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Er det forskjell i bruken av tannregulering etter bosted?

5. Sosiale og regionale forskjeller mellom barn og unge i mottak av

5.7. Er det forskjell i bruken av tannregulering etter bosted?

Na conclusão do texto em que introduz sua definição da religião, o antropólogo reapresenta sua ideia central recorrendo, porém, a uma ligeira variação na formulação.

Para um antropólogo, a importância da religião está na capacidade de servir, tanto para um indivíduo quanto para um grupo, de um lado como fonte de concepções gerais, embora diferentes, do mundo, de si próprio e das relações entre eles – seu modelo da atitude – e de outro das disposições mentais enraizadas, mas nem por isso menos distintas – seu modelo para a atitude. A partir dessas funções culturais fluem, por sua vez,

as suas funções social e psicológica.

Os conceitos religiosos espalham-se para além de seus contextos especificamente metafísicos, no sentido de fornecer um arcabouço de idéias gerais em termos das quais pode ser dada uma forma significativa a uma parte da experiência – intelectual, emocional, moral. O cristão vê o movimento nazista contra o pano de fundo da Queda, a qual, embora não explique no sentido causal, coloca-o num sentido moral, cognitivo e até afetivo. Um Zande vê a queda de um celeiro sobre um amigo ou parente contra o pano de fundo de uma emoção concreta e muito especial de bruxaria e evita, assim, tanto os dilemas filosóficos quanto a pressão psicológica do indeterminismo (GEERTZ 1973 p. 141).

Esse trecho tem o mérito de clarificar ainda mais a definição de Geertz. Esta, no seu item 3, já contém o termo “conceito”. O texto acima, porém, exemplifica a

maneira pela qual os conceitos religiosos levam os adeptos de uma crença a pensar

de uma forma característica que lhes permite “colocar atos íntimos, banais em contextos finais”. Tal distinção será importante para as etapas posteriores de análise.

2.2. Críticas

A definição de religião é um debate que segue em aberto e parece se tornar cada vez mais multifacetado (PLATVOET 1999 p. IX). Hanegraaff (HANEGRAAFF 1999) analisa oito propostas e ainda acrescenta sua própria. Em meio à tamanha oferta de abordagens, podemos nos questionar se faz sentido recorrermos, hoje, à definição de Geertz a fim de estudar não apenas Goswami, mas sim qualquer fenômeno religioso. Não terá ela sido superada pelo desenvolvimento teórico dos últimos 45 anos? Na verdade, tais ideias têm sido objeto de extensa crítica, oriunda das mais diferentes vertentes teóricas e posicionamentos contra e a favor. É fundamental ressaltar pelo menos alguns dos elementos problemáticos já apontados nelas.

Schilbrack (SCHILBRACK 2005) se propõe a refletir sobre algumas das críticas feitas à definição de Geertz. Talal Asad critica a própria possibilidade de se constituir uma definição universal de religião. Asad atribui tal motivação a certas práticas discursivas que surgiram no ambiente pós-iluminista, durante o qual a religião passou a ser vista essencialmente como “aquilo em que o indivíduo acredita”. “O moderno entendimento da religião é então um produto da única esfera de legitimidade reservada ao cristianismo pós-iluminista, o direito à crença individual.” (SCHILBRACK, 2005, p. 435). Ou seja, condições históricas específicas teriam levado à criação de um viés entre os pesquisadores condicionando-os a buscar definições cognitivas da religião. Schilbrack pondera que ao associar religião à visão de mundo, ele precisamente desvincula-se da ideia de que ela seria uma questão de foro íntimo, isto é, uma vivência particular. Asad também critica a ideia de que a religião pressupõe a formação de modelos da realidade (os “conceitos de uma ordem de existência geral” de que fala a definição) argumentando que “a maior parte das pessoas religiosas não se interessa por metafísica”. “O fato de alguém possuir disposições religiosas não depende, necessariamente, de que o ator religioso possua o conhecimento estruturado de um modelo cosmológico” (p. 440). Mas Geertz nunca diz que tal conhecimento seja articulado, explícito ou sequer conscientemente interpretado. Pelo contrário, o antropólogo diz que a metafísica de uma religião é comumente apresentada de forma implícita. Encontrar tal visão elaborada de forma articulada é “atípico” (p. 441). Por fim, Asad afirma que a

definição de religião como possuidora de uma forma de discurso metafísico seria, além de um preconceito cristão, um elemento que favorece a atitude colonialista do ocidente. Scilbrack, porém, pondera que a definição associa modelo cosmológico e ethos. “Definir religião como envolvendo metafísica não é mais cristão do que defini- la como envolvendo um ethos.(...) Ao contrário , adotar a atitude oposta e negar que as religiões possam fazer afirmações sobre o mundo tem sido uma estratégia – talvez a mais comum – para elevar o ocidente perante as culturas não-cristãs” (p. 441).

A seguir, Schilbrack aborda as críticas feitas por Nancy Frankenberry e Hans Penner, que por sua vez, fundamentam-se no trabalho do filósofo da linguagem Donald Davidson. Este argumenta contra o que chama de dualismo do esquema e do conteúdo. Esse dualismo opõe, por um lado um sistema conceitual, que é fornecido por nossa mente ou linguagem e, de outro, um “conteúdo” preconceitual que se encontra no mundo. O esquema conceitual serve, então, para dar forma ao conteúdo de nossas apreensões do mundo, que, de outra forma, permaneceriam sem interpretação. Ele diz que não existem apreensões do mundo, que a priori sejam não conceituais. Tal visão se sustenta numa “idéia de um mundo essencial ou numenal, que de outra forma permaneceria não interpretado, pré-conceitual ou independente em relação a formulações teóricas” (p. 443). Davidson argumenta que não é possível nos colocarmos fora de nossas linguagem e crença para ver se “correspondem à maneira como as coisas são”, e termina por atacar a ideia de que existe “um mundo em si mesmo” (p. 443). Penner e Frankenberry argumentam que Geertz trata a religião como um “esquema conceitual através do qual os adeptos experimentam o mundo”. Schilbrack reconhece que, às vezes, Geertz atribui às religiões o caráter de “esquemas conceituais, lentes usadas para enxergar um mundo que, de outra forma, apareceria “sem interpretação” (p. 444). E ao descrever a religião como sendo uma maneira entre outras de conferir sentido à realidade, ele parece sugerir que todas estas perspectivas se tratam, na verdade, de vários esquemas conceituais.

Schilbrack argumenta que esta é uma forma de leitura, que resulta numa apreensão mais filosófica do pensamento de Geertz. Porém, há outra chave possível. Sua ideia de “modelos para” diz que a religião oferece um código de

conduta para lidar com a realidade. Eles não fornecem os conceitos essenciais para interpretar a realidade, “mas sim o que pensar sobre ela e como agir a respeito; [os símbolos religiosos] acrescentam uma camada de interpretação a uma situação já interpretada” (p. 445). Desta forma, tais símbolos não se referem a uma hipotética realidade preconceitual. “Modelos religiosos, sob esta ótica, não são perquirições sobre uma realidade incondicionada, mas sim, como Geertz diz, sobre as condições segundo as quais a vida, necessariamente, deve ser vivida” (p. 446).

Tais considerações levam Schilbrack a concluir a favor da relevância das ideias de Geertz sobre religião. “Sem idéias como a de Geertz, os pesquisadores tendem a abordar a religião como um aspecto da cultura desconectado da realidade (...). A interpretação metafísica de Geertz trata a religião como o esforço de uma cultura para articular sua visão mais abrangente da realidade” (p. 448).

É esta caracterização final do pensamento de Geertz que torna a argumentação de Schilbrack particularmente relevante para esta análise. Pois, como vimos no capítulo anterior, Goswami atribui não mais à religião, mas sim à pesquisa científica a responsabilidade de criar a “visão mais abrangente da realidade” no contexto das modernas sociedades ocidentais contemporâneas. Ao reafirmar a criação de tal perspectiva como sendo a essência da atividade religiosa – e não apenas um viés legado pela tradição cristã ou pelo colonialismo – Schilbrack sinaliza, para a pertinência de buscarmos enxergar, na releitura que Goswami faz da MQ, algo de intrinsecamente religioso.