• No results found

Neste tópico, serão estudadas, da coletânea de Blackford, algumas metáforas encontradas em sermões de Simonton e sua função no discurso. Identifico como sermões desse teor os de número 1 (“Entrai pela porta estreita”), 2 (“O viver é Cristo”), 6 (“Bartimeu, o cego”), 18 (“O tesouro escondido”) e 20 (“A paz: o legado de Cristo”). Abaixo, segue uma tabela dos sermões com as metáforas predominantes em cada um.

Sermão Metáfora

1. Entrai pela porta estreita (Mateus 7.13,14) O Peregrino

2. O viver é Cristo (Filipenses 1.21) O Alvo

6. Bartimeu, o cego (Lucas 18.35-43 e Mc 10.46-52) Cegueira e vista

18. O tesouro escondido (Mateus 13.44-46) O tesouro

20. A paz: o legado de Cristo (João 14.27) A herança

As figuras usadas por Simonton não são meramente ornamentais, mas funcionais, trazendo, além de informação nova, a projeção de possibilidades, dizendo “algo de novo sobre a realidade” (RICOEUR, 2006, p. 172) 206 dos seus leitores.

Inicialmente, vale observar que as quatro últimas metáforas, mencionadas na tabela acima, de certo modo estão contidas na metáfora mais ampla do peregrino, que cobre toda a vida e experiência cristãs. Por isso, as metáforas estudadas a seguir serão consideradas parte dessa figura maior, que engloba as ideias contidas nas outras figuras (como arrependimento, relação com Cristo e restauração da visão espiritual) 207. De modo geral, elas serão vistas não apenas por seu aspecto lógico, mas também como recursos que contribuem para a interação emocional entre

206

Para Ricoeur não só as metáforas, mas outras formas literárias de articulação do conteúdo religioso (símbolos, mitos, narrativas, modelos) “não são simples artifícios taxonômicos para categorizar discursos, mas antes os meios pelos quais o significado teológico é produzido.” (WALLACE, 1995, p. 17, tradução nossa).

207 Essa relação de subordinação será observada no decorrer da análise das quatro metáforas, nos parágrafos

Simonton e seu leitor implicado. Pois assim como uma metáfora consiste em falar de uma coisa em termos de outra, também consiste em perceber, pensar ou sentir, a propósito de uma coisa, nos termos de outra (RICOEUR, 2000, p. 134) 208. O ouvinte é chamado não só a pensar, mas também a sentir e desejar de acordo com os modelos apresentados.

Como será visto, Simonton usou apropriadamente as metáforas como estratégia de ensino, pondo-as todas sempre no início ou perto do início dos seus sermões e mantendo certa consistência até o fim do discurso (DILLARD; MIRALDI, 2008; p. 698).

Ao falar dos seus leitores como peregrinos, pessoas em busca de um alvo, cegas que são curadas, em busca de um tesouro ou esperançosas por uma herança, Simonton põe numa espécie de tensão cada um desses cinco termos, ao deslocá-los do seu uso habitual. Ele promoveu uma espécie de encontro entre o que quis dizer e o modo como se expressou. Ocorreu, nesse caso, algo como uma contradição ou contração e, num segundo momento, uma transformação gerada pela colisão semântica entre o literal e o figurado.

Por meio desse discurso, Simonton levou seu leitor a entender peregrinação como outro nome para a vida humana neste mundo, com toda a sua duração, conflitos éticos e demais vicissitudes. Afirmando desde o início (e mantendo a consistência da afirmação) que não existe para o ser humano nesta vida “morada fixa e permanente” (SIMONTON, 2008, p.15) e que tal condição, naturalmente, não depende da sua vontade (“É forçoso caminhar até o fim da carreira. Nem a vida nem a morte dependem da vontade dos homens, mas sim do decreto de Deus” [SIMONTON, 2008, p. 15]), Simonton prepara seus ouvintes para dar um direcionamento - do início ao fim - ao seu caminhar por este mundo.

A outra metáfora é a do alvo, no sermão O viver é Cristo, baseado na Epístola de Paulo aos Filipenses, 1.21 (“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer lucro”). Com ela, Simonton argumenta que Jesus Cristo era o grande alvo da vida do apóstolo, aquilo que lhe dava “força e animação [...]” (SIMONTON, 2008, p.27). Baseando-se nisso, Simonton faz uma pergunta existencial aos leitores. “Qual é o fim da vossa vida? Qual é o alvo de vossas aspirações?” (SIMONTON, 2008, p.27). Quanto a esse assunto, Simonton não tinha interesse meramente

208 Estudos feitos nas últimas décadas têm revelado que, no ser humano, os aspectos emocional e o cognitivo “não

representam pólos contrastantes, mas estão intimamente interligados. Daí porque a corrente pesquisa sobre persuasão voltou seu foco maior para as funções dos componentes emocionais nos processos de persuasão.” (TILL, 2008, p.646, tradução nossa). Ricoeur captou a complexidade da relação entre lógica e emoção, ao escrever: “Sentir, no sentido emocional da palavra, é tornar nosso o que foi posto a uma distância pelo pensamento, em sua fase externalizante. Os sentimentos, portanto, têm um tipo muito complexo de intencionalidade. Eles não são meramente estados interiores, mas pensamentos interiorizados.” (RICOEUR, 1978, p.156, tradução nossa).

especulativo. Essa foi uma das perguntas mais importantes para a sua própria vida, tanto antes como depois da sua vinda para o Brasil209.

Assim como na metáfora do peregrino, Simonton, desde o início da prédica, faz uso de um conjunto de termos e figuras subordinadas à principal (Cristo como alvo), mantendo assim sua consistência e força: mira (SIMONTON, 2008, p.15), alcançar, fins, ideia fixa, (28), mira fixa (p. 29), tudo isso para reforçar a questão primeira e mais profunda, levantada na prédica. Partindo do exemplo do apóstolo, Simonton expõe assim a tensão metafórica:

A mira fixa que Paulo tinha em vista era a glória de Cristo. No sentido em que alguns vivem para se divertir, outros para mandar e outros para ajuntar riquezas, assim Paulo tinha um fim determinado a que se propugnar. Queria que Jesus fosse conhecido e amado na medida de seus merecimentos infinitos. Esse desejo dava direção a tudo quanto pensava ou fazia. (SIMONTON, 2008, p.29, grifo nosso).

Ele continua a explorar coerentemente o campo semântico do termo alvo, afirmando: “Quem imitar a Paulo, fazendo da glória de Jesus Cristo a sua regra, não poderá errar muito na direção de sua vida.” (SIMONTON, 2008, p.31, grifo nosso). Fará isso até a última frase do sermão: “Ninguém pode ser digno obreiro na vinha do Senhor sem que procure imitar a Paulo, tomando a Cristo como o seu alvo...” (SIMONTON, 2008, p. 33, grifo nosso). Para Simonton, durante sua peregrinação por este mundo, os que querem ser cristãos devem, a exemplo do apóstolo, manter o seu olhar em Cristo durante toda a sua caminhada, nos conflitos interiores e nos altos e baixos da vida210.

Na terceira metáfora, o missionário descreve cegueira e vista como condições espirituais humanas. Faz isso logo na introdução do sermão e sustenta a associação até o fim. Embora o texto de Lucas 18:35-43 (a cura do cego Bartimeu, enquanto Cristo ia passando por ele), relate a cura de um problema ocular, Simonton interpreta a passagem como se esta ensinasse sobre uma cegueira espiritual que, segundo ele mesmo, é mais comum aos seres humanos do que sua

209

Em seu diário (20/01/1855), no seu aniversário de 22 anos e antes de ingressar no seminário, ele diz estar preocupado em chegar a essa idade “e estar vivendo com tão poucos propósitos.” (SIMONTON, 2002, p. 80). Já como missionário, no Rio de Janeiro, ele confessa, mencionando o mesmo versículo básico da pregação agora analisada (Fp. 1.21): “Não posso dizer em sã consciência que ‘para mim o viver é Cristo’. Preciso dar precedência a uma pessoa, e não a princípios.” (SIMONTON, 2002, p. 137).

210

Em seu diário (03/05/1855), Simonton diz ter tomado essa decisão, após passar anos de sua vida sem ter uma meta definida: “Somente quando saio de mim mesmo e me volto para as límpidas, claras e completas promessas do evangelho, é que me sinto seguro. Portanto, depois de veementes orações a Deus para que me oriente, decidi não procurar mais obter o conforto ou a evidência clara de minha aceitação por Cristo olhando para a minha própria estrutura ou sentimentos, mas colocar minha confiança na palavra simples das Escrituras,...” (SIMONTON, 2002, p. 87,88). Anos depois, ele lembra esse como tendo sido o primeiro ano da sua verdadeira vida cristã. “Foi ano de nascimento, pois somente quando a alma se une a Cristo pela fé é que ela começa a cumprir os propósitos da vida.” (SIMONTON, 2002, p. 98).

correspondente física. Assim, embora nem todos os homens sejam fisicamente cegos, “[e]m sentido espiritual todo homem é cego.” (SIMONTON, 2008, p.65). As coisas deste mundo cegam os homens de tal modo “que os tornam incapazes de enxergar coisa alguma que não seja visível, sensível e palpável. Essa cegueira espiritual difere em diversos indivíduos. [...] Essa cegueira espiritual é geral.” (SIMONTON, 2008, p.65) 211. Em alguns pontos, a torção metafórica chega ao seu ponto máximo, como quando ele afirma aos que se sentem cegos espiritualmente: “A pregação do evangelho se resume em um só fato, a que se pode dar expressão, dizendo: Jesus Nazareno vai passando.” (SIMONTON, 2008, p.68). “Imitando o procedimento desse cego, vós haveis de achar vista espiritual, o perdão de vossos pecados e a paz interior, que é um tesouro que o mundo não vos pode dar nem tampouco tirar.” (SIMONTON, 2008, p.71). E ainda: “Pedi-lhe que tenha misericórdia de vós, como fez há dezoito séculos Bartimeu, o cego mendigo de Jericó. [...] Os vossos olhos se abrirão [...] Dentro de vossas almas Jesus vos dirá: Ide em paz; vossa fé vos curou.” (SIMONTON, 2008, p. 73). Para Simonton, a primeira coisa que faz aquele que recuperou sua visão espiritual é, qual peregrino, seguir o caminho de Cristo pelo restante dos seus dias. Referindo-se à cura do cego, diz:

Para que lado se dirigiu sua vista recuperada? Porventura pôs-se ele a admirar o sol na altura dos céus, ou os campos cobertos de espessa relva e matizados de flores? Não. Uma só coisa prendia toda a sua atenção – seu Salvador. Não podendo separar-se dele, Bartimeu o foi seguindo pelo caminho. (SIMONTON, 2008, p. 71).

A parábola212 do tesouro diz respeito ao valor do Reino dos Céus e sua relação com os que creem: “O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido no campo, que, quando um homem o acha, o esconde, e pelo gosto que sente de o achar; vai, e vende tudo o que tem, e compra aquele campo.” (Mt. 13:44-46). Para Simonton, “[d]a mesma maneira o tesouro escondido, em que nosso Senhor fala nesta parábola, figura os privilégios, os direitos e as bênçãos espirituais que se concedem aos crentes.” (SIMONTON, 2008, p.178). Esboçando, neste ponto, certa visão incremental da metáfora, Simonton afirma no início da prédica que, para compreender a linguagem da parábola, é preciso “penetrar a casca e tirar a doutrina que nela está

211

Neste sermão, Simonton metaforiza outro aspecto (o financeiro) de Bartimeu que, além de cego, era pobre e pedia esmolas. “A esse respeito o texto é exato. Todo aquele que não conhece a Jesus Cristo, nem possui sua graça, é pobre e vive de mendigar.” (SIMONTON, 2008, p.65). “Paro aqui para recomendar àqueles a quem faltam a vista e as riquezas da alma que sigam o exemplo de Bartimeu.” (SIMONTON, 2008, p.68). Porém, essa metáfora está, no sermão, claramente subordinada à principal.

212

Embora o sermão trate sobre uma parábola, seguirei o pensamento de C. H. Dodd, para quem uma parábola é uma espécie de metáfora estendida: “De modo mais simples, a parábola é uma metáfora ou símile extraída da natureza ou da vida comum, cativando o ouvinte por sua vividez ou estranheza, e deixando a mente em dúvida suficiente sobre sua precisa aplicação para levá-la a pensar ativamente.” (DODD, 1961, p. 16, tradução nossa).

encerrada.” (SIMONTON, 2008, p. 176). Após “descascar” brevemente a figura, ele apresenta o seu “sentido moral e religioso” (SIMONTON, 2008, p. 177): “É evidente que a principal coisa que nosso Senhor pretendeu ensinar é o grande apreço em que se deve ter a alma do homem, e a maneira de proceder para lhe assegurar a salvação.” (SIMONTON, 2008, p. 177). O tesouro que o Reino significa, de modo geral, é “a salvação das nossas almas, ou em outras palavras, o direito de ser cidadão do Reino dos céus.” (SIMONTON, 2008, p. 178). De modo mais específico, a apropriação desse tesouro consiste em ter “nossas culpas perdoadas, e estar firmes na esperança de alcançar entrada no céu [...]” (SIMONTON, 2008, p. 178). Mais à frente, acrescenta que essas riquezas “são as promessas e as bênçãos que a Palavra de Deus vos oferece.” (SIMONTON, 2008, p. 182). Ele continua a explorar a metáfora, afirmando que “o campo” onde o tesouro está escondido são “as Sagradas Escrituras” (SIMONTON, 2008, p. 178) 213. Lá está a notícia “de haver salvação gratuita para todos os que se sintam necessitados e cansados de vãos esforços para comprar ou merecer que Deus lhes perdoe.” (SIMONTON, 2008, p. 179).

O missionário afirma que os problemas em se aceitar esse tesouro estão ligados à falta de vontade e de entendimento por parte dos que ainda não o possuem. Se esse tesouro ainda está escondido, é porque nem todos Se esse tesouro ainda está escondido, é porque nem todos “apreciam as riquezas reveladas na Palavra de Deus [...]” (SIMONTON, 2008, p. 179). A seguir, mostra que muitos não têm acesso às riquezas divinas por ignorância, assim como os “índios da Califórnia” que “passaram muitas vezes por cima de minas de ouro, sem uma só vez sonharem nas riquezas que pisavam aos pés [...]” (SIMONTON, 2008, p. 180-181).

Em sua notável exploração da parábola, Simonton afirma ser impossível comprar o tesouro, mas possível comprar o campo onde ele está escondido. “O verdadeiro sentido é que devemos avaliar em seu justo preço as riquezas que a Palavra de Deus nos descobre, e em comparação ter em pouco, em nada, todas as mais riquezas.” (SIMONTON, 2008, p. 184). Dentro da metáfora mais ampla do peregrino, a descoberta do tesouro (a salvação da alma) equivaleria ao ponto de partida da jornada cristã por este mundo.

A última metáfora estudada (a herança) está num sermão que parte do Evangelho de João, 14:27 (“A paz vos deixo, a minha paz vos dou”). Mais uma vez, o pregador faz uso consistente, desde as primeiras considerações, da segurança existente no aspecto jurídico dos legados

213 “Com toda a razão se pode dizer que as Escrituras são um campo em que está escondido um tesouro, não de

humanos. “O direito adquirido em virtude de um testamento é o mais absoluto de todos os direitos reconhecidos entre os homens.” (SIMONTON, 2008, p. 193). A herança, neste caso, é de tipo espiritual: a paz deixada por Cristo aos seus discípulos, pouco antes da sua morte.

Simonton aproveita-se da ideia de herança (que, no sermão, substitui o verbo deixar, no verso joanino [João 14:27], que serve como base para a prédica), e explora o legado de Cristo aos seus seguidores, em contraste com a herança espiritual legada desde o início da humanidade aos que não creem: “Sois os herdeiros de Adão.” (SIMONTON, 2008, p. 194). Assim, substituindo o verbo deixar, ele parece ter encontrado um modo mais apropriado para falar da carga espiritual deixada por Adão (o pecado) e por Jesus Cristo (o perdão e a salvação da alma). Dentro desse novo campo semântico, Simonton explora a metáfora da herança desde o início, e mantém sua consistência com figuras associadas: “direitos de sucessão”, “dívidas”, “testamento” (SIMONTON, 2008, p. 193), “testador”, “representante legal”, (SIMONTON, 2008, p. 194), “fiador” e “restituir” (SIMONTON, 2008, p. 195, 198). Simonton articula e mantém coeso seu discurso citando textos bíblicos que usam linguagem jurídica aplicada à obra de Cristo, como Hebreus 9.15-17 (“Porque o testamento não tem força, senão pela morte”, etc.) e Gálatas 3.15-19 (“Irmãos [...] ainda que um testamento seja de um homem [...]”). (SIMONTON, 2008, p. 199).

É possível perceber que essa alteração acabou por tornar um texto originalmente escrito por João para ensinar sobre o consolo de Cristo aos seus discípulos, num sermão a serviço da conversão de pessoas ao protestantismo. No final da prédica, Simonton pede para que seus leitores avaliem (faz isso citando quatro longos textos bíblicos) se são, de fato, herdeiros legítimos da paz de Cristo214.

Em todas as figuras citadas, Simonton consegue, de modo criativo e compacto, possibilitar um (re) arranjo no pensamento dos seus leitores sobre os assuntos tratados. Além de mapear o mundo do seu público, ele trouxe propostas de orientação para a sua vida no mundo, valendo-se desses pequenos modelos narrativos. Nesse sentido geral, pode-se dizer que sua estilística é funcional e bíblica.

Segundo Frye (que segue Ricoeur no assunto), “[a]cabamos tendo que considerar a possibilidade de que a metáfora não é um ornamento acessório da linguagem bíblica, mas uma de suas modalidades diretivas do pensamento.” (FRYE, 2004, p.81). Para o crítico literário, na

214 Essa é uma boa ilustração do que o poeta Milton quis dizer, ao observar que mudanças metafóricas “eram muito

linguagem descritiva comum, “as metáforas soam como obstáculos devido à sua ambigüidade [...]” (FRYE, 2004, p.81). No entanto, em se tratando da Bíblia, a versatilidade das palavras como forma, ideia, substância, ser ou tempo pode dar a chave de todo um sistema de pensamento. “Parece claro que a Bíblia pertence a uma área da linguagem onde a metáfora é funcional, e onde devemos desistir da precisão pela flexibilidade.” (FRYE, 2004, p. 83) 215.

As metáforas foram úteis ao trabalho de Simonton, em suas tentativas de levar pessoas ao protestantismo, pois elas possuem uma capacidade de confinar não só conceitos, mas sentimentos, revelando uma essência “perfeitamente adaptada para ser o discurso de uma teologia que está orientada para a escatologia” (VANHOOZER, 1990, p. 57, tradução nossa), propondo, assim, novas possibilidades para o futuro do seu público.

As metáforas, utilizadas pela mente criativa, mostram que não há palavras tão distantes que não permitam que um orador estabeleça uma ponte entre elas.

[O] poder de criar novas significações contextuais parece ser ilimitado, e tais atribuições aparentemente “insensatas” [...] podem fazer sentido em algum contexto inesperado. O homem que fala jamais esgotará os recursos conotativos de suas palavras. (RICOEUR, 2000, p. 150-151).