5 Three analyses: explanations and implications
5.5 Final remarks
Os princípios do modelo de gestão estratégica que são apresentados neste estudo são fruto da análise da gestão que é praticada nas Escolas da Rede La Salle, tendo presente as ações da gestão estratégica de maior incidência positiva e negativa.
As cinco ações de maior incidência positiva na escala 4, “muitas vezes
foram”:
¾ Existe infra-estrutura adequada para o bom desempenho dos processos
pedagógicos.
¾ O relacionamento interpessoal é importante para a fidelização dos estudantes.
¾ O clima organizacional é importante para a captação de novos estudantes.
¾ A prática educativa é desenvolvida em equipe.
¾ São oferecidas oportunidades de formação continuada para os educadores e
pessoal técnico administrativo.
As cinco ações de maior incidência negativa na escala 3, “poucas
vezes”:
¾ Ausência de avaliadores externos para os processos pedagógicos e
administrativos.
¾ Os resultados nos concursos, gincanas, esportes e outros não são divulgados.
¾ Ausência de convênios com outras instituições para melhorar a qualidade de
ensino.
¾ Ausência de acompanhamento sistemático das mensalidades cobradas por
outras escolas.
¾ O nível de satisfação dos integrantes da comunidade educativa não é avaliado
por meio de pesquisas periódicas.
As ações estratégicas das Escolas da Rede La Salle mencionadas acima serviram de base para escolher os princípios que serão apresentados a seguir. O modelo de gestão estratégica enfatiza a busca constante de táticas para gerir a organização com eficiência e eficácia. Por esta razão, os diretores precisam estar preparados para lidar com o mundo
sempre mais diferente. Por isso, este modelo quer ser uma ferramenta facilitadora para possibilitar a interação, colaboração e conectividade entre todos os envolvidos da instituição.
A realidade cambiante exige cada vez mais aprendizagem contínua das direções das escolas, e, neste sentido, foram selecionados alguns princípios que podem ajudar os diretores no desenvolvimento do modelo de gestão estratégica. Para cada processo do modelo de gestão estratégica apresentada por Rocha (2003) mencionam-se três princípios, que são os princípios que fundamentam o modelo proposto:
a) Os processos de acompanhamento:
1- Comunicação e conectividade entre os envolvidos: A força propulsora da
organização escolar está baseada na capacidade e no comprometimento das direções das escolas em desenvolver e incentivar as pessoas envolvidas na escola para um propósito comum, considerando a missão, princípios e visão da organização educativa. A rede de conversações entre os envolvidos é importante para o comprometimento de todos. Entende-se por rede de conversações as oportunidades de diálogo que são oferecidas dentro da organização escolar para se chegar a alguns consensos e/ou diminuir eventuais contraditórios. Tanto os consensos como os contraditórios ajudam na busca de possibilidades de um maior comprometimento com a organização escolar. Um processo de comunicação eficaz deve ser implementado para que as pessoas envolvidas possam entender, de maneira clara, os objetivos da instituição, e, assim, contribuir para o alcance dos resultados desejados.
2- Participação nos processos administrativos e pedagógicos: A participação
cooperada entre a escola e a família nos processos de desenvolvimento e aprendizagem e na convivência em diferentes contextos sócio-culturais é algo que está presente neste modelo de
gestão. Também o aprender a aprender, aprender a ser, aprender a fazer, e aprender a conviver como fundamento para as inovações pedagógicas. Hoje, cada vez mais se percebe a necessidade de envolver a comunidade educativa nos processos administrativos através da participação dos seus representantes nos conselhos escolares.
3- Valorização das pessoas: O maior capital que a organização escolar tem são
as pessoas. Elas dão qualidade e credibilidade à instituição. A eficiência e a eficácia da escola dependem cada vez mais do conhecimento, habilidades, criatividade e motivação das pessoas envolvidas nela. Neste sentido, a valorização das pessoas é fundamental para a obtenção de sinergia entre as mesmas e os diversos setores da escola. Pessoas com habilidades e competências distintas formam equipes de alto desempenho quando lhes é dada autonomia para alcançar os objetivos.
Os princípios de comunicação e conectividade entre os envolvidos; a participação nos processos administrativos e pedagógicos, e a valorização das pessoas foram contemplados na avaliação da gestão estratégica nas Escolas da Rede La Salle. Aparecem com incidência na escala de valor 4, isto é, “muitas vezes”, em ações como as oportunidades de formação continuada para os educadores e pessoal técnico- administrativo, comunicação entre dos diversos setores da escola e o relacionamento interpessoal como fator de captação e fidelização dos estudantes, permitindo concluir que as Escolas da Rede La Salle tem esse ponto positivo na implementação do modelo integrado.
b) Os processos de avaliação:
1- Avaliação como processo contínuo: Para se alcançar os objetivos da organização
escolas, principalmente à formação permanente dos recursos humanos. As avaliações contínuas das atividades e dos processos de gestão são essenciais para a qualidade da educação que a escola oferece. A incorporação contínua de melhorias nos recursos humanos, pedagógicos e administrativos conduz a escola a estágios superiores de excelência. Estas melhorias contínuas abrangem ações corretivas, preventivas e inovadoras. Isto permite conduzir a escola à liderança no meio social onde se encontra.
2- Foco no estudante e na família: Hoje já não se fala somente no foco no estudante
e na família, mas no foco do estudante e da família. A qualidade da escola é julgada a partir da percepção dos estudantes e das famílias. O conhecimento das necessidades e expectativas dos estudantes e das famílias, atuais e futuras, é ponto de partida para a busca da excelência do desempenho da escola. As estratégias, os planos e os processos devem orientar-se em função da promoção da satisfação e da conquista da fidelidade dos estudantes.
3- Gestão baseada em processos: A gestão voltada para processos permite a
definição de responsabilidades, a prevenção e solução de problemas, a eliminação de atividades repetitivas. A base para a tomada de decisão, em todos os níveis da organização, é o acesso às informações. Quanto mais a informação circular através dos processos de comunicação ao interior da organização escolar, tanto maior será a probabilidade de comprometimento dos envolvidos na realização da missão, dos princípios e da visão da instituição.
Os princípios de avaliação como processo, foco na família e no estudante, e a gestão baseada em processos foram evidenciados nas ações estratégicas da gestão das Escolas da Rede La Salle entre outras se constata a presença da família na escola e que as famílias são
informadas, ouvidas sobre a proposta da escola nas questões pedagógicas e administrativas. Estas ações foram evidenciadas na escala de valor 4, isto é, “muitas vezes”, o que também potencializa as Escolas da Rede La Salle na adesão e implementação do modelo.
c) Os processos de prospectiva:
1- Visão de futuro: A busca de excelência no desempenho requer uma forte
orientação para o futuro e a disposição de assumir compromissos de longo prazo com todos os envolvidos. É necessário que as estratégias da organização escolar estejam alinhadas com os compromissos assumidos e reflitam as mudanças desejadas. A organização escolar precisa ter agilidade e flexibilidade para responder rapidamente às mudanças de cenários e às necessidades das partes interessadas, as quais devem ser acompanhadas permanentemente.
2- Ação pró-ativa: Os tempos competitivos em que se vive exigem cada vez mais
ações pró-ativas e respostas rápidas. Cada vez mais, a escola precisa buscar novas estratégias para fidelizar e captar novos estudantes. Isso implica em agilidade e flexibilidade, em processos simplificados e em rápido atendimento às demandas dos estudantes e das famílias. A ação pró-ativa possibilita surpreender os estudantes e as famílias de forma agradável, respondendo às suas necessidades emergentes e buscando caminhos e possibilidades para melhor cumprir a missão da instituição. As respostas rápidas agregam valor ao atendimento ao estudante e às famílias.
3- Gestão participativa: O modelo de gestão participativa é um sistema aberto,
dinâmico e não linear. Nele os processos de decisão passam por uma rede de conversações, através da troca de informações que permitem a interação da missão, dos princípios e dos
objetivos da organização escolar. Isto permite que a decisão seja descentralizada e assumida por todos os envolvidos.
Os princípios de visão de futuro, ação pró-ativa e gestão participativa também são evidenciados na avaliação da gestão das Escolas da Rede La Salle, principalmente quando são percebidas “muitas vezes” ações referentes à prática educativa desenvolvida em equipe, a preocupação com os diferenciais das outras escolas e a divulgação dos resultados dos concursos, gincanas, esportes nos meios de comunicação, também podem ser considerados parâmetros positivos no processo de implementação do modelo proposto.
A tarefa da gestão escolar é extremamente complexa. Muitos modelos de gestão têm sido propostos por consultores como bases explicativas para o bom desempenho da escola. Rocha (2003) diz que não há desempenho duradouro de um modelo de gestão sem ética e sem fundamento nas competências e conhecimentos relacionados com suas missões. O modelo de gestão adotado por uma direção de escola possibilita uma maior ou menor participação dos envolvidos na escola.
4.4. Modelo Proposto de Gestão Estratégica para as Escolas da Rede La