7.3 Analysis of 1D equivalent beams
7.3.2 Floor with concrete screed. (work in progress)
No capítulo 2.1.4 foi apresentado a tabela 22, que encontra-se replicada a baixo, sobre as interações do mercado de biodiesel com diversos outros mercados. O presente anexo visa a explicitar e detalhar os mecanismos de tais interações.
Tabela 22: Interação do mercado de biodiesel/biocombustíveis com diversos outros mercados
MERCADO MECANISMO DE INTERAÇÃO CONSEQUÊNCIA
Cosméticos, farmacêuticos e oleoquímicos
O biodiesel compete pela mesma matéria-
prima, o óleo vegetal Pressão no preço do óleo vegetal
Óleos vegetais alimentícios O biodiesel consome óleo vegetal que poderia ser destinado a fins alimentícios Pressão no preço do óleo vegetal
Carne Os farelos oriundos das oleaginosas podem ser utilizados em rações animais para a produção de carne
Maior oferta de farelo, alívio no preço da carne
Cereais biocombustíveis competem com as demais Pelo uso extensivo das terras, os lavouras extensivas como cereais, milho etc.
Pressão no preço das cereais
Papel, madeira, carvão vegetal,
demais usos do solo Os biocombustíveis competem com todos os demais usos do solo Competição pelas melhores terras, pressão imobiliária no preço da terra
Combustíveis fósseis O biodiesel substitui parcialmente o consumo de combustíveis fósseis Alivia a pressão no preço dos combustíveis fósseis
Glicerina
A produção desse co-produto em quantidades importantes pode desequilibrar o mercado
existente da glicerina
Baixa do preço da glicerina e incentivo para pesquisar novos usos desse co-produto
Políticas agrícolas
Sendo mais uma fonte de renda agrícola, os biocombustíveis contribuem ao
desenvolvimento rural
Geração de renda no campo, menos necessidade de subsídios públicos
Segurança de abastecimento energético
O biodiesel evita a importação de derivados de petróleo e diminui a vulnerabilidade do país a variações cambiais ou ao domínio de um grupo
de fornecedores externos
Diminuição do risco externo
Mercado de câmbio / balança comercial
O biodiesel diminui as importações de derivados de petróleo, mas no caso do Brasil também diminui as exportações de óleo vegetal
Qualidade do ar O biodiesel diminui as emissões de enxofre, cinzas e materiais particulados Redução de doenças respiratórias, preservação do patrimônio histórico-arquitetônico
Efeito estufa Os biocombustíveis permitem uma redução dos gases de efeito de estufa Interação com o mercado de créditos de carbono e a formulação de políticas públicas ambientais
Água e energia
Os biocombustíveis precisam de água para serem produzidos. Em qualquer lugar pode se produzir água com energia (via dessalinização
por exemplo)
Interdependência entre os mercados de água, alimentos e energia
Fonte: Elaboração própria
Como grande consumidor de óleos vegetais, o biodiesel vem competir com os demais usos industriais dos óleos vegetais, cosméticos, farmacêutico e oleoquímico que também são grandes consumidores da mesma matéria-prima.
Para ser produzido em grande escala, o biodiesel necessita de grandes extensões de terras, e vem competir com os demais usos do solo para alimentos, papel e celulose, madeira, carvão vegetal (em particular para a indústria siderúrgica), outras biomassas energéticas, ou simplesmente pelo uso do solo para atividades humanas (estradas, habitações, cidades etc). Entre os usos do solo, também convém destacar as demandas crescentes de terras para preservação da biodiversidade, criação de reservas ambientais e de áreas para reflorestamento, e sequestro de carbono.
Aumentando o consumo de óleos vegetais, o biodiesel impacta diretamente o mercado de proteínas e farelos oriundos de mesmas matérias-primas. De fato, o processo de esmagamento e extração de óleo vegetal a partir de oleaginosas gera farelos muito ricos em proteínas, usados principalmente para a alimentação animal e a produção de carnes. No caso da canola e do girassol, para cada tonelada de grão processado obtêm-se cerca de 50% de óleo e 50% de farelo. No caso da soja, os farelos representam 80% dos derivados do grão. Isto indica que o óleo de soja pode ser considerado um “subproduto” do farelo, em termos de volume. Desta forma o crescimento do consumo de óleos vegetais para biodiesel provoca um aumento da oferta de farelos, que por sua vez contribui para uma maior produção de carne.
Pelo seu destino final, o biodiesel compete com o petrodiesel e com os combustíveis líquidos em geral. Dessa forma, mesmo que modestamente, a oferta em maior escala de
biodiesel relativisa a força das grandes companhias petrolíferas e suas áreas de influências. Embora muito se fale sobre o impacto dos preços do petróleo sobre o mercado dos biocombustíveis, também é pertinente questionar sobre o impacto da oferta de biocombustíveis sobre o preço dos combustíveis que eles substituem.
Na sua produção, o biodiesel gera 10% de glicererina. A quantidade de glicerina gerada dessa forma é muito superior à demanda do mercado existente, e as grandes quantidades rejeitadas no processamento industrial do biodiesel geram impactos na indústria gliceroquímica, no sentido de aumentar a oferta.
Promovendo uma atividade rural intensa, os biocombustíveis estão cada vez mais no centro de atenções das políticas agrícolas. Eles oferecem mais uma alternativa de renda para o setor de agronegócio e para a agricultura familiar, especialmente importantes em momentos de crise econômica.
Nos países desenvolvidos, os biocombustíveis são uma maneira de transferir os custos altos e controversos dos subsídios agrícolas para o consumidor final através de políticas de quotas obrigatórias, em vez de serem bancadas pelo orçamento público. Por outro lado, a incorporação dos biocombustíveis permite aos países que o adotam a sair do circulo vicioso, já denunciado pela OMC, no qual as subvenções para a produção de alimentos em países desenvolvidos acabam tirando as oportunidades dos países em desenvolvimento de produzir e vender sua produção agrícola a um custo mais competitivo.
Nos países em desenvolvimento, os biocombustíveis aparecem como uma estratégia para fixar as populações no campo, desenvolvendo novos pólos de atividades agroindustriais e evitando assim o êxodo rural. Enfim, em todos os casos, os biocombustíveis oferecem a vantagem de diversificar a matriz energética, melhorando a segurança do abastecimento energético em países consumidores. Por esses motivos, o fomento ao biodiesel é um instrumento político de redistribuição da riqueza nacional, que interage estreitamente com o orçamento público, e acaba inflindo com distintos interesses nacionais e, às vezes, nacionalistas.
Os biocombustíveis, pelas suas componentes ambientais, interagem com mais alguns mercados. Localmente, eles apresentam vantagens nas cidades por evitar as emissões nocivas,
sobretudo de enxofre e de material particulado, diminuindo assim a poluição do ar nas áreas urbanas e os consequentes danos à saúde humana e ao patrimônio histórico-arquitetônico. No nível global, os biocombustíveis contribuem para a redução da emissão de gases de efeito estufa, sobretudo de CO2. Entretanto, também existem outros tipos de impactos ambientais negativos, relacionados ao crescimento das monoculturas, à erosão dos solos, à redução da biodiversidade, ao desflorestamento, à promoção de sementes geneticamente modificadas e à contaminação pelo uso intenso de defensivos agrícolas e fertilizantes diretamente ligados ao fomento ao biocombustíveis.
Considerando-se que as áreas disponíveis para o crescimento da produção agrícola estão cada vez mais restritas, o foco se fecha cada vez mais sobre o aumento da produtividade agrícola. Nesse sentido a necessidade de novas terras e maior produtividade pode ser atingida através do melhor ou novo uso da água, seja pelo ciclo natural, seja através da irrigação. Existem hoje novas tecnologias de dessalinização energeticamente muito mais eficientes do que as antigas (osmose reversa), novas tecnologias de irrigação (gota a gota, agricultura de precisão), e novas tecnologias de poços. Baseado nesses elementos, o país ou região que tem água pode ter alimentos e energia, e aquele que tem energia pode ter água (por exemplo, através da osmose reversa) e, consequentemente, alimentos. É razoável pensar então que os mercados de água, alimentos e energia estarão cada vez mais inter-relacionados no futuro.