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Del III: Frå Principat til seinantikk

3.7 Rekruttering og Barbarisering

3.7.4 Foederati

É necessário salientar que a intervenção em gênero por dentro da proposta geral do Projeto Gente de Valor adotou a mesma proposta construída durante a execução do Pró- Gavião, seguindo as duas estratégias centrais que nortearam todas as ações desde o início do projeto. A primeira foi a transversalidade do tema de gênero, por dentro de todas as ações dos Componentes Produtivo e de Mercado e do Capital Humano e Social previstas nos projetos de desenvolvimento subterritorial. A segunda estratégia foi a construção de um processo de formação específica com enfoque de gênero, voltado, principalmente, para as mulheres e suas organizações52

No início da intervenção do PGV, para o avanço da proposta de equidade de gênero e empoderamento das mulheres envolvidas, foi fundamental a decisão, pela coordenação do Projeto, depois de fortes argumentos e da orientação do consultor do FIDA na época, de promover a igualdade de oportunidades para mulheres e homens por meio das ações afirmativas53, entendendo essas ações afirmativas como medidas e orientações do governo, ou melhor, do Projeto, para que os grupos de pessoas tenham seus direitos respeitados, já que na ausência destas medidas, permaneceriam excluídos. Estas medidas tinham o objetivo de retificar desigualdades sociais com base no gênero, para possibilitar o acesso das mulheres a processos de formação e a empregos, antes a elas negados. Propunham-se, também, a garantir a cota de 50% de mulheres e 50% de homens e de 30% de jovens (homens e mulheres) em todas as ações promovidas pelo Projeto, o que foi determinante para a inclusão das mulheres perspective on conceptualising women’s empowerment. IDS Bulletin, v. 39, p. 18-27, 2008; Introducing gender sensitizing to elementary school teachers in rural Bahia, Brazil. In: THEHERANI-KRÖNER, P.; SCHMITT, M.; HOFFMANN-ALTMANN, U. (Ed.). Knowledge,

education and extension for women in rural areas. Berlin: Humboldt-Universität zu Berlin, 2000. p. 46-54; e SARDENBERG, Cecilia; COSTA, Ana Alice; PASSOS, Elizete. Rural development in Brazil: are we practising feminism or gender? Gender and Development, v. 7, n. 3, p. 28-38, 1999;

Análise crítica do Pró-Gavião na perspectiva de gênero. BAHIA, CAR/SEPLANTEC, 1998, documento interno.

52 SIQUEIRA, Ana Elizabeth S.S. Plano de Ação em Gênero: Projeto Gente de Valor, 2010, p. 8. 53 Entendidas como uma política focal do governo que aloca recursos em benefício de pessoas

pertencentes a grupos discriminados (mulheres, negros/as, homossexuais, etc.) e vitimados pela exclusão socioeconômica no passado ou no presente. “Trata-se de medidas que têm como objetivo combater discriminações étnicas, raciais, religiosas, de gênero ou de casta, aumentando a participação de minorias no processo político, no acesso à educação, saúde, emprego, bens materiais, redes de proteção social e/ou no reconhecimento cultural”. GRUPO DE ESTUDOS MULTIDISCIPLINARES DA AÇÃO AFIRMATIVA (GEMAA). Ações afirmativas, 2011.

Disponível em:

<http://gemaa.iesp.uerj.br/index.php?option=com_k2&view=item&layout=item&id=1&Itemid=21 7>. Acesso em: 14 maio 2014.

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agricultoras. Na contratação da equipe técnica, o desafio foi assegurar o acesso de 50% de mulheres técnicas agrícolas às vagas, na perspectiva de abrir fendas em uma área de quase total domínio masculino.

Para enfrentar o desafio de promover a equidade de gênero em todas as ações desenvolvidas no projeto, a estratégia metodológica foi trabalhá-la de forma transversal.

A transversalidade do tema de gênero é vista de forma inovadora, inclusiva, ao adotar a viabilização da inclusão social, a equalização das oportunidades e garantir que o recorte transversal de gênero esteja presente por dentro da estrutura de execução do projeto e de todas as ações dos Componentes Produtivo e de Mercado e do Capital Humano e Social, conforme o modo como se organiza o Projeto. Reforçando o que já foi dito no primeiro capítulo, entendo a transversalização do enfoque de gênero como uma estratégia política e não só um procedimento técnico para desencadear um processo de discussão interna no PGV sobre as questões de gênero. Esta estratégia “obrigou” que o enfoque de gênero estivesse presente em todas as ações, apesar das dificuldades da coordenação, dos técnicos e técnicas em entender a importância e necessidade de trabalhar o enfoque de gênero, partindo do reconhecimento da existência de relações hierárquicas de gênero transformadas em práticas sociais de desigualdades entre homens e mulheres dentro da própria estrutura do PGV.

O grande desafio da estratégia da transversalização é incorporar, sistematicamente, a temática de gênero por dentro das atividades produtivas, organizativas, políticas, culturais e ambientais, construindo um novo olhar para o campo das relações humanas como estratégia fundamental para a promoção do desenvolvimento rural e não deixar que o enfoque de gênero fique invisível ou não aconteça no interior das ações dos componentes. Para não incorrer neste risco, a assessoria de gênero, instância responsável na estrutura do PGV para elaborar e coordenar as ações com o enfoque de gênero, promoveu várias reuniões de sensibilização das equipes de técnicos e técnicas sobre a temática de gênero. Nessas reuniões, discutia-se como, no cotidiano das ações a serem desenvolvidas seja dos Componentes de Desenvolvimento de Capital Humano e Social ou do Desenvolvimento Produtivo e do Mercado, a transversalidade de gênero deveria estar sendo trabalhada pelos técnicos e técnicas. Estes momentos de sensibilização foram insuficientes para cumprir com seu objetivo, principalmente porque a equipe técnica não tinha interesse sobre as questões de gênero.

Nas reuniões com a equipe técnica de cada escritório, refletiu-se como seria a execução dos projetos com o enfoque de gênero de forma transversal, por dentro das metas previstas no produtivo, ambiental e sociocultural, buscando construir um “olhar de gênero”

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individual e coletivo. Estas reuniões forçaram os técnicos e técnicas a pensar em como se dão as relações de gênero em suas vidas e no dia a dia do trabalho na área rural. Como resultado deste processo de reflexão, cada equipe dos sete escritórios, a partir da sua realidade, elaborou seu Plano Operativo com o enfoque de gênero. Esta estratégia impôs aos técnicos e técnicas o exercício de elaborar ações e atividades com esta perspectiva. A ideia era favorecer a atuação do Projeto em situação de desigualdade entre homens e mulheres que, antes deste processo, era invisível aos olhos da equipe técnica, através de atividades como: reuniões dos conselhos e comitês, participação na associação comunitária, quintais produtivos, roças comunitárias etc., dando visibilidade às mulheres e projeção para o reconhecimento e fortalecimento de suas capacidades.

Em 2010, foi elaborado, pela assessoria de gênero, o Plano de Ação em Gênero do Projeto Gente de Valor, a partir dos Planos Operativos de cada escritório, que serviu para orientar a maneira pela qual o trabalho com o enfoque de gênero do PGV deveria possibilitar a equidade entre homens e mulheres e o empoderamento das mulheres e jovens. Para o avanço do enfoque de gênero por dentro da estrutura do Projeto, foi necessário e essencial desenvolver primeiro com os técnicos e técnicas o processo de sensibilização e capacitação sobre as questões de gênero. Porém não houve uma formação teórica específica, focada só em gênero para aprofundar este assunto de forma sistemática. A formação em gênero sempre foi realizada com interfaces com outras temáticas desenvolvidas pelos componentes produtivo e social, por exemplo: gênero e segurança alimentar, gênero e agroecologia, gênero e quintais produtivos, gênero e associativismo.

A equipe técnica, formada por assistente social e pedagoga, do Componente de Desenvolvimento de Capital Humano e Social, foi a que ficou responsável por trabalhar nas comunidades com as famílias, com os homens e as mulheres a equidade de gênero e o empoderamento das mulheres. O processo de sensibilização teve início com os encontros de mulheres, que aconteceram nos subterritórios54, refletindo e visibilizando as contribuições das mulheres agricultoras. Através do trabalho específico com as mulheres, estas se prepararam e se capacitaram para a participação nos processos e espaços sociais representativos com uma maior consciência de si e de seu papel, ocupando cargos de poder com autonomia.

Como estratégia metodológica, buscou-se assegurar a realização das “Cirandas das Crianças”: espaço educativo e recreativo para as crianças, paralelo às atividades de suas

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mães, uma ação afirmativa para oportunizar a participação das mulheres de forma integral, o quanto possível, despreocupadas com seus filhos e filhas.

Essas ações estratégicas foram importantes para ir rompendo com os estereótipos de gênero, mostrar as mulheres como profissionais e possibilitar o acesso das mulheres técnicas e agricultoras às atividades produtivas e organizativas, consideradas na zona rural reduto de quase exclusivo domínio masculino.

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