Relative Performance Feedback: Effective or Dismaying? ∗
2. Experimental Design and Procedures
Tendo em mente a realização de uma proposta formativa em contexto, voltada para a aprendizagem e o desenvolvimento profissional de professores que atuam em ambiente escolar inclusivo, a primeira fase de nossa pesquisa se deu no período de maio a agosto de 2008, com a imersão no campo. Nesse movimento de aproximação com o ambiente escolar, que constituiu a fase preliminar de nossa intervenção, levantamos as dificuldades, problemas e necessidades formativas dos professores que atuavam na instituição em que a pesquisa foi
realizada, permitindo traçar um perfil dos participantes e obter informações sobre seu contexto de trabalho. Também foram adotados alguns procedimentos éticos com a entrega, à diretora da escola, de um ofício solicitando sua autorização para o desenvolvimento da pesquisa (APÊNDICE I) e, às professoras, um termo de autorização (APÊNDICE J) para divulgação dos dados coletados.
Os primeiros contatos com a direção da escola locus desta investigação aconteceram em maio de 2008, via telefone. Na oportunidade foi agendada uma visita à instituição para maior detalhamento de nossa proposta investigativa. Ao longo de nossa conversa, a equipe de direção mostrou-se bastante receptiva à intenção de estudo, colocando-nos a par de algumas das dificuldades que vinham enfrentando na inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais na escola e a sua preocupação em promover a formação continuada de seus profissionais para melhor atender a essa clientela. Assim, a direção se comprometeu em conversar com os professores e agendar um momento para que pudéssemos nos reunir com os mesmos para saber de seu interesse e disponibilidade em participar do estudo.
Nosso primeiro encontro com o grupo de professores da escola ficou agendado para o final do mês de maio. Convém mencionar que, no momento anterior à reunião, enquanto aguardávamos na sala dos professores pudemos conversar informalmente com alguns docentes ali presentes. Ao compartilhar suas dúvidas, angústias e dilemas vividos em sala de aula, logo percebemos a expectativa de uma professora que atuava, naquele momento, com uma aluna com Hidrocefalia, sobre a possibilidade de desenvolvermos um trabalho de apoio em sala de aula. Compreendemos que tal expectativa se deve, por um lado, ao fato de que o professor do ensino regular sente-se despreparado para atuar com esses alunos e, por outro, à visão de que, enquanto profissionais da universidade somos detentores de um conhecimento que é capaz de atender a todas as suas angústias. Para evitar confusões, explicamos a esta professora que nossa intervenção não se daria em sala de aula, especificamente com o aluno, mas seria um trabalho com os professores, contribuindo para o aprimoramento de sua formação. Quase que num impulso a professora se coloca na defensiva dizendo que não poderia participar devido a problemas pessoais, além de falta de interesse nesse tipo de proposta. A ela interessava algo mais diretivo e pontual, que lhe aliviasse – de imediato - a sobrecarga de trabalho gerada pela presença daquela aluna em sala de aula. Desmistificar tal visão se tornou, naquele instante, o nosso primeiro desafio, no sentido de sermos aceitos pelos professores da escola, buscando a adesão dos mesmos à pesquisa.
Desta feita, nossa atuação, naquele momento, se deu no sentido apresentar nossa proposta de formação e seus objetivos. Também fizemos alusão aos casos de ensino como
estratégia formativa. Na oportunidade, os professores puderam falar um pouco das suas angústias e dificuldades enfrentadas no cotidiano junto ao aluno com necessidades educacionais especiais. Isso apontou para uma demanda entre aqueles profissionais: a de dialogar e refletir sobre suas práticas, tendo em vista a atual política de inclusão. Logo, tornava-se evidente a motivação do grupo quanto à realização de um trabalho pautado na reflexão da própria prática, considerado por todos enquanto elemento fundamental para o avanço do processo educacional inclusivo.
Por questões de ordem pessoal da pesquisadora e do próprio calendário escolar, retornamos à escola na segunda quinzena do mês de julho para novo encontro com os professores. Num primeiro momento, prestamos alguns esclarecimentos sobre a utilização dos casos de ensino como estratégia formativa. Em seguida, traçamos as linhas gerais da intervenção como, por exemplo, o papel que cada um desempenharia no processo, haja vista tratar-se de uma pesquisa que visa à colaboração entre os sujeitos. Ficou acordado, assim, que, enquanto pesquisadores, seria nossa a responsabilidade de disponibilizar os casos de ensino para serem estudados, cabendo aos docentes, analisar, discutir e elaborar casos de ensino. Além disso, ficou estabelecido que os encontros coletivos, para discussão dos casos, seriam realizados na própria escola, conforme disponibilidade do calendário escolar, com duração aproximada de 1 hora e 30 minutos.
Na oportunidade, aplicamos um questionário informativo, por meio do qual pudemos sistematizar as necessidades formativas dos professores em relação à educação inclusiva, as principais dificuldades enfrentadas e possíveis temáticas para serem abordadas nos casos de ensino, que ficaram assim detalhadas:
• Direitos e deveres de alunos, funcionários, professores, pais e gestores na formação e aceitação dos alunos com deficiência na escola;
• Metodologias para a diversidade;
• Intervenções pedagógicas para casos graves; • Formas de avaliação;
• Relação família e escola; • Conceitos sobre as deficiências; • Recursos pedagógicos;
• Avaliação de aprendizagem; • Adaptações curriculares;
• Atitudes frente às diferenças.
Após esse processo, retornamos à escola, em outros momentos, para realização das observações em sala de aula e outros espaços, com anotações em um diário de campo da pesquisadora. Esses momentos serviram para uma maior aproximação entre a pesquisadora e as participantes da pesquisa, fator fundamental num trabalho de natureza colaborativa. Foi possível, nessas idas à escola, conversar informalmente com os professores, o que nos possibilitou conhecer mais de perto as dificuldades vividas no cotidiano da sala de aula, bem como seus anseios, dúvidas e inquietações em relação à educação inclusiva.
Com base nas informações obtidas nessa etapa, passamos para a fase seguinte, de planejamento da intervenção.