Avbøtende og kompenserende tiltak 6.4
6.4.2 Forslag til restaurerende og kompenserende tiltak Generelt
3.1.1 Resumo do conto O caso da vara
O conto machadiano narra, em terceira pessoa, a estória de um seminarista que foge do seminário, onde havia sido colocado contra sua vontade pelo pai. Ao fugir de lá, Damião (o seminarista) vai em busca de alguém para ajudá-lo a resolver esta situação, pois, a princípio, ele não sabe o que fazer, ou seja, ele não sabe naquele momento como evitar que seu pai o castigue por ele não querer seguir a carreira eclesiástica. O rapaz, então, decide recorrer a Sinhá Rita para que esta o convença a ir falar com o pai de Damião e tentar fazê-lo desistir da ideia de tornar o filho padre. João Carneiro, que é padrinho de Damião, é quem o leva ao seminário, a pedido de seu compadre. O eixo central do conto gira em torno de duas expectativas: a primeira é a de saber se Damião vai ou não conseguir a ajuda de Sinhá Rita para não voltar ao seminário; e a segunda para saber se essa ajuda terá êxito ou não.
A ausência da mãe do seminarista na estória construída pelo narrador sugere, implicitamente, que a sociedade patriarcal do século XIX compunha os ideais e Valores dos quais a mulher estava excluída, pelo menos na esfera pública, das decisões que formavam
parte do seu dia-a-dia. No entanto, chamamos a atenção para a configuração da heroína Sinhá Rita dentro da narrativa machadiana, uma vez que ela preenche o espaço ausente da mãe de Damião.
3.1.2 Os personagens do conto
Antes de iniciar a análise, propriamente dita, do conto O caso da vara à luz da tipologia lukacsiana, é importante esclarecer um ponto essencial que irá fundamentar a análise aqui desenvolvida: estamos falando das relações de poder que colocam de um lado “os mais fortes”, ou seja, aqueles que “podem”, e, do outro lado “os mais fracos”, ou seja, aqueles que “não podem”. No conto machadiano, “poder” é igual a relações de mobilidade.
Desta forma, podemos dizer que a autoridade se caracteriza pela imposição e ações de determinadas pessoas sobre outras, devendo, pois, estas se submeterem às decisões daquelas, dado o grau de hierarquia existente entre elas. Quando falamos em grau de hierarquia nas relações entre pessoas, estamos nos referindo às diferentes esferas da sociedade, a saber: pais e filhos (familiar), chefes e subordinados (empresarial), ricos e pobres (social) etc.
Em O caso da vara, podemos identificar algumas destas relações. Como observa Villaça, é possível dizer que, neste conto de Machado de Assis:
Pai e filho, padrinho e afilhado, um jovem e sua postiça ‘madrinha’, a mulher dominadora e o amante subserviente – constituem todos um elenco de forças e
fraquezas que compõem, sem que o leitor dê imediatamente por isso, um microssistema de poder muito sugestivo, que não tardará a ganhar foros de alta
expansão. No centro de tudo estão necessidades, obrigações e favores de vária espécie, que regem os movimentos. (VILLAÇA, 2006, p. 25, grifo nosso)130.
Tomando como exemplo os personagens deste conto, verificamos que Damião é filho e afilhado (o que o coloca no dever de obedecer a seu pai e padrinho); já seu padrinho João Carneiro impõe sua autoridade ao seminarista e, ao mesmo tempo, se submete à autoridade de sua amante Sinhá Rita; esta, no entanto, procura sempre exercer a sua autoridade, seja diante do amante, seja para com suas criadas, principalmente Lucrécia. De modo que todos os personagens do conto, a exceção de Lucrécia, se utilizam de estratégias para atingir seus
130 VILLAÇA, Alcides. Querer, poder, precisar: ‘O caso da vara’. In: “Teresa revista brasileira de literatura”.
interesses próprios, até o ponto de mudar completamente de opinião de um instante a outro, seja por qual motivo for, por exemplo:
a) ou por um simples capricho, como ocorre com Sinhá Rita quando diz que não se mete em negócios da família de Damião que “mal conhece” (ASSIS, 1996, p. 60)131, porém, ao sentir- se contrariada, muda imediatamente de opinião;
b) ou porque realmente tem outros propósitos para sua vida, como podemos observar nas atitudes de Damião –, pois a este não lhe agrada a vida de padre, e sim “(...) o palavrear das moças (...) tão mundanos, tão alheios à Teologia e ao Latim (...)” (ASSIS, 1996, p. 62) –, sendo capaz, inclusive, de entregar a vara a Sinhá Rita para que esta castigue Lucrécia, uma menina indefesa, caso isso contribua para que a mulher o ajude;
c) ou, simplesmente, porque estas pessoas não querem deixar de desfrutar dos privilégios que essas “boas relações” lhes trazem, como é o caso de João Carneiro, já que estava “entre um puxar de forças opostas”: de um lado, a amante e, de outro, o compadre.
Sobre isto o narrador escreve, ao relatar o momento em que a mulher manda João Carneiro dizer ao pai de Damião que ele não volta mais para o seminário:
João Carneiro não se animava a sair, nem podia ficar. Estava entre um puxar de forças opostas. Não lhe importava, em suma, que o rapaz acabasse clérigo, advogado ou médico, ou outra qualquer cousa, vadio que fosse; mas o pior é que lhe cometiam uma luta ingente com os sentimentos mais íntimos do compadre, sem certeza do resultado; e, se este fosse negativo, outra luta com Sinhá Rita, cuja última palavra era ameaçadora: “digo-lhe que ele não volta”. (ASSIS, 1996, p. 61).
Como veremos nos próximos tópicos, os personagens Damião, Sinhá Rita e João Carneiro, conseguem de alguma maneira criar meios para atingir seus objetivos ou exercer influência perante outros. A exceção quanto à influência cabe a Lucrécia que, devido a sua condição social, não consegue participar do “jogo de forças” que prevalecia na narrativa machadiana. E qual o sentido que essa diferenciação pode suscitar no entendimento da “lógica interna da narrativa”? É o que passamos a discutir a partir de agora: as relações de poder existentes entre os personagens do conto citados acima.