5. Sosiale og regionale forskjeller mellom barn og unge i mottak av
5.5. Er det forskjell i bruken av tannregulering etter inntektsnivå?
Uma vez que na base destas comunidades estava uma vivência metafísica, que Goswami diz ser empírica, as religiões pressupõem também, em algum nível, um discurso ontológico e cosmológico sobre a realidade. Com o desenvolvimento da ciência baseada no realismo materialista, porém, o fundamento das religiões viu-se cada vez mais questionado. Isto levou as sociedades a um progressivo afastamento de suas tradições religiosas. Esse afastamento teve consequências para a vida social. “À medida que os dados científicos solapam a religião, observa-se a tendência a jogar fora o bebê junto com a água do banho – e sendo o bebê a ética e os valores ensinados pela religião, éticas e valores esses que continuam a ter validade e utilidade. (UA p.78)”. A perda de credibilidade do referencial ético ofertado pelas religiões é, como vimos, a causa do estado de confusão descrito no verbete realismo materialista.
Goswami propõe que a elaboração do paradigma da consciência como base da ciência terá efeitos importantes e positivos sobre a maneira pela qual a esfera religiosa é percebida e vivida. “Numa abordagem científica, as religiões sempre têm um componente criativo; elas jamais precisam se transformar em púlpitos para o fanatismo como às vezes acontece hoje em dia. Elas vão mudar conforme a ciência
mudar e a cosmologia se aperfeiçoar. As religiões também vão mudar conforme as culturas mudarem e, com elas, as pessoas às quais a religião serve” (JV p.265).
3. Considerações finais
Esta apresentação, ainda que um pouco extensa, é importante para que certos elementos de Goswami sejam ressaltados e quiçá não sejam claros nem mesmo para aqueles que compram seus livros e assistem a seus filmes, mas que podem nos ajudar a entender melhor a elaboração de temas religiosos, que ele propõe. Almejo, a seguir, retomar alguns dos temas abordados e elaborá-los um pouco mais.
Seu pensamento contém em larga medida uma suspeita crítica que aparece em vários níveis. Em um momento, critica os físicos, em outro, as instituições religiosas e em mais um, os cientistas materialistas. Neste sentido, ele expressa uma insatisfação verdadeiramente global na acepção de não restrita a este ou aquele setor específico – e por trás dessa insatisfação está a ânsia por uma mudança igualmente global.
Enquanto autores de autoajuda que bebem da fonte do misticismo quântico querem oferecer esperança de uma mudança individual para melhor, o indiano tem uma postura mais coletivista e oferece não apenas uma esperança, mas, de alguma forma, um projeto de mudança para melhor. É interessante evocar aqui o relato de
um dos produtores de Quem Somos Nós. Ele conta que a produção do filme se
iniciou em 2001 e no começo o ritmo de trabalho andou a passos lentos. Quando houve o ataque às torres gêmeas, porém, imediatamente ligou para uma de suas colaboradoras e a exortou a acelerar o máximo possível o ritmo do trabalho “porque o mundo precisa ouvir esta mensagem”. Assim como o filme, a obra de Goswami fala sobre um sentimento de insatisfação, mas parece expressar os anseios dos que estão insatisfeitos também com o mundo, e não apenas com a própria vida pessoal. Sua busca de uma síntese entre ciência e espiritualidade tem como horizonte um profundo questionamento do estilo de vida vigente das grandes sociedades ocidentais modernas.
É interessante contrastar esta perspectiva com aquela sustentada pelos participantes da Renascença hindu, que na verdade, solicitavam aval científico para práticas associadas a seu modo de vida tradicional, como o yôga ou a medicina ayurvédica. Goswami, porém, é um não tradicionalista e, por isso, pode se dirigir a um público igualmente de não tradicionalistas. Numa certa medida, o pensamento de Goswami contém não apenas uma contestação da sociedade, mas também das atuais expressões religiosas as quais, como vimos, ele descreve como sendo diluições e distorções de uma mensagem mística original. Para algumas pessoas, a insatisfação com as religiões instituídas pode ser ainda mais importante do que o questionamento da economia capitalista neoliberal ou da violência urbana. Estes insatisfeitos podem, então, reconhecer-se na sua abordagem.
É fato, porém, que algumas tradições religiosas parecem prestar uma atenção especial às suas obras e até valorizá-las abertamente. É o caso, como vimos, da teosofia, que frequentemente o convida para dar palestras em seus eventos. Um
interesse semelhante acontece aqui no Brasil, onde seu livro mais vendido é Física
da Alma. Segundo o editor brasileiro, só aqui esse livro conseguiu tirar de Universo Autoconsciente o posto de carro chefe do autor. A razão para isso estaria no elevado número de adeptos e simpatizantes do espiritismo que existe em nosso país. Neste caso, são grupos que procuram uma instância de legitimação adicional à própria crença. A pergunta que cabe aqui é: por que o fazem, uma vez que não há nada que intrinsecamente obrigue o adepto de qualquer confissão a requerer a “confirmação científica” daquilo que mobiliza seu sentimento religioso.
Como vimos, desde o seu surgimento, os líderes teosóficos buscaram esta espécie de síntese com a ciência do século 19. Uma possível interpretação para este movimento é a necessidade de que seus criadores tinham de construir legitimidade. Religiões centenárias e seus derivados podem resultar sua legitimidade da própria tradição, que se sustenta na mesma história da coletividade. Por exemplo, o fundador de uma nova vertente do cristianismo no Brasil pode se fundamentar na aceitação difusa que existe em nossa cultura dos elementos cristãos. Pode afirmar no entanto que a sua é em algum grau diferente daquela sustentada pelas instituições tradicionais, quer seja porque estas cometeram desvios doutrinários comprometedores, quer seja porque elas se mostraram
incapazes de dialogar com novos elementos da cultura. Desta forma, afirmam sua especificidade e sua identidade. Não é, porém, destes elementos que aufere sua legitimidade, mas sim da tradição a qual estão vinculados.
Outros criadores de novas instituições religiosas enfrentaram o desafio de não poderem se remeter a uma tradição preexistente. A fim de que sua instituição fosse reconhecida como portadora de algum tipo de verdade religiosa, era preciso encontrar caminhos para construir essa legitimidade. Por isso, faz bastante sentido que, no contexto do elevado ritmo de desenvolvimento científico e tecnológico que vigorava na Europa Ocidental e na América do Norte do século 19, a aproximação com a ciência fosse vista como um recurso adicional para que a teosofia se legitimasse perante as sociedades ocidentais onde procurava se instalar. Por isso, tal como vimos no capítulo 1, a instituição colocou entre seus fundamentos “o incentivo a estudos comparando religião, filosofia e ciência”.
A busca desta síntese entrou pelo século 20 e mesmo depois que a legitimidade da teosofia já estava mais do que assentada, perseveraram os esforços para mantê-la em diálogo com os desenvolvimentos teóricos que foram se verificando na física. Por isso, o fato de que a teoria atômica do século 20 tivesse sido equivocadamente identificada como o veículo para a construção da síntese entre ciência e religião, em nada modificou a crença de que tal síntese efetivamente será construída, mais cedo ou mais tarde as apostas, atualmente, repousam na MQ. Se esta, eventualmente, vier a ser subsumida numa outra teoria mais abrangente – nas teorias de supercordas, por exemplo – é bastante provável que surjam autores tentando mostrar como as supercordas não são nada mais do que formulações matemáticas de verdades espirituais da teosofia.
Goswami é, então, o herdeiro de um público que vem sendo formado historicamente dentro da teosofia, para a qual a síntese que o indiano propõe não será, de maneira nenhuma, uma mudança de paradigma, mas sim a realização de um projeto há muito esperado, por toda uma linha de religiosidade que começou bem antes da Nova Era. No Brasil, o segmento de espíritas e simpatizantes está em
circunstâncias parecidas36, e ele foi convidado a expor suas idéias, como participante do IV Congresso Nacional da Associação Médico Espírita, ocorrido em São Paulo, em 2003. Para esses grupos, Goswami não é um agente de ruptura, mas de consumação.
36 Debates envolvendo essa expectativa podem ser encontrados, por exemplo, em comunidades do
Orkut tais como “Física Quântica, liberte-nos!!” e “Física quântica: A revolução”. Nesta última, o tópico ainda estava em andamento em 27/02/10, e já havia ultrapassado a marca dos 300 posts.