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4 Presentasjon og drøfting av funn

4.5 Elevane si erfaring med tilhøyrsle

As marcas desse novo jornalismo “objetivo” começam por ser visíveis no mundo anglo-saxónico antes de chegarem à Europa. Érik Neveu destaca o facto de, historicamente, o jornalismo francês assentar “num processo permanente de importação e de adaptação de fórmulas redatoriais anglo-saxónicas” (2001: 24), "a linha de descendência direta" do jornalismo britânico, como lhe chamam Barnhurst e Nerone (2009: 20). Jean Chalaby argumenta que o contexto histórico, social, político e económico dos Estados Unidos e de Inglaterra foi decisivo para o nascimento dessa nova lógica de enquadramento da ação jornalística nesses dois países. Chalaby classifica

12 Nelson Traquina destaca “o peso dos constrangimentos organizacionais sobre o trabalho jornalístico” (1999: 169).

“Os repórteres sabem que são produtores de uma burocracia produtora de notícias, e que respondem, nas suas comunicações, à estrutura social e às pressões da sala de redação” (Gieber, apud idem, ibidem).

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o sensacionalismo13 como uma estratégia discursiva imposta pelos proprietários dos jornais, que consiste na assunção e aplicação de um conjunto de princípios de ação:

"Estilo de escrita, escolha da linguagem, definição do ângulo de abordagem da matéria jornalística, seleção dos elementos a que a narrativa deve dar ênfase, o tom do artigo e todas as técnicas jornalísticas que possam ser usadas para aumentar a carga dramática da história (1998: 149)"

No fundo, esta estratégia discursiva é o resultado da imposição preponderante de um fator externo ao jornalismo que, nessa fase, começa a influenciá-lo de forma decisiva: o mercado. Paralelamente, impõe-se um novo contexto político e cultural como fator igualmente determinante na estruturação do campo jornalístico.

De forma decisiva, os jornais começam a ficar dependentes da audiência. O momento histórico, que transforma leitores em consumidores de notícias (audiências), e da publicidade que as sustenta, tem raízes na Inglaterra da segunda metade do século XIX. Entre 1855 e 1861, a Inglaterra, numa associação direta entre fatores políticos e económicos, decidiu abolir as taxas que pesavam sobre os jornais. A decisão teve repercussões diretas no preço de capa: os jornais passaram a ser vendidos a um penny e, uma décadas depois, a meio penny. "O preço tornou-se atrativo para muito mais gente e o mercado dos leitores alargou-se bastante” (Chalaby,1998: 32).

Aumentaram as publicações no mercado, aumentaram as vendas, aumentaram os leitores. Impôs-se um mercado de grande competição, em que os proprietários dos títulos, e os próprios jornalistas, se envolviam na batalha pela conquista de leitores. Chalaby considera que na "base de constituição do campo jornalístico" está exatamente, esta "competição feroz" gerada entre jornais e jornalistas. A estratégia de “perseguição” aos leitores, a que então se assistia, pretendia gerar, sobretudo, “recompensas puramente económicas". (idem, ibidem: 32, 37, 147). Os rostos principais dessa competição levada ao extremo foram, à época, sobretudo, três jornais americanos: The World, The

Journal e The Herald (idem, ibidem).

O conceito de campo jornalístico, detalhado por Pierre Bourdieu, alicerça-se no peso do número, ao assumir o "mercado como instância de legitimação": "O rating (medição de audiências) converteu-se no juízo final do jornalismo" (1996a: 8 e 9).

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Como refere Jean Chalaby, a definição do momento histórico preciso do nascimento do sensacionalismo como prática discursiva na imprensa não é um tema de consenso universal, longe disso. O autor assinala que "parte dessa controvérsia decorre da própria definição de sensacionalismo". Chalaby propõe, por isso, uma distinção entre "material sensacional enquanto conteúdo jornalístico" e o sensacionalismo "enquanto estratégia discursiva". Chalaby entende que, encarado enquanto estratégia discursiva, o sensacionalismo corresponde à afirmação de uma linha editorial assumida pelos proprietários dos jornais. Ora, essa estratégia editorial está associada ao período preciso da história que estamos a assinalar: a imposição de uma imprensa popular comercial (1998: 149).

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Regressaremos a Bourdieu na etapa final desta investigação, quando definirmos os contornos de um modelo de formação académica em jornalismo, que discuta formas de ultrapassar os efeitos dos constrangimentos criados por esta preponderância do mercado no jornalismo quotidiano.

Jean Chalaby percorre a linha de raciocínio de Bourdieu, estabelecendo um paralelo com a imprensa do período pré-industrial. Para o autor, a imprensa comercial de massas "já não se deixava conduzir por batalhas simbólicas e políticas (como a imprensa do período liberal), mas de forma mais prosaica, o objetivo era a competição económica por leitores e lucros” (Chalaby, 1998: 37). João Pissarra Esteves prossegue a mesma linha de análise:

“O cálculo económico passa a influenciar determinantemente os conteúdos, seja em termos

de seleção dos temas abordados, seja na sua forma de apresentação (escrita e visual)”

(1998: 231).

Uma Profissão de Largo Espetro: o Profissionalismo e a Linha Editorial dos Órgãos de Comunicação Social

Assim, a empresarialização dos jornais teve uma influência direta no conteúdo das notícias, mas também foi a responsável pelas alterações impostas ao próprio jornalismo. Uma atividade lucrativa exige, dos seus profissionais, o cumprimento de um conjunto de regras que lhes permita exercerem o seu papel, sem perturbarem a prossecução do objetivo soberano da empresa. Uma empresa jornalística comercial adota o lucro como objetivo principal, ainda que deva assumir, igualmente, o cumprimento de um conjunto de princípios ético-morais que enquadram o exercício do jornalismo, alguns deles objeto de regulamentação.

John Soloski demonstra como “o profissionalismo” dos jornalistas é responsável por uma certa adaptação (na sua essência poderemos considerar acomodação) por parte dos jornalistas, que permite aos empresários protegerem o seu negócio e, aos jornalistas, o seu papel, ainda que com custos naturais para o cumprimento integral da missão social, que enquadra o exercício da profissão. O profissionalismo e as políticas editoriais controlam o comportamento dos jornalistas:

“O profissionalismo é um método eficiente e económico, através do qual as organizações jornalísticas controlam o comportamento dos repórteres e editores (…) A fim de limitar mais o comportamento discricionário dos jornalistas, as organizações jornalísticas têm desenvolvido regras – políticas editoriais” (1989, 1999: 92).

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Como as notícias, a matéria-prima dos jornalistas e editores, são imprevisíveis, e obrigam a atitudes profissionais imprevisíveis, o controlo permanente dos jornalistas pela organização seria ineficaz; deste modo, o profissionalismo, assente em regras e padrões de comportamento, garante o cumprimento das políticas editoriais da organização.

Soloski entende que “as fronteiras” entre o jornalista e a administração são “suficientemente amplas para permitir ao jornalista alguma criatividade” na sua ação profissional, mas são, igualmente, “suficientemente estreitas para se poder confiar que os jornalistas agem no interesse da organização jornalística” (idem, ibidem: 100).

O profissionalismo, de que nos fala John Soloski, e que tem esse efeito, direto, de enquadrar a atividade do jornalista, limitando-a e acomodando-a à política editorial do órgão de comunicação social para que trabalha, constitui a essência da cultura da redação. Warren Breed constata que o jornalista estagiário incorpora as normas do profissionalismo na redação, em contacto direto com os colegas mais velhos. Num estudo de meados do século passado, feito em redações de jornais de média tiragem do nordeste dos Estados Unidos, Breed concluiu que a absorção das normas que enquadram o profissionalismo, promotor do conformismo, é concretizada através de um processo de socialização do jornalista (aprendizagem por “osmose”): os estagiários “aprendem as regras como um neófito numa subcultura” (1999: 152 e 153).

O Peso das Influências que Moldam uma Atividade Profissional Singular

A discussão do conceito de profissionalismo poderia auxiliar-nos a delimitar o conceito mais vasto de profissão, mas – no que concerne ao jornalismo – a simples constatação desse conjunto de normas, que regula o exercício de uma atividade, num determinado contexto físico e social, a redação, não consubstancia, por si só, a existência de uma profissão. Profissionalismo e profissão mantêm, todavia, pontos de interseção.

Como referimos, historicamente situamos a origem da profissão de jornalista no século XIX; geograficamente fixamos essa origem nos Estados Unidos da América e na Inglaterra.

Mas de que profissão estamos, realmente, a falar?

A singularidade do jornalismo decorre, em parte, do quase monopólio que, ainda hoje, a redação desempenha na definição da atividade profissional. Mesmo partilhando

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um conjunto de princípios comum, cada jornalista submete a aplicação desses princípios à identidade da redação onde trabalha.

De facto, ao contrário de outras profissões liberais (médicos, advogados), em que o acesso está dependente de um diploma, que pressupõe a aferição de um conjunto de saberes e de práticas, determinado e definido por um sistema que está acima da profissão e das respetivas organizações profissionais, o jornalismo não dispõe – na maioria dos países – de um quadro rígido de acesso, nem requer essa aferição de saberes e práticas comuns a todos os que a ele acedem.

No caso português, mesmo existindo um código deontológico e um estatuto profissional, que definem e enquadram a atividade, e uma entidade, a Comissão da Carteira Profissional dos Jornalistas, que integra representantes das entidades patronais, dos profissionais e é presidida por um juiz, não existem quaisquer sinais de que esse organismo exerça sobre os jornalistas uma vigilância que aplique sanções, nos casos em que possam ser observadas práticas que violem o código deontológico, o estatuto profissional, ou qualquer diploma do pacote legal que regula a comunicação social.

A resistência dos jornalistas à imposição de uma vigilância sancionatória por parte de entidades internas ou externas à profissão terá, certamente, permitido que comportamentos lesivos da ética e deontologia profissionais tenham ocorrido sem consequências.

Em termos gerais, é possível afirmar que o jornalismo não dispõe de nenhuma entidade que contribua para a promoção de uma atitude comum ao grupo profissional que exerce a profissão, e, no limite, nem sequer poderemos afirmar que os jornalistas partilhem um quadro de ação e de valores próprio (universal), que seja marca de identidade. A linha editorial dos órgãos de comunicação social, em que cada jornalista trabalha, afirma-se, assim, como o elemento que, mais diretamente, condiciona a ação profissional. E essa linha editorial, mesmo aplicando princípios comuns em todos os órgãos, que decorrem da regulamentação, apresenta variações entre todos. Por vezes, as grandes linhas de ação de determinado órgão de comunicação social nem sequer estão escritas, são, pura e simplesmente, assumidas e postas em prática e, como refere Breed, apreendidas por osmose.

Esta singularidade do jornalismo, enquanto atividade profissional cujo acesso não depende de nenhum “bilhete de entrada” (Neveu, 2001: 26), que o regule e defina, leva o jornalismo a ficar mais dependente do micro cosmos de uma redação (ou, no limite, da singularidade, do estilo, da identidade do próprio jornalista), do que de uma

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entidade superior que defina as regras da profissão e encontre forma de as fazer cumprir, por igual, a todos os seus membros.

No limite, poderemos entender que o jornalismo fica dependente da prática de cada jornalista em concreto. Não apenas do estilo individual, moldado pelo contexto pessoal e profissional mas, e principalmente, da “vocação” que cada um tem para exercer a atividade, aquilo que Barbie Zelizer classifica como o “talento que alguns jornalistas reclamam ser inato, materializado na ideia de ter faro para notícias" (2004: 23).

Érik Neveu afirma, por isso, que embora os jornalistas partilhem um conjunto de competências, o domínio das mesmas “pode ser muito desigual e a sua aprendizagem faz-se ainda, frequentemente, com a prática” (2001: 26), que, variando de órgão de comunicação social para órgão de comunicação social, fomenta essa desigualdade.

Um Ofício de Fronteira

Esta inexistência de controlo quer no acesso, quer na ação prática, favorece a confusão, relativamente à definição do perfil de quem pode praticar a profissão. Como refere Neveu, nada impede que um animador televisivo entreviste um político, numa entrevista política (idem, ibidem), e que dessa entrevista surja uma notícia que esse animador, sem carteira profissional, divulgue e de que se aproprie14.

Antes mesmo da imposição da Internet, que veio acentuar essa diluição de fronteiras, já o problema do perfil do jornalista se colocava, contribuindo para fragilizar as bases da profissão. Barbie Zelizer considera existir “um impulso em certos meios para classificar programas de comédia e "reality television" como jornalismo. A autora entende que esse impulso está associado ao crescente protagonismo de personalidades como Jon Stewart e Sharon Osbourne15. O espaço que ambos ocuparam no palco dos

media promoveu a sua inclusão “no coletivo conhecido como jornalistas" (2004: 23).

Colocados perante fronteiras difusas, os recetores revelam naturais dificuldades em separar os perfis de todos os que exercem atividades nos media, não conseguindo atribuir a cada um as funções que lhe estão, originalmente, associadas.

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Um dos casos mais paradigmáticos nesta matéria é a entrevista de David Frost, um entertainer britânico, a Richard Nixon, ex-presidente dos Estados Unidos da América. Frost conseguiu que o Presidente do Watergate assumisse, publicamente, responsabilidades no caso. Mesmo tendo perdido o poder na sequência do escândalo, Nixon não havia assumido o seu papel no mesmo, apesar das diversas tentativas de jornalistas da área política. 15

Jon Stewart é apresentador do Daily Show, programa de humor que satiriza a política e os media, emitido diariamente pelo Comedy Central, canal de cabo norte-americano. Sharon Osbourne era uma das protagonistas do

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De facto, os jornalistas não têm o monopólio da notícia, mas a recolha e divulgação das mesmas, por jornalistas, nunca foi tão partilhada quanto agora, na era da Internet. Esse desempenho da função de gate-keeping, por uma miríade de atores, contribui para a diluição das fronteiras da profissão, complexificando, ainda mais, a definição e enquadramento do jornalismo nos parâmetros apertados de uma profissão. A possibilidade, igualmente reforçada pela Internet, da especificidade do jornalismo se perder e a profissão se deixar absorver pelo vasto campo da comunicação, quebrando- se, ou diluindo-se, fronteiras, introduz nova zona difusa na definição do jornalismo enquanto profissão.

José Luís Garcia (2009) e Denis Ruellan (2004) discorrem sobre os contornos "inconstantes" e "imprecisos" da profissão, que acentua esse potencial de confusão junto dos destinatários da missão do jornalista. Mas se Ruellan deteta nessa imprecisão a riqueza identitária do jornalismo, enfatizando a desnecessidade de aplicar ao jornalismo o espartilho (regras, normas de conduta, sanções, formalização de competências, fechamento do acesso) que enquadra as profissões16, Garcia entende que a consolidação do processo de profissionalização mobiliza diversos atores da classe, que buscam reconhecimento social (2009: 70 e 71). O autor observa que a mobilização em torno desse reconhecimento social é comum à classe, ainda que, no caso português, a "heterogeneidade" que caracteriza o conjunto dos jornalistas (um grupo crescente de jornalistas precários e uma subclasse de topo, prestigiada social e profissionalmente), constitua um "obstáculo considerável à sua transformação numa profissão bem estabelecida em Portugal" (idem, ibidem: 84-89).

Mesmo estando consciente, como Ruellan, das fronteiras imprecisas do jornalismo, Garcia observa a existência de uma missão clara, que garante ao jornalismo a "legitimidade social": o jornalismo satisfaz a "necessidade" da coletividade em dispor de "uma mediação de carácter informativo e comunicacional". O jornalista é, assim, o guia, o mediador, que, difundindo informações e conhecimentos, orienta os indivíduos e as sociedades (idem, ibidem: 70).

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A definição clássica de profissão subentende a existência de diversos parâmetros: controlo de acesso, a existência de um código de conduta, cujo cumprimento é vigiado e sancionados os prevaricadores, pressupõe a aquisição formal de um conjunto definido de competências (Smith, 1980, apud Brodasson, 2005: 156). Mário Mesquita clarifica a base da relação entre os profissionais e os destinatários dessa missão: "especialização de serviços destinados a servir uma clientela". Essas competências profissionais pressupõem a existência de uma formação específica, baseada num corpo teórico sistematizado, que estabelece uma linha de fronteira precisa entre pessoas qualificadas e não qualificadas (2000: 68). A definição de Larsons (1977) alarga o universo da classificação, podendo, assim, acolher sem reservas os jornalistas: "fornece um corpo de conhecimentos que demonstra aos membros o que podem fazer e o que devem evitar em qualquer circunstância" (apud Zelizer, 2004: 33).

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Denis Ruellan considera, por seu lado, o conceito de profissão demasiado "codificado" para ser aplicado ao jornalismo, por isso, o autor opta pela classificação dos jornalistas como "grupo profissional"17, ao mesmo tempo que caracteriza o

jornalismo um "ofício de fronteira" (2004: 9 e 10)18, sem que o termo fronteira possa ser

literalmente interpretado. Na base deste conceito está o oposto: um ofício que se fortalece incorporando outros, associados aos meios onde a ação jornalística carece da intervenção de diversos operadores para se efetivar (repórteres e editores de imagem na televisão, editores e sonoplastas na rádio, designers gráficos, programadores, na área

multimedia), mas, esse ofício de fronteira assume, igualmente, um conjunto de

influências exteriores (mercado, tecnologia, sistema político, social) que o molda. A ideia de abrangência compromete, de facto, a classificação do jornalismo, mas, no entender de Ruellan, a "imprecisão" que suscita não deve ser encarada como uma "disfunção", uma vez que oferece ao "grupo profissional" dos jornalistas uma "amalgamagem" e uma "flexibilidade (...) absolutamente eficazes" (idem, ibidem: 11):

"A aura do jornalismo encontra-se reforçada pela largura do espetro das suas competências possíveis, a extensão do seu perfil facilita a sua adaptação às evoluções tecnológicas e económicas" (idem, ibidem: 21).

A imprecisão da função compromete, de facto a sua classificação.

Thorbjörn Brodasson (2005: 158), apresenta-nos a dimensão do debate à volta do conceito de profissão. O espetro da discussão é de tal forma amplo que corremos o risco de perder o essencial: a preservação dos valores que constituem a essência do jornalismo. Goldstein (1985), Olen (1988) e Merril (1988) consideram que o enquadramento do jornalismo numa profissão limita o espaço de liberdade dos jornalistas e, como tal, rejeitam tal fechamento. Windahl e Signitzer (1992) utilizam o conceito de semi-profissão, uma vez que os conhecimentos de base, essenciais para o desempenho da atividade, não assumem as mesmas características de outros, associados a profissões institucionalizadas (apud idem, ibidem). O mesmo conceito é subscrito por Ortega e Humanes (apud Cascais, 2008: 58). Dunn, por seu lado, fala do mesmo por outras palavras: uma "quasiprofession" ("ao mesmo tempo que parece assumir um compromisso com algumas normas chave da profissão, falha na maioria das marcas do

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Ruellan classifica os jornalistas como grupo profissional, assumindo que o conceito de grupo profissional releva da necessidade de segmentos profissionais controlarem o mercado de emprego, sendo, por isso, cada um dos grupos formados, um produto direto do mercado (2004: 9).

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O autor utiliza o conceito, pela primeira vez, em 1993. Neste texto de 2004, Ruellan retoma a análise relativa ao universo fluido que molda o jornalismo.

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profissionalismo") (apud Nolan, 2008: 740). McQuail, por fim, considera que a evolução da notícia moderna traz associada a gestação de uma profissão (apud Brodasson, 2005: 158).

O maior compromisso que deveremos estabelecer com a necessidade de classificarmos o jornalismo como uma profissão é com a existência de um quadro de valores que constituem a sua base e, cujo cumprimento, requer um determinado padrão de ação, assente na ética profissional e enquadrado por normas legais e morais que estruturam a missão. O jornalista não é um simples reprodutor de factos que transforma em notícia.

A autonomia do campo alimenta-se, exclusivamente, da capacidade de resistência do jornalista aos constrangimentos, sobretudo económicos, com que quotidianamente se depara. Adelino Gomes assume, por isso, ser "dever" do jornalista "ultrapassar os constrangimentos reais, poderosamente presentes no quotidiano profissional", que enfraquecem o eixo profissional à medida que assumem maior relevância (2012: 56, 58). O autor admite, pois, a existência de uma margem de liberdade do grupo profissional, cuja expressão se revela no selo de credibilidade que caracteriza o grupo, mas também, na credibilidade individual (a sua assinatura é o seu penhor) (idem, ibidem: 54). A consciência de que existem constrangimentos que restringem a ação quotidiana é, desde logo, um primeiro passo para usar essa margem de liberdade.

De facto, o jornalismo é permeável a um vasto conjunto de mutações que contribuem decisivamente para as indefinições e ambiguidades que sobressaem no posicionamento desta atividade profissional. Desde as influências da tecnologia e do mercado, ao estilo e talento dos profissionais, bem como das influências da ação politico-legislativa e do quadro de valores que enquadram cada época, todos estes fatores têm reflexos no jornalismo.

Bill Kovach e Tom Rosenstiel assinalam, porém, que a finalidade do jornalismo mantém “uma constância admirável”, não sendo definida pela tecnologia nem pelos jornalistas, ou pelas técnicas que empregam, mas sim por algo que lhes está acima - um quadro de princípios expresso no papel que as notícias desempenham na sociedade e que se sobrepõe a todas as mutações (2001: 15).

Esse conjunto de valores, que permanece constante, pode ser apresentado nestes