Analisando as edições de Catolicismo, ao longo do contexto supracitado, é possível evidenciar uma Revista bastante estruturada, nos sentidos institucional e gráfico, apresentando, nestes aspectos, uma padronização que acompanhou todo o período estudado. Cabe destacar, também, que nesse período não houve interrupção nas edições, apresentando uma regularidade de distribuição, o que também possibilita fornecer argumentos para sua credibilidade perante seus leitores.
Importante mencionar que a Revista Catolicismo não abria espaço para publicidade comercial, buscando seu aporte financeiro principalmente nas vendas em bancas ou através das campanhas pelas ruas e avenidas das principais capitais do país, especialmente São Paulo, bem como de suas assinaturas, que se dividiam em modalidades, conforme o perfil do leitor70, e que atendiam os mais diversos locais do país.
70 As modalidades de assinaturas eram as seguintes: Comum, benfeitor, grande benfeitor, seminaristas e
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O número de matérias de uma edição girava, normalmente, em torno de seis a dez, incluindo as seções fixas71. Entretanto, por vezes, a integralidade da Revista foi alvo de temas e conteúdos específicos, como, por exemplo, as edições que publicavam Cartas Pastorais (D. Sigaud e de D. Castro Mayer), livros e estudos de Plinio ou, até mesmo, matérias que registravam campanhas promovidas pelo grupo e pela TFP (campanha contra a legalização do divórcio, de 1966, por exemplo).
Além dos já mencionados líderes do grupo de Catolicismo, diversos e numerosos foram os articulistas que imprimiram suas opiniões no periódico. No ano de 1963, por exemplo, o número de autores chegou a trinta e cinco, número que será, mais ou menos, repetido em outros anos, incluindo nesse bojo textos e documentos de pontífices (Leão XIII, Pio X, Pio XI, Pio XII, João XXIII, Paulo VI), cuidadosamente escolhidos para publicação. De toda essa amostragem, é possível destacar aqueles autores que mais se utilizaram da manifestação anticomunista em seus textos: Plinio Corrêa de Oliveira, D. Sigaud, D. Castro Mayer, Cunha Alvarenga, Fabio Vidigal Xavier da Silveira, Fernando Furquim de Almeida, J. de Azeredo Santos, Plinio Vidigal Xavier da Silveira, A. A. Boreli Machado e Alberto Luiz Du Plessis.
A capa da Revista, no tocante à sua disposição gráfica, também apresentou certa padronização. Em parte das edições, a capa trazia alguma imagem (sacra), com dizeres em Latim, e, muito frequentemente, trazia alguma chamada de matéria contida em sua edição. É possível encontrar, ao longo da década de 1960, também, a capa trazendo (ou iniciando) o texto da matéria de abertura (e de destaque) dessas edições. Nos exemplos elencados abaixo, é possível visualizar o formato da capa da primeira edição da década de 1960 (número 109) e da edição de novembro de 1967 (número 203) e verificar que as mudanças ao longo desse período, no aspecto gráfico, não foram muito significativas:
71 Fizeram parte da Revista Catolicismo, no período estudado, as seguintes seções fixas: ―Verdades Esquecidas‖,
―Ambientes, costumes, civilizações‖, ―Nova Et Vetera‖, ―Calicem Domini Biberunt‖, ―Reforma Agrária Questão de Consciência em 30 dias‖, ―Outras notas anti-socialistas‖, ―Revolução e Contrarevolução em 30 dias‖, ―Escrevem os leitores‖.
De janeiro de 1960 até dezembro de 1967 foram publicadas 93 edições de Catolicismo (do número 109 ao número 204). Numa primeira apresentação de dados sobre a presença do anticomunismo na Revista, as matérias de capas podem ser bastante representativas do esforço empreendido pelo grupo no tocante à sua postura religiosa e política. Nesse interregno de anos, a capa comportou um total de 65 (aproximadamente 70%) matérias com conteúdo anticomunista sendo, desse número, 19 matérias (aproximadamente 30%) em que o anticomunismo ficou explicitado já no próprio o título, sendo, portanto, o principal assunto a ser tratado.
A maior parte das matérias de capa, notadamente as que trouxeram conteúdo anticomunista, foi assinada pelo articulista Cunha Alvarenga, ou fazia parte de edições especiais que traziam o anticomunismo inserido na divulgação das obras de Plinio Corrêa de Oliveira, como também em edições especiais que publicaram Cartas Pastorais de D. Sigaud e D. Mayer. Para facilitar a compreensão da presença numérica do anticomunismo em
Catolicismo, tendo como base as matérias de capa, a tabela abaixo (Tabela 1) apresenta esses
dados em uma amostragem anual, evidenciando a já mencionada regularidade desse quesito na Revista brasileira:
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Tabela 1
Ano Número de matérias de capa com conteúdo Anticomunista.
Número de matérias de capa com título Anticomunista. Número total de edições 1960 6 2 12 1961 10 3 12 1962 8 4 12 1963 9 1 12 1964 9 2 12 1965 7 1 11 1966 7 2 11 1967 9 4 11
Tabela produzida pelo autor com base na Revista Catolicismo
Outro dado relativo à presença do anticomunismo em Catolicismo se insere na quantidade total de matérias que veicularam o tema no período. As edições de janeiro de 1960 a dezembro de 1967 publicaram um número total de aproximadamente 657 matérias (incluindo as seções fixas e excluindo as ―cartas do leitor‖). Dentro desse número, é possível encontrar em torno de 374 matérias que veicularam manifestação anticomunista em seus textos, representando uma porcentagem de aproximadamente 57%. A tabela abaixo (tabela 2) demonstra esses números, por ano, na Revista brasileira.
Tabela 2
Ano Número de matérias com conteúdo Anticomunista. Número total de matérias. % Número total de edições 1960 29 66 44 12 1961 40 72 55 12 1962 48 91 53 12 1963 51 87 59 12 1964 57 95 60 12 1965 51 78 65 11 1966 45 84 53 11 1967 53 81 65 11
Os dados apresentados na tabela acima indicam que, em que pese a diferença do menor índice de presença anticomunista (1960) para os maiores (1965 – 67) ser de aproximadamente 20%, houve uma certa proximidade no número de matérias sobre anticomunismo no decorrer da década de 1960. É possível considerar essa regularidade como uma característica do Grupo de Catolicismo que, de certa forma, não pautou a manifestação anticomunista somente em momentos/contextos de profunda agitação na política nacional, como se poderia supor, por exemplo, em 1961 (Legalidade) ou 1964 (golpe de Estado). De outra parte, também é pertinente ressaltar que, para Catolicismo, o golpe de 1964 não representou, em números, qualquer motivo de arrefecimento da luta anticomunista72, como se pode verificar em outros setores da sociedade, inclusive na própria hierarquia católica73.
Se houve, no Brasil, conforme defende o historiador Rodrigo Motta (2002), um ―surto anticomunista‖ no interregno 1961-1964, com a profusão de grupos e entidades de cunho anticomunista, certamente os membros da Revista Catolicismo, como também da própria TFP, não devem fazer parte dessa estatística, aspecto que coloca em relevo a necessidade de se evitar generalizações analíticas. Para o Grupo da Revista brasileira, o sentido da luta anticomunista esteve pautado em questões mais profundas e, de certa forma, coerentes, obviamente dentro das concepções de religião e mundo de seus membros. Longe de ser uma manifestação oportunista, os dados demonstram que, em Catolicismo, o comunismo sempre foi uma ameaça contundente e presente, seja manifestado nas questões políticas do cenário nacional e internacional, seja manifestado em função de disputas internas do próprio cenário religioso.