8. KONKLUSJON
8.2 T EORETISKE FUNN
com e sem tosta.
Os resultados coletados nos dois experimentos de armazenamento de cana de açúcar em tonéis de carvalho tostados e sem tosta sugerem um aumento máximo na concentração de HPAs, entre o 4º e 12º dia de armazenamento. A partir deste período ocorre uma diminuição destes teores. Também se observou que quanto maior foi o tempo de tosta do tonel, menores teores de HPAs cancerígenos. (Tabela 34).
Na literatura são escassas as informações sobre a contaminação de HPAs nas aguardentes armazenadas em tonéis tostados internamente em diferentes períodos de tempo. Tampouco se encontraram trabalhos onde se analisem e quantifiquem os teores de HPAs formados pela degradação térmica da madeira, em relação ao tempo. Entretanto, existem informações para outros sistemas que podem auxiliar a melhor entender, os resultados aqui obtidos.
Em uma pesquisa de McGrath et. al. 2006, se carbonizou o tabaco a temperatura controlada entre os 350 a 800 ºC. A cada 50 ºC, realizou-se uma quantificação dos teores de HPAs produzidos nos resíduos do tabaco, observando que a formação de HPAs começou entre os 350 – 400 ºC de temperatura, alcançando um máximo em seus teores na faixa de 500 – 550 ºC. Aos 800 ºC os teores de HPAs já não aumentaram. (75) (Figura 34)
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Figura 34- Teores de HPAs, a partir do tabaco carbonizado a temperaturas
controladas
Fonte: McGrath, 2006. p. 1046
Com os resultados da pesquisa de McGrath, pode-se sugerir que os HPAs possuem uma faixa de temperatura favorável para sua formação. A partir da qual o conteúdo de HPAs nos resíduos das amostras tratadas termicamente também tendem a diminuir.
Por analogia; pode-se especular que a superfície interna dos tonéis com 1 min. de tosta, cujas amostras apresentaram os maiores teores de HPAs, se encontre dentro da faixa de temperatura favorecida para a maior formação de HPAs.
113 Quando a madeira é degradada termicamente, tem sua área superficial aumentada, apresentando uma superfície muito irregular em comparação a sua superfície inicial (antes da degradação).(76, 77) Na Figura 35, pode-se observar que quando a madeira é degradada termicamente esta alcança maiores temperaturas na superfície em contato com o fogo, em comparação às superfícies internas da madeira. A formação de HPAs, como já se mencionou anteriormente, se produz quando a combustão da lignina ultrapassa os valores de 350 ºC aproximadamente. (38)
Figura 35- Degradação térmica da madeira
Fonte: PINTO, p. 133.(77)
Não se conhece a temperatura exata em que os tonéis de carvalho, utilizados neste trabalho, foram tostados. Mas se pode estimar, segundo algumas características da chama (amarela) 500 a 1000 ºC.
A taxa de aquecimento da madeira (heating rate) é uma característica físico-química importante, na qual indica o valor da temperatura que aumenta por minuto durante o processo da combustão, até alcançar uma temperatura constante e assim a matéria degradar-se completamente. (75, 76 78) Tendo em conta que os 8 tonéis de carvalho foram tratados termicamente a uma temperatura media, é de supor que a taxa de aquecimento dos tonéis foi similar. Isso pode sugerir que os tonéis tratados termicamente durante 3 min. puderam alcançar maiores temperaturas que os tonéis de 2 min. e 1 min.
114 Se a temperatura da madeira degradada termicamente superou os 550 ºC, os HPAs que foram formadas na superfície interna dos tonéis puderam passar a estado de vapor, já que segundo a temperatura de ebulição dos HPAs analisados se encontram entre um mínimo de 279 ºC (NA) e um máximo de 545 ºC (BghiP), ver Anexo 1.
Os HPAs, como já se mencionou anteriormente, são compostos químicos apolares e hidrófobos, o que limita sua solubilidade na água, favorecendo a sua tendência de associação às partículas sólidas. (79) Os HPAs produzidos pela indústria são condensados na superfície dos materiais particulados, que se encontram na atmosfera, e removidos pela deposição seca e húmica (chuva). (23) Diferentes literaturas indicam que os HPAs são muito afins à aderência de materiais particulados. (23, 29, 32, 35, 45, 79)
A aguardente de cana de açúcar a 45 G. L. não é um solvente hidrófobo, já que contém 55% de água. Assim os HPAs que se encontram na aguardente, não se solubilizam totalmente. Segundo os resultados mostrados, os teores de HPAs na aguardente, aumentam nos primeiros dias e depois começam a diminuir. Uma sugestão poderia ser que esta diminuição dos HPAs, se deve a uma maior afinidade desses compostos aos materiais particulados, podendo ser depositados na área superficial dos tonéis.
Chatonnet e Escobessa no ano 2007, analisaram algumas tábuas de madeira de carvalho (usadas para a confecção dos tonéis), armazenadas a céu aberto, durante 24 meses. Algumas delas foram tostadas a uma maior temperatura, outras a uma temperatura mediana e algumas não foram tostadas. Não se realizou um controle da temperatura exata da madeira degradada. Os HPAs das madeiras tostadas e não tostadas foram extraídos com diclorometano e metanol 12 (v/v)%. Os resultados mostraram que as madeiras que não foram tostadas, apresentaram maiores teores de HPAs (320 ng/g) em relação às madeiras tostadas com temperatura maior (163,5 ng/g) e temperatura mediana (125,5 ng/g). Estes autores propuseram que o acúmulo de HPAs na superfície das madeiras não tostadas foi certamente devido aos gases de escape da
115 poluição e das empilhadeiras a diesel com motor, utilizado para mover a madeira nas unidades de condicionamento. (70)
Da mesma maneira, a aguardente de cana de açúcar armazenada em tonéis sem tosta apresentaram maiores teores de HPAs que os tonéis com 2 e 3 min. de tosta, neste trabalho. Esse efeito poderia ser devido à poluição produzida na tanoaria e a poluição do ambiente.
Na mesma pesquisa, analisaram-se os teores de HPAs produzidos nas diferentes espessuras da madeira de carvalho tostadas em diferentes intensidades. Os HPAs analisadas foram: NA, ACE, AC, F, FE, AN, FL, PI, BghiP e BcFE e os HPAs de maior risco cancerígeno como: BaA, CR, BbF, BjkF, BaP, DBahA, IP, DBalP, DBaeP, DBalP e DBahP.. Na Figura 36 se apresentam a soma de teores de HPAs produzidos pela tosta de intensidade fraca, mediana e forte em relação à espessura da madeira. Pode-se observar que na tosta de intensidade fraca e mediana os teores dos 21 HPAs estudados diminuem em relação ao aumento da espessura da madeira. Com respeito as amostras de espessura de 6-10 mm os teores de HPAs aumentaram com o aumento da intensidade da tosta. Na Figura 37 foram quantificadas apenas 11 dos 21 HPAs, que oferecem risco cancerígeno, nas três espessuras. Pode-se observar que a tosta de intensidade forte apresentou os mais altos teores de HPAs carcinogênicos na espessura de 6-10mm.(70)
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Figura 36- Soma dos teores médios dos 21 HPAs analisados com respeito ao
incremento da intensidade da tosta interna da aduela do tonel
Fonte: Adaptado de Chatonnet, et. al., 2007, p. 10354.(70)
Figura 37- Soma dos teores médios dos 11 HPAs consideradas com maior risco
cancerígeno, em relação ao incremento da intensidade da tosta interna da aduela do tonel
Fonte: Adaptado de Chatonnet, et. al. 2006. p. 10353 (70) 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 0-3mm 3-6mm 6-10mm T°C Fraca T°C Mediana T°C Forte
Soma dos Teores de HPAs com respeito ao incremento da intensidad da tosta interna da aduela do tonel
Espessura da madeira n g /g 0 5 10 15 20 25 0-3mm 3-6mm 6-10mm T°C Fraca T°C Mediana T°C Forte
Soma dos Teores HPAs cancerígenos com respeito ao incremento da intensidad da tosta interna das aduelas do tonel
n
g
/g
117 Esses resultados indicariam que os HPAs são formados também nas camadas mais internas da madeira degrada, podendo ser uma fonte de HPAs para aguardente, em tonéis reutilizados (2º experimento).
Com respeito aos HPAs considerados tóxicos pela USEPA, os 4 HPAs que mais contribuíram nos 2 experimentos de armazenamento foram: fenantreno, fluoranteno, antraceno e pireno. Estes resultados foram similares aos resultados reportados por Galinaro 2006 (21). Onde os 4 HPAs tóxicos que mais contribuíram na sua pesquisa foram os mesmos, para cachaças produzidas com cana queimada e não queimada.
O benzo(a)pireno é mais conhecido pelo seu poder carcinogênico, mas alguns trabalhos relatam que o dibenzo(a,h)antraceno e o dibenzo(a,l)pireno são cerca de dez vezes ou mais potencialmente carcinogênico que o benzo(a)pireno.(80) Os tonéis re-utilizados no 2º experimento apresentaram teores inferiores ao limite de detecção para o dibenzo(a,h)antraceno, em tonéis sem tosta e tostados durante 2 e 3 min.
O benzo(a)antraceno e criseno foram os HPAs carcinogênicos, com maiores concentrações, neste trabalho. A pesquisa de Galinaro, também mostrou que entre os HPAs carcinogênicos, esses 2 HPAs apresentaram as maiores contribuições. (21)
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