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Chapter 3: ANALYSIS OF HEART OF DARKNESS

3.7 Frequencies of Transitivity Options in a Text

O Método de Caso para Ensino conforme utilizado na disciplina Processo Decisório e Desenvolvimento Gerencial buscou aproximar os alunos de situações reais da prática gerencial. AII.4 afirma que ao analisar os Casos ele “tentava trazer mais próximo da

realidade possível. Trazer para a prática em si”. AII.5 também traz à tona a inserção do aluno no papel de gestor afirmando: “Eu queria pensar que aquele caso realmente era real”. Ao aproximar os discentes da realidade gerencial, o Caso possibilita o desenvolvimento de insights para a prática profissional, fornece exemplos da vida real e permite a aplicação de conceitos teóricos, favorecendo o desenvolvimento de habilidades pautadas gerenciais (JENNINGS, 2002).

No movimento de aproximação entre teoria e prática, o Caso propõe um dilema a ser discutido que gera nos alunos um posicionamento e os tira de sua zona de conforto. AVII.4 afirma que o caso “ajudou a me posicionar melhor, a pesquisar, a ir atrás do assunto e

expor minha opinião, tentando convencer os outros na segunda etapa”. Cesar (2005) afirma que esta é uma característica dos Casos que se baseiam em situações reais. Ao vivenciar essa experiência, desencadeia-se o ciclo proposto por Kolb (1984), que considera a experiência como base para observações e reflexões que serão assimiladas e se transformarão em conceitos abstratos a serem testados em experiências futuras.

Ao deparar-se com o dilema particular relatado no caso, o discente passa a analisar os diferentes cenários: “...realmente leva você a avaliar vários cenários e possibilidades” (AI.5). Daudelin (1996) expõe esta característica como comum e necessária para a prática gerencial, afirmando que os gestores por vezes são pegos elaborando planejamentos que se baseiam em três ou quatro cenários possíveis, cujos planos de ação são diferentes e permitem alterar o curso de ação caso aconteçam mudanças ambientais que exijam isto, ou oportunidades que permitam melhorar os resultados em relação ao plano inicial.

Outro fator relacionado à tomada de posição é a integração da experiência vivenciada com as experiências prévias. O indivíduo passa a analisar e projetar cenários de acordo com as informações que possui e interpretando-as conforme suas experiências e conhecimentos, levando a uma avaliação do portfólio a fim de estabelecer parâmetros para a análise. AI.6 afirma que neste momento “você acaba buscando conhecimentos que você já tem para tentar auxiliar naquelas respostas”. Este é ainda um exercício de resgate das memórias, sobretudo das experiências acadêmicas: “fui tentando relembrar tudo o que eu tinha visto

nas disciplinas que eu já tinha” (AVI.3). Na pesquisa de Roglio (2006), realizada em um programa de MBA executivo, o repertório é um fator relevante na prática reflexiva,

influenciando a forma como os eventos são compreendidos e influenciando o curso de ação dos indivíduos. O relato de AVIII.4 evidencia que o repertório pode ser proveniente de diferentes fontes, sejam elas da prática cotidiana, sejam da observação de outros profissionais atuantes, levando a uma comparação: “fazer uma comparação com o seu dia a dia na empresa, seu dia a dia nas organizações, fazer uma comparação com os gerentes das suas

empresas e também se posicionar naquilo”.

Na fase de preparação, os indivíduos têm em mente que o caso não possui uma resposta conclusiva e maximizadora, compreendendo que as etapas posteriores serão de discussão, em que uma solução para o dilema será proposta coletivamente, cuja base será a argumentação. Esta necessidade de fundamentar a resposta e reforçar a base de argumentação acaba sendo uma característica comum na etapa individual. AII.6 afirma “eu pesquisava (...) para saber como estava a empresa hoje”. A internet também fornecia auxílio aos discentes nesta etapa, segundo AV.4, pois nem sempre os discentes possuíam o conhecimento necessário para a resolução do caso. Estes discursos estão em conformidade com o defendido por Maufette- Leenders, Erskine e Leenders (2007), quando afirmam que a etapa de preparação exige leitura do caso, análise das informações, separação do que é relevante do que não é, bem como leituras complementares para o preenchimento de lacunas teóricas e conceituais. O relato de AIX.3 ilustra o sentido desta busca por informações:

estimulou a gente a procurar mais informações sobre... pelo menos eu em todos

os casos sempre entrava no site das empresas e acho que estimulou bem mais essa coisa de buscar informação e ir atrás do conhecimento para poder debater depois

com o grupo.

Este processo relatado está de acordo com a visão deweyana de reflexão, entendida como a investigação de relações de forma profunda e precisa conforme permitam as condições (DEWEY, 1959). Um objetivo final implícito à etapa individual é a busca por um diferencial em relação aos outros alunos que emerge do discurso de AIV.4:

foi interessante porque no fim dos casos eu sempre pensava em uma nova forma

de responder aquilo, pensando já que na hora que a gente fosse debater a maioria

do grupo ia se decidir a um lado e outro se decidir a outro (...) isso foi o que me fez refletir mais no caso.

Esta busca por um diferencial é algo que está intrinsecamente relacionada à aprendizagem mediada pela reflexão, segundo Daudelin (1996). A autora afirma que se processo de reflexão resulta em aprendizagem, o indivíduo “desenvolve inferências para abordar o mundo de uma forma diferente da abordagem que teria sido usada” (p. 39). Para Woerkom, Nijhof e Nieuwenhuis (2002), este tipo de aprendizagem desencadeia um

comportamento que objetiva analisar, otimizar e inovar. As análises dos Casos contribuem para direcionar os discentes neste sentido, conforme se visualiza na Figura 29:

Figura 29 – A reflexão na etapa individual de resolução do Caso

Fonte: Elaboração própria (2013).

Entende-se assim que ao proporcionar aproximação entre teoria e prática gerencial, o caso tira os alunos de sua zona de conforto e exige um posicionamento acerca de um problema. Isto os leva a buscar parâmetros, analisando cenários possíveis e avaliando o portfólio de experiências já vivenciadas. Este processo objetiva alcançar um diferencial. A próxima etapa do método de caso consiste na discussão em grupo.