Forskningsspørsmål, disposisjon og avgrensninger
1. CASTORIADIS’ PEDAGOGISKE BIDRAG
1.4 Demokratisk paideia: sosialisering og autonomi
1.4.3 Filosofiens og politikkens tvillingfødsel
É no bojo das mudanças políticas, econômicas e teóricas que a industrialização, que se inscreve no âmago desse processo, se acirra no aumento da produção industrial, ocasionando impactos importantes nas relações sociais, pois elas “passam a estar embutida no sistema econômico” (POLANYI, 2000, p. 77).
Em decorrência da existência de instituições livres e da invenção tecnológica das máquinas, impulsionou-se, nessa ordem, o progresso econômico e o estabelecimento de uma economia de mercado. Desse modo, as relações econômicas, para manter seus ciclos econômicos de reprodução capitalista, se organizaram numa lógica de mercado autorregulado. Todo o aparelhamento econômico do século XIX passa a se basear no lucro, e o sistema de mercado autorregulável torna-se o mecanismo principal. Uma economia de mercado implica a presença de dinheiro como poder de compra, a produção, dessa forma, passa a ser controlada pelos preços, pois são estes que formam os rendimentos, os quais amparam os bens produzidos a serem distribuídos entre os membros da sociedade, na transformação do trabalho, da terra e em mercadorias (POLANYI, 2000).
No interior desse conjunto de medidas de valorização econômica, com o apoio das classes comerciais, do laissez-faire e do livre-comércio, não existe interesse político e econômico na proteção social das classes trabalhadoras e tampouco no avanço das organizações produtivas (POLANYI, 2000). Por conseguinte, numa lógica de exploração da classe trabalhadora e de proteção ao mercado, a economia liberal altera profundamente as relações sociais.
É importante ressaltar que, ao mesmo tempo, o mundo perpassou pelos ciclos econômicos do modelo capitalista no século XX e vivenciou grandes eventos que remexeram com o panorama mundial em todos os aspectos. Esses fatos não aconteceram aleatoriamente, mas foram marcados por objetivos políticos, culturais, econômicos e ideológicos, conforme resumido no Quadro 3, a seguir.
Quadro 3 ‒ Descritivo dos principais eventos ocorridos no século XX no mundo (1914-1991)
Tempo histórico Eventos Momentos econômicos
1914-1918 Primeira Guerra Mundial
1917 Revolução Russa
1929 Grande Depressão Quebra da Bolsa de Nova
Iorque 1939-1945
Segunda Guerra Mundial –
envolvimento da maioria dos países
Evolução tecnológica industrial na corrida armamentista
1989 Queda do muro de Berlim
1991 Fim da União Soviética (1991)
Fonte: a autora (2014), adaptado de Hobsbawn (1995).
O quadro ilustrativo mostra que o mundo passou a vivenciar uma nova ordem depois da Segunda Guerra Mundial. Em 1945, Estados Unidos, Inglaterra e União Soviética confirmaram o Tratado de Potsdam, o qual institucionalizou a divisão das áreas geográficas de influência do bloco soviético e do bloco estadunidense. As ocorrências nesse período são marcadas também pela corrida armamentista e tecnológica entre as duas potências antagônicas. A rivalidade imperou as relações internacionais, e o mundo conheceu uma verdadeira revolução científica e tecnológica, fomentada pela competição entre as economias comunista e capitalista. Esse duelo permaneceu até a queda do bloco soviético, simbolizado pela queda do muro de Berlim (1989) e o fim da União Soviética (1991). A hegemonia capitalista passa a dominar o mundo nos fins do século XX. Perpassa-se, ainda, outros eventos históricos nesse período, como a evolução dos costumes da sociedade, os movimentos culturais do feminismo e da juventude, além da trajetória histórica de países chamados periféricos, da África e da América do Sul, que se proliferaram nesse período histórico (HOBSBAWN, 1995).
Ao fim do século XX, o modo de produção capitalista ganha imperativo num contexto global. As relações econômicas precisam então ser reguladas e, nesse bojo, as modalidades de inserção de um Estado-Nação na economia mundial definem a natureza dos processos de ajuste de um regime de acumulação. As instituições básicas de uma economia mercantil pressupõem atores e estratégias para além dos meramente econômicos. É da interação entre esfera econômica e esfera jurídico-política que resultam os modos de regulação (BOYER, 2009). Nesse enfoque, as formas e teorias institucionais são abarcadas para poder controlar um mercado denominado dinâmico e concorrencial.
A teoria da regulação inscreve-se nessa tradição teórica, mas pretende melhorar e estender as análises de “O capital”, tanto à luz dos métodos modernos do economista quanto dos ensinamentos tirados das transformações do capitalismo desde o fim do século XIX (BOYER, 2009, p. 20).
No entanto, nenhum momento histórico experimentado pelo setor econômico é ultrapassado sem sacudir suas estruturas, “pode-se refletir que a teoria da regulação fundamenta a afirmação de que cada economia tem crises a partir de sua estrutura” (BOYER, 2009, p. 138). As crises econômicas que se sucedem (especialmente a grande depressão em 1929) são comuns nesse tipo de sistema, uma vez que nos regimes de acumulação isso significa um movimento permanente de inovação.
Então, não por acaso, a estrutura econômica mundial passa por certas irregularidades econômicas e históricas que, mediadas por determinados ajustes, se sustentam através de vigências cíclicas e se renovam constantemente através de novas formas criadas para combater as anormalidades de si própria. Por outro lado, a tese defendida por Pérez (2004) refere que as crises acontecem devido à difusão de revoluções tecnológicas, incluindo a articulação de sucessivos paradigmas tecnoeconômicos, da recorrência de grandes booms financeiros, que são seguidos de bolhas e quedas. Esses períodos é que impulsionam os períodos de grande prosperidade.
Essas mudanças podem ser observadas diante das transformações tecnológicas já experimentadas no sistema capitalista, as quais trouxeram uma nova infraestrutura para a sociedade. A quinta revolução tecnológica, aqui apresentada, é parte dos paradigmas tecnoeconômicos e dos princípios de inovação, segundo Pérez (2004), que ilustra o marco histórico vivenciado mais contemporaneamente.
Quadro 4 ‒ Descritivo da principal revolução tecnológica vivenciada no século XX Revolução
tecnológica Ano
Revolução tecnológica
País ‒ núcleo Princípios de sentido comum para inovação Paradigma tecnoeconômico
5ª 1971
Era da informática e das telecomunicações
Estados Unidos (difundindo-se pela Europa e Ásia)
Uso intensivo da informação (com base na microeletrônica ‒ TIC); integração descentralizada/estruturas em rede conhecimento como K/valor adicionado intangível; heterogeneidade, diversidade, adaptabilidade; segmentação de mercados/proliferação de nichos; economia de cobertura e especialização combinadas com escala; globalização/interação entre global e local; cooperação interna e externa/clusters, contato e ação instantâneos/comunicação global instantânea. Fonte: a autora (2014), adaptado de Pérez (2004).
A quinta revolução tecnológica apresentada no quadro trouxe ao mundo uma maré de mudanças advinda com a nova onda de produção, o que significou alterar a estrutura da base produtiva, fomentada pelo conjunto de informações e pelo conhecimento. Essa condição implicou transformações nos campos social, político e econômico da sociedade, modificando o conjunto de instituições. Assim, se presenciam as mudanças na sociedade a cada época. Alavancadas pelas inovações tecnológicas, vão tendenciar, no final do século XX, a corrida pelo desenvolvimento dos mercados, denominada globalização.
Logo após o colapso do comunismo nos anos de 1990, a globalização37 foi apresentada como uma indicação da hegemonia norte-americana e como afirmação de um único caminho para o desenvolvimento econômico, o caminho neoliberal (PEREIRA, Luiz, 2009). Nesse conjunto de informações trazidas do contexto mundial, a posição dos países latinos é apresentada de maneira particular. No caso da questão brasileira, traz-se à tona a história econômica desse país, que desde a ocupação do território/colonização se difere na comparação com outras colônias, como, por exemplo, as do hemisfério norte e das Antilhas. Na linha da produção, o Brasil vivenciou nos fins do século XIX e início do século XX os ciclos do açúcar, da pecuária, do ouro e a ascensão da economia cafeeira sem expressividade no panorama econômico e no mercado mundial. A industrialização só chega ao país com a crise do café, em meados do século XX, quando começa a dar seus primeiros passos (FURTADO, 2007).
Diante dessas particularidades, o país fica desafiado a avançar para o desenvolvimento e incluir-se no processo de globalização, pois suas especificidades, cultural, política e econômica produzidas secularmente, são distintas comparadas aos países de capitalismo avançado. No cenário econômico, outras instituições ganham novas e diferentes formas, como os sistemas de proteção social. O debate acerca da materialização de um sistema de proteção, para aqueles que ficam à margem desse sistema, incita grandes controvérsias, visto que as medidas geralmente propostas e oferecidas aos trabalhadores e à população em geral ficam atreladas aos da reprodução das relações sociais cujo interesse é o mercado capitalista.
37
A globalização é, ao mesmo tempo, um processo contínuo de transformação, o processo de integração econômica, social e política acelerada que o mundo vem vivendo desde os 1970. É o sistema econômico em que todos os mercados nacionais se tornam abertos e todos os Estados-Nação começam a se comportar de acordo com a lógica da acumulação e competição capitalista. Sua base tecnológica é a diminuição dos custos de transporte e, sobretudo, a revolução da informática, que tornou as comunicações e a transferência de ativos financeiros, drasticamente, mais velozes e baratas (PEREIRA, Luis, 2009). A globalização, sendo um processo contínuo de transformação e interação econômica, adentra na maioria dos países, principalmente nos denominados periféricos como o Brasil, assim como o Brasil acolhe os ajustes internacionais dos países centrais.