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2. Formal and Informal AB Accounts

2.2 Formal AB accounts

O discurso político a respeito da educação superior pode ser produzido e reproduzido por agentes que têm o poder de falar e de serem ouvidos pelos demais, ou seja, o

discurso pode ser fortalecido pela negociação dentro do campo. Dessa forma, a negociação de discursos valorizados e desvalorizados tende a difundir-se entre os agentes, por meio de um sistema de “disposições socialmente constituídas que, enquanto estruturas, estruturadas e estruturantes, constituem o princípio gerador e unificador do conjunto das práticas e das ideologias características de um grupo de agentes” (BOURDIEU, 2007, p. 191).

Compreende-se que, para Bourdieu (2007), a negociação discursiva dá-se por meio das posições que os agentes ocupam na realidade social. Dizendo de outra forma, agentes possuidores de maiores capitais (cultural, simbólico, social e econômico), valorizados dentro do campo, diferem-se dos demais que possuem poucos capitais; a isso, deve-se a produção e reprodução das estruturas nas relações de poder. Ademais, no âmbito da negociação discursiva, um discurso considerado valorizado não será o único a ser reproduzido e consumido dentro do campo, de tal forma que um discurso desvalorizado também será negociado. Nesse sentido, uma vez que ambos constituem o mercado linguístico do campo da avaliação educacional, as negociações ocorrem tanto por seus pares quanto por seus concorrentes, assim, agentes educacionais buscam distinção, reconhecimento e legitimação – fatores mencionados na seção anterior – mesmo que, em alguns momentos, negociem discursos políticos desvalorizados.

Um exemplo que pode ser citado a respeito das negociações discursivas é o seguinte: supõe-se a reprodução de um discurso de determinado agente “A”, que reside na região periférica de uma grande cidade metropolitana do Brasil e é desprovido socioeconomicamente, em oposição à reprodução de um discurso do agente “B”, que reside na região nobre da mesma cidade e tem condições socioeconômicas favoráveis; nessa conjuntura, a maior possibilidade de reprodução de discursos em instituições educacionais, por meio das trocas simbólicas e linguísticas, seria com o agente “B”, pois esse possuiria os capitais que são valorizados dentro do campo, por isso, seus discursos seriam negociados pelos demais agentes. Nesta mesma lógica de raciocínio, Bourdieu (2007) apresenta sua análise do sistema escolar francês, no qual a educação institucionalizada contribui por meio da reprodução das relações de forças das hierarquias sociais.

[...] ao converter hierarquias sociais em hierarquias escolares, o sistema escolar cumpre uma função de legitimação cada vez mais necessária à perpetuação da "ordem social" uma vez que a evolução das relações de força entre as classes tende a excluir de modo mais completo a imposição de uma hierarquia fundada na afirmação bruta e brutal das relações de força. Todavia, na maioria das sociedades altamente industrializadas, a expansão contínua da proporção de membros das classes dirigentes diplomados pelas melhores universidades, seria suficiente para levar-nos à conclusão de que a transmissão do capital

cultural tende a substituir-se pura e simplesmente à transmissão do capital econômico e da propriedade dos meios de produção no sistema dos mecanismos de reprodução da estrutura das relações de classe? (BOURDIEU, 2007, p. 311).

As negociações discursivas são propagadas pelos agentes, elas visam manter a hierarquia social ao passo que valorizam determinados capitais presentes na sociedade civil. Mediante a realidade social, os discursos podem passar a ser desvalorizados, assim como também valorizados, no mercado linguístico do campo da avaliação educacional. Discursos sobrepõem-se uns aos outros, articulam-se em um processo de rupturas, unificação, fragmentação, sendo que eles, valorizados ou desvalorizados, são negociados pelos agentes educacionais por meio das trocas simbólicas e linguísticas.

Dizendo de forma ainda mais clara, o movimento de rupturas pelo qual os discursos articulam-se torna o campo dinâmico e essa dinâmica dá-se pelas relações de poder que os agentes estabelecem dentro do campo. Modificando as posições dos agentes, a realidade social é alterada. Nessa dinâmica de posições dentro do campo, há agente produtor, consumidor, vendedor, especulador, negociador de discurso, em uma economia de trocas simbólica e linguística. O discurso produzido, seja ele valorizado ou desvalorizado, busca ser consumido de forma a ser reproduzido tanto por pares como por concorrentes. Agentes educacionais dentro do campo buscam, incansavelmente, ter seus discursos legitimados e negociados, tanto por seus pares como também por seus concorrentes, sendo que suas disposições podem modificar-se dentro do campo à medida que surgem necessidades advindas da realidade social.

Portanto, depreende-se da discussão ora apresentada que a negociação discursiva dá-se por meio das ações dos agentes educacionais, dentro do mercado linguístico do campo da avaliação educacional, em uma tensão de poder. Os discursos produzidos dentro do campo, por agentes que detêm o poder de falar e serem ouvidos, são reproduzidos por seus pares para que também tenham legitimidade dentro do campo, uma vez que consomem e reproduzem um discurso que é valorizado. Mas também por seus concorrentes, que consomem discurso opositor para conhecê-lo e, assim, apontar-lhes suas fragilidades dentro do mercado linguístico, com isso produzindo e colocando em negociação outro discurso, para que ele venha a ser valorizado dentro do mercado por seus pares e por seus concorrentes. Em suma, trata-se de um processo que gera um embate constante entre os agentes na busca pela legitimação de seus discursos.

3.3 Negociações de discursos políticos do Estado-avaliador de acordo com a agenda