo de Cristo seja restaurado, completo, atingindo toda sua beleza. Portanto, diz Santa Teresa que “No Céu, minha glória será feita da luz que irradia da fronte de minha mãe, a Igreja”114 (Ms B, 4v). Porém, no exílio, as flores e a alegria colhidas dos sofrimentos também ela oferecerá ao Sol do Amor pelos pecadores, na sua missão de salvar almas. Impulsionada pelo Espírito Santo na sua humildade e pequenez, conduz muitas almas para o Senhor e, num total despojamento de si, entrega-as ao Amor em inteira liberdade de ação para O fazer amado. É com o dinamismo dado pelo Espírito Santo ao amor de Teresa que ela assume suas ações para o apostolado cada vez mais aberto aos irmãos e à Igreja.
Desta forma, é considerada verdadeiro modelo e apóstola do Evangelho de Cristo no espírito da “pequena via”, missionária da oração e do sacrifício na missão evangelizadora universal.
113
Cf. Conseils et Souvenirs, p. 77. 114
Teresa de Lisieux é “uma autêntica mestra da fé e da vida cristã”115, luz e influência no mundo inteiro. A síntese de sua teologia e espiritualidade numa bibliografia internacional composta de 1690 títulos levou o Papa João Paulo II a proclamar no domingo das Missões, 19 de outubro de 1997, a Padroeira principal das Missões, Doutora da Igreja116. Na Carta Apostólica do Papa João Paulo II consta a declaração que, dos estudos elaborados a partir dos três manuscritos estudados, existe uma unidade temática e a descrição progressiva de sua vida com o seu itinerário espiritual. Trata-se de escritos originais, A História de sua Alma. Deixa transparecer nela que, na sua curta existência, Deus apresentou uma mensagem específica ao mundo, mostrando uma via evangélica, a via da infância espiritual, que todos podem percorrer, pois todos são chamados à santidade117.
Na sua declaração solene, diz o Santo Padre estar respondendo aos anseios de um grande número de irmãos do Episcopado, bem como os de uma multidão de fiéis do mundo inteiro; assim, encerra a sua alocução declarando Santa Teresa do Menino-Jesus e da Sagrada- Face, Doutora da Igreja Universal118 e, no Céu, Santa Teresa deve ter respondido: “Tudo é graça!…”.
A primeira edição de História de uma Alma data de 1898, com apenas 2000 exemplares, que fez surgir na Igreja Católica este “furacão de glória119 nas palavras de Sua Santidade Papa Pio XI. O Cardeal e grande teólogo Yves Congar a qualificou, juntamente com Charles de Foucauld, como “farol atômico”, aceso pela Providência no limiar do século XX (DE MEESTER, 2008, p. 13).
Observa-se que as palavras e a doutrina de Santa Teresa ultrapassaram os tempos atuais, já que a sua “pequena via” é acessível a todos e em qualquer época. O teólogo e grande especialista de Santa Teresa, Pe. Hyacinthe Petitot que, em 1925, publicou um livro de teologia sobre sua doutrina, tinha razão ao escrever que sua vida tão curta foi angélica e divina e que sua influência se faria em muitos domínios e que isto seria ainda apreciado nos séculos vindouros. Acrescenta, ainda, que ela foi a promotora de uma nova época para a Igreja Católica120.
Não apenas o desejo de Teresa de rezar e fazer sacrifícios para salvar almas ocupava a sua mente, mas o seu sentir persuadida de poder contribuir à conversão dos pecadores e para
115
Cf. PAPA JOÃO PAULO II. Carta Apostólica Divini amoris scientia n°8.
116
Santa Teresa é a Doutora de n° 33 e a mais jovem de todas. 117
Cf. PAPA JOÃO PAULO II. OC. n° 6.
118Ibid., n° 12.
119
Cf. in GAUCHER, Guy. OC p. 159 e VT n° 92, outubro de 1983 e janeiro de 1984 (Vida Teresiana, Revista publicada desde 1961).
a santidade dos padres. Entretanto, como já mencionado, este intenso desejo de trabalhar pela conversão dos pecadores surgiu, intensamente, no Natal de 1886. Assim, aos 14 anos obteve a conversão “in extremis” do criminoso Pranzini, o que vai avivar o seu ardor apostólico. Aplica-se mais e mais na sua missão e, de repente, compreende a obra de Santa Teresa d’Ávila, ou seja, a Reforma do Carmelo. Teresa declara “que rezar e fazer sacrifícios pelos pecadores a encantava, mais pelas almas dos padres, que acreditava mais puras do que o cristal, lhe pareciam surpreendentes! Na Itália, compreendeu sua vocação”… isto não era para ir buscar tão longe, um tão útil conhecimento…” (A, 56r) Foi aí que também compreendeu sua missão na Igreja de ser “apóstolo dos apóstolos” na sua vocação contemplativa pelas orações e sacrifícios. Constata-se que este zelo apostólico Teresa já tinha antes de entrar no Carmelo, o mesmo de Santa Teresa d’Ávila que dizia: “Darei mil vidas para salvar uma alma” (1888, p. 8). Teresa não ficou apenas fazendo sacrifícios e rezando pelos mais próximos, mas à dimensão do mundo, pois o Carmelo de Lisieux mantinha correspondência regular com o de Saigon, primeiro Carmelo no Sudeste Asiático, fundado em 1861 pelo Carmelo de Lisieux. Teresa guardava o sonho de ir para Hanoi, a outra fundação, se não fosse o problema da doença. Contudo, sua missão além das fronteiras se realiza através dos seus dois irmãos espirituais missionários já explicitado acima. As duas peças de teatro que escreveu sobre Joana d’Arc estão cheias de seus próprios desejos apostólicos e inspiram muitas comunidades a vivência desta arte nestas peças, pois tem características marcantes de Santa Teresa.
Atualmente, observa-se o surgimento de comunidades e associações que desenvolvem a espiritualidade de Santa Teresa, levando-a a ser conhecida e amada, divulgando e vivenciando a sua “pequena via” como verdadeiros discípulos missionários. Como diz o DA, o “discípulo missionário” é alguém apaixonado por Cristo, a quem conhece o Mestre que o conduz e acompanha (277). Como se pode observar, “a espiritualidade dos apóstolos e santos marcou a espiritualidade e o estilo de vida de nossas igrejas” (279-b). Assim, observamos que Santa Teresa com sua vida exemplo e testemunho permanece como modelo para o povo de Deus e esta dimensão espiritual levou o cristão a uma adesão pela fé, oração e caridade ao Bem Amado. Dessa forma, cabe aos sacerdotes darem testemunho de vida feliz e de santidade no serviço do Senhor (315). Todavia, se faz importante a formação de autênticos discípulos missionários com profundo conhecimento da palavra de Deus, estabelecendo com Cristo, como Santa Teresa de Lisieux, uma relação de amizade e amor (320). O padre e teólogo dominicano Molinié escreveu: “Foi necessário esperar Teresa do Menino-Jesus para reencontrar um movimento de espiritualidade no âmbito planetário, cuja amplitude seja exatamente as dimensões do Evangelho” (1968, p. 97).
Santa Teresa é o guia que o Espírito Santo colocou na sua época como mestra para distribuir sua luz, para revelar o Amor e fazê-Lo amado. Teresa exerce uma grande influência em todo o universo através de sua obra e “está entre todos os grandes mestres espirituais da Igreja, dentre os mais poderosos condutores de almas de todos os tempos”121.
O Papa João Paulo II declarou que o ensinamento de Teresa é uma verdadeira ciência do amor e a expressão luminosa do seu conhecimento do mistério de Cristo e de sua experiência pessoal da graça. Ela ajuda os homens e as mulheres de hoje e ajudará os de amanhã a melhor perceber os dons de Deus e a divulgar a Boa Nova de seu Amor Infinito122