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Findings – Quantitative

In document CMI REPORT (sider 48-55)

5 Country case: Ethiopia

5.4 Findings – Quantitative

ANIMUS E ANIMA.

Os termos Masculino e Feminino não somente dizem respeito ao gênero, antes do que isto, são termos originais, denominados como princípios arquetípicos. Estes princípios compõem a essência do mundo, estão presentes na natureza e na humanidade em geral, desta forma não se limitam à divisão patriarcal que restringe o Masculino ao homem e o Feminino à mulher. Carl Gustav Jung foi o primeiro autor a identificar estes elementos, reconhecendo que no inconsciente de todos nós sempre existe o pólo oposto ao sexo. Esta idéia de Jung é encontrada ao longo de todas as suas obras e foi considerada como a mais fecunda delas.

Considerados como princípios, estes arquétipos referem-se a potenciais que se expressam simbolicamente, tanto na cultura, como nos indivíduos de ambos os sexos, Masculino e Feminino estão presentes como potencialidades tanto em homens quanto em mulheres, com proporções diferentes. São forças construtoras e organizadoras da vida. “Masculino e Feminino existem em cada ser humano, homem e mulher, como

forças produtoras de identidade e de diferenças. Mas não só. Realizam-se nas muitas

dimensões da realidade total” (Muraro & Boff, 2002, p.75) e “(...) Homens e mulheres

constituem formas simbólicas de expressão desses princípios que, no entanto, sempre permanecerão muito mais amplos do que a possibilidade de representação que um ser

humano possa lhes dar” (Moraes, 1994, p.13).

Segundo Whitmont (1969) é através da polaridade masculino-feminino que vivenciamos o conflito universal dos opostos em uma de suas formas mais básicas. Os conceitos Yin e Yang da filosofia chinesa nos auxiliam na compreensão do Masculino e Feminino enquanto princípios. Para o autor, Yang é o princípio criativo da energia iniciadora, representante da ordem, da força, da agressividade, da impulsividade, rebelião, discernimento e abstração. As características do Yang referem-se ao calor, ao estímulo à luz, assim como às representações fálicas da espada, da lança, do poder de penetração que pode, até mesmo, ser despedaçador. É individualizado, pois se manifesta na disciplina e na separação. É representado como paraíso ou espírito. Positivo, criativo,

desperta, luta, mas também destrói e restringe. Já o elemento Yin representa a natureza e seu ventre escuro. É receptivo, concreto, continente, envolvente, dócil, retraído, frio, úmido e escuro. Representa o mundo da formação, os impulsos, anseios e instintos, a sexualidade, é gerador e doador de forma, centrípeto e iniciador. É percebido no simbolismo da Terra e da Lua, da escuridão e do espaço. É negativo, indiferenciado e coletivo.

Os termos positivo e negativo não implicam, aqui, qualquer julgamento valorativo. Positivo descreve uma energia emanadora e iniciadora, assertiva ou ativa, enquanto que o termo negativo diz respeito a uma energia passiva ou receptiva.

O simbolismo Yang é representado pelas imagens masculinas como o pai, herói e companheiro, a sabedoria, assim como as imagens da natureza como a águia, o cisne, o carvalho e a chuva de ouro, enquanto que as imagens simbólicas do Yin abrangem o mundo da natureza, da vida, das emoções e dos impulsos. A dinâmica Yin refere-se à fusão e ao envolvimento, diferente da dinâmica Yang que diz respeito à separação e abstração.

O mundo Ocidental está mais familiarizado com as características do Yang do que do Yin. A orientação consciente dos homens ocidentais é, majoritariamente, identificada com o Yang, da mesma forma como os traços inconscientes da mulher o são. A orientação consciente feminina é, em geral, identificada com o Yin, elemento que apresenta traços inconscientes nos homens. Esta influência do elemento Yang, equivalente ao princípio Masculino no inconsciente feminino foi denominado por Jung de animus, e a influência do elemento Yin, Feminino, no inconsciente masculino recebeu o nome de anima. Retomaremos esses termos mais adiante. Desta forma, fica claro que os homens não são encarnações puras do elemento masculino, ou do Yang, tampouco as mulheres são simples criaturas do elemento feminino Yin, ambos são constituídos pela relação dual destes elementos. “(...) a masculinidade e a feminilidade

não são determinadas por uma predominância absoluta, mas relativa de um conjunto

Wilhelm apud Whitmont (1969) define o Yin como complemento perfeito ao Yang e ressalta esta função complementar e não opositora; “(...) o complemento, não o

oposto, pois o Receptivo não combate o Criativo, mas completa-o” (p.154).

Tanto Yang quanto Yin possuem expressões estáticas e dinâmicas. O aspecto dinâmico do Yang é um impulso para a ação, desafiador, combativo, agressivo, fálico, instigador que luta por realização, conflito e penetração. É auto-afirmação e vontade. Whitmont (1969) refere-se a este pólo como marciano, relembrando Marte, o deus da guerra que personifica a agressividade. No entanto, o aspecto estático do Yang se manifesta como entendimento criativo, reflexão, consciência, discernimento, razão, discriminação, cognição, significado, disciplina, lei, ordem, abstração e objetividade não-pessoal. Este aspecto do Yang corresponde ao que Jung denominou de Logos ou espírito. O pólo dinâmico, dos aspectos de Marte, e o pólo estático, do aspectos de Logos, expressam a luta pela afirmação e separação individual.

O aspecto dinâmico do Yin corresponde ao que Jung denominou como princípio de Eros. Eros é relacionamento, desejo de união, de unificação, de envolvimento com as pessoas, com a concretude da fusão humana e não com a abstração e o entendimento; é a união pessoal, subjetiva e emocional. O pólo estático do Yin é inerte, indiferente, gestante e expectante que cria e destrói incessantemente, frio e cego, avesso à disciplina e à consciência. É impessoal e coletivo. “(...) Ele é receptividade e doação, mas também

apoio e contenção; é vivência emocional e infindável fluxo sonhador do mundo das

imagens, da fantasia e da intuição” (Whitmont, 1969, p.156).

“Podemos encarar a Psicologia do homem como determinada por

vários graus de predominância do Yang manifesto e uma recessividade ou funcionamento em segundo plano do Yin. Do mesmo modo, a mulher é caracterizada por uma predominância relativamente manifesta do Yin e pelo funcionamento em segundo plano do Yang. Mas é preciso observar que estamos falando da predominância em vários graus; há aquilo que poderíamos chamar de homens motivados pelo feminino – ou Yin – e mulheres motivadas pelo masculino – ou Yang. Além do mais, predominância não deve ser confundida com

Retornemos agora às definições de anima e animus utilizadas por Jung para representar os opostos existentes inconscientemente em homens e mulheres, respectivamente. Estes termos foram inspirados no termo latino animare, que significa animar, avivar. Considerou-os adequados pois, compreendia a anima e o animus como almas ou espíritos animadores e vivificantes para homens e mulheres (Stanford, 1987). Por identificar a anima e o animus como elementos essenciais na construção da estrutura psíquica de todos os homens e mulheres, como personificações dos padrões humanos gerais, instintivos e inconscientes nos quais se baseiam muitas das características pessoais, Jung os classificou como arquétipos.

Os arquétipos da anima e do animus se referem àquilo que em cada sexo é o outro, o oposto, que a princípio se apresenta como incompreensível, como um mundo que não pode ser completamente conhecido, porém suas facetas podem ser, por vezes, intuídas ou sentidas.

A anima, portanto, representa o arquétipo Yin no homem, o Feminino que há dentro dele, embora de modo inconsciente. O animus é compreendido como um análogo do Yang: a masculinidade inconsciente da mulher.

A anima é uma existência psíquica irracional e consiste em ímpetos e impulsos anteriores à formação da consciência, ou seja, não são criados pela consciência são pré- condições: “(...) Devemos enfatizar particularmente esse caráter a priori na medida em

que representa a imagem arquetípica do Feminino em sua forma mais geral como

existe no homem individual e nos homens coletivamente” (Whitmont, 1969, p.168). A

anima representa a imagem arquetípica do Feminino Eterno e aparece em várias imagens de figuras femininas, desde figuras encantadoras até mesmo assustadoras, amigáveis ou perigosas, aparece na forma de ninfas, musas, donzelas aflitas, ciganas, camponesas, figuras sedutoras, santas, mártires, prostitutas, como a Rainha do Paraíso, a Santa Virgem, entre outros. A anima também pode ser representada por figuras de animais, principalmente gato, cobra, cavalo, vaca, pomba ou coruja.

“Anima é a personificação de todas as tendências psicológicas

as intuições proféticas, a receptividade ao irracional, a capacidade de amar, a sensibilidade à natureza e, por fim, mas nem por isso menos importante, o relacionamento com o inconsciente. Não foi por mero acaso que antigamente utilizavam-se sacerdotisas (como Síbila, na Grécia) para sondar a vontade divina e estabelecer comunicação

com os deuses” (von Franz, 1964, p.177).

Este arquétipo representa os impulsos que caracterizam a vida como natural, espontânea, relacionada aos instintos, aos prazeres da carne, o envolvimento emocional com outras pessoas ou coisas, à concretude, à Terra. Consiste nos anseios inconscientes do homem, seus estados de espírito, ansiedades, depressões, medos, aspirações emocionais, ilusões e desilusões, bem como potencial emocional e relacional, atração à aventura, à conquista e ao novo. Por ser um elemento inferior no homem – algo inconsciente opondo-se ao termo superior, consciente –, a anima por vezes invade a mente consciente, especificamente em situações que exigem respostas emocionais e instintivas.

Autores como Whitmont (1969) e Neumann (2000) afirmam que o confronto de um homem com sua anima consiste na grande tarefa do homem adulto, pois exige dele consciência de suas expectativas autônomas e padrões de resposta pessoais, assim como o estabelecimento de um relacionamento com o complexo como entidade autônoma, ou seja, que estabeleça um relacionamento com sua contra-parte feminina interior como um Tu, capaz de reconhecer os próprios anseios e necessidades e de se adaptar a eles, canalizando, sempre que possível, seus impulsos de modo que suas expressões sejam compatíveis com a realidade exterior, bem como com sua ética individual. Isto implica em, não somente levar em conta os próprios hábitos, exigências e responsabilidades comunitárias e familiares do meio que o cerca, como também atender às necessidades daquele elemento que está solicitando à consciência espaço para florescer. Somente assim, é que um homem relacionado com seu Self pode aceitar e lidar com a alteridade de outro Self, possibilitando assim, o que Neumann chamou de um autêntico encontro entre dois indivíduos.

Por intermédio das associações das imagens femininas estruturadas durante a infância, a Feminilidade Arquetípica se realiza no homem. Essas primeiras imagens femininas com as quais a criança tem contato não necessariamente referem-se à mãe,

mas a qualquer figura que tenha assumido o papel materno, podendo ser a própria, ou uma irmã, tia, avó, etc. Sendo assim, no aspecto pessoal, ocorre a formação de um padrão feminino, no qual na fase adulta, a anima poderá se realizar. Se o homem sente uma influência negativa da mãe, ou da figura feminina que tenha desempenhado tal papel, sua anima poderá se expressar de maneira irritada, incerta, depressiva, insegura e susceptível: este tipo de influência foi chamada de anima negativa. Entretanto, caso ele seja capaz de dominar tais investidas de aspecto negativo, elas poderão ajudá-lo a fortalecer sua masculinidade. A influência da anima negativa pode provocar uma espécie de apatia, medo a doenças, impotência ou até mesmo acidentes. Homens dominados por este tipo de anima podem achar que a vida possuiu um aspecto triste e opressivo. “(...) Este clima psicológico sombrio pode, mesmo, levar um homem ao

suicídio, e a anima torna-se então o demônio da morte” (von Franz, 1964, p.178).

A anima também pode manifestar-se de modo a tornar o homem extremamente sentimental, efeminado, podendo ser explorado por mulheres, envolvendo-o em jogos intelectuais destruidores, “(...) o objetivo secreto do inconsciente ao provocar toda esta

complicação é forçar um homem a desenvolver e amadurecer o seu próprio ser, integrando melhor a sua personalidade inconsciente e trazendo-a à realidade da sua vida” (von Franz, 1964, p.180).

Em seu aspecto positivo, a anima é responsável por ajudar o homem a identificar alguns fatos escondidos em seu inconsciente, assim como sintonizá-lo com seus valores internos positivos, o que possibilita um contato mais profundo com o seu interior, ela assume, portanto, o papel de mediador, de guia entre o Self e o mundo interior. Esta função de guia para o mundo interior só ocorre quando o homem leva a sério os seus sentimentos, humores, expectativas e fantasias e quando ele consegue expressá-los de alguma forma, por exemplo através da pintura, escultura, literatura, música ou dança. Ao trabalhar com calma e atenção estas sugestões da anima, abre-se espaço para que outros materiais ainda mais profundos do inconsciente venham à tona, possibilitando- lhe entrar em contato com seu próprio material reprimido e, portanto, primitivo (von Franz, 1964).

Os arquétipos da anima e do animus normalmente se expressam sob alguma forma de estrutura quaternária, pois permeiam quatro estágios de desenvolvimento. O primeiro estágio é simbolizado na figura de Eva, representando o relacionamento puramente instintivo e biológico; o segundo estágio do desenvolvimento da anima é simbolizado pela Helena de Fausto, personificando um nível romântico e estético, também caracterizado por elementos sexuais. O terceiro é expressado pela imagem da Virgem Maria: aqui, existe uma elevação do amor à grandeza da devoção espiritual. Por fim, o quarto estágio é simbolizado pela Sapiência, uma sabedoria que transcende aspectos como pureza e santidade, podendo ser expresso na imagem de Sulamita dos Cânticos de Salomão ou de Sophia. Von Franz, no capítulo do livro O Homem e Seus Símbolos do Jung (1964), adverte que no desenvolvimento psíquico do homem moderno, o quarto estágio é raramente alcançado e, que, a figura de Mona Lisa seria a que mais se aproximaria deste tipo de anima (p.185).

O animus enquanto imagem arquetípica do princípio Masculino, representa na mulher um ímpeto de ação, a capacidade de discriminação e julgamento. Whitmont acrescenta que quando essas funções não estão próximas do consciente, a mulher julga as coisas e as pessoas, em especial os homens. O autor também coloca que quando uma mulher é dominada pelo animus, fica preenchida de preconceitos, tornando-se altamente dogmática e argumentadora e assumindo uma postura demasiada generalizadora. “(...)

Uma mulher possuída pelo animus não discute para descobrir a verdade, mas para mostrar que está “certa”, vencer e ter a última palavra. Ela prefere estar certa num argumento a levar a sério o relacionamento humano. A vida e os homens são julgados e

rejeitados se não se encaixarem nos moldes de suas noções preconcebidas” (Whitmont,

1969, p.179). Von Franz descreve a atuação do animus na mulher como:

“(...) uma convicção secreta “sagrada”. Quando uma mulher anuncia

tal convicção com voz forte, masculina e insistente, ou a impõe às outras pessoas, por meio de cenas violentas reconhece-se, facilmente, a sua masculinidade encoberta. No entanto, mesmo em uma mulher que exteriormente se revele muito feminina o animus pode também ter uma força igualmente firme e inexorável. De repente podemos nos deparar com algo de obstinado, frio e totalmente inacessível em uma

O animus, tanto quanto a anima, representa um esquema de referências apriorísticas, ou seja, que nunca foram confrontados pela consciência, sendo que esta inconsciência não ocorre por repressão. Possui grande capacidade de mobilização e se expressa com rigidez, inflação, agressividade e sentimento de posse. Este arquétipo descreve os meios pelos quais os julgamentos femininos são formados: por este motivo é que para uma mulher esses padrões de julgamento são compreendidos como fatos óbvios para todos. Um “ataque de animus”, ou seja, quando estes elementos anímicos estão muito longe do confronto consciente, facilmente ocorre uma invasão, uma inundação desse elemento que aparece de forma reflexa e hostil. Isto ocorre, particularmente em situações que solicitem desta mulher características como iniciativa, agressividade, ação, discriminação, racionalidade e entendimento.

“Quanto menos os impulsos do ego são individualizados na

experiência real, mais compulsivos e poderosos eles se tornam no animus; quanto mais a mulher sente que tem de ser habitual e esteriotipadamente passiva e submissa, mais provável é que seu

animus seja compulsivamente hostil” (Whitmont, 1969, p.188).

Assim como a anima, o animus contém tanto o aspecto negativo, expressado por brutalidade, indiferença, tendência à conversa vazia, às idéias silenciosas, obstinadas e más, quanto o aspecto positivo que personifica atitudes como a iniciativa, a coragem, a honestidade e, na sua forma mais elevada assume grande profundidade espiritual; tais elementos se compreendidos, também podem fazer uma ponte de ligação com o Self, tornando a mulher consciente dos processos básicos de desenvolvimento da sua posição objetiva, cultural ou pessoal, ajudando-a, assim, a encontrar o seu caminho para uma atitude espiritual em relação à vida. No entanto, isto só é possível para a mulher a partir do momento em que tenha cessado a omissão de opiniões absolutas e, para isso, é preciso avaliar a inviolabilidade de suas convicções. “(...) Só então estará capacitada a

aceitar sugestões do seu inconsciente, sobretudo as que contradizem as opiniões do seu animus. Só então, repetimos, é que as manifestações do self hão de chegar a ela e fazê-

la compreender conscientemente o seu sentido” (von Franz, 1964, p.195).

A quaternariedade do animus está representada nas seguintes imagens: o atleta ou homem musculoso, representando o primeiro estágio do desenvolvimento do animus,

é a personificação das forças física e de vontade; ao segundo estágio corresponderia a imagem do homens de negócios ou executivos pois neste, o animus adquire iniciativa e capacidade de planejamento; no terceiro torna-se “o verbo” representado por imagens tais quais o poeta, o professor, o escritor, este estágio retrata o contato com o pensamento, e a quarta manifestação anímica é simbolizada pelo sábio, representando o guia de reflexão. Von Franz afirma que este quarto estágio do desenvolvimento do animus:

“(...) Dá à mulher uma firmeza espiritual e um invisível amparo

interior, que compensam sua brandura exterior. O animus, na sua forma mais altamente desenvolvida, relaciona a mente feminina com a evolução espiritual da sua época, tornando-a assim mais receptiva a novas idéias criadoras do que o homem. É por este motivo que antigamente, em muitos países, cabia às mulheres a tarefa de

adivinhar o futuro ou a vontade dos deuses” (1964, p.194).

Da mesma forma como a formação da anima no homem recebe um modelo a partir da relação com a mãe, ou com quem tenha exercido tal papel, o animus da mulher é modelado e formado a partir do seu relacionamento com figuras masculinas como o pai ou irmão.

Um fator muito importante a ser levado em conta e que torna o conhecimento da anima ou do animus muito difícil, é que estes fatores psíquicos existentes dentro de nós são, geralmente, projetados. Quando esses arquétipos são projetados em outras pessoas alteramos profundamente a percepção que temos delas. Em grande medida, os homens projetam suas animas em determinadas mulheres e vice-versa. Esta projeção é demasiada importante, pois é a responsável pela aproximação e atração entre os sexos, bem como pela paixão. Stanford explica a importância da projeção:

“(...) O homem e a mulher são tão diferentes que é preciso um grande

poder de atração para uni-los em primeiro lugar; a projeção produz essa influência por causa da fascinação com que reveste o membro do outro sexo. Por essa razão, a maior parte dos relacionamentos de amor começam com projeção, e isso proporciona vida para que

A anima e o animus possuem forte poder de numinosidade, ou seja, são repletos de energia psíquica, e por este motivo, tendem a atingir-nos emocionalmente. Devido a este efeito numinoso, é que tais imagens, quando projetadas, possuem um efeito semelhante ao magnético, fazendo com que a pessoa portadora da projeção ou nos atraia de maneira intensa, ou nos cause um alto grau de repulsa (Stanford, 1987, p.22).

Stanford nos atenta para o fato de a projeção destes arquétipos não ser, em si, boa ou má, pois trata-se de um evento natural que sempre ocorrerá, por mais que tentemos controlá-los e, que, é através deste recurso que tais elementos tornam-se visíveis para nossa realidade consciente, surgindo uma oportunidade de conhecermos mais o nosso mundo interior, “(...) esse é o caminho para chegarmos ao conhecimento

de nossas próprias almas” e “(...) A projeção em si não é boa nem má; o que fazemos

com ela é que deve ser levado em conta” (p.31).

Pelo fato de serem projetados, estes elementos geralmente não são reconhecidos como pertencentes à própria pessoa, mas quando a projeção é reconhecida, é possível identificar certos conteúdos da psique que poderiam passar desapercebidamente. “(...)

desde que o fenômeno de projeção seja reconhecido, essas imagens projetadas podem, até certo ponto, ser recolocadas dentro de nós, pois podemos usar projeções como

espelhos em que vemos o reflexo de nossos próprios conteúdos psíquicos” (Stanford,

1987, p.19). Sendo assim, a capacidade de reconhecer e utilizar as projeções é extremamente importante para o autoconhecimento; no entanto, tais fatores jamais poderão se tornar plenamente conscientes a ponto de não se projetarem mais. A conscientização, diferenciação, desenvolvimento, elaboração e integração destes arquétipos na psique individual, bem como a elaboração dos opostos de maneira geral,

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