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Buens innspenningsforhold

2 Teori

2.4 Valg av brutype

2.5.4 Buens innspenningsforhold

O ser humano, como qualquer outro mamífero na natureza, tem o impulso de procriar. Os antropólogos chegaram a um acordo de que o primeiro homo

sapiens teria nascido na África, em um período estimado entre 130 mil e 200 mil

anos. Ou seja, muito antes de Abraão (séc. 21 a.C.), os seres humanos já procriavam com o intuito consciente ou inconsciente de propagação da espécie.

Além de procriar se reuniam em grupos que Engels classificou como família consangüínea, família punaluana, família sindiásmica e a família

monogâmica 95.

O que se constata com isso é que a família surge antes do casamento. A primeira etapa da família foi a consangüínea, na fase selvagem do ser humano. Conta Engels que

“os ascendentes, os pais e filhos, são os únicos que,

reciprocamente, estão excluídos dos direitos e deveres (poderíamos dizer) dos matrimônios. Irmãos e irmãs, primos e primas, em primeiro, segundo e restantes graus, são todos, entre si, irmãos e irmãs, e por isso mesmo maridos e mulheres uns dos outros. O vínculo de irmão e irmã pressupõe, por si, nesse período, a relação carnal mútua.” 96 .

Segundo este relato, nesta fase da família, irmão tinha relação sexual com irmã, e não tinham qualquer tipo de exclusividade. A única relação sexual proibida, era apenas a relação sexual de ascendentes com descendentes. O casamento então, era um casamento plural de todos com todos, com exceção da relação sexual do pai com a filha e da mãe com o filho.

95 Friedrich Engels, A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado; p. 40.

Na segunda espécie de família, a punaluana, o ser humano, ainda na fase selvagem, tem um avanço com relação à proibição de relação sexual entre os irmãos e irmãs. Inicialmente, teriam sido proibidas as relações entre irmãos e irmãs uterinos, ou seja, por parte de mãe, acabando com a proibição entre irmãos colaterais, o que hoje designamos por primos e primas em segundo e terceiro graus.

Engels assinala que, provavelmente, “nas tribos onde esse progresso

limitou a reprodução consangüínea, deve ter havido um progresso mais rápido e mais completo que naquelas onde o matrimônio entre irmãos e irmãs continuou sendo uma regra e uma obrigação”,97 supondo, desta forma, que esta proibição intuitiva de nossos antepassados teria tido relação com o princípio da seleção natural do evolucionismo, segundo o qual, os filhos e filhas deste tipo de família, nasceram mais fortes e saudáveis do que os anteriores.

Em todo o caso, nesta fase da família o casamento era em grupos, ou seja, um certo número de mulheres, “eram mulheres comuns de seus maridos

comuns”. O casamento também aqui tinha as mesmas propriedades da família

consangüínea, porém com a distinção de que aqui, começaram a se formar famílias mais diversas, em razão da proibição do sexo entre os irmãos. Ademais, ainda que houvesse mulheres comuns com maridos comuns, notava-se nesta espécie de família, o início de uma união dos pares, ou seja, uma mulher que se identificava mais com um marido e vice-versa, o que foi o embrião para formação da nova família, a sindiásmica.

Na terceira etapa da família, a sindiásmica, aparece no limite entre o estado selvagem do ser humano e a barbárie. Nesta família aquelas uniões de pares com mais afinidade, deu surgimento à poligamia, porém a “poligamia e a

infidelidade ocasional continuam a ser um direito dos homens, embora a

97

poligamia seja raramente observada, por causas econômicas”98. Conforme

Engels, esta nova concepção de família teria sido uma conquista das mulheres que se libertaram da antiga comunidade de maridos e adquiriam para si o direito de não se entregar a mais de um homem.

Na quarta espécie de família, a monogâmica, surge a monogamia como regra, agora no período de civilização. Essa monogamia não surgiu, de forma alguma, segundo Engels, em razão do fruto do amor sexual individual, “já que os

casamentos, antes como agora99, permaneceram casamentos por conveniência”.

A família evoluiu para este estágio, juntamente com a evolução da propriedade, que passou de comum para a propriedade privada, ou seja, somente com o surgimento da monogamia, os filhos eram reconhecidos como tais e herdavam o patrimônio construído pelo pai. Se havia, nesta nova família um aparente progresso, houve um sensível retrocesso:

“o primeiro antagonismo de classes que apareceu na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher na monogamia; e a primeira opressão de classes, com a opressão do sexo feminino pelo masculino. A monogamia foi um grande progresso histórico, mas, ao mesmo tempo, iniciou, juntamente com a escravidão e as riquezas privadas, aquele período, que dura até nossos dias, no qual cada progresso é simultaneamente um retrocesso relativo, e o bem- estar e o desenvolvimento de uns se verificam às custas da dor e da repressão de outros.”100

Isto significou que foi cerceada dos seres humanos, através desta evolução, a liberdade sexual, especialmente a das mulheres. Mas, se houve este cerceamento sexual ao longo da história, aumentando as tensões sexuais que antes eram solucionadas pelos casamentos em grupos, por outro lado, surgiu, no mesmo instante o alívio destas tensões por meio do adultério e da prostituição, o que se constata até os dias atuais.

98 Ibid., p. 57

Se há 3000 anos nasceu o casamento monogâmico, na mesmo instante nasceram o adultério e a prostituição. São trigêmeos da mãe cultura101. Contudo,

deve-se ressaltar que há países que ainda hoje mantêm a possibilidade do casamento poligâmico, mas tal privilégio é reconhecido apenas a aqueles que têm condições de sustentar mais de uma mulher, nas mesmas condições. Portanto, mesmo nestes países, a regra é o casamento monogâmico, por questões econômicas.