3 Teoretisk støtte og enkelte begrepsavklaringer
4.6 Fortellinger fra HFene – de lokale heltene
3 Dos primeiros anos até sua missão no Brasil: o mundo de Simonton
Ashbel Green Simonton nasceu em West Hanover, Pensilvânia, Estados Unidos, em 20 de janeiro de 1833, numa família de origem escocesa-irlandesa. Foi criado como presbiteriano desde a infância. Seu nome é uma homenagem a um dos professores de Princeton, Ashbel Green.59 Com a morte do pai e do avô materno em 1846, sua família mudou-se para Harrisburg, capital do estado, onde Ashbel concluiu os estudos secundários. Aos 19 anos, viajou por vários estados em busca de experiência na área de ensino, dirigindo por um ano e meio uma academia para meninos (MATOS, 2004, p.23). Escreveu um diário, com detalhes da viagem e seus dilemas interiores. Nele, também aborda assuntos políticos, como as tensões entre o norte e o sul do seu país60.
A Pensilvânia da época de Simonton não era formada apenas por presbiterianos, mas por outras denominações, graças à liberdade de culto, famosa nesse estado americano61.
Entre os 1 milhão e 300 mil habitantes na década de 1830 [...] , além dos quacres, havia luteranos, moravianos, menonitas, batistas, metodistas, presbiterianos e até os amish (anabatistas que fazem questão de manter costumes conservadores, abrindo mão inclusive de equipamentos eletrônicos). (CÉSAR, 2009, p.16).
Como em seu tempo a Igreja Presbiteriana achava-se dividida doutrinariamente (entre os de pensamento puritano e aqueles com tendências mais liberais), é necessário pesquisar as raízes e desdobramentos dos movimentos que causaram essa divisão, bem como seu poder formativo na sociedade americana da época e, consequentemente, na vida do próprio Simonton62.
59 O Rev. Ashbel Green, “serviu à Segunda Igreja Presbiteriana da Filadélfia, fundada pelo reavivalista Gilbert
Tennent, de 1787 a 1812, quando se tornou presidente do Princeton College. Neste mesmo ano, foi eleito presidente do corpo de diretores do seminário, posição que manteve até sua morte.” (NOLL, 1979, p. 73, tradução nossa).
60 Este trabalho utilizará a 2ª. edição deste diário, de 2002, da Editora Cultura Cristã.
61 Desde o tempo da Revolução Americana, nas colônias centrais (Nova York, Nova Jersey, Pensilvânia e Delaware)
“a diversidade religiosa tinha se tornado uma das características mais distintivas e, de fato, um componente maior da vida colonial em toda parte.” (BUTLER; WACKER; BALMER, 2008, p. 73, tradução nossa). Nesse período, essas colônias “nunca instituíram sistemas de tributação religiosa nem reconheceram oficialmente qualquer igreja.” (GREEN, 2010, p. 26, tradução nossa). Porém, não havia equilíbrio absoluto. “Nos Estados Unidos os católicos raramente desfrutaram as mesmas liberdades que os protestantes. Nos tempos coloniais, mesmo a Pensilvânia, que se orgulhava de seu alto grau de tolerância religiosa, proibia os católicos de votar, ocupar cargos públicos ou celebrar a missa em público.” (BUTLER; WACKER; BALMER, 2008, p. 253, tradução nossa).
62 Embora tenha estudado em Princeton, reduto do conservadorismo presbiteriano, Simonton apresentará “certa
ambiguidade de pensamento e de ação, refletindo a situação de tensão vigente nos círculos presbiterianos até bem depois de ter ele deixado o seminário.” (MENDONÇA, 2008, p.272).
3.1 Pietismo
O entendimento geral sobre o Pietismo é o de que o movimento foi uma espécie de interlúdio entre a Reforma e o fermento teológico do século dezenove, que renovou espiritualmente as igrejas. Apesar da sua natureza aparentemente difusa63, é possível descrever o movimento historicamente, abordando biograficamente seus principais representantes64.
O objetivo do Pietismo alemão, surgido no coração da ortodoxia luterana alemã, era promover um retorno às raízes cristãs. Spener65, fundador do movimento, baseava a justificação dos seus esforços por uma reforma na igreja luterana na queixa de que a Reforma protestante do século 16 não tinha sido completada; entendia que a ênfase fora posta em demasia sobre pureza doutrinária e não suficientemente sobre a pureza de vida, “o que tinha levado muitas pessoas, que viviam em pecado consciente, a depender dos méritos de Cristo para a salvação.” (NAGLER, 1918, p. 18, tradução nossa).
O remédio proposto por Spener foi “uma recuperação da ‘simplicidade apostólica’ e preocupação com uma fé ativa (a fides quae creditur), em contraste com os artigos de fé (os fide quae creditur).” (WELCH, 1972, p. 23, tradução nossa). Seus esforços se concentraram sobre um livro, a Bíblia, e sobre uma forma principal de organização, os collegia pietatis (sociedades pietistas), “centros de estudo bíblico devocional e cultivo da vida religiosa interior.” (WELCH, 1972, p. 23, tradução nossa). Mesmo sendo a favor do aspecto comunitário, era muito importante a “apropriação pessoal da fé e a necessidade de santidade na vida cristã” (McGRATH, 2005, p. 657), bem como “o culto privado, pessoal da família, e os cultos comunitários, que não dependem dos ministros ordenados e nem de templos.” (MENDONÇA, 2008, p. 109).
Além de Spener, outra figura importante no movimento foi August Francke (1663-1727), professor da Universidade de Leipzig. Influenciado por Spener,
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Pode-se afirmar que, sob o termo Pietismo, podem-se abrigar todos os avivamentos religiosos dos séculos 18 e 19. Nagler observa que, “mesmo a palavra Hassidismo [corrente do Judaísmo], literalmente traduzida, significa Pietismo; e a Igreja Católica Romana teve sua própria forma de Pietismo nas propagandas Jansenistas e Quietistas. Uma onda reformista sob Ricci e Liguori afetou profundamente a Itália. Até mesmo a Espanha registrou purificação eclesiástica.” (NAGLER, 1918, p. 12, tradução nossa).
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Nagler defende que o Pietismo alemão não foi uma criação arbitrária de um homem ou mesmo de um grupo, já que inúmeras agências estavam envolvidas no processo. Porém, destaca que seus principais representantes foram necessários para dar fôlego ao movimento (NAGLER, 1918, p. 14).
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[...] organizou o paedagogium, uma escola elementar livre para crianças pobres, em 1695, e dois anos depois, uma escola secundária. Fundou também um orfanato e influenciou na criação de um instituto bíblico, fundado por um grande amigo, para publicar e distribuir exemplares da Bíblia. (CAIRNS, 1988, p. 327).
Apesar dos atritos com a ordem luterana vigente, “o movimento tinha, antes da morte de Francke, tornado-se a força dominante na vida religiosa germânica, exercendo suas influências especialmente através da Universidade de Halle.” (WELCH, 1972, p. 24, tradução nossa).
Outro pietista influente foi Nicholas Zinzendorf (1700-1760). Nascido em Dresden, Saxônia, descendente da nobreza austríaca. Desde os 10 anos, estudou no Paedagogium, de Francke. Mais tarde, em uma de suas viagens, em Dusseldorf, viu a pintura “Ecce Homo,” de Dominico Feti (Cristo coroado entre espinhos) com as palavras: “Tudo isto fiz por ti. O que fazes tu por mim?” “Essa experiência causou uma impressão indelével no jovem conde, que reforçou a sua decisão de viver para Cristo” (SCHALKWIJK, 2000, p. 9).
Outro evento decisivo em sua vida foi a chegada de refugiados protestantes da Morávia, região central da moderna República Tcheca. Aos 22 anos, ele adquiriu a vila de Berthelsdorf - mais tarde conhecida como “Herrnhut” (Refúgio do Senhor). Ele os acolheu, instalou seu amigo Johann Rothe como pastor e prometeu-lhes ajuda para transformar o lugar numa comunidade cristã. Logo, Herrnhut “tornou-se uma vibrante colônia pietista, atraindo peregrinos espirituais de toda a Alemanha.” (VOGT, 2005, p.208, tradução nossa).
Nos anos seguintes, o conde viajou em busca de mantenedores na Alemanha e outros países europeus. Herrnhut desenvolveu uma cultura missionária, enviando obreiros a todas as partes do mundo. Em 1731, a comunidade enviou mais missionários ao exterior do que todas as outras igrejas protestantes nos primeiro duzentos anos de sua existência. Em breve, “a Igreja Moravia no campo missionário seria maior do que a própria igreja mãe.” (SCHALKWIJK, 2000, p.14).
A importância dos Morávios para história do protestantismo foi grande. “Sua preocupação com a unidade Cristã, missões e evangelização atraiu grande atenção entre seus contemporâneos” (VOGT, 2005, p.220, tradução nossa) 66. Também influenciaram decisivamente a vida de John Wesley, especialmente nos eventos que acompanharam o seu despertamento espiritual.
66 O entendimento missionário talvez tenha sido a maior contribuição do Pietismo à sua época. “A ortodoxia entendia
que as nações não cristãs estavam perdidas, porque já haviam recebido a pregação apostólica imediatamente depois da fundação da igreja e a rejeitaram.” (TILLICH, 2004, p. 279). A Universidade de Halle tornou-se um centro de esforço missionário. “Um trabalho pioneiro foi começado na África e nas ilhas do Pacífico por missionários de Halle.” (CAIRNS, 1988, p. 328). Além de Halle, “Homens como Zinzendorf e Wesley olharam para a América enquanto a ortodoxia se confinava às próprias igrejas territoriais.” (TILLICH, 2004, p. 280).
3.1.2 Pietismo na Inglaterra
É possível afirmar que a igreja moraviana lançou as raízes do que seria conhecido como o movimento Metodista, fundado por John Wesley (1703-1791) e que tanta influência trouxe para as comunidades de fala inglesa (KER, 1888, p. 237).
Tendo estudado em Oxford com vistas ao pastorado anglicano, Wesley enfrentou problemas por unir-se a pessoas de classes diferentes, como George Whitefield (1714-1770). Junto com este e seu irmão, Charles, fundaram o chamado “Clube Santo”, semelhante a um grupo pietista, tendo sido criticados por isso. Após sua ordenação, John foi enviado para a Geórgia como missionário entre os colonos ingleses. “Na viagem marítima de travessia do Atlântico, uma tempestade quase afundou o navio e Wesley ficou profundamente perturbado com seu próprio medo da morte diante da calma e da serenidade de um grupo de pietistas Morávios.” (OLSON, 2001, p. 522). Em seu breve pastorado em Savannah, estado da Geórgia, em 1735, não obteve sucesso. Mas foi lá que encontrou uma comunidade moraviana, estabelecida um ano antes de sua chegada. Lá, Wesley e os Morávios “viveram em termos íntimos. Duas ou três vezes por dia, eles se encontravam para orar, adorar, e para conversação religiosa. De acordo com Wesley, ele ‘abriu- se’ ‘sem reserva’.” (DREYER, 1999, p. 25, tradução nossa). Quando retornou à Inglaterra, em 1738, “Wesley estava determinado a preservar a conexão.” (DREYER, 1999, p. 26, tradução nossa).
Em 24 de maio de 1738, o jovem ministro anglicano participou de uma reunião religiosa em um salão alugado na Rua Aldersgate, em Londres. Os estudiosos acreditam que se tratava de uma reunião de morávios. Ali, conta Wesley, enquanto escutava alguém ler em voz alta o prefácio de Lutero ao Comentário sobre a epístola aos romanos escrito por ele, sentiu o despertar religioso que tanto ansiava: “Senti meu coração se aquecer como nunca antes. Senti que confiava de fato em Cristo, e somente nele, para a minha salvação; e tive a certeza de que ele havia assumido meus pecados, sim, até os meus pecados, e me salvado da lei do pecado e da morte.” (OLSON, 2001, p. 523) 67.
Seu primeiro impulso depois disso foi espalhar as novas de sua experiência, numa campanha evangelística junto com o seu amigo Whitefield68 e seu irmão, Charles, que impactou
67 Apesar da sua importância, o valor desse momento não deve ser exagerado. “Outras raízes eram importantes,
remontando ao menos à ‘conversão’ muito anterior de Wesley em Oxford, sob a influência de Rules and Exercises of Holy Living and Dying, de Jeremy Taylor, Christian Patterns, de Thomas A. Kempis e Christian Perfection e Serious Call, de William Law. Bem antes das influências específicas moravianas, o conceito da natureza da fé de Wesley e a necessidade de segurança interior tinham sido moldados.” (WELCH, 1972, p. 24, tradução nossa).
68 A amizade, no entanto, duraria pouco. Wesley seguia as ideias de Arminius (1560–1609), um teólogo holandês
“acima de meio milhão de pessoas na Grã-Bretanha entre 1740 e 1840” (KNIGHT; MASON, 2006, p.31, tradução nossa). Passou a pregar fora dos templos, alcançando milhares de operários ingleses. “Fugindo do ‘clericalismo’ anglicano, Wesley permitiu a participação de pregadores leigos, entre os quais Nelson, um pedreiro.” (CAMPOS JR., 1995, p. 13) 69.
Para Dreyer, os Metodistas procuraram reproduzir na Inglaterra o que os Morávios fizeram na Alemanha. Em suas origens, os Irmãos Morávios antecedem os Metodistas apenas em treze anos, e a influência de Zinzendorf na liderança dos Irmãos “corresponde à influência de Wesley no Metodismo.” (DREYER, 1999, p. 23, tradução nossa).
Wesley deu origem a um movimento que tinha muitos pontos em comum com o dos irmãos Morávios, como as vigílias, as festas do amor, a ideia de que toda a Igreja é uma sociedade missionária e o espírito do canto cristão, tão notável nas comunidades Metodistas. Tanto John como Charles Wesley “foram levados pelos Moravianos a explorar os tesouros dos hinos alemães, alguns dos quais eles traduziram, além de fazer uma transfusão do seu espírito geral para suas composições.” (KER, 1888, p. 237, 238, tradução nossa).
3.1.3 Metodismo na América
Depois de conflitos com os anglicanos, Wesley e outros ingleses migraram para a América do século 18. O Grande Despertamento (1739-1745) 70, ocorrido nos Estados Unidos nesse tempo, “estava diretamente ligado aos movimentos britânicos por meio da obra de Whitefield (que fez sete viagens às colônias) e ao grupo Wesleyano” (WELCH, 1972, p. 26, tradução nossa).
com o livre-arbítrio humano. Jesus morreu por todos e não apenas pelos eleitos e assim, em sua opinião, a doutrina da predestinação era contrária à Escritura.” (WILSON, 2011, p.60, tradução nossa). Para Whitefield, calvinista, isso era uma heresia. Por isso, ele e seu pequeno grupo “separaram-se do grupo principal que seguia Wesley em seus ensinos a respeito do livre-arbítrio e da graça resistível. Whitefield, em sua viagem evangelística pelas colônias, tornou-se amigo íntimo de Jonathan Edwards [calvinista], ao passo que os irmãos Wesley se aproximaram mais da teologia sinergista de Zinzendorf e dos pietistas alemães e escandinavos.” (OLSON, 2001, p.522).
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Para Paul Langford, “parte da mágica do Metodismo é que ele não apenas afirma a segurança da redenção a homens de nascimento e educação modestos, mas permite que eles ofereçam a mesma segurança a outros.” (KNIGHT; MASON, 2006, p.32, tradução nossa).
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Grande Despertamento (ou Grande Avivamento), “é um termo usado para descrever uma explosão significativa de sentimento religioso entusiástico que varreu as colônias nos anos de 1740 e continuou a exercer influência na cultura colonial até por volta da era Revolucionária. Suas raízes e substância são ambas complexas e variadas entre as diferentes regiões da América colonial, mas sua conseqüência foi de grande alcance nas mudanças que trouxe para a religião americana.” (FINDLING; THACKERAY, 2011, p. 45, tradução nossa).
Já no princípio do século 18, “a efervescência religiosa e o puritanismo tinham declinado muito nas colônias.” (MENDONÇA, 2008, p. 82). Politicamente, os Estados Unidos estavam divididos entre norte e sul. O norte era industrializado, enquanto o sul era agrícola e escravagista (RÉMOND, 1989, p.55-56). Essas diferenças naturalmente “vão se refletir no tipo de Igreja que se desenvolve: os grupos brancos do Sul separam-se dos negros.” (CAMPOS JR., 1995, p. 13). A religião dos brancos era mais racional, enquanto que na religião dos negros, “a espontaneidade, o ‘improviso’, tomou dimensões marcantes.” (CAMPOS JR., 1995, p.16). Além disso, houve também forte declínio da condição moral. Nesse tempo, era conhecido o problema do alcoolismo, mormente entre pastores. “Portanto, não é de estranhar que algumas pessoas reconhecessem que a igreja precisava ser purificada [...]” (SCHALKWIJK, 1997, p. 62).
O primeiro Grande Despertamento contou com a participação da tradição puritana por meio de nomes como Gilbert Tennent, George Whitefield e, especialmente, Jonathan Edwards71. Em poucos anos, esse movimento causou um impacto não apenas na vida pessoal dos envolvidos. Houve do fortalecimento das famílias, a educação também foi afetada. “Universidades, como Princeton, Columbia, Hampden-Sydney, foram criadas para formar ministros para as muitas congregações que surgiam.” (CAIRNS, 1995, p. 317, 318).
Contudo, aos poucos, a pregação segundo o modelo calvinista foi sendo vista como um inibidor do impulso americano inicial de conquistar uma terra cheia de oportunidades econômicas e sociais, que seriam aproveitadas na medida do desempenho de cada indivíduo.72
Desse modo, uma religião montada sobre o velho calvinismo era pouco viável, pois que suas doutrinas da soberania absoluta de Deus e da total incapacidade do homem chocavam-se contra o princípio do desempenho, assim como o da eleição contra o
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Pelo menos desde 1620, sob a pregação do ministro Reformado holandês Theodore Frelinghuysen, já se percebia sinais de avivamento religioso nas colônias americanas. Mas o movimento começou a ganhar força entre os Presbiterianos durante os anos de 1640, com o ministério de Gilbert Tennent em New Brunswick, Nova Jersey. Junto com seu pai (William Tennet) e seus três irmãos, todos eles ministros presbiterianos, “tornaram-se figuras principais no despertamento quando ele se espalhou através de Nova York, Pensilvânia e Nova Jersey.” (PASTOOR; JOHNSON, 2009, p.140, tradução nossa). Esse movimento espiritual “levou ao estabelecimento de um número de escolas, incluindo Princeton, Brown, Rutgers e Dartmouth. Também ... inspirou muitos indivíduos a devotarem-se à obra de missão nas colônias do sul e entre os nativos americanos.” (PASTOOR; JOHNSON, 2009, p. 141, tradução nossa). O primeiro Grande Despertamento “começou na terceira década do século XVIII e foi até a Guerra da Independência.” (MENDONÇA, 2008, p. 87). No entanto, “os primeiros grandes rumores de avivamento a atrair atenção internacional vieram de Connecticut River Valley em 1734. O centro da atividade avivalista era Northampton, onde o brilhante neto de Solomon Stoddard, Jonathan Edwards, pregou uma série de sermões de conversão que trouxe mais de trezentos novos convertidos à membresia plena em um ano.” (STOUT, 1986, p.188, tradução nossa).
72 Esses problemas foram sentidos dentro da própria igreja Presbiteriana da época, epicentro do primeiro
Despertamento. Sobre esse assunto, ver Bonomi, Patrícia U. Under the cope of heaven – Religion, society, and politics in colonial America. Oxford: Oxford University Press, 2003, p. 133-152.
princípio do voluntarismo. Também o elitismo calvinista repugnava o igualitarismo. Ainda, as idéias filosóficas evolucionistas reforçavam o crédito na capacidade de aperfeiçoamento e progresso do indivíduo e da sociedade. Não havia como fugir a uma reformulação teológica, reformulação essa que teve como matriz o arminianismo metodista. (MENDONÇA, 2008, p. 87) 73.
A morte de Edwards, em 1758, marca o fim do primeiro Grande Despertamento. Nas décadas seguintes, há nova queda do fervor religioso. É nesse período que o metodismo penetra oficialmente na América,74 “com sua ênfase mais na conversão do que no batismo, mais na experiência religiosa do que simplesmente pertencer a uma instituição eclesiástica.” (MENDONÇA, 2008, p. 84,85).
O Segundo Grande Despertamento, que se espalhou pelo país depois de 1800, tinha forte ênfase metodista75, e consolidou o pluralismo e a tolerância como parte da tradição religiosa americana (MURRIN, 1990, p.25).
Com o tempo, as tensões internas na nação aumentaram e desembocaram na Guerra da Secessão (1861-1865) 76. Em meio a esse clima, experiências mais profundas começaram a ser estimuladas e buscadas. Segundo Mendonça,
as décadas de 1850 testemunharam uma crescente maré de pregações perfeccionista, nas maiores denominações protestantes. Para os campeões do perfeccionismo, o reavivamento de 1858 pareceu o presságio da conversão das nações e o estabelecimento
73 “Quaisquer que sejam as contribuições cristãs positivas neste ponto, permanece o fato de que uma visão da
autonomia humana absolutamente anti-calvinista foi um dos principais fatores que ocuparam o centro da teoria política americana primitiva e, muito em breve, tornou-se uma idéia dominante.” (MARSDEN, 1990, p.311).
74 Por volta de 1763, o metodista e imigrante irlandês John Strawbridge radicou-se em Maryland e deu início a um
ministério de pregação itinerante. (HEMPTON, 2005, p. 219). Em 1760, Philip e Margaret Embury e Paul e Barbara Heck, refugiados protestantes que abraçaram o Metodismo antes de chegarem a Nova York, foram fundamentais “para estabelecer uma sociedade metodista e construir a primeira capela metodista da América.” (HEMPTON, 2005, p. 20, tradução nossa). Logo depois disso, eles foram ajudados por um veterano militar inglês, o capitão Thomas Webb (GOSS, 1866, p. 41). Ele assumiu a causa e então organizou sociedades metodistas “com eficiência militar nas colônias do Meio Atlântico nos anos de 1760.” (HEMPTON, 2005, p. 20, tradução nossa).
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Por volta dos anos de 1820, “Batistas e Metodistas disputavam pela maior membresia eclesiástica nos Estados Unidos, uma competição que os Metodistas venceriam por uma margem apertada antes da Guerra Civil.” (MURRIN, 1990, p.25, tradução nossa).
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A Guerra Civil Americana foi travada “por um complexo de razões, mas principalmente a necessidade de Abraham Lincoln de manter a União como um todo, contra as alegações do Sul ao direito de secessão. ‘Meu objetivo supremo nesta luta é salvar a União’, afirmou o Presidente a Horace Greeley, o influente editor abolicionista do New York Tribune, em Agosto de 1862: ‘não é nem salvar nem destruir a Escravidão. Se eu pudesse salvar a União sem libertar nenhum escravo eu o faria; e se eu pudesse salvá-la libertando alguns e deixando outros sem nada eu também faria isso.’” (RULAND; BRADBURY, 1991, p.181,182, tradução nossa). De modo prático, o que precipitou a guerra civil “foi o próprio dinamismo dos Estados Unidos, mormente sua expansão territorial e seu crescimento econômico, que colocou a questão da escravatura no centro da vida política, tornando periodicamente caduco o equilíbrio provisório instaurado à custa de acomodamentos entre Estados livres e Estados escravocratas. Norte e Sul entregaram-se a uma acerba competição em que o Oeste estava em jogo. O Sul tinha necessidade dessas terras novas para ampliar o reino do algodão, cuja cultura extenuava o solo [...] Foi então a vez do Norte temer por suas próprias instituições. A introdução da escravatura nos novos Estados seria, em curto prazo, a expulsão dos agricultores livres.” (RÉMOND, 1989, p.59,60).
do Reino de Deus na Terra. A idéia expandiu-se entre protestantes americanos durante e depois da Guerra Civil [...] (MENDONÇA, 1995, p. 58).
Simonton estava em meio a essa “maré” quando escreveu em seu diário (17/03/1856), durante seus estudos no seminário de Princeton: