Modelo de Análise
Para analisar o potencial estratégico de um ator deparamo-nos com uma variedade de autores que apresentam modelos diferentes, com fatores a analisar também diferentes.
É necessário escolher um modelo de ação tendo em conta a combinação dos fatores de decisão, segundo os princípios estratégicos da importância do objetivo, da economia de esforço e da liberdade de ação, que em conjunto permitem uma avaliação objetiva das possibilidades próprias e dos contrários num determinado contexto estratégico. Ao escolher uma modalidade de ação, o decisor procura articular os fatores de decisão (objetivos, meios e meios de coação, tempo e contrário), com objetivo de alcançar vantagens estratégicas e afetar o centro de gravidade do contrário, de forma que as suas ações não tenham sucesso (Ribeiro, A. S., 3ª aula).
Estes modelos de estudos estratégicos não são universais, variam com as circunstâncias e o tempo das diferentes características étnicas de uma nação, mas no entanto mostram-nos as potencialidades e vulnerabilidades materiais relativas dos atores.
As modalidades gerais de ação existentes são nomeadamente a ameaça direta, ameaça indireta, pressão indireta, ações sucessivas, ações militar de aniquilamento, ação militar de atrito, ação indireta de neutralização (Couto, 1988, pp. 296-302).
Na ameaça direta, se dispusermos de meios materiais poderosos, liberdade de ação e objetivo modestos, a simples ameaça de empregarmos os nossos meios, fará com que o adversário mantenha o statu quo, uma vez que nos apresentamos numa posição de vantagem e o adversário não empenhará esforços para mudar a situação.
A ameaça indireta acontece se a relação de força for desfavorável. A manutenção do
statu quo requer suficiente liberdade de ação para recorrer à diplomacia e à ação psicológica,
ou mesmo procurar apoio dos aliados, de forma a levar o adversário a renunciar, devido à intervenção de uma força aliada.
Na pressão indireta, se tivermos meios favoráveis, objetivo modesto e liberdade de ação reduzida, a melhor maneira de atingir o objetivo será recorrer a manobras que visam desequilibrar ou desgastar o adversário, com ações desleais de forma a enfraquecer as suas formas morais e leva-lo a aceitar a nossa condição.
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Ações sucessivas acontecem, quando dispomos de meios poderosos, temos um objetivo importante e liberdade de ação restrita. A manobra desta modalidade de ação consistirá numa série de ações sucessivas aparentemente modestas, entrecortadas por pausas, que combinam a ameaça direta, a pressão indireta e ações militares rápidas, mas limitadas.
A lassidão acontece se dispusermos de meios muito inferiores, liberdade de ação limitada e objetivos muito importantes. Nesta situação teremos de articular adequadamente as manobras, de forma a desgastar as forças morais do adversário.
A ação militar de aniquilamento acontece quando possuímos relações de forças favoráveis, em que os meios militares são poderosos, o objetivo é importante e a liberdade de ação é suficiente. Deste modo, a ação deve ser mais rápida possível, de forma a não proporcionar ao adversário o tempo de reagir.
Na ação militar de atrito se houver relação de forças desfavoráveis, dispondo de objetivo importante, meios militares e liberdade de ação suficientes, a melhor manobra é elaborar uma tática adequada, que combine ações de flagelação, evitar batalha e desgastar o inimigo material e psicologicamente. Procura-se que a ação seja de duração considerável.
A Ação indireta de neutralização é uma modalidade propícia, quando dispomos de meios inferiores aos do adversário, objetivos importantes ou secundários e liberdade de ação suficiente ou reduzida. Para reverter a situação a nosso favor devemos recorrer às atuações clandestinas e insidiosas, com vista a ocupar o centro de gravidade do adversário (Couto, 1988, pp. 296-302).
Couto propõe modelo da ação estratégica a nível integral, na qual estão presentes os modelos clássicos atrás referidos. Este modelo evidencia a importância da harmonia entre os princípios da estratégia na utilização dos fatores de decisão (objetivo, meios, meio, tempo, contrário), realça o carácter e a originalidade do raciocínio estratégico e permite perceber a diversidade de soluções possíveis para atuações estratégicas, em que a estratégia deve ser um método de pensamento que permite classificar e hierarquizar os acontecimentos e depois escolher os procedimentos mais eficazes, pois em cada situação implementamos uma estratégia específica. A interação estratégica entre os contrários altera os fatores de decisão, modificando as suas relações de força (Ribeiro, 2009, pp. 227-235).
Para avaliarmos o potencial de um ator, é necessário ter em conta os fatores que determinam a sua potencialidade e a vulnerabilidade. Os fatores a serem analisados variam com o tempo e determinam as possibilidades do sucesso estratégico. Deste modo, vários
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autores apresentam diferentes números e natureza de fatores, para estudar o potencial estratégico.
Spykman apresenta dez factores (superfície do território, natureza das fronteiras, volume da população, matéria prima disponíveis, desenvolvimento económico e tecnológico, capacidade financeira, homogeneidade étnica, grau de integração social, estabilidade política e espirito nacional).
Morgenthau apresenta oito fatores (geografia, recursos naturais, capacidade industrial, estado de preparação militar, população, carater nacional e qualidade da diplomacia).
Steinmetz considera também oito fatores (população, dimensão do território, riquezas, instituições politicas, qualidade da chefia, unidade e coesão nacionais, prestigio e amizade no estrangeiro e qualidades morais).
Fischer apresenta três categorias de fatores (politico, económico e psicológico)
R. Aron apresenta os seguintes fatores a serem analisados: meio, recursos e a capacidade de ação coletiva (Couto, 1988, pp. 254-256).
Optámos pelo modelo do estudo do potencial estratégico proposto por Couto, por ser um modelo mais completo e pode ser adaptado em cada caso particular, em função dos elementos de informação disponíveis, da psicologia do autor que realiza o estudo, do grau do desenvolvimento do território e da finalidade do estudo (Couto, 1988, p. 257). Este modelo de estudo apresenta os nove fatores a serem analisados, que indicamos na tabela abaixo.
Tabela 2. Fatores do potencial estratégico e seus parâmetros
Fatores Parâmetros
Físico
Definição: É o fator estável do potencial estratégico, em que estudamos as características do território e analisamos o meio envolvente.
Território
Mar
Ar e clima
Humano
Definição: Características da população
Quantidade
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e do seu modo de vida. Características físicas, morais e
intelectuais
Recursos naturais e comunicações
Definição: Avaliação dos meios disponíveis.
Recursos naturais Comunicações
Histórico
Definição: Dinâmica histórica da
conquista e manutenção da
independência.
Objetivos históricos e sua evolução Principais guerras e disputas
Linhas de força históricas da política externa
Económico
Definição: Análise da gestão dos recursos e dos seus resultados.
Características gerais Sector primário Sector secundário Sector terciário Organização financeira População ativa
Coordenação geral da economia
Sociocultural
Definição: Características das atitudes, crenças e modo de vida da população.
Estrutura social
Religião
Educação
Saúde
Segurança e bem-estar social
Trabalho
Comunicação social
Comportamento/atitudes da população
Científico-tecnológico
Definição: Avaliação da capacidade de
Papel do Estado
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investigação científica. Política governamental: principais
objetivos e perspetivas de consecução
Político-administrativo
Definição: Análise da organização dos órgãos de decisão.
Sistema político
Organização político-administrativa
Sistema judicial
Organização geral da defesa nacional Ordem pública e segurança interna Dinâmica política
Política interna
Política externa
Militar
Definição: Avaliação dos meios militares.
Bases institucionais
Características gerais do serviço militar
Missões gerais Organização
Meios
Sistemas operacionais permanentes
Sistemas de recrutamento
Sistemas de convocação e de mobilização militar
Logística
Meios financeiros afetados às forças armadas
Mobilidade estratégica Acordos e alianças militares
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