2. Realhistoriske forhold
2.4 Flaggsaken – en symbolsak som provoserte kongen
METODOLOGIA
3.1 Caracterização da pesquisa
Se desejamos saber como as pessoas sentem, qual sua experiência interior, o que lembram, como são suas emoções e seus motivos, quais as razões
para agir como o fazem – por que não perguntar a elas?
G. W. Allport
A escolha da metodologia é uma etapa muito importante do trabalho de
pesquisa. Nessa fase do estudo, o pesquisador deve delinear o seu problema e determinar os seus objetivos específicos para, a partir daí, selecionar a forma como esse problema será investigado. Com relação a essa difícil escolha, Alves-Mazzotti e Gewandsznajder (2004) salientam que não existe metodologia boa ou ruim, mas sim adequada ou inadequada para tratar um determinado problema. Assim, em toda e qualquer pesquisa deverá sempre haver uma adequação do paradigma adotado aos objetivos do estudo.
Para compreender o comportamento humano no contexto das Ciências Sociais empíricas, Günther (1999, p. 1) aponta três caminhos: “(1) observar o comportamento que ocorre naturalmente no âmbito real; (2) criar situações artificiais e observar o comportamento diante de tarefas definidas para essas situações; e (3) perguntar as pessoas sobre o que fazem (fizeram) e pensam (pensaram)”.
Investigar a violência escolar, com especial enfoque no bullying, não é uma tarefa simples, pois esse tipo específico de violência pode se manifestar de forma velada. Pais e educadores tendem a considerar esse comportamento agressivo como normal ou como uma etapa natural do crescimento e do desenvolvimento dos alunos. Nesse sentido, é bastante comum ouvir a alegação no sentido de que esse comportamento seria uma “brincadeira de criança” e que “passa com o tempo”. Pensando assim, acreditam não ser necessária a intervenção do adulto.
A pesquisa em foco teve uma abordagem predominantemente quantitativa e utilizou como instrumento para a coleta de dados um questionário (Anexo III). Para Günther (1999), o questionário não testa habilidade do respondente, mas mede sua opinião, seus interesses, aspectos de personalidade e informação biográfica. O autor observa, ainda, que o método mostra-se oportuno, uma vez que coleta informações de pessoas acerca de suas ideias, sentimentos, planos, crenças, bem como sobre sua origem social, educacional e econômica.
Como vantagens dos questionários, Selltiz et al. (1972) ressaltam o baixo custo do instrumento, a possibilidade de aplicá-los a um grande número de pessoas ao mesmo tempo, pois os questionários podem ser enviados pelo correio ou entregues às pessoas, com um mínimo de explicações. Também há a possibilidade dos respondentes manterem o anonimato e, assim, sentirem-se mais livres para exprimir suas opiniões.
3.2 Participantes do estudo
3.2.1 As escolas
A pesquisa foi desenvolvida em seis escolas públicas da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEE/DF), vinculadas a duas Diretorias Regionais de Ensino (DRE) e localizadas em duas Regiões Administrativas do Distrito Federal. As escolas selecionadas para a pesquisa oferecem atendimento especializado aos superdotados, por meio do Programa de Atendimento Educacional Especializado a Estudantes com Altas Habilidades/Superdotação da SEE/DF. Trata-se de atividade de enriquecimento da aprendizagem realizada nas Salas de Recursos de Altas Habilidades, localizadas nas dependências das referidas escolas. Os alunos superdotados cursavam o ensino regular em escolas públicas ou particulares do Distrito Federal e participam do programa uma ou duas vezes por semana, no turno contrário ao do estudo regular. As referidas Salas de Recursos são identificadas neste trabalho como: SR1, SR2, SR3, SR4, SR5 e SR6.
A SR1 funciona em uma escola de Ensino Médio com cerca de 1.400 alunos
distribuídos nos três turnos. Quarenta e um alunos superdotados participam do programa nessa escola e as atividades de enriquecimento se restringem à área de Talento (Artes Visuais). O programa de atendimento conta com uma sala de aula e
um professor tutor, responsável pelo desenvolvimento das atividades na Sala de Recursos.
A SR2 funciona em uma escola de Ensino Médio com aproximadamente 700 alunos distribuídos no matutino e noturno. O atendimento é oferecido a 47 alunos na área Acadêmica (Ciências Físicas, Biológicas e Robótica), no diurno. O Programa conta com uma sala de aula e um professor tutor.
A SR3 localiza-se em uma escola que oferece Educação Infantil e Ensino Fundamental a 592 alunos, no diurno. No noturno, a escola funciona com a Educação de Jovens e Adultos com 300 alunos. O atendimento é oferecido a 43 alunos superdotados na área Acadêmica (Ciências Humanas e Meio Ambiente). O Programa conta com uma sala de aula e um professor tutor.
A SR4 funciona em uma Faculdade particular do Distrito Federal, após ter sido firmado convênio entre a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal e a Faculdade. O atendimento é oferecido no período diurno, na área Acadêmica, a 59 alunos. Duas salas de aula, um laboratório de informática e dois professores tutores, são disponibilizados para o Programa.
A SR5 encontra-se localizada em uma escola de Educação Infantil, na qual estão matriculados 198 alunos distribuídos nos turnos matutino e vespertino. O atendimento é oferecido a 101 alunos na área Acadêmica (Atividades), em ambos os turnos. O Programa conta com duas salas de aula e dois professores tutores.
A SR6 localiza-se em uma escola de Ensino Fundamental, de Ensino Médio, de Educação de Jovens e Adultos, na qual estudam 1.201 alunos distribuídos nos três turnos. A SR6 funciona no matutino e vespertino com atividades de enriquecimento nas áreas de Talento (Artes Visuais) e Acadêmica para 65 alunos superdotados. O Programa conta com duas salas de aula e dois professores tutores. Dentre os participantes do estudo, 42 (35,6%) participavam de atividade de enriquecimento na SR3. Os demais participavam do programa na SR1 (n= 29; 24,6%), SR2 (n= 16; 13,6%), SR5 (n= 13; 11,0%), SR6 (n= 13; 11,0%) e SR4 (n= 5; 4,2%).
3.2.2 Os alunos
Utilizou-se uma amostra de conveniência constituída por 118 alunos com Altas Habilidades/Superdotação que participavam do Atendimento Educacional Especializado a Estudantes com Altas Habilidades/Superdotação da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, sendo 74 (62,7%) do gênero masculino e 44 (37,3%) do gênero feminino. A idade dos respondentes variou entre 10 e 20 anos, (M = 13,29 anos). A maior parte dos alunos pesquisados (f= 63; 53,3%) tinha entre 12 e 14 anos.
Cento e sete alunos (90,7%) cursavam o ensino regular em escolas públicas e 11 (9,3%) em escolas particulares, localizadas em várias regiões do Distrito Federal e do Entorno. Dos participantes, 88 (74,6%) cursavam o Ensino Fundamental e 27 (22,9%) o Ensino Médio, com predominância de alunos do 5º ao 8º ano.
Embora os participantes da pesquisa fossem atendidos em Salas de Recursos de escolas localizadas em duas Regiões Administrativas do Distrito Federal, muitos desses alunos residiam em várias outras regiões do Distrito Federal e do Entorno (p. ex: Águas Claras, Águas Lindas, Ceilândia, Estrutural, Park Way, Planaltina, Recanto das Emas, Riacho Fundo, Samambaia e Valparaíso II), por ocasião da coleta de dados. Esse é um indicador de que a amostra incluiu alunos que vivenciavam realidades sociais diferentes, com características distintas no tocante à origem, ao contexto social e educacional e à situação econômica e familiar.
Vale ressaltar que o Programa Atendimento Educacional Especializado a Estudantes com Altas Habilidades/Superdotação da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal visa atender às necessidades educativas dos estudantes identificados com potencial de talento em salas de aula do ensino regular. Fundamenta-se no desenvolvimento de estratégias diferenciadas de abordagem das habilidades e competências do currículo comum, com vistas à suplementação, diferenciação, modificação e ao enriquecimento curricular. Entre os participantes da pesquisa, 77 (65,3%) alunos eram atendidos por meio de atividades de enriquecimento na área acadêmica, 24 alunos (20,3%) na área de talento e 14 (11,9%) nas duas áreas simultaneamente. Três alunos não informaram a área de atendimento. (ver Tabela 1).
Tabela 1 - Caracterização dos participantes
Variável f %
Tipo de Escola Pública Particular 107 11 90,7 9,3
Total 118 100 Nível de Ensino Fundamental 4º ano 2 1,7 5º ano 15 12,7 6º ano 18 15,3 7º ano 24 20,3 8º ano 19 16,1 9º ano 10 8,5
Médio 1º ano 2º ano 11 12 10,2 9,3
3º ano 4 3,4 Não informaram 3 2,5 Total 118 100 Gênero Masculino Feminino Total 74 62,7 44 37,3 118 100 Idade 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 14 11,9 12 10,2 26 22,0 17 14,4 20 17,0 6 5,1 11 9,3 4 3,4 4 3,4 3 2,5 1 0,8 Total 118 100 Residência Plano Piloto
Outras Regiões Administrativas Entorno do DF Total 21 95 17,8 80,5 2 1,7 118 100 Área de Atendimento Acadêmica Talento Acadêmica e Talento Não informaram Total 77 24 14 65,3 20,3 11,9 3 2,5 118 100
3.3 Instrumento
Utilizou-se para a coleta de dados um questionário elaborado com base em dois outros questionários descritos em estudos anteriores sobre o tema. O primeiro foi desenvolvido pela instituição Inglesa Kidscape, a qual tem como objetivo prevenir o assédio moral e o abuso sexual infantil e que há muitos anos se dedica ao tema bullying. Trata-se de um questionário anônimo e autopreenchível, composto por 13 perguntas fechadas e uma aberta. Esse instrumento busca avaliar se o participante sofreu ou praticou alguma agressão, assédio ou intimidação, bem como identificar quando e onde isso aconteceu, além de buscar conhecer os sentimentos que as situações de bullying geraram nas vítimas. O questionário da Kidscape tem sido aplicado em escolas de vários países envolvendo alunos do ensino fundamental e médio (KIDSCAPE, 2010).
O segundo questionário foi desenvolvido por Freire, Veiga Simão e Ferreira, da Universidade de Lisboa em Portugal. Tem como objetivo caracterizar as diferentes formas de agressão entre pares e busca conhecer a percepção dos alunos acerca do ambiente relacional da escola e o modo como eles interpretam e sentem a violência nas suas escolas (FREIRE; VEIGA SIMÃO; FERREIRA, 2006). É composto por 45 perguntas divididas em oito blocos. O bloco A inclui questões referentes aos dados biográficos dos alunos participantes. O bloco B identifica a opinião dos participantes sobre o ambiente escolar. Os blocos C, D e E analisam as situações de bullying na perspectiva da vítima, do agressor e da testemunha, respectivamente, considerando o tipo, o local, a frequência, as atitudes, as consequências e a perspectiva de uns em relação a outros. Os blocos F, G, e H coletam informações sobre os sentimentos, as atribuições e as estratégias para lidar com as situações de violência entre pares nas escolas (FREIRE; VEIGA SIMÃO; FERREIRA, 2006).
O questionário utilizado na presente pesquisa é composto por 40 questões, distribuídas em seis partes. A primeira parte visa levantar dados dos participantes no tocante ao gênero, idade, local de residência, série de estudo, tipo de escola que frequenta (pública ou particular) e área de atendimento no Programa de Atendimento ao Aluno Superdotado e Talentoso da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal. A segunda parte, com duas questões, tem como objetivo verificar se os respondentes já conheciam o termo bullying e se essa prática é recorrente em suas escolas.
As partes III, IV e V do questionário buscam levantar dados que sinalizem, nos últimos 30 dias anteriores à pesquisa, possível envolvimento dos participantes com a prática do bullying em suas escolas, A terceira parte, composta de 13 questões, avalia se os alunos foram vítimas de bullying, como esta violência se manifestou e quais os impactos dessa prática nas suas vidas. A quarta parte inclui 18 questões, que visam identificar o envolvimento dos participantes como agressores na prática do bullying. Examina as condutas dos alunos com Altas Habilidades/Superdotação, dos outros alunos da escola e também dos gestores frente às situações de bullying. Além disso, busca identificar os espaços da escola onde ocorrem essas situações, e ainda, a partir da opinião dos participantes, o perfil dos agressores e os motivos que levam uma pessoa a praticar o bullying. A quinta parte inclui quatro questões relativas ao possível envolvimento dos participantes como testemunha de bullying em suas escolas; os impactos dessa prática na vida dos que a vivenciam; as condutas dos alunos com altas habilidades/superdotação e dos outros alunos da escola ao presenciarem esse tipo de violência. As duas questões da sexta parte do questionário buscam colher a opinião dos participantes sobre quem são os culpados pela prática do bullying e que medidas deveriam ser adotadas pelos gestores da escola para coibir essa prática. Uma cópia do questionário encontra-se no Anexo III.
3.4 Estudo Piloto
Conforme fora previsto no projeto desta pesquisa, inicialmente foi realizado um estudo piloto, com a participação de cinco alunos superdotados com características similares às dos participantes da pesquisa, quatro de escolas públicas e um de escola particular, todas localizadas no Distrito Federal. O objetivo desse procedimento preliminar foi verificar a adequação da estrutura e a clareza do questionário proposto, bem como identificar possíveis falhas no instrumento, além de colher impressões e sugestões desses alunos sobre o questionário. Os respondentes do estudo piloto sinalizaram alterações quanto à forma e ao conteúdo de algumas perguntas. Na questão 16, por exemplo, foi sugerido incluir a possibilidade do respondente não ter sofrido as agressões, de forma similar a outras questões do questionário. Também foi proposto acrescentar, na questão 34, a opção
de resposta “autoafirmação”. Todas as sugestões foram analisadas pela pesquisadora e aquelas avaliadas como pertinentes foram acatadas.
3.5 Procedimentos
Antes do início da coleta dos dados, obteve-se a devida autorização das Diretorias Regionais de Ensino selecionadas. O primeiro contato foi feito com a direção das escolas e em seguida com os professores das Salas de Recursos, ocasião em que foram apresentados os objetivos da pesquisa e agendados dois encontros com os alunos. No primeiro encontro, informou-se aos possíveis participantes sobre a pesquisa e lhes foi entregue tanto uma carta endereçada aos pais e/ou responsáveis quanto um formulário de autorização para participação do seu filho no estudo. A carta (ver Anexo I) objetivava esclarecer aos pais sobre o tema da investigação e a relevância do estudo para a compreensão da prática do bullying nas escolas. Informou-se também que todos os dados coletados seriam utilizadas apenas para fins científicos e que os participantes não seriam identificados. A autorização (Anexo II) deveria ser devidamente assinada, caso os mesmos permitissem a participação de seus filhos na pesquisa, como prevê a legislação no caso de menores de idade.
Foram enviadas aproximadamente 180 cartas e formulários de autorização aos pais. Três pais não permitiram a participação de seus filhos. Dois alunos, mesmo autorizados pelas famílias, não quiseram responder o questionário. Aproximadamente 50 alunos não trouxeram as devidas autorizações no dia marcado. Alguns porque esqueceram, outros porque perderam os papéis. Vale ressaltar que o atendimento em Sala de Recursos é semanal, o que gerou certa dificuldade na viabilização do procedimento de autorização. Apenas participaram da investigação os 118 alunos que entregaram à pesquisadora as autorizações dos pais e/ou responsáveis.
Antes da aplicação do instrumento, todos os alunos que compuseram a amostra foram informados sobre o significado do termo bullying, a fim de garantir que tivessem como base um único conceito sobre o tema pesquisado, considerando que algumas pessoas ainda desconhecem o uso dessa palavra para designar comportamentos agressivos entre pares. Na sequência, o questionário foi aplicado pela pesquisadora nas Salas de Recursos, onde os alunos com altas habilidades
recebiam atendimento. A aplicação do instrumento da pesquisa foi na maioria das vezes coletiva, no entanto, em alguns poucos casos ocorreu de forma individual.
Cabe ressaltar que o projeto de pesquisa, protocolo 022, recebeu a devida aprovação do Comitê de Ética da Universidade Católica de Brasília, em sua 104ª reunião realizada no dia 21 de março de 2011.
3.6 Análise dos dados
Para a análise dos dados quantitativos coletados, foi utilizado o software estatístico SPSS (Statistical Package for the Social Sciences). Esse programa é ferramenta largamente utilizada em pesquisas nas Ciências Sociais. Foram calculadas a frequência e a porcentagem das respostas apresentadas a cada uma das opções previstas nas perguntas do questionário.
Para a interpretação das respostas à questão 3 (aberta), foi utilizada a análise de contéudo, empregando-se o método lógico-semântico, descrito por Franco (2005), tendo-se agrupado as respostas em distintas categorias.
Após essa etapa, foram realizadas a análise e a interpretação dos dados obtidos, cujos resultados são apresentados no próximo capítulo.