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A produção de papel envolve a realização de processos de preparação de massa e formação da folha. Tal como o processo de produção de celulose apresenta um forte

investimento em maquinarias e equipamentos de alta qualidade e precisão. Atualmente identifica-se no processo um alto grau de automação que flexibiliza e controla cada um dos estágios do processo.

O processo inicia com a preparação da massa. Neste momento as fibras podem chegar ao sistema de preparação de massas direitamente da fábrica de celulose em suspensão com uma consistência de 3 a 6% (Integrada), ou em rolos ou folhas prontas para iniciar o processo produtivo. Independente de como a pasta celulósica chegar, o primeiro passo é formar uma suspensão de fibras em água e adicionar os demais componentes. Temos entre eles: agentes de colagem, floculantes de fibra, agentes tensoativos, microbiocidas e outros. A desagregação é efetuada através de um equipamento denominado pulper que contém um rotor cuja função é criar um vértice no qual o material flui para o seu centro. Por causa do processo químico pelo qual as fibras celulósicas foram submetidas, a pasta resultante não apresenta condições ideais para a produção de papel. Desta forma, as fibras são tratadas através de uma operação de refino, a fim de melhorar sua capacidade de absorção de água, flexibilidade e resistência, influenciando diretamente sobre as propriedades do papel. O passo seguinte consiste em eliminar todo tipo de impurezas próprias da pasta ou de fontes externas.

O processo de depuração é realizado por dois sistemas: peneiras ou depurador centrífugo, neste último, a força centrífuga isola as partículas mais densas e as adere as paredes do equipamento. O último passo para preparação da massa denomina-se aditivação e vai depender do tipo de papel a ser produzido. São adicionadas nesta fase cargas minerais a fim de melhorar a aparência e as características de impressão da folha e a substituição de fibras. No caso de papeis com repelência tanto a água, como a certos tipos de tintas utilizadas na indústria gráfica, óleos e produtos utilizados por outros setores industriais, são adicionados aditivos químicos para dar consistência e resistência ao molhamento, penetração e absorção.

A formação da folha de papel é um processo hidrodinâmico consistindo da separação de partículas sólidas, formadas por fibras e carga, de uma suspensão de baixa consistência, com o auxílio de uma tela formadora. Constitui-se essencialmente de um processo de

filtração onde a suspensão é forçada através da tela formadora, de modo que a parte sólida fique retida nesta, constituindo uma manta denominada folha única, cuja espessura vai aumentando à medida que a operação de formação vai se realizando.

O sistema de formação de folha inicia na caixa de entrada que tem como função principal distribuir a massa uniformemente. Uma vez a massa está uniforme se combinam três processos de caráter hidrodinâmico, que ocorrem simultaneamente e de modo interdependente uns dos outros (drenagem, cisalhamento e turbulência), no final forma-se a folha. A folha continua o processo passando por um sistema de prensas que removem a maior quantidade de água possível e consolida a folha de papel mediante compressão mecânica. Neste ponto, a folha está em condições de iniciar o processo de secagem visando remover o excesso de água contido na folha de papel após a etapa de prensagem. Dadas as diferencias apresentadas na textura e uniformidade da folha, ela deve passar por uma calandra que consiste num sistema de cilindros superpostos que giram em contato uns com os outros. Desta forma se assegura a uniformidade da folha quanto a espessura. Uma vez uniforme se dá por terminado o processo com a bobinadeira, cujo fim é fazer os rolos de folha de papel contínuo formado pela máquina de papel.

A Tabela 4.3 mostra os principais produtos de papel, classificados segundo o tipo de fibra e pasta necessária para sua elaboração. As características da pasta vão atribuir a textura e resistência que o papel precisa para atingir os padrões de qualidade.

Tabela 4.3 – Relação entre o tipo de papel e a fibra de madeira e pasta requerida à produção.

Fibra Pasta Tipo de papel

Química não branqueada Papel de embalagem Mecânica

Termomecânica Longa

Quimitermomecânica

Papel de impressão: imprensa e jornal Papel sanitários

Papel de impressão Química branqueada

Papel de escrever Curta

Semiquímica Papel de embalagem: miolo para papelão ondulado Papel embalagem

Aparas

Papel fins sanitários

Fonte: Adaptação cursos ABTCP

A tecnologia para produção de papel é totalmente diferenciada do processo produtivo de celulose, não só pelas etapas que compõe o processo, mas também pelos constantes aprimoramentos que devem ser feitos quanto a equipamentos. A maquinaria usada apresenta aperfeiçoamentos contínuos de maneira que o produto final tenha um valor agregado que o diferencie com respeito a seus concorrentes, de forma que a indústria de papel acompanhe as mudanças de mercado.

Em resumo, como foi visto anteriormente, o Setor Celulose e Papel é intensivo em capital e processo, refletindo-se nas diferentes tecnologias que operam basicamente na área florestal6, indústria de celulose e indústria de papel. Cada uma das etapas do processo produtivo apresenta recursos tecnológicos totalmente diferenciados, porém, coincidem em dois aspectos importantes quanto ao desenvolvimento de capacidades tecnológicas. O primeiro aspecto refere-se aos melhoramentos incrementais de inovação relacionados ao desenvolvimento do produto e em segundo lugar a trajetória dos

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processos de inovação tendentes à automatização, eficiência na sincronização nos processos de produção e otimização das matérias primas e insumos. A permanente ligação dos aspectos mencionados anteriormente vai garantir o crescimento do setor.

4.2 ESTRUTURA INDUSTRIAL: BREVE PANORAMA INTERNACIONAL

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