3. Estetikk takk – en estetisk klargjøring
3.3 En sammenlignende analyse og diskusjon
Centro Universitário Tupy (UniSociesc) [email protected]
Resumo: Este artigo pretende trazer reflexões acerca da reprodução da desigualdade social presente na educação com
um pensamento voltado para a emancipação da mulher através da educação. Sabe-se que há uma vasta problematização na educação brasileira e com este propósito, tal estudo analisa os meios de reprodução da desigualdade social, sendo acerca das mulheres e sua emancipação por meio da educação e nas relações de gênero. O conhecimento dos aspectos culturais e educacionais, bem como o aprofundamento nas informações que levam à compreensão da desigualdade possibilita que este assunto tome proporções maiores se tratando do cunho social e acadêmico.
Palavras-chave: Gênero. Mulheres. Educação. Reprodução Social.
1 INTRODUÇÃO
A análise que difere à reprodução da desigualdade social presente na educação expõe aspectos que vão além do discurso de classe social ou etnias. Na atualidade, as discussões em torno da mulher e das relações de gênero presentes na educação, são alvos de discussões e debates constantes.
No cenário educativo atual, a postura que é tomada ao que difere o tipo de relações que os indivíduos estabelecem entre si e com a sociedade e as que são influenciadas por elas, estão diretamente ligadas ao setor de reprodução social e firmam um vínculo direto com a disparidade gerada nas relações de gênero.
Freire (1993), ao estudar com afinco as questões da educação, afirma em seu pensamento sobre os oprimidos, classes sociais e suas condições, bem como defendia a liberdade e poderia ser alcançada através de mecanismos de informação, sendo esta a educação e a exploração dos potenciais de cada indivíduo, propondo também uma igualdade entre todos.
Compreender a raiz do crescente número de casos de preconceito de gênero nos meios de educação se faz necessário quando a intenção é combater a desigualdade e sua reprodução por meio do sistema educacional, voltando este pensamento também aos casos de violência simbólica e física contra a mulher, bem como quanto ao seu papel e função perante a educação e ensino, levantando a indagação de que se é possível analisar e combater os impactos da reprodução de desigualdade social quando pautada na emancipação da mulher através da educação.
2 A REPRODUÇÃO DAS DESIGUALDADES SOCIAIS NA EDUCAÇÃO
A educação que se tem atualmente é paradoxal, estando ainda em uma era sólida, onde os caminhos traçados eram muito claros e fixos e diverge com a sociedade líquida moderna. Explanando a questão, voltando-se para a educação, ela não necessariamente é imóvel no tempo e no espaço, porém parece estar e permanecer imóvel às transformações sociais.
Segundo Bauman (2008, p. 42).
[...] a ideia de que a educação pode consistir ainda em um “produto” feito para ser apropriado e conservado é desconcertante, e sem dúvida não depõe a favor da educação institucionalizada. Para convencer seus filhos da utilidade do estudo, pais e mães de outrora costumavam dizer que “aquilo que você aprendeu ninguém vai poder lhe tirar”. Esta talvez fosse uma promessa encorajadora para os filhos deles, mas para os jovens contemporâneos, deve representar uma perspectiva horripilante.
A reprodução de certo sistema de hierarquias exige que se mantenham os diferentes tipos de relações que se estabelecem entre os indivíduos, ao longo do processo de produção das relações interpessoais da sociedade. As relações de dependência e de subordinação deverão ser reproduzidas, como fator imprescindível à reprodução do modo de produção dominante, como também a reprodução das relações sociais.
Por óbvio, não se trata, aqui, de excluir a educação como um fator de transformação da sociedade, mas sim de questionar se o modelo de meritocracia utilizado é capaz de proporcionar a necessária transformação em um país em que ainda impera a desigualdade. A propósito, uma das dificuldades encontradas em se impor as transformações por meio da educação, reside no fato de que os indivíduos são desde cedo educados à apenas questionarem em situações
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extremas (ou mesmo jamais fazê-lo), pois no Brasil o questionamento seria visto como uma afronta (DAMATTA, 1997).
Pierre Bourdieu (2001) que dedicou sua carreira a estudar temas a partir da reprodução da desigualdade com inserção na educação diz que,
[...] o sistema escolar cumpre uma função de legitimação cada vez mais necessária à perpetuação da “ordem social” uma vez que a evolução das relações de força entre as classes tende a excluir de modo mais completo a imposição de uma hierarquia fundada na afirmação bruta e brutal das relações de força. (BOURDIEU, 2001, p. 311). Deste modo, a escola institui um poder de informar e dar a legitimidade ao cidadão, fazendo tornar-se parte de uma cadeia social e desta forma disseminando a ordem e social e seus preceitos éticos da sociedade, bem como que o sistema educacional, a dominação e a reprodução das relações sociais se evidenciem no convívio social.
Observa-se na Sociologia de Bourdieu trata da educação sob um prisma crítico, rompendo com o otimismo pedagógico predominante nos discursos do sistema educacional. Para ele, o habitus é usado no afã de legitimar as classes superiores a despeito das inferiores. O habitus conforme bem elucida Bonnewitz (2003), é um conceito central da sociologia de Bourdieu que fornece a articulação e a mediação entre o individual e o coletivo. Há de se convir, portanto, que o habitus produz classes sociais, haja vista que na conjuntura de habitus em comum, há como resultante o que Bourdieu denomina filiação social.
A noção de campo, ainda nas palavras de Bonnewitz (2003), concerne às áreas que compõe a sociedade, constituindo-se em seu bojo as relações sociais de força e de luta travadas entre grupos que ocupam diferentes posições na sociedade. No campo relativo ao gênero, por exemplo, ainda há na sociedade um habitus interpretado de modo a conservar aspectos culturais que colocam homens e mulheres em posições distintas.
No Brasil, observa-se que a educação formal passa por constante avaliação, consubstanciada em notas e/ou conceitos, o que traz consigo o prejuízo de planos pedagógicos, por vezes, mais voltados a elevar a nota auferida por critérios objetivos, do que a combater a desigualdade social por meio da educação.
Salienta-se aqui, que a Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 1988, dispõe que todos são iguais perante a lei. Espera-se que esse ideal de igualdade seja proporcionado pela educação formal, através de instrumentos de liberdade capazes, inclusive, de proporcionar ascensão social. Assim, longe de ser libertador, o sistema de ensino serve como instrumento conservador de legitimação da dominação dos dominantes sobre as classes historicamente dominadas (BOURDIEU, 1966).
3 PROCESSO DE EMANCIPAÇÃO ATRAVÉS DA EDUCAÇÃO
Ao longo da história o homem é colocado a frente dos primeiros lugares na sociedade, enquanto a mulher pouco protagonizava algum papel social. Mãe, esposa, dona de casa, trabalhadora. A mulher foi desvalorizada de inúmeras formas no decorrer da história e vista como inferior ao homem desde os primórdios da sociedade.
Branca M. Alves e Jacqueline Pitanguy citam fala do senador romano Marco Pórcio Catão (195 D.C) que expressam uma ordem social de descaso as mulheres de sua época dizendo que,
Lembrem-se do grande trabalho que temos tido para manter nossas mulheres tranquilas e para refrear-lhes a licenciosidade, o que foi possível enquanto as leis nos ajudaram. Imaginem o que sucederá, daqui por diante, se tais leis forem revogadas e se as mulheres se puserem, legalmente considerando, em pé de igualdade com os homens! Os senhores sabem como são as mulheres: façam-nas suas iguais, e imediatamente elas quererão subir às suas costas para governa-los. (ALVES; PITANGUY, 1985, p. 14).
Contudo, não é preciso voltar muito no tempo para ver a desigualdade de gênero, ainda hoje mesmo com leis e supostos direitos iguais, vemos desvalorização no trabalho, diferenciação de renda, mulheres sendo vistas como meros objetos e sofrendo abusos tanto físicos quanto morais, demonstrando assim a violência simbólica.
Conforme Bauman e May (2010), as mulheres, o movimento feminista como um todo desafiou as desigualdades sociais baseadas em características sexuais e de corpo e assim com um conjunto de esforços alcançou- se resultados, porém quando se trata de questões legais, somente estas não são capazes de assegurar total segurança e conquista de igualdade para a mulher.
Mesmo que aos poucos, a mulher está criando espaços exclusivos, modificando sua realidade e assim reivindicando seu acesso à educação, bem como sua ativa participação na sociedade. Segundo Silva (2014), “[...] o acesso
Universidade do Oeste de Santa Catarina – 10 a 12 de setembro de 2018 à educação e sua participação na vida pública como via de integração no processo social, [...] através de várias concepções acerca do contexto educacional vivenciado pelas mulheres e seu ideário de luta por uma educação emancipadora.” (SILVA, 2014, p. 36). Isto é, a mulher angaria uma luta constante por espaço no meio social através de uma educação que a emancipa e que a forneça condições para sua atuação na vida política, cultural e social.
Para Freire (1981), a educação possui papel de construção e libertação do indivíduo, por meio dela a pessoa é libertada de uma visão limitada e por consequência esta se torna capaz de se reconhecer como indivíduo pertencente a uma sociedade e que do mesmo modo constrói sua própria história.
Quando se trata da educação brasileira para com as mulheres, Ariés (1981 apud SILVA, 2014, p. 40-41) afirma que, “[...] a ausência da educação feminina pode ser explicada pela exclusão da mulher no processo educativo pelo menos até o final do século XVII, quase dois séculos de diferença em relação aos homens.” Mesmo que o avanço trouxe direitos à mulher, muitas destas se dedicaram ainda muitos anos somente o conhecimento do ambiente doméstico era lhe permitido.
A emancipação da mulher perpassa as esferas sociais, quando a realidade é uma sociedade patriarcal vale ressaltar que o desafio se torna ainda maior, visto que nesta sociedade haverá muitas barreiras para o cumprimento de seu livre arbítrio e ainda um retrocesso em nome de interesses alheios rompem suas escolhas e direitos.
O estudo ou questão de gênero leva a uma discussão cada vez mais aguçada, este assunto não se refere apenas entre ser homem ou mulher, ser negro ou branco, índio ou qualquer etnia que for também leva em consideração o teor religioso e tradicionalista da família.
4 CONCLUSÃO
Por meio do estudo realizado neste artigo é possível angariar entendimento acerca de como a desigualdade social presente na educação afeta as mulheres, onde estas buscam em uma luta constante, travando em meio ao preconceito e desigualdades sua emancipação através do conhecimento e participação social. O estudo a finco de questões de gênero coloca-se como uma presente forma de combater o preconceito e segregações que assolam a sociedade, este assunto preconiza o debate de uma igualdade entre todos, onde há a existência de diversidade e que a mesma não pode ser negada, não há diferença entre raças, pois cada indivíduo é pertencente à raça humana única e somente.
REFERÊNCIAS
ALVES, Branca Moreira; PITANGUY, Jacqueline. O que é Feminismo. São Paulo: Brasiliense, 1985.
BAUMAN, Zygmunt; MAY, Tim. Aprendendo a pensar com a sociologia. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.
BAUMAN, Zygmunt. Medo líquido. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
BONNEWITZ, Patrice. Primeiras lições sobre a sociologia de Pierre Bourdieu. Petrópolis: Vozes, 2003.
BOURDIEU, Pierre. A escola conservadora: as desigualdes frente à escola e à cultura. In: BOURDIEU, P.; PASSE-
RON, J. C. A reprodução. Elementos para uma teoria do sistema de ensino. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1975.
BOURDIEU, Pierre. A escola conservadora: as desigualdades frente à escola e à cultura.
In: NOGUEIRA, Maria Alice; CATANI, Afrânio. Escritos de educação. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1999.
DAMATTA, Roberto. A casa e a rua: espaço, cidadania, mulher e morte no Brasil. 5. ed. Rio de Janeiro: Rocco,
1997.
FORQUIN, Jean-Claude. Escola e cultura: as bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar. Porto Ale-
gre: Artes Médicas, 1993.
FREIRE, Paulo. Considerações acerca do Ato de Estudar. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981.
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SILVA, Maria do Rosário de Fátima. Educação e Política: Um olhar a Partir dos Movimentos Feministas e do Pacto
nacional pelo Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres no Século XXI. 2014. Dissertação (Mestrado em Edu- cação)–Universidade da Região de Joinville, Joinville, 2014.
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