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Elevenes erfaringer med samarbeid i kroppsøvingsfaget

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Para responder as questões propostas nos capítulos anteriores foi realizada uma pesquisa que, amparada na perspectiva histórico-cultural, segue a abordagem qualitativa. Parte-se do pressuposto de que o estudo qualitativo, como salienta Bosi (2012), não se define pelas técnicas ou métodos utilizados, mas como uma postura epistemológica, fundamentada em questões ontológicas, metodológicas e éticas, cujo foco deve ser a dimensão intersubjetiva dos atores envolvidos.

A respeito dos pressupostos epistemológicos da pesquisa qualitativa Fonseca (2012) descreve que, entre os séculos XX e XXI, o objeto de estudo da Psicologia torna-se mais complexo e menos conhecido, devido às próprias características da contemporaneidade. Época marcada por complexidades, ambiguidades e relativizações, sendo, portanto inviável reduzi-la a algo simples, uma identidade.

A modernidade, como um modo de existir e se relacionar com o mundo, é um campo de instabilidade no qual se destacam duas linhas filosóficas: a analítica da verdade, na qual predomina uma teoria do conhecimento, e a ontologia do presente, que visa a tornar a filosofia um pensamento sobre o tempo (FOUCAULT, 2008).

A analítica da verdade considera que existe um conhecimento verdadeiro que é o conhecimento científico, portanto segue o modelo de procurar a verdade através dos métodos das ciências naturais. Nessa perspectiva, a busca pelo conhecimento segue as leis científicas, ou seja, chega-se a verdade articulando teoria e fenômenos observados com objetivo de descobrir as leis naturais invariáveis que regem o universo. Outra dimensão da modernidade é a da ontologia do presente. Essa não busca uma verdade universal, mas sim, temporal que se constitui a partir dos acontecimentos que a compõe, que fazem com que seja o que é hoje. Assim a construção do conhecimento tem uma finalidade genealógica, que é a de buscar os elementos da realidade que a fizeram como é, buscar uma verdade que é temporal, que só faz sentido diante da realidade experienciada. Para tanto, o método da busca dessa

verdade é o arqueológico que se caracteriza por considerar histórico os discursos que fundamentam o que se é, o que se faz ou pensa.

A ontologia do presente precisa transpor o cientificismo, para tanto, propõe um conhecimento inventivo, que questione as verdades instituídas e que considere que o sujeito e o mundo se constituem a partir da relação dialética entre ambos. Assim o conhecimento deve ser pensado a partir da sua potência autopoiética, uma vez que se trata de uma relação inventiva, que não segue leis, nem princípios gerais e universais. Ela vai se dando, se constituindo na própria relação. Assim sendo, não é possível prever seus resultados, pois o conhecimento surge sempre da implicação entre cognoscente e conhecido.

Nesse sentido, a pesquisa não começa por um início e visa um fim. Sendo o conhecimento processual, a pesquisa se dá sempre pelo meio. O pesquisador deve considerar que a realidade se dá através de vários aspectos sociais, tecnológicos, políticos, culturais que a fazem bastante complexa, como descreve Paulo Netto (s/d, p. 6):

[...] a realidade concreta é de uma riqueza inesgotável que a faz sempre uma fonte de desafios à razão: se se supõe que essa elevação é uma elevação contínua, crescente, onde o saber nunca esgota o ser e que sempre resta uma margem de conhecimento a realizar-se sobre o objeto, a suposição é de que o concreto é de uma tal riqueza de determinações que o fazem de uma extrema complexidade.

Ainda, como dizem Barros e Lucero (2005, p. 10), “A realidade é movente e, portanto, o princípio metodológico que vai orientar o processo investigativo deve detectar forças tendenciais, direções e movimentos que escapem ao plano das formas constituídas”. Uma vez que os recortes da realidade são formas e estas não podem ser consideradas fora do plano da sua constituição.

Assim sendo, na transição do milênio, buscam-se, também no campo da Psicologia, através de novos sentidos ressignificar o que está posto, e dessa forma questionar os padrões da ordem científica constituídos na modernidade, segundo a qual os comportamentos e processos mentais são descritos a partir de suas regularidades, utilizando-se linguagem matemática para estabelecer generalizações.

Neste novo cenário, chama-se atenção para o fato de que a realidade não existe alheia ao nosso conhecimento e, portanto, não pode ser pensada como diferente deste. Assim também “A realidade psicológica é uma construção contingente,

dependente de nossas práticas sócio-históricas e que não nos define como essência” (FONSECA, 2012, p.45). Neste sentido, a pesquisa em Psicologia, que em seus primódios esteve em busca de verdades absolutas que possibilitassem, olhando as regularidades, desenvolver leis gerais, passa a ser uma estratégia de conhecimento e um recurso para dar racionalidade aos fatos que dialogam com as ciências sociais em detrimento das ciências naturais.

Destarte, a Psicologia Social de base sócio-histórica, marcada pelo materialismo dialético, questiona a neutralidade do conhecimento, revela o homem como produto e produtor de sua história e critica o rigor cientificista. Diante disso, estabelece novas estratégias metodológicas, nas quais se privilegia a pluralidade teórico- metodológica, a intersecção de diferentes campos de conhecimento e as práticas interdisciplinares. Além disso, a pesquisa assume que não existe neutralidade e, assim sendo, a relação pesquisador-pesquisado pode ser reprodutora ou transformadora da realidade social, portanto é necessário assumir uma postura ética em relação às questões de compromisso social e político.

Desse modo, novas maneiras de pensar a Psicologia demandam novas metodologias. A abordagem quantitativa serve aos objetivos de buscar regularidades e generalizações próprias das ciências positivistas. No entanto, não atende a interesses de descrever, conhecer e aprofundar o estudo das particularidades dos objetos. Neste caso são necessárias metodologias de abordagem qualitativas. Estas possibilitam as análises e interpretações de dados e permitem variações de leituras que dependem do recorte feito do real, da conceitualização do objeto, do material pesquisado e do aporte teórico de fundamentação (TITTONE & JACQUES, 2012). Nas abordagens qualitativas, o pesquisador não é neutro no processo e nem separado de seu objeto de pesquisa. Ambos, pesquisador e pesquisado, participam do processo de construção e socialização do conhecimento produzido. Assim, não é possível pesquisar mantendo distância do campo de estudo. É necessário deixar-se afetar, inquietar-se e problematizar o que está instituído.

Com relação ao estudo qualitativo em Saúde Coletiva, Bosi e Uchimura (2007, p.153) apontam para a importância da “valorização das percepções dos atores, entendendo essas percepções não como subjetividades descontextualizadas [...], mas como sinalização de experiências complexas, materializadas nas relações estabelecidas com determinadas práticas em saúde”.

Neste sentido, outra especificidade da pesquisa qualitativa é o fato de que “o que se processa nas pesquisas qualitativas pertence ao plano das construções intersubjetivas, imersas em relações sociais, e não a mera aplicação de técnicas” (BOSI, 2012, p. 580). No entanto, como a análise do instrumento utilizado para produção de evidências, o Instrumento Gerador dos Mapas Afetivos - IGMA requer, conforme descrito a seguir, uma análise estatística complementar, o presente estudo é de abordagem mista. Embora não tenha como pretensão realizar mensuração ou generalização dos resultados encontrados e sim, entender quais relações podem ser estabelecidas entre as dimensões afetivas relacionadas aos lugares e o modo de viver saudável, considera-se importante a análise estatística complementar possibilitada pelo instrumento utilizado.

Descritos esses pressupostos que balizam essa pesquisa, será apresentado o cenário no qual ela foi desenvolvida e, em seguida, será descrita a inserção no campo de pesquisa e o processo de produção de evidências. Posteriormente os instrumentos utilizados na produção dos resultados, bem como a análise destes e os cuidados éticos considerados nesta investigação serão apresentados.

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