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Evaluation of the high fidelity prototype

5   Methodology

5.5   Rigor cycle

5.5.4   Evaluation of the high fidelity prototype

DOS SISTEMAS AGRÁRIOS

Na verdade, toda forma de agricultura praticada em um tempo e lugar aparece em princípio como um objeto ecológico e econômico complicado,

Marcel Mazoyer • Laurence Roudart

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composto por várias categorias de estabelecimentos que exploram diferentes tipos de solos e diversas espécies de plantas e de animais. Além do mais, as formas de agriculturas observáveis variam conforme o lugar, a tal ponto que de uma região do mundo a outra, podemos classifi cá-las em gêneros muito diferentes (rizicultura irrigada, pastoreio, cultivos associados, arbo- ricultura). Enfi m, com o tempo, toda agricultura se transforma. Em dada região do mundo podem suceder-se espécies de agricultura completamente distintas, que constituem as etapas de uma “série evolutiva” característica da história dessa região. Na Europa, por exemplo, sucederam-se o cultivo manual com derrubada-queimada1 dos tempos pré-históricos, o cultivo de cereais com a utilização do arado escarifi cador2 da Antiguidade, o cultivo de cereais com o emprego de arado3 na Idade Média, o policultivo associado à criação animal sem alqueive4 da época moderna, os cultivos motorizados e mecanizados de hoje. Veremos mais adiante (Capítulo 1, tópico 3) que a teoria dos sistemas agrários propostos nesta obra foi precisamente concebida

1 Em decorrência da inexistência de uma denominação consensual em termos agronômicos

para a designação deste modo de agricultura e buscando preservar a abrangência do termo original em francês (“système de culture sur abbattis-brûlis” e “système de culture défriche- -brûlis”) optou-se pela utilização do termo “sistema de cultivo de derrubada – queimada”. Segundo a região do Brasil ela é chamada de agricultura de queimada, roça de toco, sistema de coivara, agricultura itinerante, sistema de corte e queima. (N.T.)

2 Do francês “araire”. Implemento agrícola tracionado no qual o elemento de corte (“sulcador”

em madeira ou em metal) é posicionado simetricamente em relação ao eixo ou estrutura principal do equipamento (“corpo” ou “adobe”). Este instrumento tem como função executar um revolvimento ou escarifi cação contínua da camada mais superfi cial do solo, lançando o solo para os dois lados do sulco de corte. No Brasil, o arado escarifi cador com tração animal é muitas vezes chamado de “pula toco”. (N.T.)

3 Do francês “charrue”. Implemento agrícola tracionado no qual a lâmina de corte (constituída

de uma ou mais “aivecas” ou “discos” metálicos”) é posicionada assimetricamente em relação ao eixo ou estrutura principal do equipamento. Assim, contrariamente ao arado escarifi cador, o arado realiza um trabalho de solo com maior profundidade, produzindo leivas e torrões de solo que são revirados (trazendo para a superfície as camadas mais profundas do solo e enterrando a camada superfi cial) e tombados para um dos lados do sulco de corte. No Brasil, o termo arado é usado indistintamente para designar tanto os instrumentos que realizam a escarifi cação superfi cial como aqueles que reviram profundamente o solo. Em Portugal, o termo arado é usado para designar o instrumento de trabalho que realiza a escarifi cação superfi cial do solo e o termo “charrua” para o equipamento de preparo do solo que o revira em profundidade. (N.T.)

4 Do francês “jachère”. Apesar da inexpressiva utilização deste termo no vocabulário agronômico

brasileiro moderno, utilizou-se o termo “alqueive” para designar esta prática agrícola por ser o mesmo consagrado na língua portuguesa. Tendo em vista que a prática do “alqueive” pres- supõe o trabalho do solo (uma ou várias preparações do solo ao longo de vários meses com vistas a incorporar resíduos agrícolas ou esterco animal e controlar o desenvolvimento das ervas indesejáveis) optou-se por descartar o termo “pousio” para designar esta prática agrícola. O termo “pousio” será empregado para denominar, no sistema de cultivo de derrubada-quei- mada, a prática agrícola que consiste no abandono de uma parcela agrícola após um curto período de cultivo, com vistas a permitir o estabelecimento de uma vegetação espontânea local. Dependendo da duração do período do pousio e das condições edafoclimáticas e ecológicas locais, o pousio pode ser classifi cado em pousio herbáceo, pousio arbustivo e pousio arbóreo, variando de alguns anos até várias dezenas de anos de duração. (N.T.)

História das agriculturas no mundo

como instrumento intelectual que permita entender essa complexidade e perceber em grandes linhas as transformações históricas e a diversidade geográfi ca das agriculturas do mundo.

Para esboçar essa teoria, tenhamos em mente, em princípio, que os pri- meiros sistemas de cultivo e de criação apareceram no período neolítico, há menos de 10 mil anos, em algumas regiões pouco numerosas e relati- vamente pouco extensas do planeta. Originavam-se da autotransformação de alguns dos sistemas de predação muito variados que reinavam então no mundo habitado. Essas primeiras formas de agricultura eram certamente praticadas perto de moradias e aluviões das vazantes dos rios, ou seja, terras já fertilizadas que não exigiam, portanto, desmatamento.

A partir daí, a agricultura neolítica se expandiu pelo mundo de duas for- mas principais: os sistemas pastorais e de cultivo de derrubada-queimada. Os sistemas de criação por pastoreio estenderam-se às regiões com vege- tação herbácea e se mantiveram até nossos dias nas estepes e nas savanas de diversas regiões, na Eurásia Setentrional, na Ásia Central, no Oriente Médio, no Saara, no Sahel, nos Andes etc. Por um lado, os sistemas de cultivo de derrubada-queimada conquistaram progressivamente a maior parte das zonas de fl orestas temperadas e tropicais, onde se perpetuaram durante séculos, senão milênios, e perduram ainda em certas fl orestas da África, da Ásia e da América Latina. Desde essa época pioneira, na maior parte das regiões originalmente arborizadas, o aumento da população con- duziu ao desmatamento e até mesmo, em certos casos, à desertifi cação. Os sistemas de cultivo de derrubada-queimada cederam lugar a numerosos sistemas agrários pós-fl orestais, muito diferenciados conforme o clima, que estão na origem de séries evolutivas distintas e relativamente independentes umas das outras.

Dessa forma, nas regiões áridas, os sistemas agrários hidráulicos com cultivos de inundação ou cultivos irrigados constituíram-se desde o fi m da época neolítica na Mesopotâmia, nos vales do Nilo e do Indu, nos oásis e nos vales do Império Inca. Nas regiões tropicais úmidas (China, Índia, Vietnã, Tailândia, Indonésia, Madagáscar, costa da Guiné na África etc.), sistemas hidráulicos de outro tipo, baseados na rizicultura aquática, desenvolveram- -se por etapas sucessivas, reestruturando primeiro os espaços mais regados e drenados (planícies e interfl úvios), em seguida os espaços acidentados (montante dos vales), ou de difícil proteção e drenagem (jusante dos vales e deltas), ou, ainda, espaços que exigiam irrigação. Ao mesmo tempo, as ferramentas e os equipamentos foram aperfeiçoados e o número de colheitas aumentou a cada ano.

Nas regiões intertropicais com pluviometria intermediária, o desmata- mento levou à formação de sistemas de savanas muito variados: sistemas de cultivo temporários com uso da enxada e sem criação animal, como os sis- temas da região dos planaltos congoleses; sistemas de cultivo com pastagem

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e criação animal como os sistemas das regiões de altitude do leste africano e diversos sistemas sahelianos com parque arborizado com Acácia albida.

Nas regiões temperadas da Europa, após o desmatamento, toda uma série de sistemas pós-fl orestais sucederam-se e, de revolução agrícola em revo- lução agrícola, chegamos aos sistemas atuais. A revolução agrícola antiga gerou sistemas de cultivo de cereais pluviais com alqueive, com pastagem e criação associadas, nos quais se utilizavam ferramentas manuais, como a pá e a enxada, e um instrumento de cultivo de tração leve, o arado escarifi - cador. Séculos mais tarde, na metade norte da Europa, a revolução agrícola da Idade Média Central produziu os sistemas com alqueive e tração pesada, com o uso do arado charrua e da carreta. Em seguida, dos séculos XIV ao XIX, a primeira revolução agrícola dos tempos modernos gerou os sistemas de cultivos baseados na cerealicultura com forrageiras e sem alqueive.

Após as grandes descobertas, os sistemas agrários europeus enriquece- ram-se com as novas plantas provenientes da América (batata, milho etc.), enquanto se estendiam nas colônias de povoamento das regiões temperadas das Américas, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia. Ao mesmo tempo, nas regiões tropicais, as plantações agroexportadoras desenvolviam-se no seio de sistemas preexistentes a ponto de substituí-los e dar origem a no- vos sistemas muito especializados (cana-de-açúcar, algodão, café, cacau, palmeiras para extração de óleo, banana etc.).

Enfi m, a última etapa da série evolutiva dos sistemas agrários das regiões temperadas — a segunda revolução agrícola dos tempos modernos — pro- duziu os sistemas motorizados, mecanizados, fertilizados com auxílio de insumos minerais e especializados da atualidade.

Milênios de evoluções isoladas, às vezes entrecruzadas, produziram, dessa maneira, toda uma gama de sistemas agrários fundamentalmente distintos e com desempenho muito desigual, que ocupam os diversos meios exploráveis do planeta.