2. TEORIBAKGRUNN
2.2. En enkel modell for et individs arbeidstilbud
Apesar do relativo sucesso do romance, Bram Stoker promoveu algumas alterações no texto original. Não se sabe as razões corretas para tal feito, mas alguns estudiosos especulam que Stoker percebeu que a versão que estava em circulação era muito extensa e expunha de forma categórica aspectos negativos das personagens oponentes de Drácula ao apresentá-los praticando atos antiéticos e, até mesmo, fora da lei, na cruzada contra a fuga de Drácula para sua terra natal.
Existe a teoria de que, ao alterar o texto, Bram Stoker não fez mais do que atender aos apelos comerciais dos editores, como defende a pesquisadora Elizabeth Miller, em seu texto Shape-Shifting Text: Editions and Versions of Dracula. Segundo ela, o texto sofreu cortes não apenas para torná-lo mais popular e de leitura mais fácil, como também para reduzir os custos de produção, o que possibilitaria tiragens maiores.
Na contramão da maioria dos teóricos, Elizabeth Miller acredita que, com os cortes, o texto perdeu muito da intertextualidade que o tornava denso e repleto de referências que enriqueciam a atmosfera da narrativa, principalmente no tocante aos detalhes históricos e geográficos sobre as localidades do Leste Europeu, em particular a Transilvânia e os Montes Cárpatos.
Além disso, Stoker anula toda sua bagagem teatral, retirando do texto inúmeras referências a Shakespeare, que atribuíam requinte e humor a algumas passagens do texto. De fato, apenas as referências bíblicas não foram maculadas.
Na mesma linha de conduta, Stoker retirou da narrativa toda e qualquer descrição física e psicológica das personagens, acelerando o desenrolar da trama que adentra os meandros do programa narrativo desde a primeira página.
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Em decorrência da operação relativa às personagens, Van Helsing perdeu grande parte de seu senso de humor e Drácula teve algumas falas cortadas, quase todas recuperadas na adaptação para o cinema feita por Francis Ford Coppola, em 1992. Ademais, passagens sobre o passado do Conde foram subtraídas, algumas extremamente relevantes para a caracterização da personagem, como aquela na qual Van Helsing afirma que “em vida, Drácula foi um homem maravilhosamente notável”. Essa fala também foi integralmente recuperada por Coppola.
Elizabeth Miller assume uma postura um tanto quanto saudosista em relação ao texto original de 1897, como uma lamentação sobre a necessidade de simplificação da obra, mas, dentre todas as anotações feitas por ela, uma destaca-se pela efetiva alteração no sentido profundo da narrativa e pela influência que exerceu na transmutação da obra para o cinema.
A passagem é concernente ao fim efetivo de Drácula, onde a referência a um “semblante de paz” na face do vampiro em seu momento final foi completamente suprimida.
Enquanto eu viver, ficarei feliz em lembrar que no momento final havia em seu rosto uma expressão de paz, como eu nunca poderia imaginar ainda restar ali. Agora, o castelo de Drácula se destacava no céu vermelho e cada pedra de suas muralhas desgastadas brilhava contra a luz do por do sol. (STOKER apud MILLER, 2002, p. 5)
Apesar de singela, essa é uma digressão importante, no sentido de que esse semblante de paz a qual se refere elimina qualquer traço do estado de condenação indelével em que a personagem encontrava-se, o que, sem dúvida, é um fato importante para a essência da personagem, porque credita à sua existência alguma possibilidade de reencontro com a paz. Reforça-se, aqui, que, a partir dessa alteração, Drácula torna-se uma criatura inexoravelmente condenada às trevas, fato que influi diretamente na trajetória cinematográfica da personagem.
Após intenso trabalho, em 1901, Bram Stoker apresenta sua nova versão para o romance Dracula, com uma redução de aproximadamente 15% do texto original. O resultado da edição, conhecida por Abridged Edition (Edição Resumida), é a que se encontra em circulação atualmente.
Ainda em 1901, com a nova versão resumida, é lançada uma edição em brochura que traz, na capa, a primeira ilustração sobre o romance.
Importante notar que a ilustração marca a primeira imagem de Drácula semelhante a um morcego. Além disso, é a primeira vez em que ele é retratado descendo as paredes de seu castelo, uma passagem rápida do romance, mas que determina o caráter monstruoso e repulsivo da personagem. A ilustração torna-se tão aderente à obra que, em 1916, a edição publicada por Willian Rider
and Son Ltd. aparece com uma versão mais elaborada da ilustração, com a
imagem de Drácula tentando aproximar-se cada vez mais de uma possível realidade.
FIGURA 45 - Vlad Tepes, Príncipe da
Transilvânia que inspirou Bram Stoker FIGURA 46 - Capa da 1º Edição de Dracula - 1897
FIGURA 47 - Capa da 1º Edição resumida de
Dracula, com a primeira ilustração do romance – 1901
O que vi foi a cabeça do Conde saindo pela janela. Não vi o rosto, mas reconheci-o pelo pescoço e pelo movimento das costas e dos braços. De qualquer modo, eu não confundiria as mãos que tive tantas oportunidades de estudar. Fiquei a princípio interessado, e a visão me distraiu, pois é incrível como um detalhe ínfimo pode interessar a um homem quando ele se encontra prisioneiro. Meus sentimentos, contudo, transformaram-se em repulsa e terror quando vi o corpo inteiro do Conde emergir aos poucos da janela e começar a se arrastar pela parede do castelo, à beira do terrível abismo, com o rosto voltado para baixo e a capa esvoaçando ao redor como se fosse um par de gigantescas asas. A princípio não pude acreditar no que meus olhos viam. Pensei que era alguma ilusão causada pela luz da lua, algum efeito estranho das sombras, mas continuei olhando, e não podia haver engano. Vi os dedos das mãos e dos pés agarrarem os cantos das pedras, de onde o passar dos anos removera a argamassa, e assim, valendo-se de todas as saliências e irregularidades, descer pela parede com uma rapidez considerável, exatamente como faz um lagarto.- Jonathan Harker ao ter a primeira visão de Drácula descendo as paredes do castelo. (STOKER, 2009. p.264)
Ainda em 1901, ocorre a primeira tradução do texto resumido para uma edição islandesa, apresentando prefácio escrito por Bram Stoker, especialmente para essa tradução. “A primeira versão inglesa para esse prefácio surgiu em
1986” (KLINGER, 2008. p. 2).
Bram Stoker construiu essa abertura ocupando-se em conferir credibilidade aos fatos do romance, tentando aproximá-lo da realidade. Essa preocupação, que se mostra até certo ponto ingênua, permite uma especulação sobre a pouca aderência do gênero ficção com temática sobrenatural antes do advento de Drácula, pois parece claro que um leitor, acostumado com o gênero, estaria voluntariamente predisposto a fechar contrato com a obra, atribuindo veracidade aos fatos nela expostos.
No entanto, considerando a preocupação latente de Stoker, essa parece não ser uma prática corrente na época, sugerindo, mais uma vez, a importância do romance Drácula na disseminação e posterior popularidade do gênero na Europa do fim do século XIX.
A ingênua pretensão de Stoker em associar ficção e realidade chega a tal ponto que o autor ensaia uma relação entre a poderosa influência de Drácula, o senhor dos vampiros, e os crimes cometidos pelo serial killer Jack – O Estripador, além do caso do desaparecimento de um grupo de estrangeiros que circulava pela aristocracia londrina da época.
De forma caricata, o autor afirma que os eventos ali descritos são verdadeiros, dos quais teve conhecimento a partir de documentos oferecidos a ele pelos próprios envolvidos. Apesar de parecerem inacreditáveis e incompreensíveis à primeira vista, ele garante que, com o avanço das pesquisas em psicologia e ciências naturais, todos eles serão esclarecidos e o que parece ser misterioso, no futuro, será logicamente explicado.
Stoker declara ser amigo de longa data de todos os envolvidos e que, por razões óbvias, decidiu preservar seus nomes verdadeiros, adotando os pseudônimos presentes no livro. Curiosamente, ele refere-se a Van Helsing como um respeitadíssimo cientista, mundialmente famoso por seu nome verdadeiro, o qual não revelará com o propósito de protegê-lo.
O autor afirma, ainda, que teve acesso a informações exteriores aos fatos narrados e que suprimiu algumas delas por considera-las desnecessárias para o acompanhamento da história.
Arrematando sua estratégia, Bram Stoker termina o prefácio lançando mão da máxima shakespeariana “há mais coisas entre o céu e a terra do que pode
sonhar nossa vã filosofia”.
Apesar da aparente preocupação com a aderência da história junto aos leitores, Drácula de Bram Stoker mostrou-se notável desde o início. Fato que o autor afirmava não estranhar por conhecer o valor comercial da obra. Ainda hoje, os resultados da história impressionam, pois, desde a primeira edição inglesa, em 1897, o livro permanece sendo impresso e comercializado ao redor do mundo.