4. Kjeveortopedisk behandling blant barn og unge 2012-2018
4.3. Behandlingsforløp: behandlingsfaser, varighet og kostnader
Goswami diz que desenvolveu suas reflexões a partir de um esforço para elucidar um tema específico da MQ, o chamado problema da medição. Esse tópico é abordado com mais detalhe em seu primeiro livro, e de certa forma, oferece a base conceitual sobre a qual ele irá posteriormente alicerçar suas conclusões. Vamos fazer uma breve apresentação do tema, a fim de que possamos entender de que forma suas ideias se encaixam num debate, já em andamento.
2.1.1. O colapso da função de onda
Conforme explicam Rosenblum e Kuttner, em 1926, Schrödinger descobriu uma equação que previa, com acurácia, o movimento de objetos quânticos, como um elétron. Uma equação, porém, é uma expressão matemática. Ela não necessariamente descreve qualitativamente o que são os objetos cujo comportamento apresenta. Schrödinger, porém, tinha suas próprias intuições. Acreditava que a constituição essencial da matéria seria uma espécie de nuvem, ocupando uma certa região do espaço. Essa nuvem, como um todo, teria um comportamento ondulatório. “Onde a nuvem do elétron se mostrasse mais densa, o material do elétron estaria mais concentrado. O elétron em sim mesmo estaria espalhado ao longo da extensão de sua ondulação”. À medida que esse ponto de
densidade se transportasse de uma região para outra da nuvem, observa-se- ia uma movimentação do elétron.
Tal interpretação revelou-se incorreta, pois quando se faz uma medição num certo ponto específico do espaço, o que vemos é ou uma partícula bem definida ou nenhum objeto. No momento da medição, “subitamente toda a ondulação prévia do elétron se condensa num único ponto da tela de cintilação, e todo o elétron pode ser visto ali” (p.75). Se um objeto físico realmente estivesse espalhado ao longo da região de ondulação, suas partes mais distantes teriam que condensar-se instantaneamente a fim de que pudesse agrupar-se inteiramente apenas numa dada região do espaço. Para que um evento instantâneo se verificasse, a matéria teria que se mover a velocidades maiores do que a da luz. Isso é fisicamente impossível.
Posteriormente, a equação de Schrödinger foi reinterpretada por Max Born. Ao invés de descrever o comportamento de uma onda real, ela descreveria a probabilidade de que o elétron se materializasse neste ou naquele ponto. Esse processo foi chamado, então, de colapso da função de onda. Antes que o colapso ocorra, o que se tem é a possibilidade de que o elétron apareça nesta ou naquela posição. Após o colapso, o que se obteve é a manifestação “concreta” do elétron – isto é, não mais uma possibilidade. Uma vez que o colapso da função de onda está associado ao ato de medir um sistema quântico, este problema é comumente referido como o problema da medição quântica. É esta expressão que Goswami usa.
2.1.2. A consciência causaria o colapso da função de onda
Sabemos, então, que o ato de mensurar um sistema quântico por meio de um aparelho de medição está associado à ocorrência do colapso da função de onda. Mas exatamente como isso acontece? Tal essa questão é ainda, hoje, objeto de uma extensa discussão, e não vamos nos aprofundar nela. Será suficiente acompanhar uma das linhas de argumentação. Em 1932, o físico John Von Neumann analisou um sistema composto por um objeto quântico, um aparelho de medição e um humano que opera o sistema de medição. Ele diz que qualquer mensuração é composta de duas etapas. A primeira é a interação entre o sistema
quântico e o aparelho de mensuração; a segunda é o ato da observação. Ele concluiu que não faz diferença para o resultado se consideramos que, nesse modelo, o observador, cuja atividade está associada à ocorrência do colapso, é composto pelo ser humano e pelo aparelho que ele utiliza, ou se apenas o ser humano merece ser chamado de “observador”. Em 1939, dois outros cientistas, Fritz London e Edmond Bauer, escreveram em francês uma apresentação do trabalho de Neumann publicado originalmente em alemão. Com o objetivo de aprofundar alguns dos pontos apresentados por Neumann, introduziram a ideia de que a consciência do observador seria o elemento responsável por gerar o colapso. “Von Neumann não havia incluído a consciência do observador na cadeia de medição. A novidade do tratamento de London e Bauer era a afirmação explícita de que o colapso da função de onda era o resultado direto da atividade consciente da mente humana”. (GAVRUGLOU 2005 p.171).
Ao longo das décadas de 1930, 1940 e 1950, esta interpretação “idealista” da MQ atraiu adeptos dentro da academia. Como observa Pessoa Jr., “a interpretação subjetivista da teoria quântica foi defendida por diversos cientistas ortodoxos, apesar de eles constituírem uma pequena minoria na comunidade acadêmica”. Destes, o mais famoso foi Eugene Wigner, prêmio Nobel de física de 1963, por suas contribuições para a teoria atômica e a MQ. Foi considerado por seus contemporâneos um pensador excepcional, comparável a Einstein, embora não desfrutasse da mesma notoriedade pública. No começo dos anos 1960, Wigner escreveu artigos onde procurava demonstrar a indissociabilidade da consciência do colapso da função de onda.
Como explicam Kuttner e Rosenblum, “Wigner especulou que o colapso ocorre bem no estágio final da observação, que a consciência humana havia colapsado a função de onda de um sistema físico. Indo além, ele especulava que a consciência humana poderia, de alguma forma não explicada, alcançar e mudar o estão físico de um sistema” (p.120). E Pessoa observa que num texto escrito em 1964, Wigner já defendia a ideia de que a consciência era o elemento central da MQ: “[...] os físicos concluíram ser impossível fornecer uma descrição satisfatória de fenômenos atômicos sem fazer referencia à consciência. Isto [tem a ver com] o
processo chamado ´redução do pacote de onda´[...]. A consciência evidentemente
desempenha um papel indispensável. “27.
Ainda que tivesse entre seus adeptos nomes ilustres como Von Neumann e Wigner, esta linha de argumentação foi objeto de pesadas críticas desde a década de 1930, pois criaria vários problemas para explicar a dinâmica de funcionamento da natureza. Einstein, talvez o mais famoso crítico desta interpretação da MQ (e da MQ de forma geral), certa vez estava caminhando junto com um amigo à noite. De repente, interrompeu o passo e indagou a ele: “você acredita que a Lua deixa de existir quando ninguém está olhando?” Outro argumento evocado é que tal associação levaria inevitavelmente ao solipsismo, isto é, à crença filosófica de que só o que existe é a nossa própria mente.
Goswami cita Neumann, London, Bauer e Wigner como seus precursores no ataque ao realismo materialista, mas diz que eles não conseguiram perceber a real natureza da consciência. Esses autores postulavam que a consciência seria um atributo individual, o que daria origem a várias situações desconcertantes, pois se dois amigos com suas respectivas consciências olham para um mesmo sistema quântico, qual delas será capaz de preponderar sobre a outra e exercer maior influência sobre o sistema? Essa pergunta foi proposta, sob a forma de um paradoxo, pelo próprio Wigner. Além disso, como observa Martins, eles continuam descrevendo a consciência humana como sendo um epifenômeno do cérebro. E ”sendo a consciência um epifenômeno da matéria, seja difícil percebermos como é que esta tem eficácia causal sobre a própria matéria (MARTINS, 2009 p. 27).
2.1.3. Uma nova explicação para o colapso
Goswami diz que o problema se resolve quando se concebe as consciências dos dois indivíduos como unificadas, e não mais como o produto da ação de dois cérebros diferentes. “O paradoxo de Wigner só surge quando ele faz a suposição dualista injustificada de que sua consciência é separada da consciência do amigo. O
27A Consciência Legisladora, disponível em
paradoxo desaparece se houver um único sujeito, e não sujeitos separados como habitualmente os entendemos. A alternativa ao solipsismo é um sujeito-consciência unitivo” (UA p.111). É importante ressaltar que sempre que apresenta sua solução ao paradoxo de Wigner, o indiano enfatiza que a mesma ideia foi proposta
independentemente por dois outros físicos teóricos, Ludvik Bass (BASS 1971)28, em
1971, e Casey Blood, em 1983.
O que vemos aqui é uma reafirmação por parte do autor do que poderíamos chamar das suas continuidades com a academia. Descreve-se como um físico
teórico que motivado apenas pelo trabalho para resolver um dos grandes problemas
de sua área de pesquisa – o problema da medição – conseguiu conceber uma solução. Essa solução se baseia em especulações e ideias que, como vimos, originalmente, foram propostas por grandes nomes da física, e que são ainda hoje objeto de extenso e legítimo debate acadêmico. Porém, a solução também é inovadora o suficiente para caracterizar Goswami, como um autor original, e não um mero sistematizador do pensamento alheio. Ao mesmo tempo, é uma solução razoável o suficiente para que tenha ocorrido a dois outros físicos teóricos, sendo que o primeiro a propôs bem antes do indiano, e o segundo, poucos anos depois. Ou seja, sua experiência se adéqua à ideia de insight científico, no qual é comum que uma mesma solução ocorra a mais de um pesquisador tal como a descoberta do cálculo por Newton e Leibniz ou a seleção natural por Darwin e Wallace. Ele não se apresenta como sujeito de uma revelação mística, esta sim, uma experiência absolutamente individual.
A proposta para esclarecer a questão da medição analisada
pormenorizadamente em O Universo Autoconsciente, é o ponto de partida teórico de
Goswami, ou seja, é a partir desse ponto que ele começa sua elaboração do que vai chamar de paradigma da ciência com base na consciência. Mas antes de apresentar essa elaboração, dedica-se a atacar o que chama de paradigma do realismo materialista.
28
É interessante notar que Bass estudou com Schrödinger, e submeteu o texto de seu artigo original a Wigner, que fez comentários. No artigo, ele usa a seguinte formulação: ‘uma terceira premissa subsumida no paradoxo de Wigner é que: C. Existem pelo menos duas mentes conscientes independentes. Eu proponho agora solucionar o paradoxo através da negação da premissa C (conseqüentemente adotando uma visão védica)...”.