2.2 Auka fokus på barn sine rettar
2.2.4 FN sin barnekonvensjon
De acordo com os pressupostos teóricos, estabeleci como sendo a primeira etapa metodológica a fase de produção dos discursos por meio de entrevistas narrativas, encadeada com a complementação e refinamento por meio de dados secundários. Chamo na tese de ‘discurso narrativo’ uma construção discursiva, ‘produto’ de uma entrevista narrativa, que envolve tanto o entrevistado (narrador) quanto o entrevistador (audiência), e que apresentam como as ações em um processo contextualmente relevante foram socialmente construídas em diferentes períodos de tempo (LANGLEY, 1999). Pelo (re)contar de uma trajetória, os discursos narrativos permitem o exame dos padrões de interação ao longo do tempo e do espaço (PENTLAND, 1999) e facilitam a visualização de situações emergentes, ambíguas, ou não solucionadas ao longo do processo (POZZEBON, 2004).
Optei por trabalhar com discursos narrativos, pois entendo que experiência humana em toda sua particularidade, variedade e riqueza pode ser melhor captada em histórias: narrativa, anedota, mito recontado (PENTLAND, 1999). É por meio da história presente na fala, no discurso e na interação que a estrutura social é materializada (REED, 1984 e 1997). Uma ‘narrativa’ refere-se, normalmente, a uma história cronologicamente contada, que se move entre o tempo e o espaço à medida que satisfazem a análise de um dado tema. A meta de um pesquisador tradicional é preservar o senso de cronologia que abrigam os atores e eventos da situação histórica desenvolvida, o qual tenta reconstruir.
Porém, os pesquisadores interpretativos vão adiante e estão preocupados no que se refere às interpretações subjetivas e divergentes das narrativas. As análises interpretativas frequentemente identificam comunidades diferentes de interpretação, especialmente no que tange à maneira de cada uma contar histórias diferentes sobre um mesmo evento, notam também como narrativas diferentes podem se entrelaçar e se desdobrar para criar novas possibilidades de ação (HOLSTEIN e GUBRIUM, 2005). Ao longo da análise, a organização da hierarquia das vozes em competição nas narrativas, permite colocar foco nas ações alternativas, sem perder de vista as perspectivas e pressuposições inatas de cada entrevistado (JEREMY, 2002).
Assim, os discursos narrativos provêem o sentido de movimento do agente ao longo de práticas distintas, facilitam a visualização de situações emergentes, ambíguas, ou não solucionadas. Os discursos narrativos ajudam a expressar um alto grau de autenticidade (o senso de “estar lá”) e emergem como algo central para o exame dos padrões de interação ao longo do tempo e espaço.
A produção dos dados primários, no âmbito da empresa CC e do ICC, seguiu os procedimentos estabelecidos para o que se convencionou chamar de entrevistas narrativas (LANGLEY, 1999). A escolha pela entrevista narrativa (BAUER e GASKEL, 2000) teve o objetivo de alcançar uma compreensão sobre o objeto da tese (a agência) a partir das experiências dos entrevistados. A entrevista narrativa é não-estruturada e foge desse esquema pergunta-resposta. As questões normalmente emergem mais da própria conversa e das respostas anteriores, do que de um roteiro predeterminado (HANCOCK e EPSTON, 2008).
“As perguntas históricas básicas são ‘O que aconteceu no passado?’ e ‘Como chegamos ao presente?’(...) Sua metodologia central é a familiaridade e o acesso às fontes: encontrar primeiramente melhores evidências; testar a confiabilidade das fontes; triangular fonte contra fonte; colocar um ponto de vista contemporâneo contra o outro; questionar a fonte com provedora da teoria atual; fortalecer a evidência com o elemento que permite que afirmações e interpretações sejam confirmadas e checadas; apresentar os resultados na narrativa e na análise.” (JEREMY, 2002, p. 453- 454)
Conforme aponta Jeremy (2002), as perguntas indicadas nessa citação normalmente direcionam as pesquisas que trabalham com entrevistas narrativas.
Tradicionalmente, no esquema pergunta-resposta, o entrevistador seleciona o tema ou os tópicos, ordena as perguntas, verbaliza as perguntas com sua própria linguagem (BAUER e GASKEL, 2002).
Desta forma, sigo a orientação de Bauer e Gaskel (2002) que sugerem algumas fases e regras na condução de entrevistas narrativas (ver quadro 10). Apresento no anexo do documento um roteiro semi-estruturado para realização das entrevistas narrativas. Esses roteiro apresenta questões que partem de uma compreensão preliminar do tema da entrevista e servem para: facilitar o início da entrevista com uma formulação convincente do tópico inicial central; evidenciar alguns pontos que a entrevista deve atender; produzir um discurso narrativo pela interação de entrevistado e entrevistador.
Quadro 10: Regras e Fases principais da entrevista narrativa
Fases Regras
0. Preparação Exploração do campo
Formulação de questões exmanentes13 1. Iniciação Formulação do Tópico inicial para narração
Emprego de auxílios visuais 2. Narração Central Não interromper
Somente encorajamento não verbal para continuar a narração Tomar nota de possíveis perguntas para serem feitas posteriormente Esperar para os sinais de finalização (“coda”)
3. Fase de Perguntas
Somente “Que aconteceu então?”
Não dar opiniões ou fazer perguntas sobre atitudes Não discutir sobre contradições
Não fazer perguntas do tipo “por que?” Ir de perguntas exmanentes para imanentes14 4. Fala conclusiva Parar de gravar
São permitidas perguntas do tipo “por que?”
Fazer anotações imediatamente depois da entrevista
Fonte: Bauer e Gaskel (2002, p. 97)
13 Questões exmanentes refletem os interesses do pesquisador, suas formulações e linguagem. 14 Questões imanentes fazem referência aos elementos (temas, tópicos e relatos) narrados pelo informante
A produção dos dados por meio de entrevistas narrativas ocorreu em um único momento de pesquisa de campo, no período de novembro/2008 a fevereiro/2009, seguido simultaneamente pela análise e consolidação dos resultados produzidos. Foram quase 40 dias para o agendamento das entrevistas e dois meses para a realização das mesmas e, ao longo desse período, realizei oito entrevistas narrativas com os profissionais direta ou indiretamente relacionados às estratégias de RSE.
A preocupação com meu papel de produtora-analista e meu envolvimento anterior com o tema fez com que eu procurasse iniciar as entrevistas, geralmente, comentando temas frequentes ou familiares, que poderiam me aproximar do entrevistado (por exemplo, participação em congressos voltados para praticantes da área ou notícias recentes veiculadas na mídia especializada). Após essa conversa informal sobre temas da área, explicava brevemente meu interesse em conhecer a trajetória da RSE na empresa. Ao longo dessa breve introdução da entrevista, solicitava a gravação da mesma (ver protocolo da entrevista no anexo X).
Pesquisadores qualitativos estão mais propensos a confrontar e se deparar com as restrições da realidade cotidiana. Eles percebem o mundo em ação e seus achados estão imersos nele [...] eles podem se aproximar da perspectiva do ator por meio de entrevistas e observações [...] eles crêem que as descrições densas do mundo social são valiosas. (DENZIN e LINCOLN, 2005, p. 12)
O tema central das entrevistas foi a trajetória das estratégias de RSE na empresa e o envolvimento do profissional com a questão. O foco de cada entrevista foi, normalmente, dado em função do cargo que a pessoa ocupava e das relações que ela possuía com as estratégias de RSE. Devido ao meu interesse sobre as ações, segundo a perspectiva do entrevistado, procurei destacar também suas principais práticas, ações e dificuldades que foram percebidas ao longo da trajetória da RSE.
Assim, as entrevistas narrativas transcorreram visando resgate da trajetória a RSE na empresa, destacar a proximidade do respondente com a temática e com as situações relatadas, bem como os elementos marcantes dessa trajetória. Ao
longo de cada entrevista, procurei levantar junto aos respondentes questões relacionadas aos diferentes níveis de análise apresentado no quadro de análise da tese. Procurei também identificar suas atividades cotidianas e recursos ou insumos de trabalho, como forma de procurar a similaridade entre diversos respondentes quanto as práticas, as ações realizadas, questionamentos postos e as diferentes influências ao longo do processo.
Também ao longo das entrevistas, percebi contradições ou incongruências entre a perspectiva do entrevistado, a perspectiva de outros entrevistados e os dados secundários coletados com o discurso oficial sobre as estratégias de RSE. Fui atrás dessas pistas nesses momentos e procurei concentrar brevemente cada entrevista no entendimento das alternativas de ação que se apresentavam ou as (des)continuidades e (des)encontros entre perspectivas.
Adicionalmente, realizei um esforço de teorização, confrontando as análises e os dados com o referencial teórico e o problema de pesquisa, como forma de orientar a coleta de dados secundários adicionais. Assim, os discursos narrativos foram produzidos na primeira etapa por meio de entrevistas narrativas, visando marcar o desenvolvimento da história das estratégias de RSE pelos agentes em termos cronológicos.
Como veremos adiante, após a aplicação da técnica de mapeamento visual, a análise dos discursos narrativos foi realizada,por meio do bracketing temporal e analítico (POZZEBON e PINSONNEAULT, 2005), visando identificar e compreender a não-ação, estabelecendo conexões entre elas em um quadro de co-determinação.