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2. TEORI OG METODE

2.4 M ETODE

O Modelo para Competência Cultural de Purnell (2002, 2005) foi a base teórica deste estudo. Este Modelo foi eleito porque nele a perspectiva cultural na assistência à saúde é abordada de forma organizada, sistematizada e abrangente.

Este Modelo considera 12 domínios culturais, que transpassam as barreiras de outros modelos trans e interculturais. Neste Modelo, uma ampla margem é considerada na descoberta da realidade que envolve uma comunidade e seus integrantes, no contexto cultural sob estudo, nas visões emic e etic da pessoa e, na abordagem da família e da comunidade.

Ressalta-se que a visão emic refere-se ao próprio olhar do nativo de uma dada cultura, enquanto a visão etic reflete o olhar dessa cultura pela perspectiva de outras pessoas não pertencentes à cultura (Purnell, 2002, 2005).

O foco principal do MCC está direcionado para o estudo da cultura, com uma aproximação etnográfica, no sentido de promover a compreensão cultural sobre a situação da pessoa, tanto na situação de doença quanto na de bem-estar e saúde.

Segundo este modelo teórico, cabe aos profissionais, enquanto provedores do cuidado, assumir o compromisso de compartilhar informações para o benefício dos envolvidos no cuidado, seja na prevenção primária, na secundária ou na terciária da assistência à saúde.

O MCC de Purnell (2002, 2005) sustenta-se em teorias e pesquisas derivadas da administração, antropologia, sociologia, anatomia, fisiologia, biologia, psicologia, religião, historia, linguística, nutrição e de cenários práticos na enfermagem e na medicina.

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O diagrama do MCC retrata um círculo maior, que abarca a sociedade em geral e, dentro dele, estão representados círculos menores para a comunidade, a família e a pessoa, consecutivamente, de fora para dentro do diagrama (Figura 2). Estes 12 Domínios Culturais estão interligados entre si por meio de setas bidirecionais. A parte central do diagrama é vazia e representa os aspectos desconhecidos do grupo cultural.

Figura 2 – Modelo para Competência Cultural de Purnell Fonte: Purnell, 2010 (cedido pelo autor, via e-mail)

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Na parte inferior do diagrama do MCC há uma linha dentada que indica a consciência cultural dos prestadores do cuidado da saúde e ou de outras instituições ou organizações, de acordo com seu estágio de competência cultural, sendo da esquerda para a direita: inconsciência incompetente, consciência incompetente, consciência competente, inconsciência competente.

Nesse Modelo, pressupõe-se que as definições dos conceitos de sociedade, comunidade, família e pessoa podem ser adaptadas de acordo com a cultura do destinatártio do cuidado. Aqui a pessoa pode ser definida como única, como família ou como grupo, dependendo da cultura em questão.

As 12 partes ou os domínios que compõem o MCC (Purnell, 2002) estão descritos a seguir (Quadro 1) incluindo seus itens mais relevantes.

Quadro 1 – Domínios do Modelo para Competência Cultural de Purnell

Domínios Conceitos Herança – Visão

geral

Conceitos de país, origem, residência e seus efeitos, emigração e razões, situação econômica, ocupação e nível educacional.

Comunicação Uso contextual da linguagem e suas variações, a comunicação não verbal e a utilização dos nomes.

Papéis e organização

familiar

A chefia da família e papéis de gênero, papéis familiares, prioridades, status social da família junto à comunidade, estilo de vida familiar, tarefas das crianças e adolescentes, criação dos filhos, papéis dos idosos e da família extensa.

Força de trabalho

Autonomia, aculturação, assimilação, papéis de gênero e práticas de cuidado da saúde originários do país de origem.

Ecologia biocultural

Variações étnicas e raciais, como cor da pele, diferenças na estatura corporal, doenças genéticas e hereditárias, diferenças corporais quanto ao metabolismo dos medicamentos.

Comportamento s de alto risco

Tabagismo, etilismo, uso de drogas ilícitas, ausência de atividade física, excesso de consumo calórico e ausência de medidas preventivas de acidentes, práticas sexuais de risco.

Nutrição Alimentação e satisfação adequada da fome, o significado do alimento, escolhas alimentares, rituais e tabus alimentares, deficiências enzimáticas e a utilização do alimento para a promoção da saúde e o bem-estar e na doença.

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Práticas na gravidez e no parto

Práticas conceptivas e anticonceptivas, crenças e valores relacionados à gravidez, ao parto e ao puerpério e a vivência destas etapas.

Rituais relativos à morte

A forma como os indivíduos e os membros da cultura visualizam os rituais de morte e enterramento, seu comportamento, preparação e práticas de enterro e luto.

Espiritualidade Práticas religiosas e de oração e o significado atribuído à vida. Práticas de

cuidado à saúde

O enfoque dado ao cuidado da saúde, práticas tradicionais, mágico- religiosas e crenças da biomedicina, responsabilidade individual relativa à saúde, práticas de automedicação e de saúde mental, doenças crônicas, barreiras para o cuidado da saúde e as respostas culturais à dor e ao estado de doença.

Provedores do cuidado à saúde

Percepções relativas aos provedores do cuidado à saúde, inclusive os tradicionais, mágico-religiosos, biomedicina ocidental. Neste item, o sexo do provedor de saúde pode ter significado para alguns grupos culturais específicos.

Os pressupostos principais do MCC derivam tanto dos valores pessoais do autor (Purnell, 2002, 2005) quanto dos ambientes de cuidado da saúde, que incluem a promoção da saúde e do bem-estar, a prevenção da doença, o restabelecimento e reabilitação da saúde.

Compõem, nesta condição, duas categorias, a primeira referente ao receptor dos cuidados e a outra ao provedor dos cuidados à saúde, sendo que uma pessoa obtem competência cultural progressiva ou pode regredir nela e voltar a progredir, dependendo dos conhecimentos e das estratégias obtidas no encontro com diversas pessoas sob seus cuidados e diferentes culturas. Portanto, a competência cultural é a adaptação do cuidado, de forma congruente com a cultura do cliente, derivado de um processo consciente e não linear.

Na prática, o Modelo de Purnell (2002, 2005) tem sido de grande relevância, tanto entre enfermeiras, quanto entre outros profissionais da saúde, em diversos ambientes e contextos, por ser holístico, flexível e apropriado para sua utilização pela equipe inter e multidisciplinar.

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Prover cuidados culturalmente sensíveis e competentes ao indivíduo, à família e à comunidade constitui seu pressuposto central. Desenvolver o trabalho sob estas premissas é essencial para a promoção e a manutenção da saúde, para a prevenção da doença e para estabelecer intervenções efetivas.

Extrapola-se o âmbito assistencial com a utilização deste modelo, podendo ser empregado também nas áreas administrativa, educativa e de pesquisa em saúde. O que norteia o planejamento e as ações para um estudo congruente com as necessidades da população envolvida, por despertar o raciocínio crítico, as descrições das experiências pessoais e a aplicação para a prática de forma holística.

Finalmente e, dada a complexidade de culturas e grupos étnicos, o MCC (Purnell, 2002, 2005) permite avaliar culturalmente variáveis importantes, como os valores, as crenças, os estilos de vida e as práticas de indivíduos, famílias e grupos culturalmente diversos, sendo hoje uma necessidade afiançar nossa competência cultural como profissionais da saúde, para o bom desempenho de nossas ações com a população.

O MCC foi adotado como vertente desta pesquisa porque seus pressupostos se alinham aos da antropologia cultural. Por meio dele, foi possível delinear um cuidado sensível e congruente com as necessidades, os saberes e as práticas dos membros do agrupamento cultural estudado.