Chapter 3: ANALYSIS OF HEART OF DARKNESS
3.3 Passage B
3.3.2 Correspondences between the linguistic and literary analysis of passage B
Em relação aos obstáculos à reflexão, vale fazer uma comparação entre o que apresenta a literatura sobre o tema e o que os alunos reconhecem como obstáculos ou fatores que
dificultam o processo reflexivo. Dentre os obstáculos expostos na literatura, os discentes reconhecem apenas os Estilos de Aprendizagem Individuais (que emergem nos discursos como “teimosia”, “pressa” e “impulsividade”), as Experiências Anteriores (identificados nos discursos como “falta de parâmetro” e a “falta de conhecimento”), Tempo (representado por “correria”), Pressões de demanda (correspondentes a “stress” e “rotina”), e Atenção à Reflexão (relacionado a “barulho”, “movimentação”, “interrupções” e “ruídos”). Os obstáculos Sentimento de vulnerabilidade perante o grupo, Consideração da reflexão como irrelevante, Marginalização dos indivíduos questionadores, Estrutura de papéis e Relações de poder não foram identificados pelos alunos como empecilhos à reflexão, o que pode ser explicado pela pouca experiência dos discentes, levando-os a não vivenciar a maioria das situações expostas na literatura.
Quanto aos estilos de aprendizagem, observou-se que a turma dos alunos entrevistados apresentava perfis predominantes entre Assimilador e Convergente, de acordo com a proposta de Kolb (1984). Estes estilos proporcionam respectivamente uma forte habilidade em apreender informações abstratas e encontrar aplicabilidade para elas, e resolução de problemas e tomada de decisão. Não se engajam em problematização, preferindo leituras ou modelos analíticos e simulações, respectivamente, a trabalhar com pessoas. Daí os traços de teimosia, pressa e impulsividade tornarem-se obstáculos percebidos na relação entre o indivíduo e a tarefa a ser executada. AVII.3 apresenta este traço de personalidade como uma característica que dificulta o seu processo de reflexão: “sou muito cabeça dura e quando tenho uma opinião eu vou naquela opinião mesmo”. Para Raelin (2002), reduzir a teimosia requer a criação de uma “cultura reflexiva”, que torna possível as pessoas desafiarem o pensamento dominante sem medo de sofrerem retaliações.
A pressa e a impulsividade na execução das atividades são apontadas por AVIII.3 quando afirma que “impulsividade, a pressa de resolver logo as coisas...” está relacionada às perspectivas de Raelin (2002) e Mintzberg (2006; 2010), ao apontarem que os gestores estão mais direcionados à ação do que à reflexão, ou buscam mais solucionar problemas do que compreendê-los de forma ampla e profunda.
Com relação às experiências anteriores, deve-se considerar o contexto dos entrevistados. Em sua maioria, estes discentes são concluintes do curso, com idade entre 19 e 24 anos e pouca experiência gerencial. Neste sentido, a falta de experiências prévias torna-se um obstáculo, conforme observado na afirmativa de AV.3 “quando não tenho vivido nada que
eu possa comparar com o fato que está sendo presenciado” e AI.4, gerando falta de conhecimento e parametrização. Se os alunos entendem a reflexão como um processo de
exame das experiências para alterar quadros de referências, conforme já fora dito e de acordo com a perspectiva de Hoyrup (2004), é natural que a pouca experiência vivida dificulte o processo de inserção na reflexão. Inseri-los no contexto da prática gerencial, mesmo que por meio da simulação, torna-se assim um fator significativo na construção de um portfólio de experiências que os levem a relacionar as experiências anteriores aos dilemas enfrentados no sentido de melhorar os processos de tomada de decisão.
O obstáculo tempo, dentre outros, emerge da fala de AI.4 “stress, correria, alguns
ruídos também de comunicação... a falta de conhecimento sobre o assunto... você acaba não
refletindo sobre aquilo, porque você não tem uma referência”, e está relacionado à própria
dinâmica do mundo profissional, que requer ações rápidas e sequenciais, em detrimento da reflexão. Mintzberg (2010) explora o tema no contexto gerencial, demonstrando que a brevidade e a fragmentação são algumas das principais características do cotidiano do gestor. Silva e Silva (2011) também identificaram em seu estudo com gestores de ONGs o tempo e o ritmo de trabalho como fatores que dificultam a reflexão dos gestores.
Os fatores tempo e ritmo de trabalho também podem se associar a outros apontados por AI.4, como stress e rotina. AII.3 também afirma que “o dia a dia corrido... o stress do dia a dia (...) as próprias atividades do cotidiano, a rotina em si” retardam o processo reflexivo. Estes discursos dos alunos se relacionam ao obstáculo Pressões de Demanda exposto por Marquadt et al. (2009), fazendo com que os indivíduos por vezes tomem as decisões mais fáceis e que gerem menos conflito.
Hatton e Smith (1995) e Daudelin (1996) expõem que a falta de atenção pode gerar déficit no potencial reflexivo. Os discentes expuseram que a reflexão necessita de estímulo, mas também consideraram que o ambiente por vezes pode gerar obstáculos, tais como “barulho, movimentação, interrupções sequenciais (...) rotina” (AIV.3). Estes obstáculos dificultam aos alunos manterem a atenção sobre a reflexão, fazendo com que tomem decisões automáticas e de forma impulsiva.
A Figura 27 apresenta a forma como os obstáculos à reflexão se caracterizam. Entende- se que há uma separação entre a Ação não-reflexiva e a Reflexão. Esta separação pode se dar pela existência de variáveis individuais, ambientais, ou inerentes à tarefa, todas estas se influenciando mutuamente.
Figura 14 – Obstáculos à reflexão sob a perspectiva dos discentes
Fonte: Elaboração própria (2013).
As variáveis individuais podem ser (a) impulsividade, levando a uma decisão rápida e pouco fundamentada em informação; (b) teimosia, fazendo com que o indivíduo se feche às opiniões diversas e insista numa decisão; (c) falta de conhecimento prévio, que dificulta a compreensão dos problemas e suas resoluções; (d) falta de parâmetros para comparação e compreensão dos impactos da decisão.
Em relação às variáveis relacionadas à tarefa estão (a) correria, entendida como a necessidade de tomar decisões sequenciais que impedem de pensar ou voltar para reorganizar a prática; (b) stress, fazendo com que os indivíduos busquem “se livrar dos problemas”; (c) pressa, estimulando decisões e ações impulsivas; (d) rotina, que se relacionada à dificuldade de pensar diferente, gerando interpretações e decisões automáticas.
Sobre o ambiente as variáveis destacadas foram: (a) barulho, compreendendo que ambientes silenciosos possibilitam maior introspecção; (b) ruídos, gerando dificuldades de compreensão sobre os problemas; (c) interrupções, fazendo com que os indivíduos se atenham a mais de um problema ao mesmo tempo; (d) movimentação, que pode desviar o foco da atividade em curso. Os discentes consideram também que o processo de reflexão pode ser facilitado de diferentes formas, conforme se discute na próxima seção.