Forskningsspørsmål, disposisjon og avgrensninger
1. CASTORIADIS’ PEDAGOGISKE BIDRAG
1.3 Ideen om det imaginære
1.3.2 Det imaginæres betydning for filosofisk antropologi
Diferentes e novas explicações sobre as ciências são definidas, e a divisão em cada campo do saber é sua consequência.
São denominadas ciências naturais24 aquelas que estudam um conjunto de coisas orgânicas e inorgânicas que compõe a natureza, a física, a química, a biologia etc. As ciências sociais passam a focar seus estudos nas relações do homem consigo próprio, com os outros e com a natureza, incluindo-se a sociologia, a história, a economia etc. Essas divisões são confirmadas ao longo do processo de formação como a finalidade prática.
Especificar para melhor compreender impõe métodos que esmiúcem cada vez mais os campos do saber. Desse modo, as influências teóricas do método experimental aliam-se à técnica e assentam a ciência a serviço das tecnologias e de seu aperfeiçoamento, incitando os homens ao desejo de melhor dominar e conhecer a natureza. O humano estendeu o uso da razão a todos os domínios: político, econômico, moral e religioso (ARANHA, 2009).
Os fatores que influenciaram as mudanças no século XVIII não são únicos e estão incluídos em todos os campos, social, econômico e político, que constituíram relações entre
24“O humano como objeto de investigação nas ciências humanas é recente, porém a percepção de que os seres
humanos são diferentes das coisas naturais é antiga. Sob esse ponto de vista, podemos dizer que, do século XV ao início do século XX, a investigação do humano realizou-se de três maneiras diferentes:
1. Período do humanismo: inicia-se no século XV com a ideia renascentista da dignidade do homem como centro do Universo, prossegue nos séculos XVI e XVII com o estudo do homem como agente moral, político e técnico-artístico, destinado a dominar e controlar a Natureza e a sociedade, chegando ao século XVIII, quando surge a ideia de civilização, isto é, do homem como razão que se aperfeiçoa e progride temporalmente através das instituições sociais e políticas e do desenvolvimento das artes, das técnicas e dos ofícios. O humanismo não separa homem e Natureza, mas considera o homem um ser natural diferente dos demais, manifestando essa diferença como ser racional e livre, agente ético, político, técnico e artístico. 2. Período do positivismo: inicia-se no século XIX com Augusto Comte, para quem a humanidade atravessa três etapas progressivas, indo da superstição religiosa à metafísica e à teologia, para chegar, finalmente, à ciência positiva, ponto final do progresso humano. Comte enfatiza a ideia do homem como um ser social e propõe o estudo científico da sociedade: assim como há uma física da Natureza, deve haver uma física do social, a sociologia, que deve estudar os fatos humanos usando procedimentos, métodos e técnicas empregados pelas ciências da Natureza. A concepção positivista não termina no século XIX com Comte, mas será uma das correntes mais poderosas e influentes nas ciências humanas em todo o século XX. 3. Período do historicismo: desenvolvido no final do século XIX e início do século XX por Dilthey, filósofo e historiador alemão. Essa concepção, herdeira do idealismo alemão (Kant, Fichte, Schelling, Hegel), insiste na diferença profunda entre homem e Natureza e entre ciências naturais e humanas, chamadas por Dilthey de ciências do espírito ou da cultura. Os fatos humanos são históricos, dotados de valor e de sentido, de significação e finalidade e devem ser estudados com essas características que os distinguem dos fatos naturais. As ciências do espírito ou da cultura não podem e não devem usar o método da observação-experimentação, mas devem criar o método da explicação e compreensão do sentido dos fatos humanos, encontrando a causalidade histórica que os governa” (CHAUÍ, 2012, p. 286).
si, modificando visceralmente os modos de vida e de conhecimento. O cientificismo enaltecido pelo método científico experimental das ciências da natureza passa a ser o único válido e que deveria ser estendido a todos os campos do conhecimento.
Foi o francês Auguste Comte (1798-1857) que lançou a sociologia (o latim refere-se ao estudo do social) como uma ciência, sustentando que, assim como Galileu aplicou o método matemático ao estudo da realidade física, a precisão dos cálculos deveria também ser estendida ao estudo dos fenômenos sociais. Comte (1978) refere que a dimensão sociológica, ao adotar os mesmos métodos das ciências da natureza, estabelece um sistema completo de leis (métodos experimentais) que, consequentemente, viria a explicar o comportamento dos homens na sociedade e assim se chegaria à realidade desses fatos.
A sociologia, na visão de Comte, representa uma continuidade quase natural de outros tipos de ciência (física, química, biologia), então poderia proceder das mesmas formas para ser analisada. A Lei dos três estados, de Comte, resume o pensamento do autor sobre a evolução histórica e cultural da humanidade.
Essa lei consiste de uma de nossas concepções principais, cada ramo de nosso conhecimento passa sucessivamente por três estágios históricos diferentes: estado teológico ou fictício, estado metafísico ou abstrato, estado científico ou positivo (COMTE, 1978, p. 4).
Assim, presume que “[...] somente são reais os acontecimentos que repousam sobre fatos observados [...] considerando como absolutamente inacessível e vazia de sentido a investigação das chamadas causas, sejam primeiras, sejam finais” (COMTE, 1978, p. 5-7).
Dessa maneira, o positivismo sustenta a base de que é na elaboração das leis gerais que reside o grande ideal das ciências e que, a partir disso, o homem torna-se capaz de prever os fenômenos naturais, podendo agir sobre a realidade. “Ver para crer é o lema da ciência positiva”. A transformação do domínio do homem sobre a natureza, visando por fim o progresso, deve ser atrelada a uma ordem, mais precisamente, a “ordem e o progresso” (COTRIM, 1996, p. 185).
[...] o positivismo como filosofia surge ligado às transformações da sociedade europeia ocidental, na implantação de sua industrialização. Segundo essa forma de pensamento, cabe à história um levantamento “científico dos fatos, sem procurar interpretá-los, deixando à sociologia sua interpretação”. Para os historiadores positivistas, os fatos levantados se encadeiam como que mecânica e necessariamente, numa relação determinada de causas e consequências (ou seja, efeitos) (BORGES, 2003, p. 34).
Concomitantemente ao momento histórico da era iluminista e industrial, o positivismo gera um tom geral de confiança aos benefícios da industrialização, bem como um otimismo em relação ao progresso do capitalismo, guiado pela técnica e pela ciência. O positivismo veio refletir no plano filosófico o entusiasmo burguês pelo progresso capitalista e pelo desenvolvimento técnico-industrial (COTRIM, 1996). Num intento de relativizar as ciências sociais com a natureza numa prática generalista, as ideias positivistas dominaram toda a Europa no século XIX e foram difundidas a outros, senão todos, os continentes.
Barata e Briceño-León (2000) mencionam que, para se apresentar como um método legítimo de obtenção de conhecimentos, a concepção ideológica positivista se expressava como uma concepção revolucionária, na medida em que se contrapunha aos princípios teológicos e metafísicos, aos fatos e à razão como fundamentos da verdade. Segundo essa concepção, a procura pela verdade seria conduzida mediante uma atitude neutra e imparcial diante do objeto de conhecimento, livre e desinteressada, portanto, de qualquer influência social, econômica, política e cultural. A ciência justificar-se-ia a si mesma porque, a qualquer momento, poderia verificar experimentalmente uma hipótese ou uma teoria. Estas seriam imediatamente descartadas, caso não se confirmasse pelos fatos, ao mesmo tempo em que outras novas viriam a ser testadas. O conhecimento, assim acumulado, serviria para garantir um saber mais evoluído e avançado no futuro.
Ante a construção desse processo histórico, o positivismo restringe o papel do homem, até então reflexivo e crítico, para um básico coletor de informações e fatos. Essa dimensão pode ser percebida pela sociedade a qual, devido ao objetivo de transformação trazido pela razão positivista, libertadora, no mundo feudal, tornou-se opressora no mundo burguês, pois era sobrepujada a uma ordem que preconizava, sobretudo, a intervenção desbravadora na criação de riquezas e de novos mundos. “Controlando tudo e todos, a razão positivista tornou- se arrogante” (BARATA; BRICEÑO-LEÓN, 2000, p. 29).
Deslocando a perspectiva de totalidade e o noumeno para uma dimensão metafísica que não cabe na realidade dos fatos e do pensamento científico, o paradigma positivo-mecanicista dominante na ciência em geral deixou de reconhecer o papel da consciência subjetiva na determinação de seu objeto de conhecimento e na maneira de abordá-lo (BARATA; BRICEÑO-LEÓN, 2000, p. 29).
O cegamento pela objetividade e a utilização de métodos e técnicas voltados à quantificação obscurecem as construções históricas mais profundas espraiadas pela filosofia e encobrem, ainda, as definições de totalidade e subjetividade dos homens, limitando-os a um objeto de estudo fragmentado tanto biologicamente quanto das relações que estabelecem com
os outros e a natureza. Dessarte, o conhecimento mecanizado dispensa a filosofia como fundamento.