5. THE AFGHAN CONTEXT
5.2. A FGHAN C IVIL S OCIETY O RGANISATIONS
Durante todo o período experimental a temperatura ambiente e a umidade relativa do ar dentro dos galpões foram coletadas com auxílio de data loggers portáteis, os valores médios obtidos para essas variáveis foram de 28,59 ± 2,23ºC e 59,79 ± 12,59% para fase de crescimento e 29,50 ± 2,49°C e 62,07 ± 14,41% para fase de postura, respectivamente.
4.2.11 Análise estatística
A análise estatística dos dados foi realizada utilizando o programa computacional Statistical Analyses System. Os dados dos tratamentos foram submetidos à análise de variância e comparação de médias feita pelo teste de Dunnett (P < 0,05), em seguida, foi realizada análise de regressão para os dados obtidos com os diferentes níveis de inclusão da torta de girassol (5, 10, 15, 20, 25 %).
4.3 Resultados e discussão
Conforme os resultados obtidos nos ensaios de metabolismos realizados com as rações oferecidas às frangas, nos períodos de 7 a 12 e de 13 a 17 semanas de idade (Tabela 4), houve diferença (P < 0,05) entre os tratamentos para o CMMS, CMN e CMEB e os valores de EMA e EMAn.
As aves alimentadas com as rações contendo níveis a partir de 5% de TG apresentaram redução (P < 0,05) no CMMS, CMN, CMEB e valores de EMA e EMAn em relação às alimentadas com a ração controle.
A inclusão da TG a partir de 5% promoveu redução linear (P < 0,05) nos coeficientes de metabolizabilidade e na energia metabolizável da ração, na fase de 7 a 12 semanas: CMMS (Y = 81,63 - 0,46X; R² = 0,96), CMN (Y = 74,08 - 0,49X; R² = 0,85), CMEB (Y = 84,63 - 0,38X; R² = 0,98) EMA (Y = 3.634 - 4,16X; R² = 0,99) e EMAn (Y = 3.421 - 2,18X; R² = 0,96) e na fase de 13 a 17 semanas: CMMS (Y = 78,83 - 0,38X; R² = 0,97), CMN (Y = 57,98 - 0,22X; R² = 0,95), CMEB (Y = 82,90 - 0,34X; R² = 0,97) EMA (Y = 3.415 - 2,04X; R² = 0,97) e EMAn (Y = 3.272 - 1,62X; R² = 0,96).
Tabela 9 - Metabolizabilidade de nutrientes e valores de energia metabolizável de rações contendo torta de girassol (TG) para frangas leves no período de 7 a 12 e 13 a 17 semanas de idade. Rações Variáveis CMMS1 (%) CMN2 (%) CMEB3 (%) EMA4 (kcal/kg/MS6) EMAn 5 (kcal/kg MS) 7 a 12 semanas de idade 0% de TG 80,95 77,99 85,10 3.693 3.480 5% de TG 78,71* 70,50* 82,38* 3.616* 3.413* 10% de TG 77,12* 69,03* 80,81* 3.591* 3.399* 15% de TG 75,58* 68,20* 79,32* 3.570* 3.385* 20% de TG 73,13* 66,39* 77,36* 3.547* 3.374* 25% de TG 69,27* 59,60* 74,51* 3.534* 3.371* Média 75,79 68,62 79,91 3.592 3.404 CV7 (%) 1,30 1,84 0,75 0,77 0,79 ANOVA8 p - Valor Rações 0,0001 0,0001 0,0001 0,0001 0,0001 Regressão Linear 0,0001 0,0001 0,0001 0,0001 0,0089 Quadrática 0,3041 0,4201 0,2083 0,6534 0,5981 13 a 17 semanas de idade 0% de TG 79,16 61,23 83,11 3.562 3.405 5% de TG 76,98* 57,24* 81,45* 3.403* 3.265* 10% de TG 74,50* 55,76* 78,93* 3.393* 3.255* 15% de TG 73,96* 54,16* 78,25* 3.387* 3.246* 20% de TG 70,63* 53,43* 75,55* 3.377* 3.244* 25% de TG 69,34* 52,93* 74,56* 3.360* 3.230* Média 74,10 55,79 78,64 3.414 3.274 CV (%) 0,92 1,67 1,04 1,08 0,94 ANOVA p - Valor Rações 0,0001 0,0001 0,0001 0,0001 0,0001 Regressão Linear 0,0001 0,0001 0,0001 0,0454 0,0490 Quadrática 0,7887 0,0847 0,4882 0,7525 0,9804
1CMMS = Coeficientes de metabolizabilidade da matéria seca, 2CMN = Coeficientes de metabolizabilidade do
nitrogênio; 3CMEB = Coeficientes de metabolizabilidade da energia bruta; 4EMA = Energia metabolizável
aparente; 5EMAn = Energia metabolizável aparente corrigida para o balanço de nitrogênio; 6MS = Matéria
seca;7CV = Coeficiente de variação; 8ANOVA = Análise de variância (P < 0,05); *Difere do tratamento 0% de
TG pelo teste de Dunnett (P < 0,05).
Esses efeitos podem estar associados aos fatores antinutricionais presente na TG, principalmente, pelo aumento dos teores de fibra nas rações, que pode reduzir o tempo de passagem do alimento no trato gastrointestinal, minimizando o acesso das enzimas ao alimento, afetando a eficiência de utilização dos nutrientes (KHAJALI e SLOMINSKI, 2012;
SAKOMURA et al., 2014). A TG possui alta concentração de polissacarídeos não amiláceos, especialmente celulose e lignina, que não podem ser degradados por enzimas endógenas (BERWANGER et al., 2017b). O complexo celulolítico atua como uma barreira no sistemas digestivos das aves, prejudicando a ação enzimática e aumentando a perda endógena de nutrientes, reduzindo assim a disponibilidade de energia das dietas para esse tipo de animal (JANSSEN e CARRÉ, 1989).
Berwanger et al. (2014) testaram níveis de 10, 20, 30 e 40% de substituição da ração referência por TG para determinar a energia metabolizável desse alimento com frangos de corte entre 21 e 31 dias de idade, usando o método de coleta total de excreta, e também observaram que os valores de EMAn decresceram à medida que se elevou o nível de substituição de TG e atribuíram tal efeito ao elevado teor de fibra presente no subproduto.
Rostagno et al. (2017) descrevem que a fibra do farelo de girassol, outro subproduto da extração do óleo das sementes do girassol, é representada principalmente pela fibra insolúvel e que dependendo da quantidade ingerida, induz ao aumento dos movimentos peristálticos do trato intestinal, aumentando a motilidade do bolo alimentar e, consequentemente, reduzindo o tempo de permanência do alimento no trato, o tempo para ação enzimática sobre o substrato e a disponibilidade dos nutrientes para absorção.
Os resultados médios obtidos para as variáveis de desempenho das frangas alimentadas com as rações contendo TG, estão apresentados na Tabela 5.
Conforme análise de variância houve diferença (P < 0,05) entre os tratamentos para CR e CA. Na comparação de médias pelo teste de Dunnett (P < 0,05), constatou-se que as aves alimentadas com inclusão de 25% de TG apresentaram CR e CA superiores aos das aves alimentadas com a ração controle (0% de TG).
A inclusão de TG em níveis a partir de 5% promoveu aumento linear (P < 0,05) no CR (Y = 3383,5 + 8,077X; R² = 0,97) e na CA (Y = 4,684 + 0,0088X; R² = 0,85), no entanto, não influenciou (P < 0,05) o PMF, GP e UN.
Os resultados obtidos para o efeito da adição da TG no CR e CA das aves na fase de crescimento (7 a 17 semanas) podem estar relacionados, principalmente, ao teor de fibra (47,36% de FDN e 31,20% de FDA) contida na TG em estudo. Esse efeito negativo sobre o aproveitamento dos nutrientes da ração ficou aparente com os resultados dos ensaios de metabolismo das rações experimentais (Tabela 4). Assim, as aves alimentadas com a ração contendo 25% de TG elevaram o CR para conseguir suprir suas necessidades energéticas e nutricionais, fato comprovado pela manutenção do GP. Por sua vez, o aumento verificado no CR destas aves foi suficiente para gerar pior resultado na CA. Roberts et al. (2007) relatam, que
o aumento dos teores de fibra pode provocar diluição da energia da ração, levando a um aumento compensatório no CR das aves para que atinja os níveis energéticos necessários ao crescimento, desenvolvimento e produção desejáveis.
Tabela 10 - Desempenho de frangas leves alimentadas com rações contendo torta de girassol (TG) no período de 7 a 17 semanas de idade.
Variáveis Rações CR1 (g) PMF2 (g) GP3 (g) CA4 UN5 (%) 0% de TG 3428,82 1180,11 726,45 4,72 86.67 5% de TG 3424,40 1172,49 728,67 4,70 90.57 10% de TG 3459,32 1171,67 717,04 4,82 88.00 15% de TG 3518,34 1176,95 732,04 4,81 87.62 20% de TG 3530,83 1171,11 730,47 4,84 90.00 25% de TG 3590,57* 1182,44 731,19 4,91* 85.56 Média 3492,05 1175,79 727,64 4,80 88.07 CV6 (%) 2,35 1,77 2,75 1,71 8.19 ANOVA7 p - Valor Rações 0,0083 0,9004 0,7995 0,0011 0,8270 Regressão Linear 0,0001 0,4314 0,3883 0,0001 0,3936 Quadrática 0,9777 0,6537 0,7506 0,6845 0,9300
¹CR = Consumo de ração; 2PMF = Peso médio final; 3GP = Ganho de peso; 4CA = Conversão alimentar; 5UN =
Uniformidade; 6CV = Coeficiente de variação; 7ANOVA = Análise de variância (P < 0,05); *Difere do tratamento
0% de TG pelo teste de Dunnett (P < 0,05).
São restritas as pesquisas com o uso de TG para frangas de reposição. Os resultados encontrados na literatura são semelhantes aos deste estudo, Pinheiro et al. (2013), incluíram níveis de 0, 7, 14 e 21% de TG na alimentação de frangas semipesadas no período da 10ª a 16ª semanas de idade e concluíram que a TG pode compor até 21% da ração das aves. Usando uma linhagem de poedeiras semipesadas Kargopoulos et al. (2017), testaram níveis de 0, 6,25 e 12,5% de TG na ração no período de 1 a 20 semanas de idade das aves e sugeriram uso de até 12,5 de TG, sem qualquer efeito adverso sobre o desempenho das frangas nessa fase.
Usando farelo de girassol (0, 7 e 14%) na ração de frangas no periodo de 11 a 19 semanas de idade, Abdallah, Beshara e Ibrahim (2015) perceberam que a inclusão desse e, consequentemente, a elevação do teor de fibra das rações, melhorou significativamente o GP e CA das aves em relação àquelas alimentadas com a ração sem o farelo, indicando o uso de 14% do ingrediente para ótimo desempenho das frangas. Niveis até 21,58% de farelo de girassol na alimentação de frangas de 9 a16 semanas de idade, não afetaram o GP das aves (PANAITE et al., 2016).
Hetland e Svihus (2001), Gonz'alez-Alvarado et al. (2007) e (2008), descreveram que inclusão de níveis moderados de fibra na ração das aves tem se mostrado benéfica, por aumentar o tempo que o bolo alimentar fica retido na aparelho digestório, melhorando o desenvolvimento e o funcionamento da moela e demais porções do sistema digestivo da ave. Além disso, a fibra alimentar estimula a produção de ácido cloridrico e ácidos biliares e melhora a atividade da amilase, o que gera beneficios significativos no processo de digestão e absorção dos nutrientes (HETLAND et al., 2003; MATEOS et al., 2012).
A composição corporal (Tabelas 6), retenção de nutrientes (Tabelas 7) e metabolismo energético (Tabelas 8) das frangas não foi influenciada (P < 0,05) pelos tratamentos aplicados, indicando que a inclusão de até 25% de TG não foi suficiente para afetar as variáveis avaliadas.
Tabela 11 - Composição corporal de frangas leves com 17 semanas de idade alimentadas com rações contendo torta de girassol (TG) no período de 7 a 17 semanas de idade.
Variáveis Rações MS1 (%) PB2 (%MS) EE3 (%MS) MM4 (%MS) 0% de TG 37,39 20,43 18,44 2,77 5% de TG 37,66 20,38 18,37 2,74 10% de TG 37,74 20,32 18,40 2,70 15% de TG 37,56 20,39 18,36 2,71 20% de TG 37,33 20,33 18,44 2,69 25% de TG 37,37 20,28 18,35 2,63 Média 37,51 20,36 18,39 2,71 CV5 (%) 4,44 2,59 6,77 6,04 ANOVA6 p - Valor Rações 0,9974 0,9970 1,0000 0,7572 Regressão Linear 0,6609 0,7975 0,9960 0,2746 Quadrática 0,9586 0,8913 0,9556 0,7990
¹MS = Matéria Seca; 2PB = Proteína bruta; 3EE = Extrato etéreo; 4MM = matéria mineral; 5CV = Coeficiente de
variação; 6ANOVA = Análise de variância (P < 0,05).
A ausência de influência da inclusão da TG nas rações sobre a composição corporal e retenção de nutrientes das frangas pode ser atribuída ao fato de que os efeitos negativos desse alimento no aproveitamento dos nutrientes da ração foram compensados com o aumento no CR pelas aves, na tentativa de manter a quantidade de nutrientes e energia o suficiente para atender as suas demandas. Esse efeito compensatório no CR fica aparente pela manutenção do GP e, consequentemente, do PMF semelhante entre as aves ao final da fase de crescimento (Tabela 5).
Tabela 12 - Retenção de nutrientes na carcaça de frangas leves alimentadas com rações contendo torta de girassol (TG) no período de 7 a 17 semanas de idade.
Variáveis
Rações (g/kgPBR0,75/dia)1 (g/kgEER0,75/dia) 2 MMR 3 (g/kg0,75/dia) 0% de TG 2,56 3,07 0,30 5% de TG 2,53 3,03 0,30 10% de TG 2,51 3,04 0,29 15% de TG 2,53 3,03 0,29 20% de TG 2,53 3,05 0,29 25% de TG 2,51 3,03 0,28 Média 2,53 3,04 0,29 CV4 (%) 4,73 8.23 10,90 ANOVA5 p – Valor Rações 0,9866 0,9998 0,9582 Regressão Linear 0,9516 0,9893 0,4964 Quadrática 0,9234 0,9607 0,9660
¹PBR = Proteína bruta retida; 2EER = Extrato etéreo retido; 3MMR = Matéria mineral retida; 4CV = Coeficiente
de variação; 5ANOVA = Análise de variância (P < 0,05).
Tabela 13 - Metabolismo energético de frangas leves alimentadas com rações contendo torta de girassol (TG) no período de 7 a 17 semanas.
Variáveis Rações (kcal/kgEMI0,751/dia) (kcal/kgER0,752/dia) PC
3 (kcal/kg0,75/dia) ER/EMI (%) PC/EMI (%) 0% de TG 195,68 37,46 158,22 19,15 80,85 5% de TG 195,64 37,26 158,38 19,04 80,96 10% de TG 195,65 37,24 158,40 19,05 80,95 15% de TG 195,64 37,22 158,42 19,03 80,97 20% de TG 195,60 37,19 158,41 19,01 80,99 25% de TG 195,56 37,10 158,46 18,98 81,02 Média 195,63 37,25 158,38 19,04 80,96 CV4 (%) 1,47 5,10 2,13 5,27 1,23 ANOVA5 p - Valor Rações 1,0000 0,9997 1,0000 0,9998 0,9998 Regressão Linear 0,3204 0,3992 0,3992 0,8162 0,3178 Quadrática 0,9531 0,9578 0,9578 0,8022 0,2812
¹EMI = Energia metabolizável ingerida; 2ER = Energia retida; 3PC = produção de calor; 4CV = Coeficiente de
variação; 5ANOVA = Análise de variância (P < 0,05).
A elevação da quantidade de fibra na ração pode aumentar o incremento calórico e, consequentemente, diminuir a eficiência de utilização da energia da mesma (NOBLET e VAN
MILGEN, 2004). Contudo, os resultados obtidos indicam que o metabolismo energético das frangas não foi influenciado pela inclusão da TG. Isso pode ter ocorrido devido a TG em estudo apresentar quantidade significativa de óleo (16,72% de extrato etéreo) o que pode ter contrabalançado o incremento calórico e a eficiência energética da ração, uma vez que, a eficiência energética da dieta aumenta com a adição de gordura e diminui com a adição de fibras (NOBLET et al., 1994). Segundo Noblet e Van Milgen (2004), enquanto a fibra possui eficiência de utilização da energia metabolizável de 60%, a da gordura é de 90%. Diante do exposto, um fato interessante, e que favorece a utilização da TG para as frangas, é que, apesar de possuir elevada quantidade de fibra, a inclusão de até 25% de TG não comprometeu o metabolismo energético das frangas.
Os parâmetros de viabilidade econômica (Tabela 9), foram influenciados (P < 0,05) pelo uso da TG nas rações fornecidas às frangas no período de crescimento.
Tabela 14 - Avaliação da viabilidade econômica da inclusão da torta de girassol (TG) na alimentação de frangas leves no período de 7 a 17 semanas de idade.
VariáveisParâmetros
Rações CDR1 (R$/kg ganho) IEE2 (%) IC3 (%)
0% de TG 6,97 96,00 104,17 5% de TG 6,81 98,17 101,83 10% de TG 6,82 98,18 102,00 15% de TG 6,76* 99,00* 101,17* 20% de TG 6,69* 99,83* 100,17* 25% de TG 6,68* 99,84* 100,16* Média 6,79 98,50 101,58 CV4 (%) 1,69 1,71 1,74 ANOVA5 p - Valor Rações 0,0020 0,0044 0,0049 Regressão Linear 0,0059 0,0112 0,0106 Quadrática 0,9562 1,0000 0,8275
1CDR = Custo da ração por kg de ganho de peso vivo; 2IEE = Índice de eficiência econômica; 3IC = Índice de
custo; 4CV = Coeficiente de variação; 5ANOVA = Análise de variância (P < 0,05); *Difere do tratamento 0% de
TG pelo teste de Dunnett (P < 0,05).
A inclusão de TG a partir de 15% resultou em menor CDR e IC e, consequentemente, maior IEE em relação aos resultados obtidos com o grupo controle.
De acordo com análise de regressão, houve redução linear (P < 0,05) no CDR (Y = 6,869 - 0,0078X; R² = 0,89) e IC (Y = 102,62 - 0,1034X; R² = 0,87) e aumento linear (P < 0,05) no IEE (Y = 97,507 + 0,9036X; R² = 0,90), a partir da inclusão de 5% de TG nas rações.
A avaliação econômica da inclusão de alimentos alternativos na dieta das aves, possui preponderante importância para tomada de decisão de uso e, também, do nível a ser utilizado, uma vez que permite associar os efeitos do alimento no custo da ração com os efeitos nutricionais gerados sobre os parâmetros de desempenho das mesmas, comprovando o custo/benefício da sua utilização (ARRUDA et al., 2016).
Por exemplo, as aves alimentadas com a ração contendo 25% de TG, apresentaram piora significativa nos parâmetros de desempenho (CR e CA) em relação às que consumiram a ração controle. Entretanto, o valor de CDR obtido com a ração contendo 25% de TG foi menor 0,29 R$/kg de ganho de peso, o IEE foi 6% superior e, consequentemente, o IC foi 6% inferior aos da ração controle.
Na avaliação dos efeitos dos tratamentos aplicados na fase de crescimento sobre o início da fase de produção das poedeiras (Tabela 10), observou-se que a ID 1º, ID 50%, ID 100% e PO 1º, não foram influenciados (P < 0,05).
Tabela 15 - Maturidade sexual de frangas leves alimentadas com rações contendo torta de girassol (TG) no período de 7 a 17 semanas de idade.
Variáveis
Rações ID 1º(Dias) 1 ID 50%(Dias) 2 ID 100%(Dias) 3 PO 1º(g) 4
0% de TG 125,83 137,67 149,00 41,68 5% de TG 123,83 137,00 147,67 38,78 10% de TG 126,50 136,50 146,17 37,24 15% de TG 124,67 135,17 148,33 38,41 20% de TG 125,83 136,83 147,17 37,50 25% de TG 125,83 136,17 150,33 40,32 Média 125,42 136,55 148,11 38,99 CV5 (%) 3,23 1,62 2,53 8,34 ANOVA6 p - Valor Rações 0,8792 0,5078 0,4856 0,1725 Regressão Linear 0,4675 0,6090 0,2188 0,3771 Quadrática 0,6710 0,3916 0,3226 0,1331
¹ID 1º = Idade média ao 1º ovo; 2ID 50% = Idade média aos 50% de produção; 3ID 100% = Idade média aos 100%
de produção; 4PO 1º = Peso médio do 1º ovo; 5CV = Coeficiente de variação; 6ANOVA = Análise de variância (P
< 0,05).
A maturidade sexual das poedeiras está diretamente relacionada com o GP, PMF, UN do lote e a composição corporal das frangas ao final da fase de crescimento, diante disto, como os tratamentos aplicados não influenciaram essas variáveis na 17ª semana e, também, o
PMF e a UN ficaram bem próximo ao PMF (1,230g) e UN (90%) recomendados pelo manual da linhagem utilizada (HY-LINE INTERNATIONAL, 2017), era esperada a ausência de efeitos para as variáveis de maturidade sexual, como observada.
Também não houve efeito residual (P < 0,05) dos tratamentos aplicados na fase de crescimento sobre o CR, PO, PRO, MO e CAM das poedeiras no início do ciclo de produção (Tabela 11).
Além de influenciar na maturidade sexual, as características das frangas ao final da fase de crescimento terão influência determinante no desempenho durante a fase de produção. Assim, os resultados obtidos para PMF, UN e composição corporal ao final da fase de crescimento garantiram, também, um desempenho semelhante entre as aves dos diferentes tratamentos. Segundo MORETTI, (1992), a adequada ingestão de nutrientes e balanço energético das frangas é imprescindível para dar suporte a um bom desenvolvimento corporal, empenamento e formação do aparelho reprodutor e o acúmulo de reservas energéticas pelas aves, que serão relevantes nos momentos mais críticos da fase de produção (LEESON e SUMMERS, 1997).
Tabela 16 - Desempenho de poedeiras leves no período de 18 a 35 semanas de idade alimentadas com rações contendo torta de girassol (TG) no período de 7 a 17 semanas.
Variáveis
Rações (g/ave/dia) CR1 PRO(%) 2 PO(%) 3 (g/ave/dia) MO4 CAM(g/g) 5
0% de TG 80,18 92,70 54,01 50,11 1,60 5% de TG 80,78 92,93 53,96 50,18 1,61 10% de TG 80,64 93,33 53,95 50,38 1,60 15% de TG 79,96 93,14 53,39 49,69 1,61 20% de TG 80,44 93,54 53,68 50,22 1,60 25% de TG 82,10 92,91 54,19 50,37 1,63 Média 80,68 93,09 53,86 50,16 1,61 CV6 (%) 1,69 1,54 1,48 1,81 1,91 ANOVA7 p - Valor Rações 0,1343 0,9233 0,5903 0,7975 0,5603 Regressão Linear 0,1098 0,5718 0,8676 0,8101 0,1859 Quadrática 0,1414 0,4103 0,1822 0,5998 0,4138
1CR = Consumo de ração;2PRO = Produção de ovos; 3PO = Peso dos ovos; 4MO = Massa de ovos; 5CAM =
Conversão alimentar por massa de ovos; 6CV = Coeficiente de variação; 7ANOVA = Análise de variância (P <
Nenhuma das variáveis de características e qualidade dos ovos foi influenciada (P < 0,05) pelos níveis de TG fornecidos na alimentação das poedeiras na fase de crescimento (Tabela 12).
Segundo Leeson e Summers (1997) o peso do ovo está intimamente relacionado ao peso corporal da franga e à maturidade sexual, além disso, tanto o peso, quanto a proporção dos constituintes do ovo são influenciados fortemente pela nutrição da poedeira, principalmente, pela concentração de proteína, aminoácidos e ácido linoleico da dieta. Portanto, nesta pesquisa, seria pouco provável observar efeito residual da fase de crescimento sobre as variáveis de características e qualidade dos ovos, visto que as frangas submetidas aos diferentes tratamentos apresentaram peso corporal na 17ª semana e parâmetros de maturidade sexual semelhantes e, na fase de 18 a 35 semanas, todas as aves receberam a mesma ração experimental, calculada para atender às exigências nutricionais e energéticas constantes no manual da linhagem (HY- LINE INTERNACIONAL, 2017) e, também, não apresentaram diferença no CR nesse período.
Tabela 17 - Características e qualidade de ovos de poedeiras leves no período de 18 a 35 semanas de idade alimentadas com rações contendo torta de girassol (TG) no período de 7 a 17 semanas.
Variáveis
Rações Albúmen (%) Gema (%) Casca (%) (g/cmDE1 3) UH2 EC3
(mm) 0% de TG 67,87 22,43 9,71 1,094 97,26 0,422 5% de TG 67,77 22,58 9,65 1,092 97,65 0,415 10% de TG 67,84 22,39 9,77 1,092 97,94 0,417 15% de TG 67,81 22,47 9,74 1,090 97,91 0,420 20% de TG 67,69 22,55 9,76 1,088 96,56 0,427 25% de TG 67,79 22,45 9,77 1,090 96,92 0,422 Média 67,80 22,48 9,73 1,091 97,37 0,421 CV4 (%) 0,40 1,06 1,45 0,14 1,10 1,62 ANOVA5 p - Valor Rações 0,9067 0,7343 0,6817 0,0961 0,1773 0,0773 Regressão Linear 0,4401 0,8958 0,2158 0,1501 0,1938 0,1292 Quadrática 0,8223 0,8296 0,9719 0,1221 0,1046 0,3010
¹DE = Densidade específica; 2UH = Unidade Haugh; 3EC = Espessura de casca; 4CV = Coeficiente de variação; 5ANOVA = Análise de variância (P < 0,05).
Braz et al. (2011) avaliaram o efeito residual de níveis de FDN (14,50, 16,50 e 18,50 %) por meio da inclusão de farelo de trigo nas rações de frangas leves e semipesadas na idade de 7 a 17 semanas de idade e, independente da linhagem, também, não verificaram influência
dos tratamentos fornecidos sobre as variáveis de maturidade sexual, desempenho, características e qualidade dos ovos das poedeiras entre 18 e 35 semanas de idade.
Já Abdallah, Beshara e Ibrahim (2015), perceberam que as frangas alimentadas com niveis (0, 7 e 14%) de farelo de girassol (FG) no período de 11 a 19 semanas de idade, reduziram a idade à maturidade sexual de 137 dias (ração 0% de FG) para 131,33 (ração 7% de FG) e 130,67 dias (ração 14% de FG) e aumentaram o desempenho na fase de postura (20 a 40 semanas de idade).
O uso de níveis adequados de fibra na fase de crescimento tem apresentado resultados benéficos em várias situações de arraçoamento, em diversos países. A fibra pode atuar positivamente no desenvolvimento do trato digestório das frangas e, com isso, na ingestão de ração no início da produção de ovos, quando, geralmente, o consumo de ração não é o suficiente para suprir a demanda nutricional das poedeiras (LOHMANN TIERZUCHT, 2016).
4.4 Conclusão
Pode-se incluir até 25% de TG na alimentação de frangas de reposição leves no período de 7 a 17 semanas de idade.
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