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Del III: Frå Principat til seinantikk

3.3 Logistikk og finansiering

3.4.4 Endringar i seinantikken

DE VALOR

A intervenção do Projeto Gente de Valor, um projeto de desenvolvimento rural com perspectiva participativa, que traz como estratégia promover a equidade de gênero, estimulou a participação de homens e de mulheres agricultoras lançando mão de técnicas de Diagnóstico Rural Participativo (DRP)24. Essa opção metodológica se deu por intermédio da orientação da nova Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (PNATER) que enfatizava que a prática extensionista fosse baseada em metodologia que favorecesse a participação dos beneficiários em toda a etapa de sua intervenção. O PGV utilizou várias ferramentas do DRP para levantar as demandas iniciais das comunidades rurais que seriam beneficiadas com suas ações. Estas ferramentas pedagógicas facilitaram o processo de reflexão coletiva e o levantamento de informações sobre a realidade da comunidade.

O DRP foi um instrumento essencial para envolver as pessoas da comunidade na elaboração do plano de desenvolvimento de cada subterritório. A metodologia participativa utilizada no DRP conseguiu envolver as mulheres agricultoras familiares em todas as etapas do processo do diagnóstico. No PGV, o empoderamento estava sendo visto como um resultado do processo de participação das mulheres agricultoras familiares, em todas as atividades desenvolvidas. Neste sentido, tinha sido orientado pela coordenação do Projeto que, em todas as ações e atividades, houvesse a participação de 50% de mulheres.

Essa orientação possibilitou que as mulheres, ao participarem mais que os homens, assumissem os grupos produtivos (quintais, artesanato e beneficiamento de frutas) e as associações comunitárias. Desta forma, ficar à frente destes grupos como lideranças

24 DRP é um instrumento de investigação que utiliza técnicas participativas para coletar informações acerca de uma dada realidade, sem que estejamos atrelados ao uso de técnicas tradicionais. Segundo Miguel Expósito Verdejo: “é um conjunto de técnicas e ferramentas que permite que as comunidades reflitam sobre a sua realidade e a partir daí comecem a autogerenciar o seu planejamento e desenvolvimento” (2006, p. 6).

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possibilitou às mulheres exercitarem o poder e a autoridade, o que, consequentemente, gerou conflitos e disputas. Essas disputas se iniciaram, em casa e no grupo, entre o sexo masculino e o feminino; nestas disputas, as mulheres sentiram a forte estrutura do poder patriarcal, através da opressão dos homens (brancos ou negros), por meio dos privilégios a eles concedidos. É importante ressaltar que, nessas disputas, as mulheres reconhecem a diferença racial e tentam enfrentar os diversos problemas decorrentes destas diferenças. Elas sentem a estrutura do poder patriarcal racista por meio dos privilégios, alternativas e recompensas que as mulheres de pele branca têm, por se identificarem com o poder patriarcal. As mulheres brancas são mais propensas que as mulheres negras a serem enganadas e tendem a se unir ao opressor com a suposição de compartilhar o poder (CARNEIRO, 1995).

A abordagem do empoderamento das mulheres se apresenta, na intervenção do PGV, na perspectiva de desenvolvimento, como fundamental para fazer acontecer a autonomia econômica das mulheres agricultoras e se limita a criar condições de produção e renda para que esta contribua com a renda familiar. (SCHEFLER, 2013). Um dos desafios é quebrar o preconceito e as limitações das mulheres agricultoras familiares com relação à participação delas nos espaços públicos, nas atividades produtivas e organizativas, não por causa das exigências da vida e das atividades domésticas, mas por serem espaços de poder. Em se tratando da agricultura familiar, para a mulher realizar o trabalho de produção na roça, ter presença em reuniões de entidades comunitárias e, ao mesmo tempo, dar conta das tarefas domésticas, precisa ter uma dupla, tripla ou contínua jornada de trabalho.

O PGV, como objetivo estratégico, focou o empoderamento como desenvolvimento da capacidade de mulheres e homens, em particular quanto ao empoderamento de grupos e organizações locais, promovendo processos de capacitação e de aprendizagem a partir de um discurso dialético da importância crítica da reflexão e, fundamentalmente, da noção de “inclusão das mulheres” e “autonomia” na ação. Nessa corrente, é típico o compromisso com o fortalecimento do “capital humano e social”25 das instituições da sociedade civil parceiras na execução, como associações, cooperativas, escolas família agrícola, sindicatos rurais, pastorais rurais e ONGs que atuam na área de intervenção do Projeto.

A iluminação de Michel Foucault (1979) sobre o poder não serve apenas para a situação das mulheres no exercício do poder – nas associações, quintais produtivos etc. –,

25 Entendendo por capital humano e social o conjunto de investimentos e ações destinados à formação educacional e profissional de determinada população na perspectiva de formação de sujeitos individuais e coletivos capazes de interpretar e agir criticamente no conjunto de relações que os envolvem.

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mas, também, cotidianamente. As relações de poder em torno dos papéis produtivos e reprodutivos assumidos pelas mulheres agricultoras familiares nos espaços doméstico/privado e público são relações cotidianas mais estreitas entre a teoria e a prática nas quais elas usam as formas de resistência por meio de micropoderes contra as diferentes formas de poder. Em ambas as situações, resistem, como é da natureza do poder, segundo Foucault (1979). Assim, ao pensar as relações de poder através do antagonismo, das estratégias empregadas por estas mulheres na perspectiva de visibilizar um contradiscurso expresso nas alternativas e nas inovações que usaram a partir do que lhes ofereceu o PGV, tomo as resistências das mulheres como ponto de partida visto que as exceções não têm que estar na periferia do discurso, para falar dos que estão tentando inovar, ter autonomia nas suas escolhas, decisões, inclusive, sobre seu próprio corpo. E, a partir do modo pelo qual as mulheres agricultoras familiares assumiram os cargos de diretoria nas associações comunitárias, ao exercerem o poder, tornando-se um sujeito social e político.

É importante relembrar, com a contribuição de Batliwala (2002; 2013), que dar às mulheres pobres acesso aos recursos econômicos é uma conquista que surgiu da luta bem- sucedida das mulheres feministas em ganhar reconhecimento para o papel desenvolvido pelas mulheres na economia familiar e em apoiar lideranças femininas no desenvolvimento local. As teóricas feministas entendiam que o poder econômico e o acesso aos recursos produtivos enfraqueceriam as relações e os papéis de gênero tradicionais, logo, acreditavam no empoderamento das mulheres pobres para que demandassem mais mudanças.